terça-feira, 19 de março de 2013

O Vermelho e o Negro - Stendhal


Em umas férias nada comum, e bem ociosa, eu mesmo sabendo que teria uma matéria esse semestre que exigiria muita leitura, acabei me deixando levar apenas pelo prazer, sem me dar ao trabalho de começar a ler alguns dos livros obrigatórios, como é o caso de O vermelho e o negro (a imagem, segundo a informação do meu professor é a capa de uma das primeiras edições, o livro foi primeiramente publicado em 1830). Deveria ter começado a ler, me arrependo! Entre os motivos esta que eu com preguiça de ir à biblioteca devolver um livro alugado no início das férias, me esqueci durante o carnaval de renová-lo ficando com uma multa gigante, e infelizmente eu só poderia pegar o livro na segunda, uma semana após o início das aulas... na madrugada de domingo houve um pequeno incêndio, e nós ficamos sem a biblioteca! Para recuperar o tempo perdido enquanto eu esperava o livro chegar (comprei em um sebo pela internet! sempre usem o estante virtual! sério paguei 12 reais e o livro nem sequer fora tirado do plástico e as páginas estavam coladas!!) comecei a ler pela internet, e para a minha surpresa, eu gostei muito!

O livro conta a história de Julien Sorel, um camponês pobre que na França do século XIX quer subir socialmente. Se ele tivesse nascido anos antes a sua ascensão teria um caminho definido: o exército de Napoleão, a farda vermelha. Mas naqueles anos da restauração Julien percebera a influência e o poder da Igreja, e decidira pelo caminho eclesiástico e a batina negra (ai está a explicação mais aceita para o título do romance).
 Devido muitas de suas habilidades ele consegue o emprego de preceptor dos filhos do prefeito de sua cidade, que para manter sua posição social quer ter um preceptor que fale latim e tenha decorada toda a Bíblia para ostentar. Aos poucos Julien um jovem bonito e um tanto maquiavélico decide tentar segurar a mão da senhora de Rênal, sua patroa, e seduzi-la. Não que ele a amasse ou sentisse alguma atração. Mas essa aos poucos acaba com todas as resistências e apesar das dúvidas iniciais do nosso jovem herói, que acreditava ser amado como um inferior, e descobre-se dono daquela senhora de alta linhagem, enfim eles acabam se doando para um amor verdadeiro e imprudente. Depois de um tempo o senhor de Rênal recebe uma carta anônima delatando a traição de sua esposa, mas essa junto com o seu amante tramam uma mentira para que nenhum mal maior seja causado.
Porém, Julien se vê forçado a deixar a casa de seu amor, e depois de um tempo forçado a ir para um seminário. Onde não faz nenhum amigo a não ser o padre Pirard, seu confessor, que o toma por protegido, apesar de assim como os demais não ter certeza de sua fé. Depois de algum tempo com a demissão do padre, por causas políticas, Julien consegue através de um favor dele um emprego de secretário para o senhor de La Mole, que residia em Paris. Onde se passa grande parte do segundo livro, em que Julien um jovem padre camponês se vê colocado em meio a alta sociedade parisiense que é caracterizada pelo seu tédio.
Julien aos poucos ganha a confiança de seu novo protetor, e também a admiração de sua filha, que vê nele a diferença com os jovens parisienses de alta linhagem, que apenas apresentam um título e coragem. Não possuem opiniões, nem um caráter digno de ser amado. O amor que Mathilde de La Mole sente por Julien Sorel é de início inconstante e muito cerebral, ela parece decidida a amá-lo, mas não consegue deixar de lado o seu orgulho e nem esquecer a diferença social existente entre eles, e que assim ela jamais poderia ser subjugada por ele. Entre essas inconstâncias, Julien recebe a ordem do senhor de La Mole de ir viajar e levar uma mensagem decorada, de uma possível traição/insurgência (não sei ao certo, é uma parte da narrativa que para mim destoou completamente do resto). Quando sai da mansão ele está totalmente desgostoso, pois apesar de no início não amar Mathilde, quando se vê rejeitado por ela, e ainda mais impossibilitado de tê-la novamente pois assim ela decidiu, ele descobre-se imensamente apaixonado. Na sua viagem, já depois de ter entregado a mensagem e estar esperando por respostas, ele encontra um amigo seu que lhe ensina como recuperar Mathilde. Através de uma aparente indiferença e o cortejo a uma outra mulher, por quem ele fingiria-se apaixonado e trocaria cartas, 53 já escritas.
De fato ele a reconquista, e a partir de então ela é totalmente sua, e completamente imprudente. Ambos vivem um amor que parece bom, até que ela lhe conta que está gravida e que irá contar ao pai, e que assim eles se casariam. O processo é enrolado, pois o orgulho do senhor de La Mole não permite ver sua filha, que um dia ele esperava tornar duquesa, se casar com um simples senhor Sorel, para quem ele acaba conseguindo um título e um novo nome, além de um cargo no exército, e depois de um tempo dá-lhe terras para que também tenham algum rendimento. Mas ainda assim se recusa a permitir o casamento, então decide pesquisar o passado de Julien, e assim recebe uma carta da senhora de Rênal (na verdade sabemos depois que ela fora obrigada pelo seu atual confessor a copiar aquela carta que ele havia redigido), que o faz decidir cometer um crime.
Então ele parte para a sua cidade natal, entra na igreja onde a senhora de Rênal está, durante a missa e dispara dois tiros de pistola, um acerta seu chapéu e o outro de raspão o ombro, e apesar dessa se recuperar, ele havia cometido um crime com muitas testemunhas e foi preso na hora para aguardar julgamento. Mathilde usa de toda a sua força e influência (sem nunca transparecer que ela estava grávida!) para tentar livrar o seu amado, chega a comprar o juri, através da promessa de tornar um padre em bispo, e esse promete ao novo prefeito torná-lo governador, e esse aceita convencer os demais. Contudo o prefeito, Valenod, era um antigo inimigo de Julien, pois ele também amara a senhora de Rênal, mas jamais conseguira nada dela. Assim Julien é declarado culpado e destinado a guilhotina. 
A senhora de Rênal, apesar de tudo isso ainda amava muito Julien, e esse após atirar nela descobre que também ainda era apaixonado poe ela. Assim, quando essa descobre o fim do julgamento e a recusa dele em apelar, vai até a prisão e eles voltam aos bons termos. Mas no final de tudo ele é realmente guilhotinado.

