quinta-feira, 20 de junho de 2013

Germinal - Émile Zola

Zola assim como Balzac quis fazer um grande romance composto por outros romances, mas ele foi mais sensato, ao invés de querer escrever uma história da humanidade, ele se fixou em alguns aspectos, Germinal faz parte do grande romance composto por dez volumes dos Rougon-Macquart que é a trajetória de uma família durante o segundo império francês, o de Napoleão III. Do pouco que eu li, do pouco que eu lembro ter aprendido no colegial sobre o naturalista, cheguei a conclusão de que Zola era fissurado por anotações! Esse livro teve primeiro um projeto, depois um esboço, várias anotações da pesquisa de campo, e mais de uma versão até ficar pronto - o que para mim explica a perfeição desse livro. Acho que no projeto o autor definiu a temática de seu romance: "O romance é a revolta dos assalariados, o estímulo ofertado à sociedade que subitamente cede por um instante: para resumir,  a luta do capital e do trabalho. É nisso que reside a importância do livro, eu o quero predizendo o futuro, formulando a questão mais importante do século XX" (o livro é de 1885).
Com isso parece que não havia livro mais propício para ser lido agora, em meio a tanta manifestação no Brasil. Talvez essa questão não seja apenas a mais importante da França do século XX que nem havia iniciado, talvez ele estivesse predizendo um futuro eterno, uma luta que sempre existirá. Bem, a minha intenção não é falar de política, mas sim resumir um livro lido.

Um livro muito bem lido, e mais do que apreciado. Acho que desde que eu li O código Da Vinci do Dan Brown (e olha que eu li em 2005), eu não me sentia tão presa a uma leitura, tão fissurada e tensa para chegar logo no final. Me prometia para no próximo capítulo para ir comer, tomar banho, necessidades básicas, mas eu achava que mais um pouquinho não ia atrasar a minha vida. Ainda nas primeiras páginas eu já fui descobrindo o que ia acontecer, mas sem saber ao certo, querendo ver como Zola colocaria isso, engoli todas essas páginas, em meio a algumas lágrimas.
O livro começa muito poeticamente com a descrição do ambiente, e de um homem, Étienne Lantier, que caminha nessa paisagem, sem direção, arrasado, cansado, sem dinheiro e sem comida. E acaba se deparando com uma mina de carvão, a Voraz - que por todo o romance será descrita assustadoramente como um monstro que engole os seus operários. Ainda no escuro da madrugada Étienne conversa com o velho Boa-Morte cuja família trabalhava na mina desde a sua fundação, e que ele mesmo já trabalhara no seu interior, contudo devido sua saúde agora trabalhava no seu exterior, mas seu filho e seus netos ainda desciam todo dia. Étienne entra na mina a procura de emprego, e já tinha desistido quando Catherine a neta do velho, e filha do Maheu, vai atrás dele para lhe oferecer emprego, pois um dos vagoneteiros que trabalhava com seu pai tinha sumido.
Assim começa a relação de Étienne com essa família, enorme e miserável. São o pai e a mãe (que Zola se contenta em chamar apenas de o Maheu e a Maheu), o velho Boa-Morte, Zacharie o filho mais velho, Chaterine, Jeanlin (os três já trabalham na mina), Alzire que é corcuda, Lénore, Henri e a bebe Estelle (nenhum desses trabalhava, incluindo a mãe). Ou seja uma família de 10 pessoas para sobreviver com um salário escasso. Étienne ao mesmo tempo que trabalha com afinco na mina, e sente-se atraído por Catherine (que fora abusada por um dos mineiros que trabalhavam com seu pai, e acabara por aceitá-lo apesar de toda a violência desse), começa a sentir-se revoltado com a submissão dos mineiros, que aceitam as multas e o roubo das suas horas de trabalho, e o desprezo dos patrões, que ele sequer sabem quem são. E quando ele começa a se corresponder com um ativista político da Internacional (organização de trabalhadores da Europa), e trava amizade com Survain um russo niilista refugiado, e Rasseneur o taberneiro, antigo mineiro que fora demitido na última greve, por ser um dos chefes.
Logo Étienne começa a ter ideias vagas, sem um grande conhecimento ele oscila entre os pensamentos da época, em utopias de um mundo justo, em que os operários massacrariam os burgueses tomariam o poder, a mina dos mineiros. Primeiro ele convence os operários a criarem um fundo para que em caso de greve eles tivessem com o que se sustentar, depois ao poucos ele conversa com os seus camaradas, incita o desejo de justiça, e torna-se aos poucos o seu líder (coisa que rápido lhe sobe a cabeça!). Então chega a greve, e os burgueses fazem pouco caso dela, porém ela se estende o povo vai definhando de fome, as casa dos operários na aldeia já não possuem nada, tudo foi vendido para se alimentarem, também as minas sofrem com a paralisação, pois além de não produzir mais, a estrutura está definhando. Mas ninguém quer ceder. Os operários sabem que estão com a razão. Porém os burgueses possuem o capital. A greve se agrava, e quando alguns mineiros decidem voltar o trabalho, a multidão esfaimada se une para detê-los, pois apenas uma greve geral poderia atingir o resultado. A multidão cresce e começa a destruir as minas, até que a polícia tem que ser chamada. O que acaba depois de um tempo em desastre. E esse leva ao retorno do trabalho, contudo as desgraças não terminam... principalmente para a família Maheu que no final do livro está apenas com 6 membros e apenas dois em condições de trabalhar. Étienne depois de muito sofrer vai embora para Paris ainda em busca do seu sonho de um mundo melhor e justo.

Não sei o quanto deixei de falar para não contar o final, ou o quanto eu sou incapaz de resumir. Existem milhares de personagens secundários, diversas famílias mineiras que são bem descritas como os Levaques, vizinhos dos Maheu, em que o pai mineiro é o mais violento dos grevistas, sua mulher que não cuida de casa e tem um caso conhecido por todos com o seu inquilino, o filho do casal que é "amigo" de Jeanlin e com ele apronta todas, muitas vezes sendo obrigado a crueldades, apenas tendo um momento de felicidade com a filha da outra vizinha pouco antes de morrer, e aida uma filha mais velha que se casa com Zacharie de quem já tinha dois filhos. E mesmos os burgueses são retratados em três diferentes famílias, a do diretor da Voraz, com sua mulher que não o quer e tem um caso com seu sobrinho, o engenheiro Négrel, que está noivo de Cecile Grégoire, filha de uma família de burgueses que viviam de rendas das ações da mina. E eram aparentados com o dono de uma pequena mina que será engolida pela Voraz. Tudo está interligado, os capítulos se sucedem como cenas em que você está presente.
Não sou capaz de escrever a grandeza desse livro, em que as metáforas são perfeitas, os mineiros sob a terra martelando com suas picaretas prontos para emergirem do chão (germinarem) para exigir os seus direitos. Leiam e releiam!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Madame Bovary - G. Flaubert

O penúltimo dos livros que eu tenha que ler para a matéria de literatura francesa. Essa era o único que eu já havia lido, e apesar de não ser a tanto tempo, eu na verdade não me lembrava direito, sabia que ela era uma adultera como qualquer pessoa que já ouviu falar sobre esse romance. Sabia também que quando o libro foi publicado (1857) Flaubert sofreu um processo por seu romance ser inapropriado e levar leitoras ingenuas a seguir sua protagonista, porém ele foi absorvido.
Sinceramente, apesar de ser um cânone, eu não consigo encontrar o que ele possui de tão bom para continuar durante todos esses anos sendo estudado e lido. Não é como em Dom Casmurro que ainda hoje não chegou-se a uma conclusão quanto a fidelidade de Capitu. Não! Ema Bovary traiu seu marido, traiu mais de uma vez, se tivesse sobrevivido trairia de novo, mas não sobreviveu, foi fraca se suicidou, e depois seu marido morreu de infelicidade ao descobrir sua traição, deixando a pobre da filha completamente desamparada. Mas desculpa, estou acelerando, e começando pelo fim.



Quando eu comecei o livro me veio um sorriso, ah finalmente um livro narrado em primeira pessoa (eu sempre gostei mais desses!). O narrador começa contando da primeira vez que Charles Bovary foi a escola, de seu acanhamento e do seu atraso. Porém, meu sorriso logo se esvaiu, não sei se propositalmente ou por um lapso o senhor Flaubert passou para um narrador em terceira pessoa completamente distante, quase invisível, o autor buscou manter um distanciamento que para um leitor desatento passaria por uma simples descrição, sem julgar o caso. O que não é o caso.
Apesar de o romance começar com a história de Charles, a protagonista é Ema. Porém, para chegar nela o narrador conta a vida de Charles, que estudou medicina sem se aplicar muito. Conseguiu um posto e uma mulher, viúva ciumenta que morre logo no início, implorando por um pouco de amor. Mas, Charles já está inclinado para Ema, que é a filha de um fazendeiro de que ele tratou, e continuou visitar, muito provavelmente por causa dos grandes olhos de sua filha. Ema, que recebera uma educação cristã, mas tinha uma visão muito distorcida da religião, voltara para morar com o pai, e tinha a cabeça, assim como Dom Quixote, cheia de romances, dos quais ela tirou um ideal de amor.
Depois do tempo de luto necessário para Charles, eles se casam, e logo Ema descobre que seu marido é simplesmente medíocre. Quando eles são convidados para um baile no castelo de um visconde, ela sai toda encantada imaginando como seria ter aquela vida, enquanto ele apenas se resigna de que aquela não é a vida deles, e que é bom voltar para casa.
Ema se desaponta e se desilude e adoece. Charles decide que é melhor eles mudarem de região, e vão morar em uma vila, que no mínimo daria um bom quadro, todo mundo é tão típico. A taverneira viúva e atarefada, o empregado manco, os vizinhos fofoqueiros, o padre, o faz tudo, o quieto e  o extrovertido (são as conversas entre o padre e o farmacêutico Homais que fazem o livro valer a pena!). Assim que o casal lá chegam já entram em contato com grande parte deles, e Ema já faz amizade com o jovem Leon, e por quem acaba se apaixonando, contudo nada acontece, pois ele parte para a cidade afim de estudar. Ela sozinha e desiludida conhece Rodolfo jovem rico que vive de rendas e já tivera várias amantes e se decide por ter aquela bela mulher.
É claro que consegue. No dia em que o ato se consuma, Ema volta para casa exultante se sentindo, e Charles no seu conformismo, também a acha mais bela, se gaba da sua mulher, para quem ele é todo amores. (Um pouco antes disso eles tiveram uma filha, que é completamente esquecida, um personagem completamente desnecessário! - me desculpa, ela é tão inútil que eu não consegui encontrar um lugar coerente para colocar o seu nascimento). Os amores entre Ema e Rodolfo continuam, todos na cidade suspeitam, Ema é completamente inescrupulosa. Eles então decidem fugir, mas Rodolfo desiste no último segundo, deixando Ema acabada, com uma carta um tanto insensível. Ela cai doente mais uma vez.
Aos poucos, e com muito cuidado do seu marido, ela se recupera. Na primeira chance de lhe agradar Charles a leva para o teatro na cidade, onde eles reencontram Leon. Ema então embarca em mais um caso, sendo a primeira cena disso um tanto pesada, eles ficam em uma espécie de carro por horas, de cortinas fechadas, fazendo sabe-se lá o que.
O romance continua.. ela traindo, ele achando que tudo em casa vai bem. Porém, há um outro problema, Ema tinha assinado muitas letras (seria como comprar a crédito) e o mercador resolvera cobrá-la de tudo, uma soma muito alta que ela não sabia como conseguir. Pediu a Leon que a deixou na mão, pediu para um homem rico que queria algo em troca, pediu para Rodolfo, humilhando-se, e ele também não tinha. No seu desespero Ema vai a farmácia, e convence o ajudante, Justino, que era apaixonado por ela, a abrir uma sala em que Homais guardava seus produtos, e lá se envenena com arsênico. E depois de algumas horas morre agonizando. Uma parte um tanto longa, para um fim no qual Charles descobre-se traído e morre sem nenhuma explicação.
Nem deveria ter me estendido tanto por um livro um tanto chato. Mais um último comentário, prometo, da minha primeira leitura eu lembro de ter achado um absurdo as pessoas considerarem ela tão devassa, afinal foram só dois amantes. Acho que eu não entendia tanto de monogamia a menos de 5 anos atrás. Sério, hoje parece horrível! Não basta trair com uma pessoa, tem que ser com duas que você ama até a morte mas não pode nem se esforçar um pouquinho pelo tonto do seu marido que te ama tanto?!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Ilusões Perdidas - Honoré de Balzac

