sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A confissão de um filho do século - Alfred de Musset

Quando eu estava no meu primeiro ano da graduação comecei a fazer uma lista dos livros que eu queria ler antes de morrer. Eu já havia lido muito, mas os clássicos começaram a serem citados em profusão e eu percebia que eu não havia lido tanto assim. Talvez mais que a média nacional. Mas ainda me faltava muito. Listei-os, estão sempre a minha vista para eu sempre me lembrar de que eu ainda tenho que ler as obras completas de Dostoiévski, ler Joyce, Balzac, Manzoni, Proust, Dickens ....
Aprendi, também no primeiro ano da faculdade, que os clássicos são clássicos por algum motivo. Se alguém escreveu um livro séculos atrás e as pessoas continuam lendo, com certeza existe um motivo. Cada vez mais eu descubro as suas belezas.
Talvez A confissão de um filho do século não seja assim tão clássico. Mas foi o primeiro livro que entrou para a minha lista. Algum professor, ou algum texto, fazia uma citação do seu segundo capítulo, um explicação do mal do século XIX, dos jovens que depois do fim das guerras napoleônicas se viram jogados em uma indiferença. Eu me apaixonei ai, foi quase um elogio à morte, mas ainda assim:

"Era o ar desse céu sem mancha, onde brilhava tanta glória e resplandecia tanto aço, que a juventude da época respirava. Os jovens sabiam que tinham nascido para hecatombes, mas julgavam Murat invulnerável: o imperador fora visto passar numa ponte onde sibilavam tantas balas que não se sabia se iria morrer. Mas, se devesse morrer, que importava? A própria morte era, então, tão bela e tão grandiosa, tão magnífica com a sua púrpura fumegante! Parecia-se tanto com a esperança, ceifava espigas tão verdes que parecia tornar-se mais moça, e não se acreditava mais na velhice. Todos os berços de França eram escudos, e todos os túmulos também. Não havia velhos. Só havia cadáveres ou semideuses."


O romance é narrado em primeira pessoa pelo jovem Otávio que desde muito cedo tem grande liberdade, que lhe é cedida pelo pai e pelo dinheiro. Otávio tinha uma amante, uma viúva, que era tudo para ele, e apesar de ser jovem ele parecia capaz de um amor muito sincero. Um dia, num jantar, ele descobre carícias entre sua amante e um amigo de infância. Otávio teria sido incapaz de duvidar, mas tendo as provas, conseguindo a confissão de sua amante. Desafio seu amigo para um duelo, do qual Otávio sai com um tiro no braço, nada mortal, ele fica de cama. Sua pior doença são seus sentimentos. Ele acha que vai morrer, não pode amar outra pessoa, mas aquela que ele ama não merece isso.
Ele beira a depressão (por mais que essa não seja a palavra usada). Ele só sai dessa situação com a ajuda (se é que podemos chamar assim) de seu amigo Desgenais, um libertino, que cético, não acredita no amor, mas sim no prazer. Para ele Otávio deve sair e ter quantas amantes quiser sem se importar que ela ame outro no dia seguinte, conquanto que ela o ame naquele exato instante. De início Otávio reluta, mas quando ele sabe que sua antiga amante não só traíra o outro amante, como também zombara dele, ele decide tomar uma atitude: cair na vida libertina, na qual ele já dera os primeiros passos.
Otávio narra sua vida de devassidão muito superficialmente, parece que em meio as orgias, aos jantares, era outra coisa que o interessava. Ele afirma que ele não conseguia distinguir amor de prazer. Conta apenas sobre duas mulheres que possuiu. 
Mas isso é interrompido com a morte de seu pai. Então ele se retira no campo onde sofre imensamente, pois não conseguira se despedir de seu pai, e sabe que ele queria muito lhe falar, e que seria para pedir que ele tivesse uma vida direita. Otávio se tranca em casa, e só aos poucos começa a passear pelos campos, ajudar os pobres, parece estar muito mais direito. Até que conhece a senhora Pierson, outra viúva, que morava ali perto com a tia. Ele com ela trava amizade e passa a frequentar a sua casa, e então está perdidamente apaixonado, mas sabe que não pode se declarar.
Resiste ao máximo, até que ela descobre e manda ele embora, e ela mesma vai viajar. Ele não desiste, não tem nada a perder. Tanto faz que descobre que também ela está apaixonada por ele, mas que por causa da sua história de vida não queria se envolver. Mas já não era mais capaz de resistir. No começo eles vivem um belo amor. Até que Otávio não consegue simplesmente amar, com seu amor une-se uma desconfiança, um desejo de a ver sofrer para que não seja ela a fazê-lo de tolo. E apesar de toda a sua maldade ela continua o amando. 
E vão vivendo, a vila começa a denegrir a imagem dela. Eles resolvem fugir e viver juntos em paz. Antes de decidirem o rumo param em Paris e lá ficam por um tempo, chegam cartas de seus últimos parentes vivos, e Brigida (a senhora Pierson, já somos íntimos) adoece, fica triste, e recebe a visita de um jovem que ela conhecia desde criança. Otávio quer sofrer e por isso quer ver entre eles um relacionamento, tenta de todas as maneiras. Até que no derradeiro movimento ele a força a dizer o que sente. Ela diz que sua tristeza é por aquilo que ele causa a ela e não por outro amor, que ela o ama e que quer ficar com ele, mas ele a afasta sempre, e que se ele vê outras coisas ela não tem como se defender (aqui eu vi claramente uma relação com Bentinho e Capitu).
Depois dessa confissão Otávio pensa em abandoná-la, em se matar, em matá-la. Há um outro elogio à morte. No momento em que ele vai apunhalá-la ele encontra um crucifixo que  ela herdara da tia em seu peito, e passa a acreditar em Deus, na religião. Cristo havia salvado ela. Atordoado e cansado ele vai dormir. Mas não sem antes encontrar uma carta de Brigida para esse antigo amigo, no qual ela lhe declarava o seu amor. Sendo não culpada, pois mantera-se fiel, e estava disposta a morrer por Otávio, mas amava outro.
O último capítulo é narrado em terceira pessoa. Um casal feliz compra alianças, entram em um café, lá na intimidade já não parecem tão felizes. Otávio está se separando de Brigida, deixava ela ser feliz com Smith, viajava ele. No começo ele mandaria cartas para que não fosse um rompimento brusco, mas aos poucos ele pararia. Ele nunca mais a veria. O amor que ele sentia não suportaria isso. Mas ele vai embora feliz, pois das três pessoas que sofreram com aquele louco amor, só uma ficaria triste.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O Terror - Arthur Machen


