domingo, 28 de dezembro de 2014

A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

É quando eu leio um livro como esse que eu entendo o sentido de um livro se tornar um clássico. A insustentável leveza do ser ainda não é um livro clássico como a Ilíada, mas devemos levar em consideração o tempo, Kundera é contemporâneo, está ai vivo, acredito que na França.
Mesmo sendo atual, este é um livro mundialmente famoso, e não famoso como Harry Potter (sem jamais tirar o crédito dessa série que permeou minha adolescência, eu tinha 11 anos quando li o primeiro livro!), o seu conteúdo não é o mesmo que os dos best sellers atuais, há toda uma reflexão sobre a vida, a narrativa só se dá através da busca dos personagens pelo sentido da vida. É o tipo de livro que você lê, se envolve, chora, e ainda termina um pouco mais consciente de si mesmo, ou menos ignorante quanto a complexidade da vida.
Eu o li em poucos dias, eu amei, eu relerei algum dia, e eu recomendo a qualquer um.


Como os demais livros que eu li esse ano de Milan Kundera, A insustentável leveza do ser está recheada de sensualidade, ou talvez fique melhor, de sexo. Thomas é um médico de meia idade que tem um filho com a esposa do primeiro casamento, mas após o divórcio corta relações com ambos, e até mesmo com seus pais, no entanto ele não é sozinho, leva uma vida animada pelos seus vários encontros com as suas diversas amantes, Para ele é na hora do sexo  que ele pode vislumbrar o 0.01% de individualidade que existe em cada mulher, e é essa porcentagem que ele procura em suas relações. Para ele não é traição ter suas amantes, pois o sexo nada tem com o amor.
Porém, essa explicação não é suficiente para acalmar os ciúmes de Tereza. Uma mulher que desde criança olha no espelho e procura ver sua alma através de seu corpo. Quando conhece Thomas ela decide que é hora de mudar sua vida e vai atrás dele. Sem muitos contornos eles logo se amam, e é um amor imenso, um não imagina viver sem o outro, apesar de seus defeitos (vamos concordar que os defeitos são deles na maior parte). Por isso, casam-se, nunca têm filhos, no lugar Thomas dá a Tereza um cachorro Karenin, e assim eles vivem em meios aos ciúmes e às amantes, em especial Sabina que também tem sua história contada, mesmo depois que sua relação com Thomas chega ao fim, depois que ela tem um caso com Franz, depois que ela parte para América.
Além da profundidade criada a partir dos questionamentos dos personagens, a história tem um contexto tenso: a invasão russa na República Tcheca. Thomas um médico importante, por causa de um artigo de jornal é forçado a exilar-se na Suíça, e quando volta perde seu emprego. Tereza que tornara-se fotografa tem seu apogeu profissional nos poucos dias de euforia que se seguiram a invasão. Sabina como os outros dois também se exila, mas jamais volta para casa.

Não acho que seja possível resumir mais. Claro que é possível falar mais sobre o livro, mas ai seriam minhas reflexões, aquilo que eu entendi, aquilo que absorvi na minha leitura. E por mais que isso possa ser interessante não é a minha intenção.
Vale ressaltar apenas que esse livro traz o mesmo questionamento que O leitor, como conviver com a consciência de seus atos? Édipo ao descobrir que matara seu pai e depois casara-se com sua mãe, fura seus próprios olhos e exila-se no deserto, mesmo tendo feito tudo de forma inocente. Como podem viver tranquilamente aqueles que cometeram atos que sabiam ser condenáveis? Mas qual a porcentagem dos invasores/nazistas que sabiam o que estavam fazendo? Qual a porcentagem que apenas estava cumprindo ordens e seguindo um ideal que provou-se atroz? Qual a melhor forma de sobreviver nesses tempos? Resistir pela honra? Retratar-se pela vida?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O leitor - Bernhard Schlink