Mais um dos livros clássicos da literatura francesa, ou ao menos, mais um dos autores clássicos da literatura francesa. Sempre tive a intenção de ler Balzac, em especial O pai Goriot, que entrou para a minha lista de livros de ler antes de morrer, mas até então apenas lera um conto, nada sabia sobre o autor a não ser que ele havia produzido muito, e que portanto colocar na minha lista a sua obra completa pareceria loucura. Dadas as aulas descobri que Balzac tinha um objetivo muito louco e muito nobre ele queria escrever uma grande obra compostas por obras menores (tipo Ilusões perdidas com apenas umas 700 páginas... de boa) chamada Comédia Humana, separada em outros subtítulos onde não só seus romances se encaixariam, e objetivo dessa comédia seria retratar os costumes da França do século XIX, em todos os seus mínimos detalhes, pois deixar de falar de um aspecto seria favorecer outros. Outra característica interessante dessa grande obra é que ela possui o seu próprio universo, os personagens se repetem em diversos livros, pois os homens importantes participam de mais de um fato notável. Ilusões Perdidas é o último romance da parte destinada a descrever a vida na província, e depois dessa começa a vida em Paris, no qual Lucien volta a aparecer, Balzac deixa um fim tão incerto para o seu protagonista que a vontade de ler o próximo, que não necessariamente deve ser lido na ordem, é grande.
O livro é dividido em três partes publicadas em diferentes anos, sendo a segunda muito maior e muito melhor do que as outras duas, e em nenhuma delas há capítulos, o que dificulta muito a leitura. A primeira é denominada Os dois poetas nela conta a história de dois amigos de Angoulême, um é o filho do dono de uma tipografia, que o educa para assumir o seu posto, mas é tão avarento que ao deixar a tipografia para o seu filho, o coloca em uma situação financeira terrível, mas esse sem o tino comercial, e com alma de poeta, ama tanto seu amigo que quer apenas ser seu irmão, casando-se com a irmã deste, a bela Ève, e ajudando-o, apoiando-o - seu nome é David Séchard. O outro é de fato um poeta, Lucien Chardon, o filho de um boticário que casara-se com uma mulher de descendência nobre por amor, e não deixara nada aos filhos.
Lucien por seu talento e seu gênio consegue entrar na alta sociedade de Angoulême, e cair nos amores de sua rainha, a senhora de Bargeton. Lucien consegue lá muitos inimigos pelo simples fato de que as outras mulheres da sociedade tinham inveja de que Louise tivesse um belo poeta que lhe escrevia belas poesias, e assim apesar de nunca ter sido de fato amante da senhora de Bargeton, Lucien vê-se alvo de intrigas, Louise tenta tudo resolver - seu marido se bate em combate com o primeiro homem que tem coragem de falar, apesar de ter sido tudo arquitetado pelo conde du Chatelet que era apaixonado por ela e não aceitava ser trocado por um homem qualquer. Nesse meio tempo, depois do namoro mais curto e enfadonho do universo, David e Ève ficam noivos, mas Lucien não fica para o casamento, Louise propõe que eles fujam para Paris, onde ela tinha uma prima marquesa que o tornaria um grande poeta. E é com essa fuga que termina o primeiro volume.
O segundo, chamado Um grande homem de província em Paris narra a vida de Lucien em Paris, que de fato é o lugar onde ele perde todas as suas ilusões. Ele que acreditava que então se tornaria o amante da senhora de Bargeton logo na chega vê-se afastado dela pois não poderiam causar uma má impressão (tudo arquitetado por du Chatelet), e então vê-se por ela descartado pois sua prima descobre que ele é um simples poeta de província e não um homem nobre como fazia os outros acreditarem ao usar o nome da sua mãe. Assim, em pouquíssimo tempo Lucien liquida com todo o dinheiro que David arduamente emprestara. Ele precisa mudar-se para um bairro pior, comer em restaurantes piores, mas sempre bem trajado, pois fora com isso que gastara grande parte do dinheiro. Dedica-se então para a sua poesia, pesquisa, e escreve todo o tempo, conhece Daniel d'Arthez um homem que possui todas as virtudes e também é escritor, e o introduz ao Cenáculo, um grupo de amigos, amigos incondicionais, e mesmo que todos passem necessidade dividem e dão tudo com prazer, todos buscam um ideal e se respeitam. Tudo estaria bem, mas Lucien começa a ter necessidade de dinheiro e como não consegue vender o seu livro de poesia As margaridas e nem o seu romance ao estilo de Walter Scott O arqueiro de Carlos IX ele decide-se por entrar para o jornalismo, por mais que seus amigos o avisem de toda a hipocrisia desse mundo.
Porém o nosso protagonista não resiste, quando conhece Lousteau, que o adverte quanto ao difícil caminho e a fragilidade das amizades, ele se introduz nesse mundo maravilhosamente, pois ele tem o gênio e é belo, logo está ganhando dinheiro que dissipa em bebida e jogos, vivendo cada dia, sem pensar em guardar ou pagar toda a sua divida. Logo de cara a mais bela das atrizes se apaixona profundamente por ele, ela larga seu amante que a bancava e ele vai morar com ela. Lucien vende suas Margaridas (que nunca são publicadas), escreve ótimos artigos para o jornal liberal. Mas aos poucos vai se introduzindo na nobreza e quer conseguir seu título, quer fazer parte daquela sociedade, e não percebe que está cavando sua própria cova, acredita nas promessas da senhora de Bargeton, que ele fizera com que seus amigos difamassem na imprensa, e aceita trocar de opinião política (Balzac deixa claro que então tudo já era comerciável). Nesse momento tudo começa a desandar, Coralie, a atriz, adoece e perde seus papéis pois os seus antigos amigos e novos inimigos estão falando mal do seu trabalho nos jornais, e também criticam o trabalho de Lucien e a sua pessoa... Ele perde tudo, Coralie morre, ele pensa no suicídio mas acaba voltando para casa, ironicamente escondido na carruagem da senhora de Bargeton, agora a senhora du Chatelet, e mulher do novo prefeito.
É ai que começa a terceira e última parte, Os sofrimentos do inventor, que conta em flash back o que estava acontecendo em Angoulême nos 18 meses que Lucien passou em Paris. Tudo ia muito mal para o jovem casal, que tudo dera para que Lucien fosse bem sucedido, ficando com quase nada, e ainda tendo que sofrer um processo judicial cobrando as dividas que Lucien fizera ao falsificar a assinatura de David. E tudo por interesse econômico dos concorrentes de David, os irmãos Cointet que possuíam uma tipografia muito mais próspera. Grande parte desse último volume é sobre o processo, que enfim acaba por condenar David a prisão, esse como era o costume foge e se esconde na casa de uma amiga de Ève, e lá continua a pesquisar para a sua invenção: produzir um papel melhor e muito mais barato. Os Cointet sabiam disso e queriam uma sociedade em que eles acabassem por ficar com todo o lucro, o senhor Séchard pai, então vinhateiro e com dinheiro suficiente para ajudar o filho se recusa a ajudar, e até mesmo em fazer sociedade com ele. É então que Lucien retorna para a casa da irmã e percebe que apesar de sua bondade ela já não confia nele, e não lhe conta o esconderijo de David e nem quer que ele ajude.
Apesar de desgraça em que Lucien volto de Paris, Petit-Claud um procurador contratado pelos Cointet para destruir David, sob a promessa de casá-lo bem, e que com isso teria que ser o procurador de David, mas apenas conduzir tudo para os planos dos irmãos, faz de tudo para que as pessoas recebam Lucien como um herói. E mais uma vez o poeta é recebido na alta sociedade de Angoulême, dessa vez ele se arma, com belas roupas, para representar, pois ele tem por objetivo conseguir dinheiro para salvar o seu cunhado. E até parece que vai dar tudo certo, contudo David sai do esconderijo muito cedo por causa de uma carta falsifica pelo grupo dos irmão Cointet, e é preso, Lucien sente-se culpado, escreve uma carta de suicídio e se encaminha para um lago onde pretende se afogar, e no caminho conhece um padre espanhol, que tem umas opiniões sobre o poder e a honra nada religiosos, que lhe propõe ir com ele para Paris, ser dele, ser seu pupilo e fazer apenas o que ele quiser em troca de dinheiro para salvar David, ele assim aceita e manda o dinheiro para irmã (e o resto da história é contado em Esplendores e misérias das cortesãs).
Contudo o dinheiro não chega antes de Petit-Claud que leva a proposta dos irmãos Cointet, em que David receberia dinheiro para pagar a dívida e mais um pouco para viver, faria sociedade com eles, mas a patente ficaria no nome de um dos irmãos, e ele tinha um tempo limite para atingir seu objetivo e então o contrato seria anulado e ele teria que devolver parte do dinheiro dado. Eles tudo aceitam, e pouco tempo depois chega o dinheiro de Lucien, e em seguida compram a tipografia de David, eles vivem assim por um tempo, até que os Cointet fazem David acreditar que ele não conseguiu e ele tem que desistir da sua invenção e morar no campo feliz com a sua mulher e seus filhos, e além disso seu pai morre e deixa-lhe uma boa herança.