Esse é um livro bem curtinho, mesmo com um posfacio de mais de 30 páginas, uma coleção de contos (se é que podemos chamá-los de contos, para mim são textos sugestivos cuja sugestão em muito casos eu não fui capaz de capitar, e por isso permaneceu por segundos apenas uma sensação) unidos com o nome de Ornamentos em Jade, todo o volume não chega a 200 páginas. O romance que dá título ao texto não tem 100 páginas...
O livro é muito bem contextualizado, se passa durante a 1° Guerra Mundial, momento em que na Inglaterra segundo o narrador, havia uma grande falta de comunicação, os jornais estavam proibidos de publicar qualquer informação que não passasse pela censura, assim os casos estranhos que ocorriam, tornavam-se logo rumores, e o povo que habituara-se a acreditar apenas naquilo que lia, ficou completamente alienado. As pessoas tinham uma suspeita do que acontecia perto de casa, mas aquilo que ficava longe não lhes chegava ao conhecimento, e as próprias pessoas não gostavam de falar sobres estranhos rumores de então.
O narrador é um jornalista que foi destacado para investigar casos estranhos que ocorriam em uma região rural, de mortes inexplicáveis. Porém, antes de conversar com médico local, o dr. Lewis, ele conta o primeiro caso estranho de que ele tomara conhecimento, naquela época conturbada, um antigo conhecido seu, era piloto de guerra, e morrera perto de sua base ao ser "atacado" por um bando de pombos que derrubou o avião.
Nessa região rural o caso que atraiu o narrador foi o de uma família que foi encontrada morta com os rosto destruídos, e não havia nenhum rastro que pudesse indicar o assassino. Cogitou-se um serial killer, alguém da própria região com distúrbio de personalidade... até que mortes tão estranhas quanto se multiplicaram, corpos que caíram de precipícios, se afogaram no pântano, sufocaram sem nenhuma marca, ferimentos sem explicação (todos durante a noite). O médico não conseguia explicar, mas um dos moradores da aldeia tinha uma teoria interessante do Raio Z, que seria algo criado pelos alemãs para gerar uma violência em seres vivos que depois que sua influência passavam voltava ao normal, uma técnica do inimigo para espalhar o terror. A teoria de que isso era obra dos alemãs torna-se quase certa, mesmo que para isso eles tivessem que ter construído cidades subterrâneas... Depois aparecem umas luzes, como se fosse parte de uma nuvem, ou de uma árvore... o mistério se intensifica, isso se você não tomar aquela sua primeira ideia absurda como solução do problema, ou concordar com a teoria dos alemães.
Até que se atinge a última história do terror naquela região, em que um fazendeira é morto com uma ferida do lado de fora de casa, e sua família (a mulher e dois filhos) mais um hóspede são encontrados mortos pela casa muito provavelmente por falta de água, pois tudo indicava que eles estavam sitiados. O dr. Lewis encontra uma carta do hóspede, que era um conhecido seu, em que conta tudo o que ocorrera, ou que ele achava que ocorrera, pois não sabia mais se ainda não estava louco, se estava acordado ou dormindo. E com isso acaba essa época do terror.
No último capítulo o narrador conversa com o médico, e eles chegam a uma conclusão do que gerara aquele terror. O fim sinceramente para mim podia ser outro. No geral não entraria na lista de livros que eu indicaria, mas com esse fim, está entre os livros que eu diria boa sorte, lê ai... interessante, mas decepcionante! Lê ai! 

sábado, 5 de outubro de 2013

Orgulho e Preconceito - Jane Austen

Lembro ainda da primeira vez que ouvi falar desse livro. E para ser sincera é ainda uma das minhas referências favoritas a ele. Foi no filme Mensagem para Você, e com certeza a Meg Ryan e o Tom Hanks ficam em segundo lugar como o meu casal favorito do cinema (tudo bem é só uma releitura... mas ainda assim muito melhor que a Keira Knightley). Perdem só para o Collin Firth e a Jennifer Ehle, da minissérie da BBC, que foi o que me levou a ler o livro.
A minissérie passou na TV como filme, e eu só consegui pegar a segunda parte, o que além de me fazer entender tudo errado, me estimulou a curiosidade. Comprei o livro em 2006, e sem nenhuma vergonha, ou sentimento de que apliquei mal o meu tempo, o li uma vez por ano desde então, com essa somam-se 8 vezes. É claro que eu já sei o que vai acontecer, e a ordem, e os sentimentos, as expressões e em muitos casos as palavras...
Recentemente eu obtive uma explicação muito plausível para esse sentimento que me impossibilita de ficar uma ano sem ler Orgulho e Preconceito, e que também me faz reler inúmeras vezes muitos outros livros. A explicação veio de uma conversa entreouvida na cantina do ifch, por um casal que mal se conhecia, e que realmente achavam incrível que os dois gostavam de reler livros, por favor! atravessem a rua e conversem com o povo do iel! Mas de qualquer forma, um dos dois, acredito que o moço, disse que ao reler o livro era como se ele estivesse revisitando seus amigos, que ele sentia saudades dos personagens. E é exatamente isso, eu me identifico com os personagens, quero ouvir suas histórias de novo, assim como nós contamos aos nossos amigos os nossos infortúnios, e muitas vezes escutamos histórias repetidas... sinto uma grande saudade da família Bennet, que eu costumo reencontrar todas férias de inverno. Esse ano por causa da monografia, isso teve que ser atrasado um pouco, mas o prazer foi o mesmo. E para minha eterna surpresa eu consegui encontrar algo de novo, como acontece todo ano.