Nós já temos esse livro em casa há alguns anos. Em 2010, provavelmente, eu, minha família e amigos, viajamos para Salvador no carnaval, e por causa de escala, acho, eu e minha irmã decidimos comprar livros para ler. Eu comprei Os miseráveis, o volume 2, sem nunca ter lido o 1. Achei-o muito grosso, e sem ler o título direito comprei, e não li. Já minha irmã, que gosta de leituras mais fáceis, me pediu uma dica, e ao ver O leitor na prateleira eu a informei que tinham feito um filme daquele livro e que tinha concorrido ao Óscar, mas que eu mesma ainda não o tinha assistido. Ela comprou, e sabendo como ela é, não deve ter chego nem na metade.
Não faz muito tempo (acredito que no começo desse ano, ou no final do passado) eu encontrei esse e outros livros que ela guardava no seu quarto e peguei tudo para mim. E só agora eu tive a oportunidade de lê-lo.
O que eu mais gostei desse livro é o ponto de vista dele. Como eu já disse gosto muito do tema da Segunda Guerra Mundial, e O leitor trata não da gurra em si, mas da geração do pós-guerra, dos filhos dos agentes da guerra. Como conviver e aceitar as pessoas que participaram do holocausto, que contribuíram ou simplesmente aceitaram toda a atrocidade? Eu ainda não tinha lido nada sobre isso. E assumo que em muitas das reflexões do narrador eu me perdia, não acompanhava o pensamento ou até mesmo pela extensão das orações. Mas eu gostei da história, porém o melhor do livro pra mim foi o ponto de vista adotado.


O livro é a narrativa das memórias de um homem, Michael Berg, que na adolescência (15 anos) teve um relacionamento com uma mulher mais velha, Hanna Schmitz (26 anos), que se baseava em encontrar-se no apartamento dela, ele ler algo para ela, ela dar banho nele e então fazerem amor. O relacionamento tem um fim abrupto e o jovem Michael fica sem entender o porquê, e por muitos anos se culpa dos acontecimentos, além de fechar seu coração, tornar-se um homem distante.
O tempo passa, e Michael está na faculdade de Direito, ele faz uma matéria em que estuda o caso de um julgamento de crimes de guerra, no qual 4 mulheres, ex-guardas de campo de concentração, são julgadas por não prestar auxílio às judias que elas haviam prendido em uma igreja, que começara a pegar fogo depois de um bombardeio, tendo sobrevivido apenas duas de centenas.
Dentre a julgadas está Hanna, por causa disso Michael passa a acompanhar de perto o julgamento. E vê que Hanna prefere ser condenada à prisão perpétua a deixar que os outros saibam que ela é analfabeta e por isso não poderia ter escrito o relatório, que era a prova fundamental. Michael chega a cogitar interferir, mas deixa prevalecer a vontade de Hanna.
O tempo passa novamente, e Michael decide então voltar a ler para Hanna que está presa, para isso ele grava fitas com a leitura de livros. Algum tempo depois do começo da correspondência (que dura uns 10 anos) Hanna escreve um bilhete para Michael, dele seguem-se muitos outros, que nunca são respondidos. Ele apenas envia as gravações.
Um dia chega uma carta da diretora da prisão informando Michael de que Hanna será solta por causa de um indulto, e como Michael era a única pessoa com quem Hanna tinha contato, pedia-se que ele ajudasse na sua adaptação....

Vou parar, pois ninguém gosta de um spoiler!

Só uma observação nem por um momento o fato de eles terem uma diferença de idade enorme, e no início ele ser praticamente uma criança é visto de uma forma errada. Nada sobre esse tema. Por que dessa escolha se ela não faz diferença na narrativa? É apenas para dar certo o fato de ela ter estado na guerra, e ele só depois de alguns anos estar na faculdade? Isso me incomodou mais do que o necessário. Acho que ainda tenho as aulas de redação do colegial na cabeça. Mas eu realmente acredito que não deve-se colocar elementos que não serão explorados.... Talvez naquela época essa diferença não fosse um problema??

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Risíveis Amores - Milan Kundera

Esse é o terceiro dos cinco livros do box, e eu assumo que estou lendo por ordem de tamanho.
O título traz uma das minhas palavras preferidas, risível. No entanto, eu não achei lá tão risível assim. Na verdade eu fiquei meio triste, vazia, insatisfeita, ou para utilizar uma palavra do posfácio, amargurada.