É um livro tão comprido como esse resumo. Ás vezes muito chato, mas mesmo sendo uma tradução é uma leitura que flui, e flui muito. Não consigo me decidir se gostei ou não do livro. Quero dizer o título já conduzia a um final não tão feliz, ilusões perdidas, sério eu terminei desacreditando no mundo e pensando que a única solução para não ser corrompida é me mudar para o campo e não pensar em dinheiro, o que eu não quero. Que o mundo do jornal e da edição de livro é cheia de pessoas com interesse, e não o lugar em que eu sempre quis trabalhar. Afinal como uma amiga bem notou, era um livro com uma capa muito escura, a única coisa que animava eram os post-it laranjas que eu coloquei para lembrar as partes importantes (para a prova). Mas, ainda lerei O pai Goriot....

quinta-feira, 18 de abril de 2013

As Crônicas de Nárnia - C.S. Lewis


Por fim não resisti a tentação...
Como o livro é dividido em vários livros, também farei as divisões aqui. Assim fica mais fácil lembrar qual é qual história, e o que pertence a quê.
Eu, para variar, já lera o livro muitos anos antes. E apesar de conseguir lembrar de detalhes de algumas histórias, o que realmente permanecia na minha memória são os filmes. Sinceramente, gosto muito deles, acho que são sim filmes que conseguem se igualar ao livro, o principal fato, acredito, é que os livros são curtos com cerca de 100 páginas, que viram 2h30 ou até 3h, diferente de Harry Potter em que muito mais de 400 páginas viram apenas 3h. Também acho que tem relação com o caráter completamente infantil, no bom sentido, inocente, simples e que conversa com o leitor instigando a sua imaginação.
Outra coisa que o leitor de Nárnia com certeza encontrará na leitura é o tom religioso que está em todo o livro, em cada detalhe, não de uma forma que tenta converter, mas mesmo que seja muito direta a referência a ela...

O sobrinho do mago
O primeiro livro conta da criação de Nárnia!
Digory é obrigado a se mudar para Londres, quando seu pai vai trabalhar na Índia e sua mãe está muito doente. Então, ele vai morar na casa de seus tios solteirões, que têm por vizinha a menina Polly com quem ele rapidamente trava amizade. Uma forma de se divertirem é andar por cima das vigas da casa dela, mas de lá eles poderiam chegar a qualquer casa do quarteirão, e quando tentam entrar na casa do outro vizinho de Digory, acabam entrando no sótão/escritório de tio André, que tem a fama de ser maluco, mas na verdade é um feiticeiro, e está testando viagem intermundos com o uso de anéis que ele produziu.
O tio André, assim como todos os feiticeiros, é egoísta e manda Polly para qualquer lugar, pois ele mesmo não sabe o que há no outro mundo. Assim Digory se sente forçado a ir buscá-la, colocando o anel amarelo, e levando consigo dois verdes que os trariam de volta para casa. Digory chega em um bosque aprazível, onde há diversos lagos, que eles descobrem ser entradas para diversos mundos. As crianças resolvem explorar um pouco antes de voltar para casa, e o primeiro mundo que entram é o velho mundo de Charn, onde não há vida, mas Digory acorda a bela rainha, e também feiticeira, Jadis, que é uma pessoa horrível e consegue ser trazida para o nosso mundo junto com as crianças.
Em Londres ela apronta um monte, tentando dominar o nosso mundo, da mesma forma que havia feito com Charn, mas os meninos decidem levá-la de volta para casa, o que causa um pouco de confusão pois em primeiro lugar trouxeram com eles para o Bosque entre dois mundos além de Jadis, o tio André, o cavalo morango que ela havia roubado e o seu dono; e depois por terem errado o lago.
De início eles se encontram no breu e não há nada, eles apenas sabem que há um solo sob seus pés, mas então começa uma música, e essa música da vida ao novo lugar, primeiro surgem as estrelas e o sol traz luz, então são criados os relevos, os rios e a vegetação, e depois os animais (qualquer semelhança com o gênesis acredito que não é acaso - http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/1). Depois disso há toda uma cerimônia em que Aslam, o leão cantor, dá voz aos animais que podem falar como os homens, e as crianças mais o dono do cavalo saem para falar com ele, pois Digory quer saber se Aslam pode curá-la.
Antes de responder Aslam torna o cocheiro o primeiro rei de Nárnia e traz sua mulher para ser a Rainha, e depois incube Digory de buscar uma maçã em um jardim que fica muito distante, e para que ele tenha ajuda dá asas ao Morango, e assim, junto com Polly eles saem em mais uma aventura, tudo corre tranquilo, até que depois que Digory já ter pego a maçã a feiticeira Jadis o tenta a dar uma mordida, e assim como ela tornar-se imortal, ou então levar para salvar sua mãe (a serpente que tenta Adão e Eva no paraíso? Parece que Lewis acreditava que os homens, em especial ps meninos eram mais fortes...). Digory mantem-se fiel a Aslam e leva a maçã a ele. Lá, em Nárnia, ela é plantada e enquanto ela florescer Jadis não poderá entrar lá.
Digory, Polly e o tio André voltam então para Londres, não antes de Aslam dar uma maçã a Digory. E então tudo fica bem, sua mãe se cura ao comer da maçã, que é plantada no quintal (e um dia será o armário que outras crianças usaram para chegar ao outro mundo), seu pai volta da Índia pois herdara uma grande propriedade e não precisava mais ficar longe da sua família... todos vivem felizes para sempre, e outras histórias surgem dessa.

O leão, a feiticeira e o guarda-roupa
Esse provavelmente é o livro mais famoso, e principalmente por causa do filme...
O livro conta as aventuras dos quatro irmãos: Pedro, Susana, Edmundo e Lucia, que durante a guerra vão passar uma temporada na casa de um velho professor (o nosso Digory, apesar de não haver qualquer referência a isso). A casa é enorme, e um dia enquanto exploravam suas salas e quartos eles encontram uma sala vazia com um guarda-roupa e mais nada. Lucia intrigada fica para trás, e entra no guarda-roupa e ao invés de achar o fundo ela entra em Nárnia, que está em um eterno inverno por causa magia da feiticeira, que se proclamou rainha, e por causa de uma profecia deixou todos no reino em alerta caso aparecesse algum humano. É por isso que quando o sr. Tumnus, um fauno, encontra Lucia no bosque a convida para tomar chá na sua casa, e por pouco realmente não a entrega para a rainha.
Lucia então volta para casa, e conta tudo aos seus irmãos, que não acreditam em nada, principalmente Edmundo que é muito maldoso e fica pentelhando ela. Alguns dias se passam e enquanto eles brincam de esconde-esconde Edmundo também entra em Nárnia, seguindo Lucia, mas ao invés de encontrá-la, ele dá de cara com a feiticeira, que ao descobrir que ele tinha mais um irmão e duas irmãs (exatamente como na profecia) o convence a voltar para casa e só voltar para Nárnia (e comer mais manjar turco) junto com seus irmãos. O que de fato acontece depois de mais um tempo.
Contudo, os outros três consideram a feiticeira má. E com o sumiço do sr. Tumnus decidem ajudá-lo. Para isso eles contaram com um casal de castores falantes, que os conduziram à mesa de pedra, onde Aslam os esperava. Pois esse após muitos anos voltara para esse mundo, e com ele o feitiço da falsa rainha definhava, e o inverno cedia espaço para a primavera, e antes dela chegou o Natal, e as crianças, menos Edmundo que fugira para se unir a rainha, receberam presentes do papai Noel que os ajudaram na sua aventura.
Edmundo apesar de ser um traidor possuía um bom coração, e por isso pediu perdão a Aslam que o concedeu, depois de ter sido resgatado. Porém, a feiticeira o reclama para si, pois segundo a magia profunda o sangue de um traidor pertence a ela. Aslam em sua defesa oferece-se em seu lugar, mas não informa ninguém disso. E então partem da mesa de pedra, que será ocupada pela feiticeira.
Aslam é debochado por todo o exercito do mal, mas continua nobre. A rainha o mata e saem para travar luta com Pedro. As meninas que acompanharam o leão, e viram toda a cena, choram por ele. E quando menos esperam, ele ressuscita, por causa de uma magia mais profunda ainda.
Depois disso, o exercito bom acaba com o da feiticeira, e as quatro crianças reinam em Cair Paravel (o castelo de Nárnia que fica no litoral), o tempo passa e eles se esquecem de suas vidas anteriores, e de nosso mundo, até que em uma caçada eles encontram o poste que iluminava a saída do guarda-roupa, e apesar de não lembrarem disso se sentem atraídos por ele, seguem o caminho e estão de volta à sala vazia, mas como crianças, o tempo não passara na terra. O final do livro promete mais aventuras para as quatro crianças.
Apesar de gostar muito dos livros de Nárnia, e até mesmo do filme, esse não é o meu favorito. Mais uma vez encontramos o machismo de Lewis, que na voz de papai Noel, afirma que as mulheres não devem entrar na guerra. E para manter o tom infantil, me deixou muito confusa, por acaso eles viveram e envelheceram sem se casarem e deixar herdeiros?

