quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

As vidas de Christopher Chant - Diana Wynne Jones

Não. Não, eu não li o livro em um dia. Deu quase uma semana. Na verdade eu terminei A brincadeira na quinta, comecei imediatamente a ler esse, e como eu fui viajar depois do almoço na sexta e só voltei segunda à tarde não deu tempo de resumir o livro do Kundera antes. Mas esse eu terminei ontem mesmo.
Eu não sei qual dos livros de Os mundos de Crestomanci eu gosto mais Vida encantada  ou As vidas de CC. Eu sei que não é A semana dos bruxos  nem de Os magos de Caprona nada contra, é só uma questão de gostos. E logo mais eu vou poder opinar sobre o último da coleção. Chegou em casa, Mil Mágicas é bem fininho, acho que são quatro contos que envolve personagens dos outros livros. Estou ansiosa para ler, mas tudo a seu tempo...


No início desse livro Diana nos informa que tudo o que acontece nessa história foi há mais de 20 anos, quando o Crestomanci de Vida encantada era uma criança da idade de gato. Quando ele descobre que possui 9 vidas e é levado para viver no castelo Crestomanci. E assim como gato odeia o lugar, não consegue fazer amigos, e logo enfia-se em mil confusões, muito mais sérias que a de gato.
Christopher é um garoto que foi desde pequeno criado em casa sem muitos contatos com os pais e outras crianças por isso não sabia que os seus sonhos não eram comuns. Christopher viajava em sonho pelos mundos vinculados, entrando em contato com os seus habitantes e podendo trazer coisas para o seu mundo (o mesmo de gato!). Um dia sua governanta descobre sobre estes sonhos e chama o tio de Christopher, que ao invés de ficar bravo ou chocado convida o sobrinho para participar de experiências, onde junto com um ajudante seu, Tacroy, Christopher tentaria trazer coisas de outros mundos (vamos lá, fica claro que isso é um tanto ilegal!).
As experiências vão bem, tirando as diversas vezes em que Christopher morre! A primeira vez é quando tenta levar um gato vivo do templo de Ashet para casa, mesmo tendo feito uma promessa para a Deusa Viva, ele é acertado por uma lança. Como ele morreu em um mundo diferente do seu ele tem que morrer de novo em seu mundo para que tudo se estabilize. Morre também por causa se uma armadilha feita pelo grupo de Crestomanci que tentava parar com o contrabando, e incinerado pelo fogo de um dragão. E algumas outras vezes, ele acaba o livro com apenas duas vidas!
O fato é que depois de alguns acidentes mortais seu pai desconfia de que seu filho tenha 9 vidas, e quer que ele seja treinado para novo Crestomanci, o único problema é que Christopher não tem nenhum dom para mágica (igual gato!). Seu pai persiste e o leva para um tutor, que acaba descobrindo o ponto fraco dele, Christopher não pode entrar em contato com a prata! Depois disso ele é levado para o castelo onde ele se sente só e descobre que seus únicos amigos são Tacroy e a Deusa, e os dois estão com sérios problemas, e vão precisar da ajuda de Christopher. Assim como todos no castelo, depois que toda a equipe perde seus poderes na tentativa de pegar a gangue do Assombração (o tio), além de espalhar as vidas do Crestomanci atual por todos os mundos.

No final tudo dá certo, afinal é um livro infantil!
O mais legal é que não só Christopher é o Crestomanci do primeiro livro, como também Millie sua esposa é a Deusa que fugiu do seu mundo para não ser morta, e tem a fixação de estudar em um colégio igual a personagem da sua série de livros favorita, a da Millie, que Christopher dá para ela em troca do gato.