O livro é composto por 7 contos, sendo que apenas dois têm relação entre si, que não são necessariamente histórias de amor, mas o amor está ali de alguma forma.
Em Ninguém vai rir, um professor universitário recebe uma carta em que o remetente lhe pede para que leia sua pesquisa e dê seu parecer a uma revista, para que ele possa ser publicado. Segundo a carta, a única forma do texto ser publicado é com a aprovação do professor, esse após ler o trabalho e chegar a conclusão de  que era muito ruim, decide não dar seu parecer, mas ao mesmo tempo não avisar o remetente disso. O remetente é um homem muito insistente, que tenta de todas as formas chegar ao professor causando grande incomodo ao professor, que toda vez que tentava escapar sem dar uma explicação direta, piorava ainda mais a sua situação. A trama fica entre o cômico e o angustiante, pra mim, mais o segundo.
Já em O pomo de ouro do eterno desejo, dois amigos, um muito bem casado e outro recém-divorciado vivem várias aventuras amorosas. O primeiro por sempre ter sido o conquistador precisa exercer ainda seu poder, abordando várias mulheres na rua, marcando encontros ou simplesmente colocando-as em listas de possíveis conquistas, sem chegar mais longe; o segundo parece seguir o amigo, aceitando seus movimentos e entrando no jogo, e mesmo podendo ficar com as mulheres ele também acaba sozinho, tendo mesmo frustrado uma grande chance deliberadamente.
O terceiro foi um dos meus favoritos. Em O jogo da carona um casal apaixonado sai de férias, e em uma parada começam a fazer um jogo, em que a moça fingindo não conhecer o namorado pede-lhe carona, e começa agir como uma mulher atirada e provocante, sendo que aquilo que ele mais gostava nela era sua inocência e pudicícia . Ele por sua vez age como sua namorada ciumenta acredita que ele agia antes de conhecê-la, e de fato agia. Com o transcorrer da viagem os dois passam a odiar o jogo, mas não podem parar... e mais uma vez você não ri, ou ri de algumas coisas, mas no geral você se sente preso junto com eles ao jogo e quer gritar para que eles parem.
O próximo é O simpósio  que para começar traz uma estrutura diferente dos demais, ele é dividido em atos, assim ao lê-lo é impossível não formar as imagens na cabeça, as disposições dos móveis e todo o resto, forma-se um teatro, e os personagens atuam, é como se eles fossem tipos e agissem como é esperado (muito interessante). A história se passa à noite, em uma sala dos plantonistas de um hospital. Os personagens são: uma enfermeira feia que quer chamar a atenção dos homens (não consegui decidir de qual ela gosta, um médico de meia idade garanhão - doutor Havel, um médico residente, o chefe dos médicos, e uma médica que é sua amante. A enfermeira quer a atenção de Havel e do residente, Havel menospreza a enfermeira, o residente tem princípios, mas quer seduzir a médica, o médico só quer colocar mais lenha na fogueira, e a médica... Tudo isso culmina na tentativa de suicídio ou simples acidente com um forno a gás ligado. Esse talvez seja o mais risível dos contos.
O conto seguinte é Que os velhos mortos cedam lugar aos velhos mortos, eu sinceramente não encontrei nada de engraçado nesse conto, mas cada um tem o seu senso de humor. O conto narra a história do reencontro de dois antigos amantes, que agora estão velhos. Ela está na cidade para resolver assuntos do seu falecido esposo cuja lápide fora retirada do cemitério para dar lugar aos novos mortos, e passeando na rua para passar o tempo até o próximo trem ela encontra um antigo amante, de uma noite só, que agora reside na cidade e tem pensamentos suicidas por causa da sua calvície (tá bom eu consigo ver o ridículo agora, colocando em palavras), que mal a reconhece devido ao seu envelhecimento. Esse encontro na rua vira um convite para beber um café em casa, que vira uma conversa sobre a vida, que vira uma memória do passado (ele a idealizara, e isso para ela tem um encanto, por ter permanecido eternamente jovem na memória de alguém) e por fim vira um flerte.
O penúltimo conto chama-se O dr. Havel vinte anos depois. Isso, o mesmo Havel garanhão de antes, agora ele está velho e casado com uma jovem atriz belíssima, e tem que ir para umas termas para se curar de alguma doença, chegando lá ele percebe que já não tem mais o seu encanto, a única pessoa que lhe dá atenção é um jovem jornalista que quer poder ter o mesmo sucesso que ele já tivera no amor. Havel, sentindo-se muito sozinho pede para que sua esposa o visite. A visita além de muito boa traz consigo a atenção sobre o doutor, que passa a fazer novas conquistas por causa da fama da mulher. Sério, o que há de risível nisso? Coitada da esposa, coitado do burro do jornalista... acho que não estou numa fase de rir das desventuras alheias.
E por fim o conto Eduardo e Deus, que gira em torno de um professor de uma cidadezinha que para conseguir levar a namorada para a cama, decide fingir ser devoto a Deus, até mais devoto do que ela, o que lhe causa problemas na escola, pois naquela época não era bom ser religioso na Boêmia, era anti-revolucionário. No entanto, ao invés de informar que estava mentindo quanto a sua fé ele acaba insistindo nela, o que faz com que ele se envolva com a diretora que quer acabar com sua fé e também com que sua namorada se entregue para ele, e depois de muitos anos o que resta é que ele ainda vai de vez em quando na igreja para pensar em Deus, a namorada perde seu valor ao se entregar e deixar sua fé de lado, invertendo-se as posições.