O cavalo e seu menino
Provavelmente é o livro que eu menos gosto!
Nele conta a história de Bri um cavalo falante de Nárnia que quando criança fora escravizado e levado para a Calormânia, um império muito ao sul de sua terra. Então depois de muitos anos ele planeja a sua fuga, e encontra em Shasta um rapazinho maltratado pelo homem que o criou, a chance de fugir. No caminho encontram outras duas fugitivas, Aravis a filha de um poderoso chefe local e sua égua, Huin, também um cavalo falante de Nárnia. Juntos passam por aventuras na capital, Tashbaan. Shasta é confundido com um príncipe de Arquelândia que estava na cidade junto com a comitiva de Nárnia, que viera por convite do príncipe que estava apaixonado pela rainha Susana.
Shasta é levado para o castelo e ouve os planos dos narnianos de fugirem de Tashbaan, pois perceberam que se enganaram quanto ao povo, e que precisavam sair de lá sem causar um guerra. Shasta escuta tudo, e fica com medo de lhes contar a verdade, e quando o verdadeiro príncipe, Corin, aparece eles ficam amigos e Shasta consegue fugir para se encontrar com seus amigos, agora sabendo o melhor caminho para atravessar o deserto que separa os dois reinos.
Mas no lugar combinado ele não encontra ninguém, pois Aravis fora reconhecida por uma antiga amiga, e também estava com dificuldades em deixar a cidade. Pois, o caminho mais seguro é o que passava por debaixo dos olhos do Tisroc, o imperador. Na sua aventura acaba de fato entrando em seu caminho, mas escondida, escuta todo o plano de ataque à Nárnia, e ainda consegue fugir.
Enfim, os quatro se encontram. E seguem pelo deserto em direção à Nárnia. Quando chegam aos portões de um eremitério, mais uma vez eles são perseguidos por um leão. Então Shasta mostra toda a sua coragem, voltando-se para encará-lo e defender Aravis e Huin. Os cavalos estão exaustos e Aravis ferida, o ermitão explica a Shasta que ele deve seguir correndo, e sempre correndo, até chegar a Arquelândia e avisar o rei Luna que Rabadash, o príncipe calormano, já está chegando. É isso que ele faz, deixando para trás seus amigos.
Não muito longe ele encontra o rei em uma clareira. Mais uma vez é confundido com Corin, mas não há tempo para divagações, todos montam, inclusive Shasta que não sabe usar os freios ou esporas, e assim ele se perde em um nevoeiro, e escurece, quando o menino sente a presença de mais alguém, nada mais nada menos do que Aslam, que lhe conta como por todo esse tempo ele esteve presente, e que fora ele quem machucara Aravis, e que mesmo isso tinha um motivo. Quando amanhece, Shasta tem um vislumbre do enorme leão, mas esse desaparece, e o garoto encontra-se em Nárnia, onde corre a avisar os animais falantes do ataque à Arquelândia. E no dia seguinte passa por lá o exército narniano, e Corin que o convida a ir com eles.
A guerra acaba facilmente, com a ajuda de Nárnia. Shasta, surpresa surpresa, era o gêmeo perdido e o herdeiro do trono. Rabadash é transformado em burro por Aslam e obrigado a nunca mais sair de Tashbaan. Aravis e Shasta que na verdade é Cor, se casam. E Bri e Huin vivem felizes e livres em Nárnia.

Príncipe Caspian
Em primeiro lugar devo elogiar o discurso de Lewis nesse livro, pois assim como Homero na Odisseia e  Virgílio na Eneida, a narrativa começa em um determinado tempo que se segue, Pedro, Susana, Edmundo e Lucia (os mesmo irmãos e reis de Nárnia de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa) em uma estação de trem esperando para ir para escola, quando de repente são sugados de volta para Nárnia, porém chegam a um bosque desconhecido, um pomar em um pátio abandonado e não tão desconhecido assim, pois na verdade eles estão em seu antigo castelo, mas passara-se tantos anos que ele já estava em ruínas. E procurando por comida eles tentam sair da ilha que se tornou o lugar. Nessa empreitada eles salvam um anão, Trumpkin. A quem pedem para que lhes conte sua história.
Então o narrador nos leva a um passado mais distante, a história de Caspian antes mesmo de fugir do castelo de seu tio malvado, Miraz, que matara o irmão e usurpara o trono, e então com o nascimento de um filho planejava o assassínio de seu sobrinho. Narra, também, depois da fuga, o encontro com os antigos narnianos que viviam escondidos do governo de Miraz, um telmarino, que era o povo que depois de uma invasão conquistara Nárnia, e expulsaram os seus habitantes. Logo Caspian é denominado rei de Nárnia, e os animais falantes e seres fantásticos decidem lutar contra Miraz e o seu exército, porém sendo em minoria perdem, até que convencem Caspian de soprar a trompa de Susana que seu professor lhe dera.
Foi o seu toque que trouxe as crianças de volta para o seu reino. E Trumpkin fora designado para certificar se a ajuda que a trompa traria não iria chegar no antigo palácio de Cair Paravel. Então a narrativa volta para o presente! As quatro crianças e o anão empreendem a viagem de volta para a mesa de pedra, agora denominada o monte de Aslam, onde o exército de Caspian se encontrava. Uma viagem árdua, que só tem fim com a ajuda de Aslam, que aparece primeiro para Lúcia, depois para os meninos e só por ultimo para Susana, e isso tem muito a ver com a fé que cada um deles deposita!
Lá as meninas ficam com Aslam, e depois conta-se o que aconteceu com eles: reviveram os espíritos das arvores e rios, com uma aparição muito bizarra e ainda não compreendida por mim de Baco e Sileno. E os meninos com o anão vão em direção a Caspian para ajudá-lo em sua guerra. Pedro habilmente propõe um duelo ao Miraz, que é convencido por traidores a participar, pois perdendo eles dariam continuação à guerra e seriam os novos governadores. Porém, com a chegada dos espíritos das arvores, é Caspian e Nárnia quem ganha a guerra.
Aslam em toda a sua bondade, avisa todos os telmarinos que Nárnia voltou a ser o que era, e se eles não estivessem bem convivendo em igualdade com os animais ele lhes daria um novo reino. Desconfiados eles hesitam, e assim Aslam lhes conta como os telmarinos chegaram a Nárnia, na verdade eles são provenientes do nosso mundo, e apenas por ser um filho de Adão Caspian pode reinar. Quando as quatro crianças dão o exemplo entrando na porta criada por Aslam para o nosso mundo os telmarinos saem de Nárnia, e as crianças voltam para a estação de trem. Sendo que Aslam informara antes que nem Pedro nem Susana voltariam pois agora já estavam grandes demais.

A viagem do Peregrino da Alvorada
Sem dúvida esse é o meu livro favorito das Crônicas de Nárnia, o livro de aventura por excelência!
Ele começa com os dois mais novos irmãos já tanto citados Edmundo e Lucia, que precisam passar as férias na casa de seus tios com um primo enfadonho que adora aporrinhar os outros dois, e que em uma dessas chateações no quarto ocupado por Lucia um quadro ganha vida, e eles, os três, são transportados para dentro do quadro. Esse mostrava um pequeno barco no mar.
As crianças são recolhidas pelos tripulantes, e aquele nada mais é do que o barco de Caspian, rei de Nárnia, o Peregrino da Alvorada. O rei lhes explica que prometera que quando Nárnia estivesse enfim pacifica ele iria sair em procura dos sete nobres que seu tio Miraz mandara embora, pois apoiavam o verdadeiro rei, e era isso que ele estava fazendo.
A primeira parada deles ainda é em terreno Narniano, as Ilhas Solitárias. Lá descem apenas os três meninos e Caspian, e na primeira chance são todos feitos escravos para serem vendidos no mercado. Caspian é vendido antes a um senhor que é um dos nobres, e que o compra por achá-lo parecido com um velho amigo. O nobre, fora o primeiro a ficar para trás, pois apaixonara-se e ficara por lá, onde era um poderoso senhor, com sua ajuda Caspian consegue retomar o poder da ilha e acabar com o tráfico de escravos.
Continuam sua viagem sempre para leste, onde dizem que fica a terra de Aslam. Depois de passarem por uma terrível tempestade aportam em uma ilha (a ilha do dragão). Lá todos tem que trabalhar para reconstruir o barco, mas Eustáquio, esse é o nome do primo, que é muito preguiçoso e egoísta, resolve se afastar para descansar, mas acaba se perdendo e entrando em uma incrível aventura. Na margem de um lago ele vê a morte de um dragão, e depois se abriga na sua caverna, recolhendo parte do tesouro, mas quando acorda ele havia se transformado em um dragão, e precisa encontrar uma forma de fazer os seus amigos entenderem isso. É dessa experiência que seu caráter começa a mudar, principalmente porque ele tem uma conversa com Aslam, que o devolve a sua forma normal. Depois disso descobrem que o outro dragão era mais um dos nobres.
Os nossos aventureiros, então, se lançam ao mar mais uma vez, encontrando uma outra ilha, com outro nobre já perdido, mas de uma forma fantástica, pois na ilha existe um lago em que tudo que nele se molha vira ouro maciço, assim como a ponta da bota de Edmundo, o galho para mergulhado para medir a profundidade e o pobre nobre que num dia de calor resolveu se refrescar. Caspian fica tentado pela riqueza da ilha e torna-se um tanto ganancioso, o que os faz sair correndo da ilha. e depois de navegarem por mais algum tempo encontram outra ilha inesperada, em que viviam seres invisíveis, que precisam da ajuda de Lucia para voltarem ao normal, pois é muito cansativo nunca ver os outros. Lucia tem que subir na biblioteca do mago para ler o livro de feitiços, que é maravilhoso, assim ela também passa pela sua provação. Conseguindo acabar com o feitiço e descobrindo que o mago é uma boa pessoa e aquelas vozes invisíveis pertenciam a anões muito burros, que o mago transformara em anões de uma perna só, não igual ao saci.
Dessa forma eles vão chegando cada vez mais perto do fim do mundo. Passam pela pior ilha de todas, que não é de fato uma ilha, ela é a escuridão, em que todos os seus sonhos se realizam, mas por sonho o leitor deve entender pesadelo, lá eles encontram mais um nobre, porém muito abalado. Depois de salvá-lo e navegarem mais um tanto eles chegam a uma ultima ilha, em que vive uma estrela aposentada e sua filha (com quem Caspian irá se casar no fim do livro). Lá os meninos encontram uma mesa com um delicioso banquete, mas têm medo de se servir, pois há na mesa também três nobres adormecidos por muito tempo. Mas quando descobrem a verdade sobre a mesa se alimentam, e depois de um tempo partem em busca do fim do mundo, para poderem acordar esses nobres. Navegam e navegam e continuam a navegar, por uma água límpida, em que Lucia vê um mundo submerso com as mesmas funções que o de cima, e que também é doce, e ao bebê-la não se sacia apenas a sede, mas também a fome, e o cansaço. E quanto mais para lesta vão maior é o sol, e então eles chegam em um ponto que o Peregrino não vai além, apenas as três crianças do nosso mundo e Ripchip podem entrar no bote e continuar o seu caminho. As crianças encontram Aslam, que deixa bem claro que ele é Deus e vive no nosso mundo, mas que precisava trazer elas ali para conhecerem ele melhor, e o rato segue na direção da Terra de Aslam, que era seu sonho.