Sério, qualquer um que tiver um tempo para ler, leia essa série, e depois a outra. Todos os livros são imperdíveis. Livros com linguagem infantil, dirigido para as crianças, mas com um conteúdo muito adulto. Afinal existem mundos paralelos? Eu gosto de acreditar que sim. Gosto das possibilidades. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A brincadeira - Milan Kundera

Enfim cheguei ao fim do meu box. E é com muita tristeza que eu me despeço desses livres. Comecei achando levemente interessante e me motivando a chegar ao fim. E quando eu percebi que só faltavam 100 páginas para o fim de A brincadeira eu quase parei de ler, quis ler uma página por dia para prolongar. O engraçado é que eu não consegui. Harry Potter que tem toda ação por trás e você quer logo chegar ao fim, eu acho possível diminuir o ritmo, enquanto que com esse livro, em que o passado é mais importante que o presente, e portanto os fatos já aconteceram, foi impossível.


O livro conta a história de Ludvik um homem maduro que é assombrado pelo seu passado. Quando ele era jovem, estudava na faculdade e participava ativamente no Partido Comunista ele era acusado pelos seus companheiros por um certo intimismo, mas ele foi realmente culpado e expulso do Partido por causa de uma brincadeira (ele de fato tinha um senso de humor que não era nada compatível com o Comunismo. A brincadeira foi uma graça que ele quis fazer para sua namorada da época uma jovem um tanto ingênua. A carta foi lida pelas autoridades, e Ludvik foi mandado para trabalhar nas minas. Um trabalho muito desgastante e destinada apenas aos excluídos da sociedade.
Enquanto ele estava trabalhando nas minas ele se afastou de todos os seus amigos, de tudo. Tornou-se rancoroso, sabendo que qualquer um, até mesmo um amigo teria enviado ele para lá. A única luz que ele via era em Lucie, uma jovem operária muito melancólica, com quem ele começou a namorar. Ela era muito retraída e ele sempre queria mais, até que ela desaparece, e Ludvik passa o resto da sua vida imaginando ela como o único amor puro.
O tempo passa e Ludvik termina seus trabalhos nas minas, consegue voltar a estudar, tem a sua posição, entra em diversos relacionamentos superficiais, despreza os seus amigos fiéis, e aproxima-se dos que o detestam. Vive uma vida sem grandes felicidades, pois o seu passado ainda o corrói, então ele vê uma chance de se vingar, no entanto isso acaba aproximando-o de suas raízes.
A narrativa não tem um fim. Acaba em um ponto em que você não sabe se todos ficaram bem, ou mal. Mas acaba onde deveria acabar.

O que eu mais gostei do livro foi o entrelaçamento das histórias, todos os personagens estão ligados por um fio muito coeso, mas isso não fica claro logo de cara, nós vamos percebendo que eles estão interligados aos poucos.
Outro fato interessante é que o livro possui mais de um narrador, narradores tão diferentes que algumas partes são mais interessantes de ler do que outras. Muito bem escrito!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Vida Encantada - Diana Wynne Jones

Esse foi meu presente de aniversário para mim mesma, na verdade lerei todos os livros da Diana que eu tenho em casa, e comprarei outros dois que eu achei pra vender na Internet.
To aqui tentando escrever e a verdade é que não existem palavras suficientes para explicar o que eu acho sobre esse livro, sobre essa coleção Os mundos de Crestomanci, sobre essa autora. Isso tudo mudou minha vida, se eu sou hoje alguém que ama ler, ama literatura infanto-juvenil, se eu acredito em mundos paralelos, se sou um pouco ateia, tudo isso tem sua raiz nesses livros. Os melhores do mundo.
Como pode um livro dirigido a crianças discutir a possibilidade de mundos paralelos? Como pode alguém ler isso e não acreditar na impossibilidade de o mundo se resumir em vida na Terra?
Eu já amava a Diana quando criança. mil vezes melhor que Harry Potter, e ai eu ainda descubro depois de adulta que ela escreveu O castelo animado, é muito amor literário pra uma só pessoa!!


