quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mil Mágicas - Diana Wynne Jones

Me corrigi muito cedo quanto a impossibilidade de Diana escrever um livro ruim. Mil Mágicas está entre os dois livros que eu me dei de aniversário e me enfiaram nessa leitura frenética dos oito livros dela publicados no Brasil. E esse me deixou confusa.
São quatro contos (um livro fininho), o primeiro só tem uma leve referência ao Crestomanci, nos outros 3 Crestomanci aparece de carne osso, muito elegante em suas roupas bizarras, no entanto nos dois do meio ao tentar nos colocar de novo em contato com personagens antigos ela faz uma bagunça, esquecendo de Angélica Petrocchi e se confundindo quanto a qualidade do inglês de Tonino Montana, que primeiro quase inveja em Gato, e depois deixa a personagem principal do terceiro conto confusa, de tanto sotaque que tem.
Acredito que ela teria sido muito mais bem sucedida se tivesse se empenhado e escrito 4 lindos livros. Pois a história de pelo menos 3 são muito muito boas mesmo


O primeiro conto Um feiticeiro ao volante, conta a história do Feiticeiro Feliz que teve sua magia retirada por Crestomanci por não ser um bom bruxo, então para se virar ele resolve cometer roubos, mas quando ele vai roubar um carro ele é visto pela polícia e se mete numa encrenca, para se livrar recorre a outro feiticeiro que o envia para um outro mundo onde ele voltaria a possuir sua mágica. Chegando lá, depois de conferir seus poderes, ele decide fazer um roubo ainda maior, e tenta assaltar um banco, mas também este dá errado, na fuga ele entra em um carro, que depois ele descobre estar ocupado por uma menininha mandona e um cachorro enorme e esperto. Por causa desses dois o Feiticeiro Feliz passa por maus bocados, tentando se livrar dos dois. No momento em que a polícia os encontra o Feiticeiro Feliz está pronto para se entregar, quando o pai da menina o informa de que ele é um agente de Crestomanci que estava ali para ajudá-lo desde o começo, e que ele tem duas opções, ir para a cadeia ou ficar e cuidar de sua filha e de seu cachorro. O Feiticeiro Feliz não tem tempo  de dizer que prefere a cadeia e a menininha escolhe por ele...
O segundo é o Ladrão de Almas, história em que Diana resolve juntar todo mundo. Quando Tonino chega ao castelo de Crestomanci, Gato não consegue gostar dele, mas é obrigado a viajar com ele até a casa de Gabriel de Witt que está muito doente mas quer antes conhecer Tonino e seu poder diferente. Na volta os dois são sequestrados por um bruxo que vivera cerca de dois séculos atrás. Então eles voltam no tempo, perdem a memória e precisam se unir para conseguir fugir das garras desse vilão que durante séculos se manteve vivo para recolher a alma de Crestomancis mortos e assim ser o mago mais poderoso do mundo, com 10 almas...
O terceiro, e mais chatinho, é o Centésimo sonho de Carol Oiner, Carol é uma menininha que consegue controlar seus sonhos e é muito famosa por ter feito 99 sonhos e vendido todos eles, para que outras pessoas pudessem ter seus sonhos animados também, e quando ela deveria ter feito o seu centésimo sonho nada aconteceu. Sua mãe a levou para vários médicos e nenhum resolveu o problema, então seu pai, antigo amigo de escola de Crestomanci, resolve levá-la a ele. Lá ele consegue descobrir segredos dos sonhos de Carol, até chegar ao ponto os personagens dos sonhos estavam de greve por causa das condições de trabalho... bem ruinzinho!
O último é o Filósofo de Theare, conto que se passa em um outro mundo, a impressão que dá é que é de um mundo muito primitivo, onde os deuses (parecem os deuses gregos) são muito organizados e controlam cada movimento da humanidade. No entanto, essa organização está ameaçada por uma profecia que está para se realizar: o Filósofo de Dissolução nasceu! Os deuses então resolvem cuidar disso, e levam o menino para um outro mundo, para que ele quase a dissolução por lá. Quem o encontra é Crestomanci, que o leva de volta para seu mundo. O jovem pouco a pouco se desenvolve, primeiro se apaixonando pelas regras e ordens, depois descobrindo a existência do Filósofo (um pequeno erro causado pelos deuses ao levá-lo de lá), até a dúvida da existência dos deuses. Ele passa a procurar freneticamente por esse Filósofo e teria morrido se não fosse por Crestomanci, que o leva na presença dos deuses para explicar que eles não podem fugir da profecia, que isso causaria a destruição do seu mundo, que a se deixassem ele seguir dessa maneira o mundo se dividiria em dois da forma natural, coisa que os deuses vinham impedindo. Assim, o Filósofo está livre para ir pregar a Dissolução através de questionamentos quanto a existência dos deuses e sua organização. Mas como fazer isso agora que ele tem certeza da existência deles? Também o Filósofo não pode fugir da profecia... 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A Semana dos Bruxos - Diana Wynne Jones