A cadeira de prata
Quando fui tentar enumerar os livros, esse foi aquele que eu esqueci. Quando voltei a ler tentava sempre me lembrar de alguma coisa, mas acabava sempre frustrada. É quase como se eu não o tivesse lido. Não é de fato uma história marcante, mas é provavelmente o único que me arrancou risadas, e que definitivamente tem um final que nos faz pensar sobre as ideias de Lewis... sério!
O livro começa com Jill uma garota fraca e chorona, chorando na escola experimental, quando um colega que sempre fora mal, mas que naquele ano tinha melhorado, Eustáquio, o primo da Lucia, tenta confortá-la e lhe conta a história de uma terra mágica chamada Nárnia, em que ele vivera incríveis aventuras com seus primos. A menina dúvida, acredita que ele está caçoando dela, mas quando os dois estão fugindo dos valentões da escola, eles entram por uma porta e chegam a montanha de Aslam que fica muito muito acima do mundo, bem na beira de um abismo, no qual Jill para se mostrar corajosa fica muito na ponta, e Eustáquio acaba sendo soprado para baixo pelo próprio Aslam. Depois disso Jill com muito medo do leão reluta em chegar perto q conversar com ele. Contudo, ela se aproxima e ele lhe conta que em Nárnia o velho rei Caspian perdeu o seu filho e que ela e Eustáquio foram trazidos para Nárnia para encontrá-lo. Então passa quatro sinais para Jill que ela não deve se esquecer e seguir: se Eustáquio cumprimentar um velho amigo assim que chegar a Nárnia eles terão grande ajuda, eles devem seguir para o norte em busca da cidade em ruínas dos gigantes, eles encontrarão uma inscrição na pedra na cidade dos gigantes devem segui-la, e por último, a primeira pessoa que eles encontrassem que jurasse em nome de Aslam seria o príncipe Rillian.
Assim, Jill também é soprada para Nárnia, chegando segundos depois de Eustáquio. A primeira coisa que avistam é um porto ao longe em que um belo barco está partindo, e todo o povo está lá para se despedir. Quando o barco parte, uma coruja se aproxima das crianças, e lhes pergunta o que estão fazendo ali. Depois de contarem sua história e missão, a coruja Plumalume lhes diz que quem partiu foi o velho rei Caspian que mais uma vez busca por seu filho, e quem ficou no comando é o regente Trumpkin. Assim as crianças perderam seu primeiro sinal, e brigam como acontece várias vezes.
As crianças são muito bem recebidas no palácio, mas Pluma lume não permite que elas contem sua missão ao anão, elas descobrem que isso se deve a uma lei do rei que proibia qualquer pessoa de voltar a procurar pelo príncipe, pois já se passara dez anos. Escutam isso e toda a história do desaparecimento de Rillian em uma reunião de corujas na calada da noite: Rillian desapareça após a morte de sua mãe, que em um dia de caça fora picada por uma serpente muito verde., no começo o jovem príncipe saía em busca de vingança, mas depois descobriram que não era mais isso ele apenas passeava pelo bosque fatal, até que um dia desaparecera. Com o fim da reunião Plumalume e outra coruja levaram Jill e Eustáquio para a cabana de um paulama, Brejeiro (o personagem mais engraçado e mais pessimista de todas as 740 páginas), que irá acompanhá-los em sua viagem para o norte.
Nela eles passam pela terra dos gigantes, e sempre em direção ao frio, sem saber ao certo onde ficava a cidade em ruínas dos gigantes pois na verdade ninguém sabia onde era. No caminho eles encontram uma bela senhora vestida de verde e um cavaleiro de armadura negra que não fala nada, ela muito simpática diz que provavelmente ele não encontraram a cidade, que essa não deve existir, mas que eles devem seguir para Harfang a terra dos gigantes simpáticos, que eles poderiam lhes oferecer alguma informação além de cama quente, comida e banho, e que se eles informassem que era em nome dela que eles iam seriam muito bem recebidos. As duas crianças cansadas de todo aquele frio e comida ruim deixam de pensar em sua missão e só imaginam as maravilhas de Hafrang, sempre brigando e não dando ouvidos a Brejeiro que não achava uma boa ideia seguir o conselho daquela desconhecida. Mas não a nada a fazer e eles seguem em frente ávidos por uma lareira, e quando avistam luzes de um castelo na distância apertam o passo e passam por um a colina de fossos estranhos sem lhe dar atenção.
Chegam enfim ao castelo gigante, são de fato muito bem recebidos, e tratados como verdadeiros bebês. E quando Jill dorme ela sonha com Aslam e descobre que não se lembra mais dos sinais. No dia seguinte de manhã quando os outros dois entram no quarto dela, ela lhes conta o ocorrido quando olham da sua janela e vêm lá embaixo a cidade em ruínas dos gigantes com uma inscrição: DEBAIXO DE MIM. Descobrindo assim que eles deixaram passar outros dois sinais na sua ânsia de chegar ao castelo, e agora percebiam que não seria tão fácil sair dali, ainda mais depois de descobrirem que eles faziam parte do banquete da festa de outono. Mas com um pouco de astúcia e muita sorte eles conseguem fugir e acabam caindo por uma das fendas da cidade em ruínas, caem e caem, e quando chegam ao fundo são surpreendidos pelos terrícolas, estranhos gnomos que os leva para sua rainha, por um caminho longo, escuro e lúgubre. A cada pergunta que fazem eles respondem "Muitos descem até cá, mas poucos retornam às terras ensolaradas".
Sempre descendo e descendo mais fundo eles chegam ao centro do Reino Profundo, e ao seu castelo, contudo a rainha não está, ela estava na construção do túnel, que já estava no fim, que levaria ao mundo de cima, e o jovem cavaleiro com o exército de terrícolas atacaria e tomaria o reino, e ela se casaria com ele. Quem lhes conta isso é o cavaleiro da armadura negra, e a rainha é a bela senhora que os colocara naquela enrascada com os gigantes. O jovem é muito simpático apesar de um quê de louco, porém depois de uma ótima ceia ele lhes informa que infelizmente toda noite ele é acometido pela sua maldição e por isso ele deve ser amarrado à cadeira de prata onde ele ficará muito violento podendo se transformar em uma enorme serpente. As crianças e o paulama se escondem para ver o que acontecia, e prometeram ao jovem que não o soltariam. Porém, logo começa a dia alucinação e ele jura em nome de Aslam, dessa vez eles não deixam passar o último sinal, e soltam o príncipe Rillian, livrando-o de seu encantamento.
Logo depois a rainha do submundo chega e tenta enfeitiçá-los, mas a bravura e coragem de Brejeiro os salva, eles matam a feiticeira, e planejam a sua fuga. Contudo escutam um barulho do lado de fora do castelo, que sempre fora tão silencioso, viram então da janela que a água subia, que havia no alto um clarão vermelho e que os gnomos se comportavam de forma estranha. Partem logo, à cavalo fugindo dos terrícolas, sempre para cima na procura do terreno que os levaria de volta para as terras ensolaradas. No caminho descobrem que também aqueles infelizes tinham sido enfeitiçados e que com a morte da feiticeira eles recuperaram sua sanidade, e estavam tentando voltar para sua terra Bismo, que ficava ainda mais dentro da terra, em um lugar maravilhoso, que nossos aventureiros não tiveram chance de visitar, e Jill se recusaria de qualquer forma. Continuam subindo, até que as luzes se apagam e eles chegam ao fim do túnel. Jill que é a menor mete a cabeça pelo buraco e encontra-se em uma noite enluarada de neve em meio a uma comemoração narniana, ela e seus amigos são tirados de dentro da colina, e acolhidos. Na manhã seguinte quando Jill acorda, Rillian já partira para Cair Paravel onde deveria se encontrar com o seu pai que estava voltando, pois na sua viagem encontrara Aslam que o informara que seu filho o estaria esperando em casa. Jill e Eustáquio partem para o castelo, chegando lá eles avistam o barco aportando, mas o rei não desce do barco, ele é levado numa maca, vê seu filho e depois morre. As duas crianças muito tristes não se aproximam, e atrás delas está Aslam que as leva de volta para a montanha, mas antes de irem embora para o seu mundo, Aslam lhes mostra no rio a figura do velho rei boiando, e depois de que Eustáquio arranca sangue da pata do leão o rei rejuvenesce e ganha vida, pois está morto em Nárnia, mas vivo no mundo de Aslam. As crianças são então mandadas de volta para casa, mas antes Aslam dá um chicotinho para Jill, deixa Caspian espiar o outro mundo por cinco minutos, e assim os três entram na escola, e Aslam fica de costas no muro, e as crianças que os perseguiam no começo da história se assustam com o leão, Jill dá chicotadas nas meninas e os meninos estocadas com a espada nos meninos...