O livro conta a história de Eric Chant, ou Gato, um menininho comum, que jamais conseguiu fazer um feitiço sequer, e que desde pequeno teve vários infortúnios, como um acidente de barco onde seus pais morreram, e por isso teve que ir junto com sua irmã morar com a vizinha Sra. Sharp. Gwendolen, sua irmã, é uma bruxa muito promissora e determinada, por isso dá um jeito de ir viver no Castelo Crestomanci, para lá poder colocar em ação um plano bolado por ela e seu tutor, um bruxo duvidoso.
Quando os dois mudam-se para o Castelo ambos sentem uma atmosfera pesada, traduzida em quietude. Eles começam a ter aulas, e Gwendolen é proibida de fazer mágicas por um tempo, isso a deixa inconformada, e para chamar atenção de Crestomanci ela começa a fazer as mais variadas mágicas, como aproximar todo o pomar do castelo ou escurecer as janelas de hora em hora, e outras nem tão engraçadas, como fazer aparecer um fantasma na janela da sala de jantar. De início Crestomanci ignora tudo o que ela faz, até que ela passa dos limites e ele retira os poderes dela.
No dia seguinte quem acorda no quarto de Gwendolen, é Janet, a "presada sobressalente". A irmã de Gato de alguma forma conseguiu mudar de mundo*, e Janet é arrastada para esse mundo, o que causa diversas confusões, além daquelas deixadas por Gwendolen, assim Janet e Gato se vêm em uma confusão enorme, e a única forma que eles encontram de não se encrencarem mais é fugir para o mundo de Janet. E até mesmo isso causa um problema ainda maior, pois ao tentarem fugir eles colocam o plano de Gwendolen em ação, ameaçando a acabar com a organização mágica do seu mundo.
Tudo acaba bem. Todos no Castelo se unem para ajudar Gato e Crestomanci. Muitas questões são respondidas. E Gato descobre que é um mago, como um dos mais poderosos!


*Segundo o livro não existe apenas um mundo, mas diversos mundo paralelos. A explicação para eles é simples, a cada grande acontecimento histórico o mundo se dividia para que todas as possibilidades fossem realizadas, assim em uma guerra em um mundo a Inglaterra seria a vencedora, e em outro ela seria a perdedora. No mundo onde a história acontece a magia é uma coisa comum, e o nosso mundo, o que nós chamamos de real, provavelmente também existe, eu acredito que é daqui que a Janet vem. Como os mundos se multiplicam as pessoas que existem neles também, dessa forma existem diversas Gwendolens pelos mundos, não com esse nome, mas são todas fisicamente idênticas, algumas manias iguais, e têm até o mesmo sobrenome. Quando Gwendolen resolveu mudar de mundo ela arrastou atrás de si uma fila de duplicatas para preencher o vazio que ela deixou no Castelo de Crestomanci

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Doidas e Santas - Martha Medeiros

Mais um da coleção: minha irmã comprou no aeroporto e nunca terminou de ler.
Quando eu terminei A insustentável leveza do ser arrumei minha mala para viajar no final do ano e coloquei o último dos livros do box do Milan Kundera na bolsa, no entanto eu ainda tinha uma noite em casa, olhei a pilha dos livros para ler, e foi Doidas e Santas que me chamou a atenção. Fui logo perguntar para minha irmã o que ela tinha achado do livro. Ela não gostou, achava que as crônicas eram meio redundantes, que depois de um tempo ficava tudo igual. O que eu também conclui lá pela metade do livro.