Opsss
Da próxima vez me lembrar de resumir um livro só depois de lê-lo por inteiro, não que eu não tivesse terminado os contos, mas ainda estava no meio do posfácio, e lá pro finalzinho dele há uma declaração do Kundera que explica o porquê de eu não ter achado graça: "Risíveis Amores. Não se deve entender esse título no sentido: divertidas histórias de amor. A ideia do amor está sempre ligada à seriedade. Ora, risível amor é a categoria do amor desprovido de seriedade."

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A menina que roubava livros - Markus Zusak

Mais um da série: eu liguei a TV e em menos de 3 horas eu tinha um livro na mão.
Na verdade já fazia um tempo, tipo anos, que eu me lembrava de reler Eu sou o mensageiro, o outro livro que eu conheço do Zusak, mas eu sempre preferia reler algum outro, ou arranjava novos para ler. Infelizmente o livro continua na prateleira. Mas eu vou pegar um dia. Juro que eu me lembro de ter gostado. Então, por que eu nem pestanejei em pegar A menina que roubava livros, que estava logo ao lado? Fácil. Este é provavelmente o único livro no meu top 10, 20 ou talvez até mesmo 30, que é um best seller atual. Eu simplesmente amo esse livro. Praticamente tudo nele.
Gosto da única frase no verso do livro: "Quando a morte conta uma história você deve parar para ler". Sério, quem em sã consciência não compraria esse livro só por isso???
Gosto de qualquer livro cujo tema é alguém que ama livros, é impossível não sentir uma identificação, por menor que seja. Afinal eu não sou uma criança pobre na Alemanha durante a segunda guerra mundial. Sequer roubei um livro na vida.
Gosto muito de tudo que seja referente a segunda guerra mundial. Não sei explicar, pois tudo me deixa depressiva, completamente revoltada, só que ao mesmo tempo criam dois sentimentos diferentes. Esperança, pois normalmente são histórias de pessoas que viram e lideram com a guerra de uma forma única, muitas vezes sobrevivendo a tudo aquilo, demonstrando muito mais humanidade e solidariedade do que o egoísmo atual. E também, algo como felicidade. Essa não é a palavra... Quando eu estou triste, achando que eu sou o maior fracasso do mundo, e que o jeito é desistir, eu vou lá e assisto A lista de Schindler, e então eu percebo o quão mesquinha eu estava sendo, e quão simples são os meus problemas. Então, sim eu precisei de lencinhos para terminar o livro, fiquei com o olho inchado e com muita dor de cabeça... mas eu ainda assim amo esse livro.
Agora, o que eu mais gosto nesse livro, aquilo que realmente o torna especial: a sua linguagem! Tudo é metáfora, todas as coisas inanimadas ganham vida. A morte talvez seja muito poética, o no final das contas é a visão da criança, não importa, está lá!