A última batalha
Lembro-me que da primeira vez que li As crônicas de Nárnia esse fora o meu livro favorito, que de fato chorara. No entanto nessa releitura eu não gostei, não me emocionei, e acima de tudo fiquei brava com aquilo que julguei puro preconceito de Lewis, essa raiva passou um pouco com o ensaio dele Três maneiras de escrever para crianças, que vem no final do meu volume que é da editora Martins Fontes, no final do qual ele diz que um livro infantil o autor não deve colocar uma moral, apenas que ela surja com a história. Assim, consegui perdoar ele um pouquinho...
De qualquer forma, o último livro começa de uma forma que não dá para deixa de lembrar de Esopo, sim as fábulas, para lá do ermo do lampião, em Nárnia, vivia um macaco metido a esperto, de nome Manhoso, que era vizinho de um burro, Confuso, que fazia tudo o que o macaco queria, pois acreditava que era burro demais para saber o que era certo ou errado. Um dia estavam os dois às margens de um lago quando o macaco avistou algo caindo pela cachoeira, muito espertamente convenceu Confuso a pular lá dentro e descobrir o que era. Depois de muito sacrifício, o burro sai todo cansado do lago trazendo uma pele de leão. Manhoso logo convence, mais uma vez, Confuso a usar a pele de leão e fingir ser Aslam, para assim conseguirem tudo o que queriam, na verdade tudo o que Manhoso queria, que era na verdade um comércio com a Calormânia, não só de produtos narnianos, mas de seu próprios habitantes, que antes seriam explorados pelo macaco.
Isso de fato ocorre, e um dia o último rei de Nárnia, Tirian, que estava com o seu unicórnio, Precioso, descansando em seu alojamento de caça recebe a visita de uma ninfa moribunda que lhe informa o que está acontecendo e jaz ali. Tirian se enfurece, e junto com Precioso sai logo em busca do lugar onde as árvores estão sendo derrubadas, enquanto manda o centauro Passofirme de volta a Cair Paravel para juntar um exército caso fosse necessário lutar. Chegando a clareira em questão eles encontram cavalos falantes sendo forçados ao trabalho e dois calormanos mandando. Travaram uma luta em que saíram vitoriosos, mas ao conversarem com os cavalos descobrem que tudo fora a mando de Aslam, assim rei e unicórnio decidem se entregar a Aslam, pois como esse não era um leão domesticado poderia ter motivos ocultos.
São levados então à colina do estábulo. Onde o macaco, que se dizia homem, fazia um discurso para amedrontar os narnianos, afirmando que Aslam estava lá dentro, mas que não queria ser importunado por eles. Tirian, após uma confusão em defesa de Aslam, é preso em uma árvore, e lá fica desejando poder trazer as crianças das histórias antigas de volta para ajudá-lo. Assim, meio em sonho, ele invade o jantar de sete visitantes de Nárnia, os reis Pedro e Edmundo, a rainha Lucia, Eustáquio e Jill, e os primeiros visitantes agora já idosos Digory e Polly. Que o inquerem, e depois ficamos sabendo que durante uma semana eles se mobilizam para tentar recuperar os anéis enterrados por Digory, para que Jill e Eustáquio pudessem voltar a Nárnia sendo as duas crianças do grupo. Porém, para Digory passam-se apenas alguns segundos até que elas estejam lá, porém sem o uso dos anéis.
Elas o libertam, e se refugiam, para criar um plano para salvar Precioso e depois conseguirem salvar Nárnia. Assim, voltam à colina do estábulo durante a noite, enquanto Tirian salva seu unicórnio, Jill sorrateiramente entra no estábulo e retira de lá Confuso ainda vestido com a pele de leão. Tirian se enfurece com aquilo, mas decide então mostrar ao seu povo que eles estavam sendo enganados. Na primeira ocasião, ao encontrarem um grupo de anões sendo levados para a Calormânia, eles percebem que mostrar o falso Aslam não é o suficiente para que eles consigam aliados, o único anão que se junta a eles é Poggin. Logo depois eles encontram Sagaz, uma águia que traz péssimas notícias sobre o exército já derrotado de Cair Paravel. Com isso o rei tem que traçar outro plano, que é voltar à colina do estábulo (nada recorrente!) e lutar com os poucos calormanos que estão lá, antes que chegue ajuda, e tentar convencer o seu povo a unir-se a ele. Chegando lá, eles presenciam mais uma das reuniões em volta da fogueira em frente ao estábulo, dessa vez eles falam de Tashlam, pois Aslam seria o mesmo deus dos calormanos, Tash, que na verdade é o seu oposto (mas eu não consigo engolir muito essa parte). E Tashlam está muito bravo com o povo pois havia um burro vestido de leão tentando enganar eles, e por isso só aceitaria ver aqueles que entrassem na cabana para vê-lo. O que era um jogada de gênio, já que eles não tinham mais Confuso para mostrar. Assim eles colocaram um soldado lá dentro para matar qualquer um que não estivesse dentro do plano e entrasse lá. O primeiro a entrar seria o malvado gato Ruivo.
Porém o plano dá errado, pois o verdadeiro Tash está lá dentro. Alguns outros são jogados lá, como forma de se livrar deles, e quando Tirian e seus amigos começam o ataque o objetivo é jogar as pessoas lá dentro. No fim eles são derrotados, mas o interior do estábulo é maior, melhor.. e lá estão os outros cinco que formavam o grupo do nosso mundo que conversava sobre Nárnia (Susana se tornara muito fútil). E logo depois o próprio Aslam, que abre a porta para Nárnia, e acorda o Tempo, e o mundo é destruído, primeiro todas as estrelas caem, como uma chuva de estrelas cadentes, depois animais incríveis são acordados para comer e destruir tudo sobre a terra que por fim é inundada pelo mar. Pedro fecha a porta e Aslam os convida a subir. Eles sobem e sobem em uma corrida desenfreada, e acabam chegando a uma nova Nárnia a verdadeira, a que eles conheciam antes era apenas um espelho, uma sombra (Platão!). Atém que por fim param naquele primeiro jardim que Digory e Polly estiveram, e lá estão todos os seus amigos do passado, e eles podem ver a verdadeira Inglaterra. E Aslam informa os humanos do nosso mundo que dessa vez eles não irão voltar para casa, pois todos estão mortos aqui, pois sofreram um acidente de trem. E assim tudo o que fora escrito até ali era apenas o começo de todas as incríveis aventuras que viveriam em Nárnia.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Notre-Dame de Paris (1482) - Victor Hugo

Esse romance está muito longe do clássico da Disney, que na melhor das hipóteses se baseou na história do livro de Hugo. Para além das gárgulas falantes, o romance é muito mais profundo, triste e real. Apesar de saber a história verdadeira, aquela imaginada por Hugo, ainda prefiro o final feliz na Disney! É isso... pela primeira vez não acho que as pessoas de um drama devem morrer...