O livro é composto por 100 crônicas escritas entre o final de 2005 e o meio de 2008.
O título se dá por causa de uma crônica, muito boa, sobre não existir mulher santa, e que todas são em algum nível doidas. Eu entendo que a Martha Medeiros não poderia escrever por quase três anos sobre tipos de mulheres, mas o título junto com essa pin-up me fizeram criar expectativas jamais cumpridas.
São crônicas. Ponto. Observações sobre o cotidiano da autora. Coisas que lhe aconteceram; livros lidos, exposições visitadas e filmes assistidos. Um pouquinho de filosofia de vida. Depois de um tempo você acaba sentindo-se íntima da autora, não sei se amiga. Ela me cansou um pouco com essa reafirmação da postura dela com relação ao mundo, essa necessidade de ser doida, de fugir do padrão, mas ser uma santa, por não conseguir infringir as leis, ela afirma ser boazinha, gentil e outras qualidades da santa. (Sim, eu continuo tentando justificar o título para mim mesma).

Não é um livro ruim. São crônicas. Eu gosto delas. Rápidas e bem-humoradas. Mas ler 100, de uma vez, da mesma autora, escritas a quase 10 anos atrás, ai qualquer um arranja alguma coisa para reclamar!

O que eu mais gostei nesse livro é lembrar de algo meu, uma... não sei que palavra para isso, esquisitice?!? Quando eu leio um livro fora do meu próprio padrão, seja um livro antigo, escrito em um português nada atual, ou tipo de texto, como as crônicas ou poemas, eu tendo a começar a pensar e escrever nesse estilo. Esses dias escrevi uma crônica, achei bem boa.

domingo, 28 de dezembro de 2014

A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

É quando eu leio um livro como esse que eu entendo o sentido de um livro se tornar um clássico. A insustentável leveza do ser ainda não é um livro clássico como a Ilíada, mas devemos levar em consideração o tempo, Kundera é contemporâneo, está ai vivo, acredito que na França.
Mesmo sendo atual, este é um livro mundialmente famoso, e não famoso como Harry Potter (sem jamais tirar o crédito dessa série que permeou minha adolescência, eu tinha 11 anos quando li o primeiro livro!), o seu conteúdo não é o mesmo que os dos best sellers atuais, há toda uma reflexão sobre a vida, a narrativa só se dá através da busca dos personagens pelo sentido da vida. É o tipo de livro que você lê, se envolve, chora, e ainda termina um pouco mais consciente de si mesmo, ou menos ignorante quanto a complexidade da vida.
Eu o li em poucos dias, eu amei, eu relerei algum dia, e eu recomendo a qualquer um.


Como os demais livros que eu li esse ano de Milan Kundera, A insustentável leveza do ser está recheada de sensualidade, ou talvez fique melhor, de sexo. Thomas é um médico de meia idade que tem um filho com a esposa do primeiro casamento, mas após o divórcio corta relações com ambos, e até mesmo com seus pais, no entanto ele não é sozinho, leva uma vida animada pelos seus vários encontros com as suas diversas amantes, Para ele é na hora do sexo  que ele pode vislumbrar o 0.01% de individualidade que existe em cada mulher, e é essa porcentagem que ele procura em suas relações. Para ele não é traição ter suas amantes, pois o sexo nada tem com o amor.
Porém, essa explicação não é suficiente para acalmar os ciúmes de Tereza. Uma mulher que desde criança olha no espelho e procura ver sua alma através de seu corpo. Quando conhece Thomas ela decide que é hora de mudar sua vida e vai atrás dele. Sem muitos contornos eles logo se amam, e é um amor imenso, um não imagina viver sem o outro, apesar de seus defeitos (vamos concordar que os defeitos são deles na maior parte). Por isso, casam-se, nunca têm filhos, no lugar Thomas dá a Tereza um cachorro Karenin, e assim eles vivem em meios aos ciúmes e às amantes, em especial Sabina que também tem sua história contada, mesmo depois que sua relação com Thomas chega ao fim, depois que ela tem um caso com Franz, depois que ela parte para América.
Além da profundidade criada a partir dos questionamentos dos personagens, a história tem um contexto tenso: a invasão russa na República Tcheca. Thomas um médico importante, por causa de um artigo de jornal é forçado a exilar-se na Suíça, e quando volta perde seu emprego. Tereza que tornara-se fotografa tem seu apogeu profissional nos poucos dias de euforia que se seguiram a invasão. Sabina como os outros dois também se exila, mas jamais volta para casa.