O livro conta a história de Liesel Meminger, uma menina alemã que durante sua infância roubou diversos livros. O primeiro livro que roubou foi no enterro de seu irmão, que morreu num trem a caminho da sua família adotiva, os Hubermann. Ela chegou lá sozinha, e aos poucos entrou na rotina dessa família, o papai lhe ensinou a ler, junto da mamãe com seu jeito nervoso, ela andou pela cidade para entregar ou buscar as roupas das famílias ricas, e com Rudy seu melhor amigo ela se divertiu nas ruas. Nesse meio tempo ela roubou alguns livros ganhou outros, eles receberam um judeu no seu porão, papai foi e voltou da guerra e a cidade foi bombardeada.
Liesel sobreviveu a tudo, percebendo o poder das palavras.

É sempre impossível descrever o livro que você gosta. Se fosse para escrever em detalhes eu reescreveria o livro com as minhas palavras... não vale o esforço. Prefiro reler e reler até tê-lo inteiro decorado.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ilíada - Homero

Foi apenas na faculdade que eu descobri que não havia nos textos de Homero nenhuma descrição da história do Cavalo de Tróia, inventado por Ulisses para que os gregos pudessem invadir os muros de Tróia e acabar com uma guerra que já durava 10 anos. Eu sabia que a Odisseia era a epopeia que narra a volta de Ulisses para casa, se não me engano outros 10 anos, e aquela famosa história de Penélope, sua esposa que durante o dia costurava, e à noite descosturava, para poder esperar por Ulisses sem ser obrigada a se casar com um dos muitos pretendentes.
Quando estava no primeiro ano da faculdade de Estudos Literários, eu tive a matéria de literatura clássica I, e junto com o professor Mario nós estudamos algumas tragédias clássicas e a Odisseia, ele nos deu a opção de ler em versos ou em prosa. Eu muito estupidamente escolhi prosa. Não façam isso, dessa vez eu comprei a Ilíada em verso, e é muito melhor, existe um ritmo com ele. De qualquer forma, ambas as obras de Homero, as mais antigas conhecidas pela nossa sociedade são extremamente boas. Leiam. E como eu, aprendam a amar os clássicos.


O livro começa depois de já terem decorrido mais de nove anos da guerra de Tróia (guerra iniciada pelo rapto de Helena, a esposa de Menelau, irmão de Agamenon), os chefes gregos estão reunidos, e após interpretarem os presságios, decide-se por devolver a escrava de guerra do rei Agamenon, a filha de Crises. O rei grego fica irritado por perder o seu espólio, e para ser recompensado ele resolve retirar a escrava de Aquiles, o maior guerreiro grego, a bela Briseida, o que é claro irrita Aquiles, que não só se vê despojado de uma escrava de quem gostava, como também sente-se humilhado pela atitude de Agamenon, e por isso decide se abster da guerra. Não bastasse os gregos perderem seu melhor guerreiro, este ainda falou com sua mãe, a deusa Tétis, para quem pediu que junto a Zeus falasse da situação. Assim, Zeus decide que enquanto Aquiles não voltar para a guerra os gregos perderiam a guerra, para provarem o valor de Aquiles e se arrependerem do que haviam feito.
Com isso os troianos, liderados por Heitor, o grande filho de Príamo, o rei de Tróia, avançam na batalha, matando muitos gregos, e ganhando muito espaço. Os deuses olímpicos, muitos dos quais tinham sérios motivos para estar do lado dos gregos, tentam interferir por diversas vezes, mas Zeus mantem a sua resolução, até o momento em que o exército troiano chega aos navios gregos e tem a oportunidade de colocar fogo nas embarcações, então a sorte vira.
Patroclo, o grande amigo de Aquiles, é instigado a entrar na guerra, e convence Aquiles a permitir que ele, junto com os mirmídones,voltem para a guerra. O que lhe é consentido, Patroclo volta ao campo de batalha trajando a armadura de Aquiles, o que por si só causa grande terror nos troianos que começam a recuar, e dá ânimo aos gregos, que retomam as forças para lutar. No entanto, Patroclo não segue os conselhos de Aquiles e se afasta dos navios, e acaba sendo morto por Heitor.
Esse é o ponto crucial! Aquiles sofre imensamente. Ele quer vingança e volta a guerra, trajando uma nova armadura feita por Hefesto. Nessa nova fase da guerra os deuses escolhem os seus lados e participam, apenas por um tempo, mas o suficiente para quando todos os troianos arrasados se protegerem dentro dos muros de Tróia, Palas Atena convencer Heitor de que esse deve ficar e lutar contra Aquiles. Heitor morre, e seu corpo é ultrajado por Aquiles, no entanto nada lhe acontece pois ele é protegido por um deus.
O livro termina com Príamo, com a ajuda dos deuses adentrando no acampamento grego para implorar para Aquiles a devolução do corpo de seu filho, para que os troianos pudessem pranteá-lo e dar a ele o funeral adequado. Aquiles devolve o corpo. Príamo, ainda protegido, volta para sua cidade, as mulheres choram por Heitor e fim.