O romance de Victor Hugo começa no seu primeiro prefácio, em que ele afirma que ele, o autor, bisbilhotando a catedral encontrou uma inscrição em grego que dizia fatalidade gravada à mão na parede, e é a respeito dessa palavra que ele irá escrever. Há por todo o prefácio e grande parte do livro uma defesa da arquitetura gótica da idade média, que os homens do século XIX e os seus precedentes estavam destruindo. Na verdade Victor Hugo em uma época em que não havia internet e muito menos o Google Earth, teve um trabalho incrível em descrever não só a arquitetura de séculos passados, em especial da catedral Notre-Dame que configura-se nesse romance como um personagem, mas também a cidade de Paris, suas ruas, portões, pontes e becos, tudo com uma riqueza de detalhes, que pode muitas vezes cansar um leitor despreparado, mas que é capaz de nos transportar para uma época muito distante da nossa e também da de seu autor.
O livro é dividido em livros, o primeiro deles ele começa da seguinte maneira: "Hoje faz 348 anos, seis meses e dezenove dias  que os parisienses acordaram ao carrilhão de todos os sinos  nos três domínios: da Citè, da Universidade e da Cidade". Hugo nos dá o dia exato em que ele começa a escrever (25/07/1830), pois era 06 de janeiro de 1482, dia de reis, e Paris comemorava. Havia um mistério tentando ser interpretado. Quem o escrevera? Pierre Gringoire, um filosofo. Quem assistia? O povo, em meio a ele, Jehan Frollo, um jovem estudante baderneiro, e Clopin Trouillefou, um mendigo, o rei da Corte dos Milagres. Porém a representação não ia bem, a cada segundo era interrompida, com a chegada, enfim dos embaixadores flamengos, entre eles um burguês de nome Coppelone, que propôs, como era costume deles, que se elege-se o papa dos loucos, que seria aquele que fizesse a careta mais feia. Quasímodo, o corcunda, coxo, surdo sineiro de Notre-Dame é que ganha, e ao mesmo tempo do lado de fora a bela cigana La Esmeralda dança e atraí muitos espectadores.
Então, no segundo livro narra-se o que aconteceu com o infeliz do Gringoire, que viu sua peça ser deixada de lado, e a possibilidade de não receber por ela, e como já não tinha dinheiro para comer, ou mesmo pagar um quarto, vaga pelas ruas, tentando fugir da festa que lhe arruinou o dia. Porém, não consegue, e quando vê La Esmeralda fica encantado.  Quando a multidão se dispersa ele a segue, nas ruas geladas e escuras de Paris, contudo ela, que vai mais a frente é interceptada por Quasímodo, e seu protetor o arquidiácono de Josas, dom Claude Frollo, que tentavam raptá-la. Gringoire não consegue ajudá-la, caindo desmaiado na sarjeta. Que a salva é o capitão dos arqueiros de Paris, Phoebus de Châteaupers. Ela foge, toda maravilhada com aquele homem forte capaz de defendê-la, e Quasímodo preso. Gringoire acorda muito depois em uma situação calamitosa, e continua andando em busca de um fogo para se aquecer, a chega à Corte dos Milagres, onde o levam a presença do rei, pois ele não sendo um vagabundo, não poderia estar ali, e deveria morrer enforcado, ele tem algumas chances de se defender, mas é La Esmeralda quem o salva, pois como costume daqueles ciganos, se alguma mulher quisesse desposá-lo ele poderia ficar, e foi o que ela fez, quebraram um vaso para delimitar por quanto tempo ficariam casados (4 anos), e pronto ele estava salvo. Ela não queria de fato estar casado com ele. E deixou isso bem claro, e ele logo se acostumou com isso, e seu amor transferiu-se para a bela cabritinha Djali.
O terceiro livro é o mais enfadonho de todos, nele Victor Hugo se dedica, com maestria e cuidado, a descrever a catedral e cidade, detalhe por detalhe. E o leitor que não vê, e em poucos casos imagina, pois já esteve na atual Paris, se cansa, e pode muitas vezes desistir ai, e não voltar ao texto! Por favor não faça isso! É preferível que você pule essas paginas, perca isso mas ainda assim chegue ao final.
Então começa o quarto livro, em que conta como Claude Frollo tomou Quasímodo por seu protegido, quando 16 anos antes o bebê deformado foi deixado em Notre-Dame, sobre uma bancada destinada às crianças abandonadas, ninguém o queria, todos se afastavam dele com horror, e o Claude Frollo o quis. E ao invés de tomarem isso por caridade, que o era, principalmente pensando em seu irmão mais novo, que aprenderia com isso, as senhoras apenas viram mais uma prova de que ele era feiticeiro, isso surgira com a sua dedicação ao estudos, e seu caráter taciturno, e sim uma certa tendência para a alquimia. O padre era impopular e tornou-se ainda mais impopular com seu filho adotivo, que mais parecia um escravo ou um fiel cachorro, era lhe obediente e o venerava. O quinto livro continua a história de Claude Frollo e também uma discussão sobre arquitetura e livros.
O sexto livro foi o meu favorito, nele muita coisa é explicada. Inicia-se com o julgamento de Quasímodo por um homem também surdo, o que gera riso por parte do público e uma pena pesada para o corcunda, que o juiz acreditava estar zombando dele. Quasímodo é condenado a uma certa quantidade de chicotadas em publico. Esse ao invés de sentir piedade daquele homem já deformado sangrando e implorando por um pouco de água, ri e joga a pedras nele, a única pessoa a se comover é La Esmeralda que passa por todos e lhe dá água, nem mesmo Claude Frollo o ajuda. Também conta-se aqui a história do passado desses dois, mas de maneira indireta. É a história de uma prostituta que já um tanto velha teve uma linda filhinha que ela amava e vestia com as mais belas roupas bordadas por ela, em especial o seu pézinho e seu sapatinho. E que quando ela tinha apenas quatro meses um bando de ciganos se aproximou de sua cidade e a mãe curiosa para saber o futuro de sua filha, a levou lá, e na mesma tarde, ao deixá-la um pouco sozinha para ir à vizinha contar as previsões, a criança foi raptada, e em seu lugar deixaram uma criança deformada aos berros. Não sabia-se ao certo o que fora feito delas, que a menininha tinha sido comida era o que se dizia, e o menino fora deixado para adoção. Logo após contar essa história uma senhora com suas duas amigas passa pelo Buraco dos Ratos lugar de penitência perto da Grevè onde estava o cadafalso em que as pessoas eram chicoteadas e enforcadas. E lá a narradora reconhece como penitente essa prostituta desesperada e louca, que está a 15 anos sofrendo, ela a reconhece pelo sapatinho.
Então, no sétimo livro, o tempo passa, La Esmeralda e seu marido fazem um show em frente a Notre-Dame, Phoebus está na casa de sua noiva, pela qual ele não se sente atraído. Ela em meio a várias outras jovens manda chamar a cigana, que ela avistou de sua varanda para entretê-las. Chegando lá a boêmia fica encabulada ao encontrar o seu amor, e a noiva enciumada por ver quão linda ela é, e a atração que o jovem capitão sente por ela, e principalmente pelo truque que La Esmeralda havia ensinado a Djali, escrever em meio a um alfabeto de blocos o nome Phoebus. Ao mesmo tempo que isso acontece Gringoire é visto pelo arquidiácono, que o inquere sobre seu conhecimento com a cigana. Demonstrando ai todo o seu ciúme. Depois mostra como a admiração de Quasímodo pela cigana interfere na catedral e seus sinos, para então voltar aos amores de Claude Frollo por La Esmeralda, que lhe consome todo e qualquer pensamento, ao ponto de seguir seu irmão, que vai beber com o capitão, esperar do lado de fora até que os dois saiam, pois entreouviu uma conversa deles que Phoebus afirmava que naquela noite se encontraria com La Esmeralda. O padre ataca o capitão quando este está sozinho, mas acaba dando-lhe dinheiro para um quarto com a cigana, desde que ele pudesse ver, assim ele é introduzido no quarto. Em que mais tarde a La Esmeralda tenta se defender dele, mas acaba sedendo por amá-lo e preferir ser a outra a não ser nada. Porém, nada se concretiza, Claude Frollo apunhá-la o capitão e foge, La Esmeralda cai desmaiada, e é presa por feitiçaria e assassinato.
Grande parte do oitavo livro é dedicado ao julgamento da cigana, que tem tudo contra ela, pois uma cabra é um animal que representa o diabo, a figura do padre, que entrara de negro no quarto teria sido conjurado por ela, e assim por diante. Ela nega tudo e só quer saber de seu amado que dizem estar morto, então a levam para tortura, onde ela acaba confessando tudo e é condenada a forca. Fica contudo um tempo presa, e pouco antes do dia fatal Claude Frollo entra na sua cela e lhe declara seu amor, e diz que tem como ajudá-la, ela o reconhece e nega-se a ele, prefere morrer. Antes de ser enforcada, La Esmeralda tem que ir diante da catedral e pedir perdão, lá Claude Frollo lhe dá mais uma chance de salvação caso ela o aceite, mais uma vez ela nega, então quando ela está sendo levada para a carroça que a conduzirá a forca ela avista Phoebus na sacada de sua noiva, pois ele não havia morrido, ela desmaia, ele finge que não vê. Então Quasímodo que vira tudo do alto da igreja desse por uma corda a pega nos braços e a leva para dentro gritando "Asilo", assim enquanto ela permanecesse lá nada poderia lhe acontecer.
O nono livro conta o tempo que La Esmeralda passa na Notre-Dame de Paris, do cuidado que Quasímodo tinha com ela, e a repulsa que ela não conseguia deixar de sentir, o amor que ele sentia, e se sentia mau por expressar, pois o via sempre enxotado por ela, e mais uma tentativa do arquidiácono de possuir a cigana, e a proteção dada pelo corcunda, que apesar de não atacar seu mestre não o deixa fazer o que quer.
No penúltimo livro, o asilo de La Esmeralda está para ser quebrado, e dom Claude Frollo exige de Gringoire que ele dê a sua vida pela dela, já que ela o salvara antes, esse no entanto encontra uma outra solução. Convence todo o povo da Corte dos Milagres (que tem como novo integrante Jehan Frollo, que está exaltado com tudo aquilo) a fazer uma revolução, pilhar Notre-Dame e tirar a cigana de lá. Assim 6 mil homens e mulheres se dirigem na calada da noite para a catedral e tentam arrombá-la, enquanto sozinho Quasímodo resiste acreditando que o povo queria matar a feiticeira. Muitos morrem, entre eles Jehan. Então o livro pula para a Bastilha onde o rei Luís XI tinha um quarto e estava em reunião sobre seus gastos, quando é avisado que a cidade está sendo atacada,de início ele fica feliz, pois acredita que está atacando os magistrados, que eram outro poder da cidade (não podemos nos esquecer que a história se passa na baixa Idade Média, e o rei não tinha poder total), mas então é informado que estão atacando a igreja, por causa de uma ordem sua contra a cigana, o que o leva a mandar ajuda. Porém, já é tarde para pegar La Esmeralda na catedral, Claude Frollo e Pierre Gringoire continuaram com seu plano (aqui começa o último livro), tiraram a cigana da igreja por um caminho que apenas o arquidiácono poderia usar, e a levaram para a Grevè onde Gringoire fugiu com a cabrita, deixando La Esmeralda com o padre que ela tanto temia, mas que ela ainda não vira quem era. Mais uma vez ele lhe dá a escolha e mais uma vez ela prefere a morte, então ele deixa ela com a penitente do Buraco dos Ratos, que odiava acima de tudo os ciganos, e aquela mais que todos, e vai atrás do exército para entregá-la. Enquanto elas estão sozinhas, elas descobrem-se mãe e filha por causa do par de sapatinho que cada uma carrega consigo. Porém já é tarde para salvá-la. A cena é de fato um tanto desesperadora e brutal. Arrancam as duas a força do buraco, a mãe morre ao bater com a cabeça no chão quando jogada, e La Esmeralda é enforcada. Essa cena é assistida do alto da catedral por Claude Frollo que sofre, e não escuta a aproximação de seu filho adotivo, que na sua ira, por saber que foi ele quem a tirou de lá, o empurra, e enquanto esse se dá conta do triste final o outro sofre em silêncio para conseguir se salvar, contudo cai e se esborracha. desde aquele dia ninguém mais viu o corcunda de Notre-Dame, até que mais tarde encontram em um lugar onde depositavam os corpos dos enforcados dois esqueletos unidos, no qual reconhecerem vestígios daquilo que La Esmeralda usava e no outro uma corcunda e nenhum osso quebrado que revelasse que aquele fora enforcado: "Quando tentaram afastar o esqueleto que ele abraçava, desfez-se em pó".

Desculpa o resumo comprido, mas o livro é enorme. Muito bom, recomendo a leitura. Apesar de ter algumas parte cansativas, e outras em que você duvidaria da veracidade, como uma mulher sobreviver 15 anos em um buraco mal tapado, sem cobertor no frio de Paris no inverno, e ainda assim quando reencontra sua filha ser capaz de arrombar a porta com uma pedra... mas acredito que para ser um bom leitor, assim como para ir bem em física, deve-se aceitar aquilo que te falam, sem tentar entender como aquilo acontece. Assim, o desenho da Disney perdeu seu encanto, outros filmes terão que ser assistidos para saber o que fizeram desse livro, e mais um foi cortado da lista de livros para ler antes de morrer!

terça-feira, 19 de março de 2013

O Vermelho e o Negro - Stendhal


Em umas férias nada comum, e bem ociosa, eu mesmo sabendo que teria uma matéria esse semestre que exigiria muita leitura, acabei me deixando levar apenas pelo prazer, sem me dar ao trabalho de começar a ler alguns dos livros obrigatórios, como é o caso de O vermelho e o negro (a imagem, segundo a informação do meu professor é a capa de uma das primeiras edições, o livro foi primeiramente publicado em 1830). Deveria ter começado a ler, me arrependo! Entre os motivos esta que eu com preguiça de ir à biblioteca devolver um livro alugado no início das férias, me esqueci durante o carnaval de renová-lo ficando com uma multa gigante, e infelizmente eu só poderia pegar o livro na segunda, uma semana após o início das aulas... na madrugada de domingo houve um pequeno incêndio, e nós ficamos sem a biblioteca! Para recuperar o tempo perdido enquanto eu esperava o livro chegar (comprei em um sebo pela internet! sempre usem o estante virtual! sério paguei 12 reais e o livro nem sequer fora tirado do plástico e as páginas estavam coladas!!) comecei a ler pela internet, e para a minha surpresa, eu gostei muito!