Não querendo estragar o prazer da leitura a qualquer que um dia leia isso daqui, não me atreverei a tentar resumir esse livro. Não sei se é o meu livro favorito, talvez, com certeza está no topo da lista. Jane Austen o escreveu com apenas 21 anos (em 1797), e eu nos meus 24 não poderia contar a mesma história. Ela se dedica ao detalhe da vida cotidiana do campo na Inglaterra do final do século XVIII, vida que é completamente agitada com a chegada de um jovem rico, que segundo o conhecimento geral deveria estar a procura de uma esposa, e seus parentes e amigos. Esse jovem, Mr. Bingley se apaixona pela mais velha das jovens Bennets, que por causa do comportamento bizarro de sua família, além de sua baixa posição social, apesar de retribuir o amor do jovem, é obrigada a ver ele abandonar a região e voltar para Londres, tudo por causa da ação de seu melhor amigo, que vê o casamento dos dois com maus olhos, e por isso o persuade de que ela não está apaixonada, e depois esconde a presença dela em Londres, quando esta visita os seus tios. O amigo em questão é Mr. Darcy um jovem ainda mais rico e bonito, mas que por causa de seu orgulho (digamos justificável) consegue com que toda a localidade o deteste, em especial Elizabeth Bennet, quem ele de início desdenha, depois reconhece alguma beleza e por fim se apaixona. Ele consegue afastar seu amigo, mas o seu sentimento é mais forte, e ele vai atrás dela. Mas ao declarar o seu afeto (ele ardentemente a ama) vê tudo recusado por ela sem nenhum tipo de gentileza, afinal ele nunca demonstrara nenhuma admiração, ele declarara seu amor em termos a mostrar o quanto isso era negativo, e além de tudo ela ficara sabendo pelo primo dele que fora Mr. Darcy quem causara a infelicidade de sua irmã, e também tinha o caso de Mr. Wickham (um jovem oficial muito bonito e cativante, que Elizabeth simpatizara, e depois lhe contara as coisas horríveis que Mr. Darcy havia feito).
Mr. Darcy resolve se explicar em uma carta, mostras os motivos da separação de Bingley com a sua irmã (que eu ainda acho fajuta, mas dá para entender a lógica com que Lizzy os aceita), e conta a verdadeira história de Mr. Wickham que na verdade é um interesseiro sem escrúpulos. A partir dai os sentimentos de Elizabeth começam a mudar. Um tempo passa, e ela vai viajar com seus tios pela região em que sua tia morara por um tempo, e que vinha a ser exatamente a que Mr. Darcy residia. Lá eles se encontram e as maneiras do cavalheiro mudaram muito e para melhor, o que, além da vista da casa dele, cooperou muito para a mudança de sentimentos de Lizzy. Mas a visita tão cordial é interrompida bruscamente, com a fuga da irmã mais novo de Elizabeth com Mr. Wickham, um escândalo que colocaria toda a família em uma situação ainda pior se eles não se casassem, que era o que as pessoas suspeitavam (é aqui que reside a minha descoberta desse ano, a do ano passado está em uma parte que eu omiti desse ordinário resumo, junto com os personagens da família Lucas e Mr. Collins). Tudo se resolve da melhor maneira possível, e tudo graças a Mr. Darcy, e quando Elizabeth tem a chance de agradecê-lo, pois por mais que isso fosse um segredo como todos os demais daquela sociedade sempre chegava aos ouvidos de alguém, os dois se declaram e vivem felizes para sempre. Assim como Jane e Mr. Bingley que recebera a declaração do amigo sobre seus atos passados, e resolvera renovar seus afetos.

Contando assim não é grande coisa. Mas se você consegue entender o quão ardente é o amor de Mr. Darcy por Elizabeth então, pronto, nenhum homem jamais amara o suficiente. Pode ser de todo o coração, pode ser eterno, mas acima de tudo tem que ser ardente.
Já estou quase ansiosa para que o ano que vem chegue logo e eu os reencontre.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Atalá ou os amores de dois selvagens no deserto - Chateuabriand