É claro que tem muito mais detalhes que eu poderia ficar aqui tentando descrever, como, por exemplo, a inutilidade de Paris, que só serviu para roubar Helena, ser salvo de duelo, repreendido por Heitor, e no final tentado se redimir em batalha... mas não! Que as pessoas leiam esse livro. Vale muito a pena.

sábado, 1 de novembro de 2014

A lentidão - Milan Kundera

Mais um dos livros fininhos do box que eu comprei. Na verdade, acho que os outros três já não são mais finos exatamente...



Quando eu li a sinopse do livro eu não entendi muito bem. Não sabia exatamente o que esperar. Quando eu comecei a lê-lo achei que era um ensaio, eu gosto de ensaios. Ele começa contando de uma viagem de carro, que ele e a sua mulher estavam fazendo pela França em direção a um castelo onde ficariam hospedado. No caminho ele questiona a velocidade do mundo atual, pensando em um livro do século XVIII, em que dois amantes passeiam pelo jardim, como um teatro pensado pela mulher, um adiamento da consumação, necessária para criar a expectativa. A lentidão ligada ao prazer, e a impossibilidade disso na atualidade, em que uma pessoa já não desfruta do tempo, todos estão sempre apressados.
Ele conclui que a velocidade está ligada à memória, "... lembrei a equação bem conhecida de um dos primeiros capítulos do manual da matemática existencial: o grau de velocidade é diretamente proporcional à intensidade do esquecimento. Dessa afirmação podemos deduzir diversos corolários, este, por exemplo: nossa época se entrega ao demônio da velocidade e é por essa razão que se esquece tão facilmente de si mesma. Ou prefiro inverter essa afirmação e dizer: nossa época está obcecada pelo desejo do esquecimento e é para saciar esse desejo que se entrega ao demônio da velocidade...".
Tudo isso me interessa e muito, e se o livro fosse apenas isso eu o teria lido lentamente, pois é assim que eu leio, mas, não tão lentamente.
No entanto, Milan Kundera, além das duas histórias paralelas, a sua viagem e do livro dos amantes, insere outra história, de um grupo de amigos (que no começo eu achei que existiam, agora eu já tenho minhas dúvidas), acho que boêmios, não sei defini-los. Um deles, Potevin, tem uma filosofia sobre "dançarinos", são as pessoas, da atualidade, que gostam de chamar a atenção para si, que fazem da sua vida uma arte... No final, conclui-se que todos que queiram fazer algo grande no mundo hoje tem que ser um dançarino, pois precisa-se da mídia para ter algum valor.
Isso ainda não é ruim. Mas, um desses amigos, vai à um castelo na França para um encontro de entomologistas, e ai para mim desanda. Não gostei, e demorei para conseguir passar por alguns poucos capítulos curtos.
No final, as três histórias se fundem, trata-se do mesmo castelo, e Milan Kundera quando está indo embora vê tanto o cavalheiro do século XVIII quanto seu amigo Vincent.