Primeiro eu quero me redimir, quando eu fiz um resumo rápido dos livros que eu tinha lido sem fazer um resumo aqui, A semana dos bruxos estava entre eles, e eu disse que infelizmente ele não era tão bom quanto os outros. É mentira. É bom sim. Ele foge do padrão, assim como Os magos de Caprona. Ele não foi lido por uma criança, e não seria justo compará-lo ao Castelo Animado, esse eu já coloquei no topo da lista dos melhores.


A história desse livro não se passa no mesmo mundo de Crestomanci, mas sim em um outro mundo onde a magia existe mas é totalmente proibida, existindo inquisidores e fogueiras para coibir qualquer uso da magia.
Isso explica a reação causada pelo aparecimento de um bilhete na mesa do professor Croosley, dizendo que alguém dentre os alunos da 2Y era  um bruxo. De início o professor não sabe o que fazer, contando depois para uma de suas colegas por quem ele é apaixonada. Esta por sua vez resolve contar para o vice-diretor do internato, com quem ela pretende se casar. Já ele, aparentemente dá pouca atenção para isso, dizendo que deve ser apenas uma brincadeira.
No entanto, não era. No decorrer de poucos dias várias magias são praticadas na escola: uma revoada de passarinhos invade a sala de música, o menino torna-se invisível para não apanhar dos veteranos, todos os sapatos de todos os alunos, professores e funcionários são levados para a sala de música, uma aluna dá um passeio em uma vassoura,alguém solta um feitiço de "o mestre mandou" em um colega... tudo isso poderia passar despercebido ou apenas como uma brincadeira de criança, se um dos alunos não tivesse sumido e deixado milhares de bilhetes informando que ele fora sequestrado por um bruxo.
Com isso, a polícia é chamada, e boatos correm de que um inquisidor também irá até a escola. O que é suficiente para desesperar alguns alunos que de fato são bruxos. Estes, quatro, fogem da escola, primeiro duas meninas que procuram ajuda e acabam recebendo instruções de como invocar Crestomanci, e depois dois meninos que encontram aquele primeiro (o que causou toda a confusão). Todos os cinco presenciam a aparição de Crestomanci em todo a sua glória e luxo. Ele não sabe qual mundo está nem o que fazer para ajudar aquelas crianças.
Ele leva todos invisíveis de volta à escola, onde ele se passa pelo inquisidor regional, na intenção de descobrir o motivo pelo qual aquele mundo tão cheio de magia proíbe sua existência. E depois de entrevistar todos os alunos da 2Y, ele descobre que um fato fez com que o seu mundo não se dividisse corretamente, assim existia um outro mundo igualzinho àquele, só que sem bruxaria, e a coisa certa a fazer era unir esses dois mundos, mas para isso ele precisaria da ajuda de todos.
Tudo dá certo, os mundos se unem, e no mundo atual não existe mais magia, mas as crianças estão felizes, é um lugar melhor.

Acho que o que me fez não gostar tanto na primeira leitura foi a diferença do mundo, e a repetição da história: algumas crianças se metem em uma confusão cabulosa por não contarem a verdade, mas nesse caso eles realmente não podiam fazê-lo. Além disso, Diana coloca um anti-herói. Charles Morgan um dos personagens principal não é um bom menino, não quer ajudar Crestomanci, não quer abrir mão de sua magia, que apesar de forte só é usada para fazer mal. É claro que ele se redime, mas eu preciso continuar repetindo, é um livro infantil!
E sobre o título, na semana dos bruxos a magia é mais forte o que permitiu que séculos atrás o mundo se separasse indevidamente, e que depois permitiu que eles o unissem novamente.