Não acho que seja possível resumir mais. Claro que é possível falar mais sobre o livro, mas ai seriam minhas reflexões, aquilo que eu entendi, aquilo que absorvi na minha leitura. E por mais que isso possa ser interessante não é a minha intenção.
Vale ressaltar apenas que esse livro traz o mesmo questionamento que O leitor, como conviver com a consciência de seus atos? Édipo ao descobrir que matara seu pai e depois casara-se com sua mãe, fura seus próprios olhos e exila-se no deserto, mesmo tendo feito tudo de forma inocente. Como podem viver tranquilamente aqueles que cometeram atos que sabiam ser condenáveis? Mas qual a porcentagem dos invasores/nazistas que sabiam o que estavam fazendo? Qual a porcentagem que apenas estava cumprindo ordens e seguindo um ideal que provou-se atroz? Qual a melhor forma de sobreviver nesses tempos? Resistir pela honra? Retratar-se pela vida?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O leitor - Bernhard Schlink

Nós já temos esse livro em casa há alguns anos. Em 2010, provavelmente, eu, minha família e amigos, viajamos para Salvador no carnaval, e por causa de escala, acho, eu e minha irmã decidimos comprar livros para ler. Eu comprei Os miseráveis, o volume 2, sem nunca ter lido o 1. Achei-o muito grosso, e sem ler o título direito comprei, e não li. Já minha irmã, que gosta de leituras mais fáceis, me pediu uma dica, e ao ver O leitor na prateleira eu a informei que tinham feito um filme daquele livro e que tinha concorrido ao Óscar, mas que eu mesma ainda não o tinha assistido. Ela comprou, e sabendo como ela é, não deve ter chego nem na metade.
Não faz muito tempo (acredito que no começo desse ano, ou no final do passado) eu encontrei esse e outros livros que ela guardava no seu quarto e peguei tudo para mim. E só agora eu tive a oportunidade de lê-lo.
O que eu mais gostei desse livro é o ponto de vista dele. Como eu já disse gosto muito do tema da Segunda Guerra Mundial, e O leitor trata não da gurra em si, mas da geração do pós-guerra, dos filhos dos agentes da guerra. Como conviver e aceitar as pessoas que participaram do holocausto, que contribuíram ou simplesmente aceitaram toda a atrocidade? Eu ainda não tinha lido nada sobre isso. E assumo que em muitas das reflexões do narrador eu me perdia, não acompanhava o pensamento ou até mesmo pela extensão das orações. Mas eu gostei da história, porém o melhor do livro pra mim foi o ponto de vista adotado.


O livro é a narrativa das memórias de um homem, Michael Berg, que na adolescência (15 anos) teve um relacionamento com uma mulher mais velha, Hanna Schmitz (26 anos), que se baseava em encontrar-se no apartamento dela, ele ler algo para ela, ela dar banho nele e então fazerem amor. O relacionamento tem um fim abrupto e o jovem Michael fica sem entender o porquê, e por muitos anos se culpa dos acontecimentos, além de fechar seu coração, tornar-se um homem distante.
O tempo passa, e Michael está na faculdade de Direito, ele faz uma matéria em que estuda o caso de um julgamento de crimes de guerra, no qual 4 mulheres, ex-guardas de campo de concentração, são julgadas por não prestar auxílio às judias que elas haviam prendido em uma igreja, que começara a pegar fogo depois de um bombardeio, tendo sobrevivido apenas duas de centenas.
Dentre a julgadas está Hanna, por causa disso Michael passa a acompanhar de perto o julgamento. E vê que Hanna prefere ser condenada à prisão perpétua a deixar que os outros saibam que ela é analfabeta e por isso não poderia ter escrito o relatório, que era a prova fundamental. Michael chega a cogitar interferir, mas deixa prevalecer a vontade de Hanna.
O tempo passa novamente, e Michael decide então voltar a ler para Hanna que está presa, para isso ele grava fitas com a leitura de livros. Algum tempo depois do começo da correspondência (que dura uns 10 anos) Hanna escreve um bilhete para Michael, dele seguem-se muitos outros, que nunca são respondidos. Ele apenas envia as gravações.
Um dia chega uma carta da diretora da prisão informando Michael de que Hanna será solta por causa de um indulto, e como Michael era a única pessoa com quem Hanna tinha contato, pedia-se que ele ajudasse na sua adaptação....