O livro conta a história de Julien Sorel, um camponês pobre que na França do século XIX quer subir socialmente. Se ele tivesse nascido anos antes a sua ascensão teria um caminho definido: o exército de Napoleão, a farda vermelha. Mas naqueles anos da restauração Julien percebera a influência e o poder da Igreja, e decidira pelo caminho eclesiástico e a batina negra (ai está a explicação mais aceita para o título do romance).
 Devido muitas de suas habilidades ele consegue o emprego de preceptor dos filhos do prefeito de sua cidade, que para manter sua posição social quer ter um preceptor que fale latim e tenha decorada toda a Bíblia para ostentar. Aos poucos Julien um jovem bonito e um tanto maquiavélico decide tentar segurar a mão da senhora de Rênal, sua patroa, e seduzi-la. Não que ele a amasse ou sentisse alguma atração. Mas essa aos poucos acaba com todas as resistências e apesar das dúvidas iniciais do nosso jovem herói, que acreditava ser amado como um inferior, e descobre-se dono daquela senhora de alta linhagem, enfim eles acabam se doando para um amor verdadeiro e imprudente. Depois de um tempo o senhor de Rênal recebe uma carta anônima delatando a traição de sua esposa, mas essa junto com o seu amante tramam uma mentira para que nenhum mal maior seja causado.
Porém, Julien se vê forçado a deixar a casa de seu amor, e depois de um tempo forçado a ir para um seminário. Onde não faz nenhum amigo a não ser o padre Pirard, seu confessor, que o toma por protegido, apesar de assim como os demais não ter certeza de sua fé. Depois de algum tempo com a demissão do padre, por causas políticas, Julien consegue através de um favor dele um emprego de secretário para o senhor de La Mole, que residia em Paris. Onde se passa grande parte do segundo livro, em que Julien um jovem padre camponês se vê colocado em meio a alta sociedade parisiense que é caracterizada pelo seu tédio.
Julien aos poucos ganha a confiança de seu novo protetor, e também a admiração de sua filha, que vê nele a diferença com os jovens parisienses de alta linhagem, que apenas apresentam um título e coragem. Não possuem opiniões, nem um caráter digno de ser amado. O amor que Mathilde de La Mole sente por Julien Sorel é de início inconstante e muito cerebral, ela parece decidida a amá-lo, mas não consegue deixar de lado o seu orgulho e nem esquecer a diferença social existente entre eles, e que assim ela jamais poderia ser subjugada por ele. Entre essas inconstâncias, Julien recebe a ordem do senhor de La Mole de ir viajar e levar uma mensagem decorada, de uma possível traição/insurgência (não sei ao certo, é uma parte da narrativa que para mim destoou completamente do resto). Quando sai da mansão ele está totalmente desgostoso, pois apesar de no início não amar Mathilde, quando se vê rejeitado por ela, e ainda mais impossibilitado de tê-la novamente pois assim ela decidiu, ele descobre-se imensamente apaixonado. Na sua viagem, já depois de ter entregado a mensagem e estar esperando por respostas, ele encontra um amigo seu que lhe ensina como recuperar Mathilde. Através de uma aparente indiferença e o cortejo a uma outra mulher, por quem ele fingiria-se apaixonado e trocaria cartas, 53 já escritas.
De fato ele a reconquista, e a partir de então ela é totalmente sua, e completamente imprudente. Ambos vivem um amor que parece bom, até que ela lhe conta que está gravida e que irá contar ao pai, e que assim eles se casariam. O processo é enrolado, pois o orgulho do senhor de La Mole não permite ver sua filha, que um dia ele esperava tornar duquesa, se casar com um simples senhor Sorel, para quem ele acaba conseguindo um título e um novo nome, além de um cargo no exército, e depois de um tempo dá-lhe terras para que também tenham algum rendimento. Mas ainda assim se recusa a permitir o casamento, então decide pesquisar o passado de Julien, e assim recebe uma carta da senhora de Rênal (na verdade sabemos depois que ela fora obrigada pelo seu atual confessor a copiar aquela carta que ele havia redigido), que o faz decidir cometer um crime.
Então ele parte para a sua cidade natal, entra na igreja onde a senhora de Rênal está, durante a missa e dispara dois tiros de pistola, um acerta seu chapéu e o outro de raspão o ombro, e apesar dessa se recuperar, ele havia cometido um crime com muitas testemunhas e foi preso na hora para aguardar julgamento. Mathilde usa de toda a sua força e influência (sem nunca transparecer que ela estava grávida!) para tentar livrar o seu amado, chega a comprar o juri, através da promessa de tornar um padre em bispo, e esse promete ao novo prefeito torná-lo governador, e esse aceita convencer os demais. Contudo o prefeito, Valenod, era um antigo inimigo de Julien, pois ele também amara a senhora de Rênal, mas jamais conseguira nada dela. Assim Julien é declarado culpado e destinado a guilhotina. 
A senhora de Rênal, apesar de tudo isso ainda amava muito Julien, e esse após atirar nela descobre que também ainda era apaixonado poe ela. Assim, quando essa descobre o fim do julgamento e a recusa dele em apelar, vai até a prisão e eles voltam aos bons termos. Mas no final de tudo ele é realmente guilhotinado.

Apesar de toda essa ação aparente o livro não é composto das ações em si. Na verdade muitas vezes me via surpreendida pela passagem de tempo de um parágrafo para o outro. O romance é composto pelos pensamentos dos seus personagens, pelos seus conflitos internos. Sem ser de forma alguma distanciado da sua situação histórica e social. Eu, sinceramente, gostei bastante, mesmo tendo achado melodramático demais no final.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

As Cidade Invisíveis - Italo Calvino


Eu nem sei por onde começar com esse livro! Não acho possível descrevê-lo pois no fundo (ou nem tão fundo assim) não há um enredo. Marco Polo, o famoso mercador veneziano, narra ao imperador dos tártaros Kublai Khan as cidades do seu território que ele percorreu. São no total 55 cidades invisíveis, todas com nomes de mulher (alguns um tanto estranhos), e divididas em 11 grupos de 5, que estão espalhadas por 9 seções de tamanhos variados, sendo que alguns grupos estão acumulados no começo e outros no fim, e alguns dispersos pelo livro. Os contos/descrições são pausados por conversas entre Marco Polo e Kublai Khan, conversas em que fica impreciso o lugar onde estão, e se estão de fato conversano, mantando a atmosfera fabulosa.
- As cidades e a memória: Diomira, Isidora, Zaíra, Zora e Maurília
- As cidades e o desejo: Dorotéia, Anastácia, Despina, Fedora e Zobeide
- As cidades e os símbolos: Tamara, Zirma, Zoé, Ipásia e Olívia
- As cidades delgadas: Isaura, Zenóbia, Armila, Sofrônia e Otávia
- As cidades e as trocas: Eufêmia, Cloé, Eutrópia, Ercília e Esmeraldina
- As cidades e os olhos: Valdrada, Zemrude, Bauci, Fílide e Moriana
- As cidades e o nome: Aglaura, Leandra, Pirra, Clarisse e Irene
- As cidades e os mortos: Melânia, Adelma, Eusápia, Argia e Laudômia
- As cidades e o céu: Eudóxia, Bersabéia, Tecla, Perínzia e Ândria
- As cidades contínuas: Leônia, Trude, Procópia, Cecília e Pentesiléia
- As cidades ocultas: Olinda, Raíssa, Marósia, Teodora e Berenice
Calvino não se preocupa em descrever fisicamente todas as cidades, pouquíssimas são as que apresentam  algum aspecto específico da vida cotidiana,  ao mesmo tempo em que se tem a impressão de estar sobrevoando certas cidades, por saber o seu traçado, ou apenas adivinhá-lo, pode-se saber algo do costume local. Os contos são curtos, o que para mim é ótimo, pois assim o narrador deixa muito espaço para a criatividade do leitor, que não deve lê-lo de uma vez só, mas sim, imaginar cada cidade, o que acontece e como seria estar ali. Na verdade esse é um tipo de livro que deveria ser mais produzido, contado para crianças e trabalhado por adultos.
As cidades invisíveis foi o primeiro livro que eu trabalhei na faculdade, e veja bem, na faculdade de arquitetura, em projeto 2, as professoras escolheram algumas das cidades de Calvino e a sortearam entre as duplas da sala, para que nós fizéssemos maquetes, era uma matéria bem plástica. Eu e minha dupla tiramos Armila. Depois o professor de urbanismo 1, usou o livro como base nas suas aulas, cada aula começava com a leitura de uma cidade, que seria um resumo. Lembro de alguma vez ter conversado com alguém e eu acho que essa pessoa fazia Economia, e que um professor dela também havia usado esse livro em uma matéria. Afinal, o livro não é conclusivo e objetivo, deixando margem para todo tipo de interpretação.
Me dei o prazer de lê-lo uma ultima vez sem o olhar inquiridor. Pois decidi fazer minha monografia baseada nesse livro de Calvino e sua ligação com Arquitetura. É claro que não consegui deixar de fazer anotações e pensar no trabalho, mas ainda assim foi a primeira de muitas vezes que lerei esse livro esse ano! Então só elegerei as top 5 cidades invisíveis e deixarei um gostinho de quero mais.
Zaíra a cidade que apesar de ter o seu espaço físico de delimita pelo espaço das ações dos homens que ali viveram; Sofrônia é uma cidade dividida em dois, em que a parte fixa é aquilo que comumente é itinerário (o circo/parque de diversão), e aquilo que o povo espera é a nossa vida cotidiana; Eutrópia que na verdade são muitas cidades iguais, mas apenas uma é habitada por vez, a sua população muda para outra quando cansada da sua vida, assim de tempos em tempos as relações familiares e os empregos, assim como as casa se renovam; Otávia uma cidade suspensa entre dois cumes de montanha, que ao invés de elevar-se pende de algo como uma teia de aranha, e seus habitantes sabem o quanto essa é capaz de resistir; e Tecla uma cidade que está em eterna construção, pois seus habitantes acreditam que quando a obra parar começará a destruição, e o mais bonito o projeto em que se baseiam é o desenho das estrelas.