Os Magos de Caprona - Diana Wynne Jones

Não sei mais nem como introduzir esses livros. Quero dizer, já falei sobre a minha paixão, sobre o meu vício e a minha decisão de reler todos em ordem, já que agora eu tenho os 8 livros publicados em português.
Os magos de Caprona fazem parte da minha infância, o último deles, todos os outros foram lidos, ou serão lidos agora bem depois dos meus 20 anos. O que também confirma a minha teoria de que estes livros não são somente para crianças.


Esse livro apesar de fazer parte da série Os mundos de Crestomanci não segue a mesma linha dos outros dois. A história narrada acontece na Itália, não a Itália que conhecemos, mas uma ainda dividida em pequenos estados com seus duques. Tudo acontece na cidade de Caprona a mais mágica de todas as cidades italianas, famosa por seus produtores de feitiços, duas famílias muito tradicionais os Montana e os Petrocchi.
Essas duas famílias se odeiam (é duas famílias italianas que se odeiam, não lembra em nada Romeu e Julieta), os mais novos nem sequer sabem o motivo, apenas desprezam uns aos outros, imaginando as coisas mais bizarras e selvagens vindo uns dos outros. No entanto, eles viviam totalmente separados, isso até o momento em que elas tiveram que trabalhar juntas para reconstruir a ponte velha.
O primeiro sinal de fraqueza da cidade, que segundo a lenda era protegida pelo anjo de Caprona que descera à cidade carregando uma música que expulsou o demônio branco da cidade, restabelecendo a paz e a força. Mas não foi só a ponte que ruiu, a cidade passou a ser ameaçada de invasão por outras cidades, ficando na eminência da guerra. É ai que Crestomanci aparece para ajudar a cidade, insistindo para que eles encontrem a letra original do Anjo de Caprona, enquanto ele iria a Roma tentar ajudar (não dá para saber se é o Eric ou o Christopher, ou se ao menos é um deles).
E é isso que as famílias fazem com afinco enquanto se preparam para a guerra. Tonino. um menino da família Montana, recebe um livro, que ele acredita ser do seu tio Umberto. que conta a história de um menino que conseguiu salvar a sua cidade sem o uso da magia. Depois de ler esse livro ele some.
O seu sumiço é prontamente culpa dos Petrocchi, não havendo outra opção. Assim toda a família sai em peso de casa em direção a casa dos seus inimigos prontos para uma guerra e recuperar o seu menino. No meio do caminho eles encontram a outra família com a mesma disposição, e a batalha acontece ali mesmo, Ninguém saiu morto por causa de uma nuvem que espalhou a todos. Paolo, o irmão de Tonino, ao desfazer-se a neblina, encontra-se ao lado de uma Petrocchi, Renata, irmã de Angélica, que também tinha desaparecido após ler um livro. Ambos combinam de tentar convencer a família de que foi um outro inimigo (o demônio branco) quem os raptou, mas obviamente não obtém nenhum sucesso, já que o ódio está enraizado.
Enquanto isso, Tonino e Angélica encontram-se no Castelo do Duque, reduzidos ao tamanho de um fantoche, presos pela duquesa (o demônio branco), para garantir que as famílias não produziriam mais feitiços para salvar a cidade. Os dois, apesar de seus preconceitos unem-se para fugir e avisar suas famílias de quem é o inimigo, para isso contam com a ajuda do Duque, que apesar de um tanto bobo não é nada mau. O plano inicial dá errado, e toda a família é transformada em fantoches, menos Paolo e Renata que fugiram das suas casas para procurar seus irmãos, e Rosa Montana e Marco Petrocchi (Romeu e Julieta) que enganaram suas famílias e se casaram, e por isso não podem aparecer onde as duas famílias estiverem.
Com isso o destino da cidade está nas mãos desses seis. Tonino e Angélica descobrem onde está a letra original e tentam mandar um recado a suas famílias, Paolo e Renata não o interpretam direito, mas dá certo, Rosa e Marco estão seguindo os outros dois. Assim, as duas famílias juntas, unidas pela amizade e pelo amor, cantam juntas a música e salvam a cidade, com uma pequena ajuda de Crestomanci, que se livra do demônio branco, tudo volta ao normal, e as duas famílias tornam-se amigas novamente. E Tonino e Angélica são convidados a passar um tempo no Castelo Crestomanci, pois suas habilidades mágicas apesar de não serem tradicionais são louváveis.