A Hospedeira - Stephenie Meyer

Talvez eu não seja lá uma pessoa muito prática. Bem, dessa vez eu definitivamente não fui. Há uma ou duas semanas eu estava com preguiça de estudar à tarde, na verdade essa falta de vontade ainda permanece, então eu resolvi assistir algum filme, e estava passando A hospedeira, eu sabia que era um livro não tinha lá tanta certeza quanto à autoria. Mais ou menos na metade do filme minha mãe chegou em casa com o meu sobrinho e, como de costume, eu fui ficar com ele, desencanando do final do filme sem nenhum segundo pensamento... No entanto, antes do final do dia eu já tinha feito as minhas pesquisas, confirmado que foi a autora de Crepúsculo  quem o escreveu, encontrado um ebook seu e começado a ler, mesmo sabendo toda a melação que eu iria encontrar na minha leitura. Nesse quesito eu não fui decepcionada. Mas, para ser sincera teria poupado o meu tempo procurando o filme na internet e terminado de ver o filme.... se você gostou de Crepúsculo, lei esse livro, se você o achou tolerável, assista o filme, se você o achou uma porcaria, passe longe, se você é viciada em leitura e não consegue saber que um filme é livro sem querer lê-lo, então faça o mais rápido possível! A sensação com esse livro é que não valeu o tempo perdido.


O livro poderia de uma forma um tanto deturpada ser considerado de ficção científica. Deixa eu me explicar: o contexto onde essas histórias de amor exageradas se passam é uma terra dominada por alienígenas, denominados almas, que se infiltram em um corpo hospedeiro humano e vivem na terra, pois acreditam que a humanidade era bruta demais e não vivia da forma correta. Essas almas viviam em muitos outros planetas sempre dessa forma parasitária, e a protagonista é uma alma que já viveram em grande parte desses mundos nunca se fixando em um, por não se sentir em casa neles.
Ao chegar na Terra ela é implantada no corpo de Melaine, uma humana recentemente capturada, que junto com seu irmão e namorado (muito mais velho, diferente do retratado no filme) vivem clandestinamente, fugindo e roubando.
Diferente do esperado, Peregrina, nossa alma protagonista, ainda sente a presença de Melaine em seu corpo, não só suas memórias. Assim, ao invés de fazer aquilo que deveria, mostrar aos Buscadores (espécie de polícia) onde os outros estavam, Peregrina passa a amar a família de Mel, e elas se tornam amigas, fugindo para o deserto na tentativa de encontrá-los junto com o tio de Mel, meio louco, que previra a invasão.
Depois de muito andarem no deserto elas enfim são capturadas. E levadas para o abrigo nas cavernas. onde Jaime, o irmão; Jared, o namorado; Jeb, o tio e muitos outros humanos estão escondidos. No começo ela é agredida e mal tratada, apenas recebendo a defesa de Jeb e Jaime. Porém, com o tempo ela é aceita, e até mesmo faz amizades, e um dos humanos bonitões se apaixona por ela, alma não corpo... (esse é o Ian)
O dilema era pra ser grande, se não fosse previsível o final. Mel sente-se extremamente atraída por Jared e isso interfere nas ações de Peg, que acaba por se apaixonar por Ian. Como é que uma poderia forçar a outra a viver com um outro homem, além do ciúmes... Meio bizarro.
No entanto, as almas são boas, altruístas e pacíficas. Assim, quando Peg percebe que ela pode deixar o corpo de volta para Mel, ela decide que ela vai morrer...
Eu não vou contar o final. Mas sinceramente... é Stephenie Meyer. O final feliz do amor perfeito bizarro é com ela mesma! Nada de surpresas.
Mas, apesar dessa crítica eu devo dizer que até o ponto que eu assisti do filme ele não era tão ridículo quanto os da saga Crepúsculo...