Vou parar, pois ninguém gosta de um spoiler!

Só uma observação nem por um momento o fato de eles terem uma diferença de idade enorme, e no início ele ser praticamente uma criança é visto de uma forma errada. Nada sobre esse tema. Por que dessa escolha se ela não faz diferença na narrativa? É apenas para dar certo o fato de ela ter estado na guerra, e ele só depois de alguns anos estar na faculdade? Isso me incomodou mais do que o necessário. Acho que ainda tenho as aulas de redação do colegial na cabeça. Mas eu realmente acredito que não deve-se colocar elementos que não serão explorados.... Talvez naquela época essa diferença não fosse um problema??

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Risíveis Amores - Milan Kundera

Esse é o terceiro dos cinco livros do box, e eu assumo que estou lendo por ordem de tamanho.
O título traz uma das minhas palavras preferidas, risível. No entanto, eu não achei lá tão risível assim. Na verdade eu fiquei meio triste, vazia, insatisfeita, ou para utilizar uma palavra do posfácio, amargurada.


O livro é composto por 7 contos, sendo que apenas dois têm relação entre si, que não são necessariamente histórias de amor, mas o amor está ali de alguma forma.
Em Ninguém vai rir, um professor universitário recebe uma carta em que o remetente lhe pede para que leia sua pesquisa e dê seu parecer a uma revista, para que ele possa ser publicado. Segundo a carta, a única forma do texto ser publicado é com a aprovação do professor, esse após ler o trabalho e chegar a conclusão de  que era muito ruim, decide não dar seu parecer, mas ao mesmo tempo não avisar o remetente disso. O remetente é um homem muito insistente, que tenta de todas as formas chegar ao professor causando grande incomodo ao professor, que toda vez que tentava escapar sem dar uma explicação direta, piorava ainda mais a sua situação. A trama fica entre o cômico e o angustiante, pra mim, mais o segundo.
Já em O pomo de ouro do eterno desejo, dois amigos, um muito bem casado e outro recém-divorciado vivem várias aventuras amorosas. O primeiro por sempre ter sido o conquistador precisa exercer ainda seu poder, abordando várias mulheres na rua, marcando encontros ou simplesmente colocando-as em listas de possíveis conquistas, sem chegar mais longe; o segundo parece seguir o amigo, aceitando seus movimentos e entrando no jogo, e mesmo podendo ficar com as mulheres ele também acaba sozinho, tendo mesmo frustrado uma grande chance deliberadamente.
O terceiro foi um dos meus favoritos. Em O jogo da carona um casal apaixonado sai de férias, e em uma parada começam a fazer um jogo, em que a moça fingindo não conhecer o namorado pede-lhe carona, e começa agir como uma mulher atirada e provocante, sendo que aquilo que ele mais gostava nela era sua inocência e pudicícia . Ele por sua vez age como sua namorada ciumenta acredita que ele agia antes de conhecê-la, e de fato agia. Com o transcorrer da viagem os dois passam a odiar o jogo, mas não podem parar... e mais uma vez você não ri, ou ri de algumas coisas, mas no geral você se sente preso junto com eles ao jogo e quer gritar para que eles parem.