Assumo que teria gostado muito mais desse livro se não tivesse essa coisa de amor e amizade entre as famílias para poder dar tudo certo, mas vamos lá, é um livro infantil. Tirando isso é um livro cheio de aventuras e muito divertido.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

As vidas de Christopher Chant - Diana Wynne Jones

Não. Não, eu não li o livro em um dia. Deu quase uma semana. Na verdade eu terminei A brincadeira na quinta, comecei imediatamente a ler esse, e como eu fui viajar depois do almoço na sexta e só voltei segunda à tarde não deu tempo de resumir o livro do Kundera antes. Mas esse eu terminei ontem mesmo.
Eu não sei qual dos livros de Os mundos de Crestomanci eu gosto mais Vida encantada  ou As vidas de CC. Eu sei que não é A semana dos bruxos  nem de Os magos de Caprona nada contra, é só uma questão de gostos. E logo mais eu vou poder opinar sobre o último da coleção. Chegou em casa, Mil Mágicas é bem fininho, acho que são quatro contos que envolve personagens dos outros livros. Estou ansiosa para ler, mas tudo a seu tempo...


No início desse livro Diana nos informa que tudo o que acontece nessa história foi há mais de 20 anos, quando o Crestomanci de Vida encantada era uma criança da idade de gato. Quando ele descobre que possui 9 vidas e é levado para viver no castelo Crestomanci. E assim como gato odeia o lugar, não consegue fazer amigos, e logo enfia-se em mil confusões, muito mais sérias que a de gato.
Christopher é um garoto que foi desde pequeno criado em casa sem muitos contatos com os pais e outras crianças por isso não sabia que os seus sonhos não eram comuns. Christopher viajava em sonho pelos mundos vinculados, entrando em contato com os seus habitantes e podendo trazer coisas para o seu mundo (o mesmo de gato!). Um dia sua governanta descobre sobre estes sonhos e chama o tio de Christopher, que ao invés de ficar bravo ou chocado convida o sobrinho para participar de experiências, onde junto com um ajudante seu, Tacroy, Christopher tentaria trazer coisas de outros mundos (vamos lá, fica claro que isso é um tanto ilegal!).
As experiências vão bem, tirando as diversas vezes em que Christopher morre! A primeira vez é quando tenta levar um gato vivo do templo de Ashet para casa, mesmo tendo feito uma promessa para a Deusa Viva, ele é acertado por uma lança. Como ele morreu em um mundo diferente do seu ele tem que morrer de novo em seu mundo para que tudo se estabilize. Morre também por causa se uma armadilha feita pelo grupo de Crestomanci que tentava parar com o contrabando, e incinerado pelo fogo de um dragão. E algumas outras vezes, ele acaba o livro com apenas duas vidas!
O fato é que depois de alguns acidentes mortais seu pai desconfia de que seu filho tenha 9 vidas, e quer que ele seja treinado para novo Crestomanci, o único problema é que Christopher não tem nenhum dom para mágica (igual gato!). Seu pai persiste e o leva para um tutor, que acaba descobrindo o ponto fraco dele, Christopher não pode entrar em contato com a prata! Depois disso ele é levado para o castelo onde ele se sente só e descobre que seus únicos amigos são Tacroy e a Deusa, e os dois estão com sérios problemas, e vão precisar da ajuda de Christopher. Assim como todos no castelo, depois que toda a equipe perde seus poderes na tentativa de pegar a gangue do Assombração (o tio), além de espalhar as vidas do Crestomanci atual por todos os mundos.

No final tudo dá certo, afinal é um livro infantil!
O mais legal é que não só Christopher é o Crestomanci do primeiro livro, como também Millie sua esposa é a Deusa que fugiu do seu mundo para não ser morta, e tem a fixação de estudar em um colégio igual a personagem da sua série de livros favorita, a da Millie, que Christopher dá para ela em troca do gato.

Sério, qualquer um que tiver um tempo para ler, leia essa série, e depois a outra. Todos os livros são imperdíveis. Livros com linguagem infantil, dirigido para as crianças, mas com um conteúdo muito adulto. Afinal existem mundos paralelos? Eu gosto de acreditar que sim. Gosto das possibilidades. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A brincadeira - Milan Kundera

Enfim cheguei ao fim do meu box. E é com muita tristeza que eu me despeço desses livres. Comecei achando levemente interessante e me motivando a chegar ao fim. E quando eu percebi que só faltavam 100 páginas para o fim de A brincadeira eu quase parei de ler, quis ler uma página por dia para prolongar. O engraçado é que eu não consegui. Harry Potter que tem toda ação por trás e você quer logo chegar ao fim, eu acho possível diminuir o ritmo, enquanto que com esse livro, em que o passado é mais importante que o presente, e portanto os fatos já aconteceram, foi impossível.