Esse romance é meio estranho. Não esperava ler o que li quando fiquei sabendo que teria que ler esse livro. Ele se passa na América do Norte, no que o autor chama de deserto, mas com a leitura imaginamos as florestas tropicais tão descritas pelos Românticos brasileiros. Na verdade não tem como ler sem pensar em Iracema, se você já leu Iracema é claro.
O romance tem um prólogo que longamente descreve a paisagem, dá nomes indígenas aos rios americanos, e então fala de um velho indígena que tivera uma longa vida cheia de histórias e um europeu que chegando na América quer fazer parte de uma tribo, viver como eles e aprender seus costumes, ele é aceito, e lá conhece esse velho cego que se chama Chactás, a quem pede que lhe conte a sua história.
O romance começa então com a narrativa de Chactás, sobre as suas aventuras. Que estando a sua tribo em guerra ele foi capturado, e que por muito pouco não fora enviado ao México onde seria escravo, ele fora salvo por Lopes um espanhol que queria civilizá-lo. Mas Chactás por mais que fosse agradecido e amasse esse homem não podia ficar lá preso, precisava voltar para sua terra. Porém, logo que partiu ele foi capturado por uma tribo rival, que o aprisionou e decidiu queimá-lo em um lugar específico para onde se dirigiam. O caminho é longo, e nas noites ele ficava preso em volta de uma fogueira com um guarda, até que um dia surgiu uma jovem branca que ele tomou pela Virgem dos católicos, e por ela se enamorou. Ela era Atalá a filha do chefe guerreiro, que também se apaixonou por ele.
Um dado dia ela convenceu o guarda a deixá-la tomando conta do jovem Chactás, e no primeiro momento o soltou e o mandou fugir. Ele se recusou a ir sem ela. E com isso a caminhada continuou, chegaram a um povoado em que ela mais uma vez o soltou e juntos caminharam, mas antes que alguma decisão fosse tomada o pai de Atalá os descobre e passam a prender Chactás com maior rigor. Chega enfim a hora de queimá-lo, porém tudo é postergado por diversos motivos. Então Atalá encontra uma forma de libertar Chactás, e está decidida a fugir com ele, pois não aceitaria que ele morresse por ela.
Eles fogem, andando pelo tal deserto (que mais me parece o paraíso) sem nada de mal fazerem. Atalá sofre visivelmente mas nada diz a Chactás. Eles prosseguem a sua viagem (não sei bem para onde), até que uma pesada tempestade cai, eles se refugiam embaixo de uma árvore, e lá o clima esquenta, mas ainda assim ela continua virgem (eu acho, a hora em que isso é esclarecido no livro a minha versão digitalizada está borrada). Pois bem na hora chega um padre que sabe que há viajantes nas redondezas e quer oferecer-lhes abrigo.
Os três vão para a gruta do velho padre, onde se secam, se alimentam, e contam sua história. O padre diz que se Chactás se converter ao cristianismo ele poderia casá-los (esqueci de dizer que Atalá já era cristã), e que eles poderiam viver na comunidade que ele criara, com selvagens convertidos. No dia seguinte de manhã, Atalá continua dormindo, mas Chactás desce com o padre para a tal aldeia, onde o selvagem vê toda a obra do cristianismo e da civilização e acredita que será muito feliz ali. Porém quando eles voltam à gruta do padre, Atalá está agonizando, a beira da morte e precisa contar a sua história para Chactás, para que ele entenda a tristeza dela, que não era causada por ele. 
Ela ia morrer porque o céu a estava punindo. Ela não era filha do chefe guerreiro que aprisionara Chactás, mas sim de um espanhol de nome Lopes (é, o mesmo!), mas que sua mãe fora forçada a se casar já gravida, e que devido a complicações do nascimento de Atalá ela prometera a Deus e a Virgem que sua filha seria eternamente virgem, e quando ela morreu fez sua filha lhe prometer isso. Portanto ela jamais poderia ser mulher de Chactás. O padre então a acalma, e lhe oferece uma opção, em que o bispo poderia retirar os votos feitos por Atalá, mas essa conta o que aconteceu no dia da tempestade, o que não tem volta. Depois de mais alguns dias agonizando ela morre, porém antes faz com que o selvagem lhe prometa antes de morrer converter-se ao cristianismo pois assim eles teriam a eternidade juntos.
Depois do velório, enterros e honrarias Chactás volta para a sua mãe e sua terra. Sem ter se convertido ao cristianismo até o momento em que contava a sua história para o europeu.
Enfim vem o epílogo, em que um outro narrador conta que soube dessa história por outras bocas, mas que a considera confiável, por mais que jamais tenha encontrado o padre. Pois um dia estando ele também no deserto viu uma mãe selvagem que fazia os rituais da morte de seu filho recém-nascido, comovido esse viajante a ajuda, e depois com a chegada do pai pergunta se pode ir com eles. Quando param de caminhar ele lhes pergunta a sua história, eles são do mesmo povo que Chactás, e estão fugindo pois com a colonização eles foram expulsos de sua terra. Então o viajante pergunta se conhecem a história de Chactás, eles informam que são descendentes do europeu que fora por ele adotado, e terminam a história. O padre fora cruelmente assassinado na sua aldeia. E Chactás foi buscar o seu corpo e o de Atalá quando ficou sabendo, lá chegando ele presenciou um certo tipo de divindade, e pelo que eu entendi se converteu ao cristianismo, para assim poder se juntar a Atalá.

Para mim esse romance não tem tanto de paixões, como os demais que eu li para a matéria. Sim eles são apaixonados. Chactás está disposto a morrer do que ficar sem ela. Atalá prefere fugir, quebrar os votos feitos a sua mãe no leito de morte do que vê-lo morrer. Mas eles são tão puros. Não há nada de errado em eles se apaixonarem. Parece mais uma defesa do catolicismo, Chactás para ser melhor tinha que se converter. E também do uso e entendimento da religião. O padre é o melhor personagem de todo o romance.

Senhor dos Anéis, O retorno do rei - J.R.R.Tolkien

Esses dias não estão bons. Parece que se eu for começar a reclamar e a pensar o desespero vai tomar conta, então não será mais uma procrastinação, mas uma incapacidade de me concentrar. Eu estava naquela festa, só não vi por causa de um macacão, e agora eu começo a filosofar sobre o mundo, e ele não me parece melhor, nem capaz de melhorar. E dado essa descrença no mundo acreditei que a primeira coisa que eu deveria fazer era alguma coisa de que eu realmente gostasse, que me daria satisfação, desocuparia minha cabeça e ainda por cima fosse capaz de me levar para um outro mundo. Assim acabei o último livro da triologia, sem deixar de chorar. E já na expectativa de muitas outras leituras por prazer, que infelizmente só serão iniciadas no final do ano.
Desabafo feito... vamos ao parto de resumir minha história favorita no mundo.