O próximo é O simpósio  que para começar traz uma estrutura diferente dos demais, ele é dividido em atos, assim ao lê-lo é impossível não formar as imagens na cabeça, as disposições dos móveis e todo o resto, forma-se um teatro, e os personagens atuam, é como se eles fossem tipos e agissem como é esperado (muito interessante). A história se passa à noite, em uma sala dos plantonistas de um hospital. Os personagens são: uma enfermeira feia que quer chamar a atenção dos homens (não consegui decidir de qual ela gosta, um médico de meia idade garanhão - doutor Havel, um médico residente, o chefe dos médicos, e uma médica que é sua amante. A enfermeira quer a atenção de Havel e do residente, Havel menospreza a enfermeira, o residente tem princípios, mas quer seduzir a médica, o médico só quer colocar mais lenha na fogueira, e a médica... Tudo isso culmina na tentativa de suicídio ou simples acidente com um forno a gás ligado. Esse talvez seja o mais risível dos contos.
O conto seguinte é Que os velhos mortos cedam lugar aos velhos mortos, eu sinceramente não encontrei nada de engraçado nesse conto, mas cada um tem o seu senso de humor. O conto narra a história do reencontro de dois antigos amantes, que agora estão velhos. Ela está na cidade para resolver assuntos do seu falecido esposo cuja lápide fora retirada do cemitério para dar lugar aos novos mortos, e passeando na rua para passar o tempo até o próximo trem ela encontra um antigo amante, de uma noite só, que agora reside na cidade e tem pensamentos suicidas por causa da sua calvície (tá bom eu consigo ver o ridículo agora, colocando em palavras), que mal a reconhece devido ao seu envelhecimento. Esse encontro na rua vira um convite para beber um café em casa, que vira uma conversa sobre a vida, que vira uma memória do passado (ele a idealizara, e isso para ela tem um encanto, por ter permanecido eternamente jovem na memória de alguém) e por fim vira um flerte.
O penúltimo conto chama-se O dr. Havel vinte anos depois. Isso, o mesmo Havel garanhão de antes, agora ele está velho e casado com uma jovem atriz belíssima, e tem que ir para umas termas para se curar de alguma doença, chegando lá ele percebe que já não tem mais o seu encanto, a única pessoa que lhe dá atenção é um jovem jornalista que quer poder ter o mesmo sucesso que ele já tivera no amor. Havel, sentindo-se muito sozinho pede para que sua esposa o visite. A visita além de muito boa traz consigo a atenção sobre o doutor, que passa a fazer novas conquistas por causa da fama da mulher. Sério, o que há de risível nisso? Coitada da esposa, coitado do burro do jornalista... acho que não estou numa fase de rir das desventuras alheias.
E por fim o conto Eduardo e Deus, que gira em torno de um professor de uma cidadezinha que para conseguir levar a namorada para a cama, decide fingir ser devoto a Deus, até mais devoto do que ela, o que lhe causa problemas na escola, pois naquela época não era bom ser religioso na Boêmia, era anti-revolucionário. No entanto, ao invés de informar que estava mentindo quanto a sua fé ele acaba insistindo nela, o que faz com que ele se envolva com a diretora que quer acabar com sua fé e também com que sua namorada se entregue para ele, e depois de muitos anos o que resta é que ele ainda vai de vez em quando na igreja para pensar em Deus, a namorada perde seu valor ao se entregar e deixar sua fé de lado, invertendo-se as posições.


Opsss
Da próxima vez me lembrar de resumir um livro só depois de lê-lo por inteiro, não que eu não tivesse terminado os contos, mas ainda estava no meio do posfácio, e lá pro finalzinho dele há uma declaração do Kundera que explica o porquê de eu não ter achado graça: "Risíveis Amores. Não se deve entender esse título no sentido: divertidas histórias de amor. A ideia do amor está sempre ligada à seriedade. Ora, risível amor é a categoria do amor desprovido de seriedade."