O livro conta a história de Ludvik um homem maduro que é assombrado pelo seu passado. Quando ele era jovem, estudava na faculdade e participava ativamente no Partido Comunista ele era acusado pelos seus companheiros por um certo intimismo, mas ele foi realmente culpado e expulso do Partido por causa de uma brincadeira (ele de fato tinha um senso de humor que não era nada compatível com o Comunismo. A brincadeira foi uma graça que ele quis fazer para sua namorada da época uma jovem um tanto ingênua. A carta foi lida pelas autoridades, e Ludvik foi mandado para trabalhar nas minas. Um trabalho muito desgastante e destinada apenas aos excluídos da sociedade.
Enquanto ele estava trabalhando nas minas ele se afastou de todos os seus amigos, de tudo. Tornou-se rancoroso, sabendo que qualquer um, até mesmo um amigo teria enviado ele para lá. A única luz que ele via era em Lucie, uma jovem operária muito melancólica, com quem ele começou a namorar. Ela era muito retraída e ele sempre queria mais, até que ela desaparece, e Ludvik passa o resto da sua vida imaginando ela como o único amor puro.
O tempo passa e Ludvik termina seus trabalhos nas minas, consegue voltar a estudar, tem a sua posição, entra em diversos relacionamentos superficiais, despreza os seus amigos fiéis, e aproxima-se dos que o detestam. Vive uma vida sem grandes felicidades, pois o seu passado ainda o corrói, então ele vê uma chance de se vingar, no entanto isso acaba aproximando-o de suas raízes.
A narrativa não tem um fim. Acaba em um ponto em que você não sabe se todos ficaram bem, ou mal. Mas acaba onde deveria acabar.

O que eu mais gostei do livro foi o entrelaçamento das histórias, todos os personagens estão ligados por um fio muito coeso, mas isso não fica claro logo de cara, nós vamos percebendo que eles estão interligados aos poucos.
Outro fato interessante é que o livro possui mais de um narrador, narradores tão diferentes que algumas partes são mais interessantes de ler do que outras. Muito bem escrito!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Vida Encantada - Diana Wynne Jones

Esse foi meu presente de aniversário para mim mesma, na verdade lerei todos os livros da Diana que eu tenho em casa, e comprarei outros dois que eu achei pra vender na Internet.
To aqui tentando escrever e a verdade é que não existem palavras suficientes para explicar o que eu acho sobre esse livro, sobre essa coleção Os mundos de Crestomanci, sobre essa autora. Isso tudo mudou minha vida, se eu sou hoje alguém que ama ler, ama literatura infanto-juvenil, se eu acredito em mundos paralelos, se sou um pouco ateia, tudo isso tem sua raiz nesses livros. Os melhores do mundo.
Como pode um livro dirigido a crianças discutir a possibilidade de mundos paralelos? Como pode alguém ler isso e não acreditar na impossibilidade de o mundo se resumir em vida na Terra?
Eu já amava a Diana quando criança. mil vezes melhor que Harry Potter, e ai eu ainda descubro depois de adulta que ela escreveu O castelo animado, é muito amor literário pra uma só pessoa!!