Se no segundo livro os personagens começam a se separar, e o narrador precisa contar o que se passa em diferentes partes da Terra Média, em O retorno do rei tudo se complica. Depois de Pippin ter olhando dentro do palantir, e de os nazgûl terem atravessado a fronteira, Gandalf parte imediatamente para Gondor, onde é melhor recebido do que em Edoras, porém o interesse está no hobbit que o regente Denethor, que já sabe da morte seu filho Boromir e de que ele estava presente. Depois de uma conversa cansativa, por algum senso de honra Pippin resolve oferecer os seus serviços a Denethor, que o toma para sua guarda (é ele quem passará a servi-lo). Gandalf tem seus assuntos importantes a tratar e Pippin seus novos deveres, ele conhece um guarda, Beregond, que o envia a seu filho, uma criança com quem Pippin vê a chegada dos exércitos aliados, que não são muitos...
Os outros companheiros permanecem com os cavaleiros de Rohan, até que chegam os dúnedain do norte e os filhos de Erond que Aragorn desejara que estivessem lá (e fica subentendido que foi Galadriel quem os convocara), que trazem uma mensagem, que Aragorn lembre-se das Sendas dos Mortos. O que faz com que Aragorn, Legolas, Gimli e os recém-chegados partam para um caminho sombrio mas mais direto para Gondor, passando sob uma montanha amaldiçoada, em que fantasmas de guerreiros passados esperavam pelo rei para poderem enfim descansar em paz.
Deixando Merry para trás. Sozinho e sendo muito pequeno, por mais que ele também oferecera seus serviços ao rei, ele quase fica em Edoras enquanto seus amigos estão defendendo a Terra Média, mas ele é acolhido por um misterioso cavaleiro que diz não se importar com carregá-lo.
Volta-se para Gondor, a cidade é cercada. Denethor acusa Faramir da morte de Boromir, com isso o filho mais honrado sai enraivecido para a guerra e só volta ferido mortalmente. Não há todas aquelas cenas de guerra que cansam no filme. Há uma descrição do desespero das casa sendo queimadas, dos orcs devolvendo as cabelas decapitadas dos guerreiros. E quando toda esperança acabara, os ventos mudam e a escuridão começa a ceder. E nós voltamos aos rohirrim, que cavalgam o melhor que podem na direção de Gondor, passando por uma floresta em que os selvagens que não querem participar da guerra, também não gostam dos orcs e os ajudam a escolher o melhor caminho para atacar o exercito de Mordor. Chegam na hora exata, atacam com um gosto pelo sangue e pela vitória que cegam o seu rei que morre. Quando o chefe dos nazgûl vai dar o golpe final o misterioso cavaleiro que não é ninguém mais ninguém menos de Éowyn o ataca, e o destrói, porém ferindo-a gravemente, Merry em sua defesa também se machuca. Nessa hora de pesar, chega um navio inimigo na costa, mas cheio de amigos, Aragorn fora bem sucedido em sua empreitada e chegava para ajudar. Nesse meio tempo na cidadela Denethor se desespera, e ao ver sua cidade em chamas e seu único filho consumido por uma febre incessante decide queimar-se junto com seu filho, e a tragédia só não é completa porque Pippin corre em busca de ajuda, Beregond e Gandalf conseguem salvar Faramir.
A batalha está ganha. Os feridos são levados às casas de cura. Aragorn com suas mãos reais que curam presta auxílio e depois sai da cidade e junto com os demais capitães pensam no próximo passo. Por Faramir eles souberam que Frodo estava muito perto de seu objetivo, então o que eles tinham que fazer era tirar a atenção de Sauron das suas próprias terras. Juntam um exército e vão bater nos portões de Mordor. Onde para seus desesperos um servo de Sauron mostra os pertences de Frodo. Gandalf recusa-se a se entregar, e começa uma batalha, que estavam para perder, quando ele avista as águias.
E então começa o último livro do último livro. Com Sam entrando em Mordor, na torre de guarda infestada de orcs mortos, por uma discussão quanto ao que fazer com Frodo. Com um pouco de astúcia e de sorte ele consegue encontrar seu mestre, que já está acordado e consciente. Mas nu, com isso Sam procura roupas de orcs para eles se camuflarem. Então partem para a sua última jornada, sem comida o suficiente para o caminho de volta. Quase são descobertos mais de uma vez. Porém, o plano traçado em Gondor de fato os ajuda, as terras ficam mais vazias.
Quanto mais perto eles chegam da montanha da perdição, mais pesado fica o fardo, e aos poucos Frodo já não tem mais força para continuar, e Sam o salva mais uma vez, carregando-o nas costas, durante parte da subida. Quando chegam a estrada que os levaria diretamente a entrada da montanha Gollum reaparece. Frodo corre para as forjas enquanto Sam luta com ele, é a vez de Sam sentir dó e deixar que a criatura vá embora. Mas ela não vai, o segue, entra com ele, mas diferente de Sam que nada vê já que Frodo colocou o anel, Gollum é atraído e tenta recuperá-lo a força, e dentadas. Leva consigo um dedo, mas tropeça e cai na lava da montanha destruindo o anel. Com a destruição tudo que foi feito por ele começa a ruir, incluindo Mordor. Tudo parece acabado para os dois hobbits, que juntos deitam esperando pela morte, mas são salvos pelas águias guiadas por Gandalf.
Sam acorda, Frodo já está bem. Todos estão bem, e enfim juntos. Depois de um tempo dirigem-se para Gondor, onde Aragorn é coroado rei, por Frodo, que recebe todas as honrarias possíveis. Apenas depois do casamento de Aragorn com Arwen, e ainda mais um tempo que os viajantes decidem voltar para casa. Vão em um grupo gigante que se separa aos poucos. Passam por Edoras, onde o casamento de Faramir e Éowyn é anunciado, por Isengard onde vêm o trabalho dos ents, descobrem a partida de Saruman, e Legolas e Gimli se separam do resto da comitiva para viajar por Fagorn, e Aragorn volta para casa. O restante continua seu caminho, alguns elfos vão para Lorien, enquanto o restante se dirige para Valfenda, para onde os hobbits e Galdalf vão para encontrar Bilbo. Lá eles ficam mais um bom tempo, quando sentem a necessidade de voltar para casa. Gandalf continua os acompanhando. Passam por Bri onde descobrem que as coisas não vão tão bem. De lá Gandalf se separa deles para visitar Tom Bombadil, e avisa os hobbits que encontrarão problemas em casa, mas que sabe que agora eles são capazes de resolver tudo sozinhos.
Chegando ao Condado tudo está mudado, e os hobbits mais parecem escravos. Mas (como todo bom leitor cansado agradece), tudo é resolvido rapidamente, com muita noção de guerra de Merry e Pippin que ficam com toda a fama. Sam também se dá bem, casa-se com Rosinha, usa o presente de Galadriel tornando o Condado ainda mais belo. Só Frodo está triste, e quando chega a hora ele parte para os portos cinzentos na companhia de Sam, para lá encontrar Bilbo, Erond, Galadriel e Gandalf, todos vão embarcar...

E ai sim você vê alguém que sabe acabar um livro! Me desculpem, mas a J.K. Rowling só quis ganhar dinheiro com aquele final idiota de Harry Potter. Onde já se viu ele sobreviver? É claro que com ele vivo, e dali 15 anos com uma família é possível contar as histórias de seus filhos em Hogwarts por mais que um não podia viver sem o outro.
Frodo ao contrário destrói o anel como lhe mandaram, por mais que com isso muitas coisas fossem destruídas. E que ele próprio já não poderia mais viver da mesma forma.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

As relações perigosas - Choderlos de Laclos

Mais um da matéria sobre a paixão na literatura, mais um libertino e o primeiro romance epistolar de toda a minha vida.
É interessante pensar que é um gênero que de fato acabou, e que na verdade para grande parte das pessoas se você falar em epístola nada vai significar, e ainda mais que provavelmente daqui alguns anos nem mesmo com a "tradução" para carta, as crianças continuarão a não entender. Carta hoje em dia só conta e propaganda, ninguém mais espera uma carta. A última carta que eu recebi foi do vestibular da USP, eu tinha prestado arquitetura, eram 150 vagas e naquela carta dizia que eu estava em 154... a lista não rodou nem isso. Fiquei com a Unicamp mesmo, o que no final não fez diferença porque eu também desisti do curso... mas parando de divagar.. voltemos ao Laclos.