O livro conta a história de Eric Chant, ou Gato, um menininho comum, que jamais conseguiu fazer um feitiço sequer, e que desde pequeno teve vários infortúnios, como um acidente de barco onde seus pais morreram, e por isso teve que ir junto com sua irmã morar com a vizinha Sra. Sharp. Gwendolen, sua irmã, é uma bruxa muito promissora e determinada, por isso dá um jeito de ir viver no Castelo Crestomanci, para lá poder colocar em ação um plano bolado por ela e seu tutor, um bruxo duvidoso.
Quando os dois mudam-se para o Castelo ambos sentem uma atmosfera pesada, traduzida em quietude. Eles começam a ter aulas, e Gwendolen é proibida de fazer mágicas por um tempo, isso a deixa inconformada, e para chamar atenção de Crestomanci ela começa a fazer as mais variadas mágicas, como aproximar todo o pomar do castelo ou escurecer as janelas de hora em hora, e outras nem tão engraçadas, como fazer aparecer um fantasma na janela da sala de jantar. De início Crestomanci ignora tudo o que ela faz, até que ela passa dos limites e ele retira os poderes dela.
No dia seguinte quem acorda no quarto de Gwendolen, é Janet, a "presada sobressalente". A irmã de Gato de alguma forma conseguiu mudar de mundo*, e Janet é arrastada para esse mundo, o que causa diversas confusões, além daquelas deixadas por Gwendolen, assim Janet e Gato se vêm em uma confusão enorme, e a única forma que eles encontram de não se encrencarem mais é fugir para o mundo de Janet. E até mesmo isso causa um problema ainda maior, pois ao tentarem fugir eles colocam o plano de Gwendolen em ação, ameaçando a acabar com a organização mágica do seu mundo.
Tudo acaba bem. Todos no Castelo se unem para ajudar Gato e Crestomanci. Muitas questões são respondidas. E Gato descobre que é um mago, como um dos mais poderosos!


*Segundo o livro não existe apenas um mundo, mas diversos mundo paralelos. A explicação para eles é simples, a cada grande acontecimento histórico o mundo se dividia para que todas as possibilidades fossem realizadas, assim em uma guerra em um mundo a Inglaterra seria a vencedora, e em outro ela seria a perdedora. No mundo onde a história acontece a magia é uma coisa comum, e o nosso mundo, o que nós chamamos de real, provavelmente também existe, eu acredito que é daqui que a Janet vem. Como os mundos se multiplicam as pessoas que existem neles também, dessa forma existem diversas Gwendolens pelos mundos, não com esse nome, mas são todas fisicamente idênticas, algumas manias iguais, e têm até o mesmo sobrenome. Quando Gwendolen resolveu mudar de mundo ela arrastou atrás de si uma fila de duplicatas para preencher o vazio que ela deixou no Castelo de Crestomanci

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Doidas e Santas - Martha Medeiros

Mais um da coleção: minha irmã comprou no aeroporto e nunca terminou de ler.
Quando eu terminei A insustentável leveza do ser arrumei minha mala para viajar no final do ano e coloquei o último dos livros do box do Milan Kundera na bolsa, no entanto eu ainda tinha uma noite em casa, olhei a pilha dos livros para ler, e foi Doidas e Santas que me chamou a atenção. Fui logo perguntar para minha irmã o que ela tinha achado do livro. Ela não gostou, achava que as crônicas eram meio redundantes, que depois de um tempo ficava tudo igual. O que eu também conclui lá pela metade do livro.


O livro é composto por 100 crônicas escritas entre o final de 2005 e o meio de 2008.
O título se dá por causa de uma crônica, muito boa, sobre não existir mulher santa, e que todas são em algum nível doidas. Eu entendo que a Martha Medeiros não poderia escrever por quase três anos sobre tipos de mulheres, mas o título junto com essa pin-up me fizeram criar expectativas jamais cumpridas.
São crônicas. Ponto. Observações sobre o cotidiano da autora. Coisas que lhe aconteceram; livros lidos, exposições visitadas e filmes assistidos. Um pouquinho de filosofia de vida. Depois de um tempo você acaba sentindo-se íntima da autora, não sei se amiga. Ela me cansou um pouco com essa reafirmação da postura dela com relação ao mundo, essa necessidade de ser doida, de fugir do padrão, mas ser uma santa, por não conseguir infringir as leis, ela afirma ser boazinha, gentil e outras qualidades da santa. (Sim, eu continuo tentando justificar o título para mim mesma).

Não é um livro ruim. São crônicas. Eu gosto delas. Rápidas e bem-humoradas. Mas ler 100, de uma vez, da mesma autora, escritas a quase 10 anos atrás, ai qualquer um arranja alguma coisa para reclamar!

O que eu mais gostei nesse livro é lembrar de algo meu, uma... não sei que palavra para isso, esquisitice?!? Quando eu leio um livro fora do meu próprio padrão, seja um livro antigo, escrito em um português nada atual, ou tipo de texto, como as crônicas ou poemas, eu tendo a começar a pensar e escrever nesse estilo. Esses dias escrevi uma crônica, achei bem boa.