Como eu tentei dizer, mas acabei me perdendo, As relações perigosas é um romance composto por cartas, que foram trocadas na França do século XVIII entre 3 de agosto de 17** e 14 de janeiro de 17**, entre diversos personagens da aristocracia. Entre eles a jovem Cécile Volanges e sua mãe a Senhora de Volanges, uma parente distante a Marquesa de Merteuil, o Visconde de Valmont, e sua tia a Senhora de Rosemonde, a Cavaleiro Danceny e a Presidenta de Tourvel. Praticamente todos se conhecem, ou vem a se conhecer nesse curto período e trocam cartas entre si, e é a partir dessa intromissão na vida particular dos personagens que nós encontramos o enredo, e principalmente as intenções de cada um.
Cécile Volanges é uma colegial que acabou de voltar do convento para a casa da mãe que a pretende casa com um tal de Gercourt, que em tempos passados fora amante da Marquesa de Merteuil e que a trocara pela amante do Visconde de Valmont, os dois grandes libertinos e vilões do romance. Com isso a Marquesa decide se vingar usando a menina que é completamente inexperiente na sociedade. Sua intenção é se utilizar do Visconde para seduzir Cécile, e que depois de casada seria exposta ao público e Gercourt iria ser humilhado. Porém, de início Valmont se recusa a ajudar sua antiga amante (sim! eles tiveram um relacionamento no passado, mas terminaram como bons amigos e trocam cartas sinceras) pois está envolvido em um projeto, que é o de conquistar a presidenta de Tourvel mulher pudica cujo marido está ausente, e por isso se hospeda na casa da tia de Valmont.
A Marquesa não desiste de suas intenções, como ótima atriz, ela aparenta para toda a sociedade as melhores virtudes, enquanto na verdade é completamente corrompida. Assim ela tem a confiança da Senhora de Volanges, que lhe apresenta a filha, que logo vê nela a melhor amiga, contando-lhe tudo. Nesse meio tempo o a menina se apaixona pelo cavaleiro Danceny, e ele por ela, e quando este lhe envia uma carta, que ela segundo o decoro não deveria responder, a Marquesa consegue através de uma argumentação que Cécile queria ouvir, convencê-la de declarar o seu amor e manter correspondência (cheia de amores eternos).
Enquanto isso Valmont não está conseguindo muita coisa, pois por mais que a presidenta de Tourvel esteja sim se apaixonando por ele, mesmo sabendo da sua fama (não é tão bom ator quanto a Marquesa) que lhe é claramente apresentada pela Senhora de Volanges (muito sua amiga), ela consegue afastá-lo. Ele volta a Paris, disposto a ajudar a Marquesa pois agora a vingança também é dele, contra a mãe de Cécile que o atrapalhou (aparentemente ele realmente estava amando a presidenta). Mas com a ajuda da Marquesa (ardilosa!) a Senhora de Volanges descobre a correspondência de sua filha e o cavaleiro Danceny, e o proíbe de voltar a sua casa, e logo depois resolve se hospedar na casa do campo da senhora de Rosemonde.
Segundo os planos da Marquesa, para lá também deveria voltar Valmont, que encontraria uma forma de fazer com que Danceny entrasse no quarto de Cécile às escondidas. Mas tudo muda. Valmont resolve por si mesmo seduzir Cécile, através de Danceny convence a menina de lhe entregar a chave de seu quarto, entra numa noite e quando ela pensa em chamar por ajuda ele diz que só seria ruim para ela aquilo, o que era verdade, e depois meio a força. meio cedido ele a possui. No começo fica muito mal, e não quer mais saber de Valmont e só de seu cavaleiro, mas a Marquesa, já a par de tudo que acontecera, e bem querendo ter Danceny para ela mesma, e já com bastante ciúmes do visconde, consegue convencer a estúpida de que é normal aquilo que aconteceu, que muito provavelmente ela irá se casar com o horrível Gercourt e que ter Danceny por amante depois seria mais fácil sem a vigilância da mãe, então por que não aproveitar Valmont para aprender algumas coisas...
Nesse meio tempo, a presidenta já não conseguindo segurar o seu amor, volta para Paris. Mas Valmont a segue e consegue o que quer, como quer.. e se vangloria para a Marquesa que fica muito irritada. Valmont ainda a quer de volta, talvez mais para não perder a sua fama, ou algum tipo de orgulho, pois tudo estava muito bem com a presidenta de Tourvel para quem a felicidade era fazê-lo feliz, e por isso acaba fazendo por perdê-la (não sem antes ter que ajudar Cécile a abortar!) enviando uma carta escrita pela marquesa.
A presidenta então enlouquece, se refugia em um convento, onde fica sob os cuidados da Senhora de Volanges. Valmont, que então já estava em guerra com a Marquesa, faz com que Danceny vá ao encontro de Cécile em detrimento da Marquesa, que estava com ele. A Marquesa retruca mostrando a Danceny as cartas em que Valmont contava o seu sucesso com a menina, assim ele desafia Valmont em um duelo, o qual vence, mas antes de morrer o visconde lhe entrega todas as suas cartas, que mostram o verdadeiro caráter da Marquesa. Ao saber da morte de Valmont a presidenta também morre, já Cécile foge para um convento para de lá não mais sair.
Danceny correndo o risco de ser preso, pois a Senhora de Rosemonde quer sua vingança, decide, depois de publicar duas cartas, enviar todas as outras para a tia de Valmont, que ao saber de toda a história resolve por deixá-lo em paz, mas não sem antes pedir as cartas de Cácile que ele possuía. Depois de entregá-las também ele se exila, em Malta. Já a Marquesa, primeiramente ela é vaiada na sociedade, depois ela contrai varíola que a deforma ("dizia-me ontem, a respeito dela, que a doença a virara do avesso, e que agora tinha a alma no rosto."), e ainda perde um processo, e para não ficar pobre, junta todo o seu diamante e dinheiro e foge da França.

É uma leitura difícil nos dias atuais, principalmente pelo vocabulário, pois eles fazem questão de tudo dizer na segunda pessoa do plural. Mas ao mesmo tempo é interessante a leitura de vários pontos de vista, um enredo que se dá a partir de vários narradores (tal qual as Cronicas de gelo e fogo, o A canção de Troia). Também achei a trama muito bem feita, e me animei para assistir ao filme!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Manon Lescaut - Abade de Prévost


 Manon Lescaut é um romance de leitura fácil, fluída. Contudo um tanto sem graça. Não tive dificuldades em terminá-lo a não ser a força de vontade que resistia antes de dormir, e muitas vezes me levou a dormir antes das 23h, usando o sono como desculpa para não ler. Mas afinal, eu o terminei, assim o fiz pela matéria, pela impossibilidade de deixar um livro inacabado...

O livro começa com uma narrativa em primeira pessoa de um senho rico que ao chegar em uma cidadezinha vê um alvoroço em uma estalagem, e ele fica sabendo que lá chegara prostitutas que estavam sendo levadas para o porto, pois seriam levadas para a América. Esse senhor repara então que além das moças e dos seus guardas há também um jovem miserável que fica lá perto. Ele dá um jeito de saber quem ele era, a sua história, o porque de estar seguindo aquele grupo. O jovem é o cavalheiro Des Grieux que era completamente apaixonado pela mais belas das mulheres que ali estava, e por ela se perdera na vida e estava desposto a segui-la até a América, essa jovem é Manon Lescaut. O senhor se compadece de Des Grieux e lhe oferece dinheiro além de conversar com os guardas para que ele não fosse maltratado.
Dois anos se passam e esse senhor reconhece na rua Des Grieux ainda mais abatido, e o convida para se sentar, comer e contar a sua história. Assim começa a narrativa do romance entre Des Grieux e Manon (também em primeira pessoa, e sem nenhum capítulo!).
Des Grieux assim que terminou seus estudos e estava para retornar a casa do pai, de onde depois sairia para entrar em uma ordem (era o filho mais novo), viu Manon chegar a uma estalagem e deu um jeito de conhecê-la e logo se enamorou profunda e inalteradamente por ela. Ela por sua vez estava sendo levada para um convento, pois sua família, que não era muito rica, já sabia de sua devassidão. Des Grieux cego de paixão e contra tudo que ele aprendera até então decide ajudar a menina a fugir (sério eles tinham uns 15 ou 16 anos!), enganando o seu melhor amigo. Fogem e passam a viver juntos sem se casarem em Paris com o dinheiro que cada um possuía dos pais.
O dinheiro logo começa a faltar, mas Manon diz que encontrou um jeito e eles continuam vivendo em opulência (por que eles não se casaram? sério mesmo que não valia nenhuma tentativa antes com o pai dele?). Até que um dia voltando para casa mais cedo do que o esperado Des Grieux é impedido pela criada de entrar, pois Manon assim a mandara, pois estava com o vizinho, um senhor importante. Des Grieux apaixonado e estupido se convence de que não era nada tão ruim assim. Mas era! Contudo ele não chega a saber, pois seu irmão descobre seu paradeiro e o vai buscar para levá-lo de volta para casa, onde fica prisioneiro até que sua paixão se acalme. Poderia ter acalmado, de tanto que seu amigo Tiberge o aconselha, ao ponto de os dois irem para o seminário junto em Paris. Mas quando Des Grieux estava quase para se "formar", Manon fica sabendo que ele está em Paris e vai atrás dele, e mesmo estando com o vizinho ela jura-lhe amor eterno, e promete fugir com ele levando tudo o que o velho já lhe dera.
Fogem e vão morar nos arrabaldes de Paris, pois Manon era mulher que gostava da cidade. Lá vivem feliz por um tempo, o irmão de Manon aparece, e mostrar um caráter ótimo, a primeira coisa que diz para Des Grieux é que ele poderia arranjar homens para Manon, e assim eles conseguirem mais dinheiro, contudo o jovem prefere a jogatina mesmo, onde acaba se dando muito bem. Mas, toda desgraça é pouca, e os criados do casalzinho os rouba, e Des Grieux precisa pedir ajuda ao respeitável cunhado, que volta a insistir na prostituição da irmã caçula. E sem o consentimento de Des Grieux Lescuat ajeita tudo com a irmã, que vai passar uns dias na casa de campo do velho, na volta o nosso jovem herói vai até ela brigar, mas o amor acaba triunfando, e eles tramam uma forma de enganar o velho, e roubar-lhe. O que leva a prisão dos dois, Manon no presídio e Des Grieux em um seminário... com o tempo ele consegue a confiança das pessoas a sua volta, e através do bom e fiel Tiberge consegue se comunicar com Lescaut que leva uma arma, que ajudará Des Grieux a evadir, mas não sem antes matar um homem. Depois disso ele precisa de um plano para tirar Manon, que ele consegue muito facilmente ao travar amizade com outro jovem cujo pai era influente e por isso conseguiria introduzir Des Grieux no presídio, e claro conseguir com que o carcereiro de Manon se oferece para tirá-la de lá (tudo muito simples). Nesse ínterim Lescaut morre, e apesar de Des Grieux estar envolvido com tudo ele não é culpado por nada e ninguém o persegue e ele pode andar livremente por Paris.
Então eles vão viver calmamente em um lugar que eles já tinham estado antes, com a amizade profunda (empresta/dá dinheiro sem reservas e prefere eles às amizades antigas) do jovem rico que os ajudara. Manon dá provas de amor ao negar o amor de um príncipe italiano na frente de Des Grieux, mas acaba sucumbindo ao filho do velho que os colocara na prisão quando eles tentavam roubar. E mais uma vez Des Grieux é enganado e trocado por Manon, e mais uma vez ele enlouquece decide ir brigar com ela, e mais uma vez eles bolam um plano de roubar, e mais uma vez eles são presos. Dessa vez Des Grieux é solto por seu pai que intercede por ele, mas Manon, a pedido dele é deportada para as Américas, como o rapaz já tinha contado dois anos antes.
Por fim ele narra a viagem para a Amárica e o tempo passado lá. no navio ele informa o capitão de que os dois são casados, e como ele é um cavalheiro eles são tratados com o maior respeito e cuidado. Chegando lá a mentira continua, e os dois caem nas graças do governador. E eles são muito felizes e Manon diz que realmente se arrependeu de tudo o que causou para o seu amor, e que agora ela é só dele e que a felicidade dela é ele, e vice versa. Então eles resolvem ser cristãos!!!!! E decidem contar ao governador que eles estiveram mentindo o tempo todo, mas que eles estavam decididos a se casarem. Mas segundo alguma lei vigente na época, o governador podia fazer o que bem entendesse, e como a França enviara Manon como prostituta ele poderia dá-la em casamento para quem ele quisesse, e seu sobrinho estava apaixonado por ela... Des Grieux se bate em duelo com o sobrinho e acredita que o matou, mesmo que honradamente, e junto com Manon decide fugir, e encontrar a colônia inglesa para não se separarem. No caminho Manon morre de fadiga, de tristeza... sei lá. E Des Grieux arranja forças para cavar um túmulo, e lá fica até que é encontrado pelo governador, pois na verdade o sobrinho não tinha morrido... É preso, e depois que acreditam na sua história (mocinho persuasivo!) solto, e quando está decidido a voltar para França e pedir desculpas para seu pai, Tiberge chega, pois desde sua última carta queria ter com ele, e fazê-lo voltar para casa. E assim eles retornam para França, o pai de Des Grieux estava morto e ele tinha combinado de se encontrar com o irmão, mas antes disso encontrou o velho e lhe contou toda a sua história em quase 300 páginas...

De verdade, o final é assim... eu li por eBook, e fiquei procurando alguma página perdida... e ainda não estou convencida de que aquele é o final. Sabe quando o último parágrafo termina bem no final da página, e você espera encontrar mais... pois é!
Não gostei do livro! Não recomendo a leitura! Muito bobinho, para ser incluído no romance libertino... esperava mais.