Apesar de toda essa ação aparente o livro não é composto das ações em si. Na verdade muitas vezes me via surpreendida pela passagem de tempo de um parágrafo para o outro. O romance é composto pelos pensamentos dos seus personagens, pelos seus conflitos internos. Sem ser de forma alguma distanciado da sua situação histórica e social. Eu, sinceramente, gostei bastante, mesmo tendo achado melodramático demais no final.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

As Cidade Invisíveis - Italo Calvino


Eu nem sei por onde começar com esse livro! Não acho possível descrevê-lo pois no fundo (ou nem tão fundo assim) não há um enredo. Marco Polo, o famoso mercador veneziano, narra ao imperador dos tártaros Kublai Khan as cidades do seu território que ele percorreu. São no total 55 cidades invisíveis, todas com nomes de mulher (alguns um tanto estranhos), e divididas em 11 grupos de 5, que estão espalhadas por 9 seções de tamanhos variados, sendo que alguns grupos estão acumulados no começo e outros no fim, e alguns dispersos pelo livro. Os contos/descrições são pausados por conversas entre Marco Polo e Kublai Khan, conversas em que fica impreciso o lugar onde estão, e se estão de fato conversano, mantando a atmosfera fabulosa.
- As cidades e a memória: Diomira, Isidora, Zaíra, Zora e Maurília
- As cidades e o desejo: Dorotéia, Anastácia, Despina, Fedora e Zobeide
- As cidades e os símbolos: Tamara, Zirma, Zoé, Ipásia e Olívia
- As cidades delgadas: Isaura, Zenóbia, Armila, Sofrônia e Otávia
- As cidades e as trocas: Eufêmia, Cloé, Eutrópia, Ercília e Esmeraldina
- As cidades e os olhos: Valdrada, Zemrude, Bauci, Fílide e Moriana
- As cidades e o nome: Aglaura, Leandra, Pirra, Clarisse e Irene
- As cidades e os mortos: Melânia, Adelma, Eusápia, Argia e Laudômia
- As cidades e o céu: Eudóxia, Bersabéia, Tecla, Perínzia e Ândria
- As cidades contínuas: Leônia, Trude, Procópia, Cecília e Pentesiléia
- As cidades ocultas: Olinda, Raíssa, Marósia, Teodora e Berenice
Calvino não se preocupa em descrever fisicamente todas as cidades, pouquíssimas são as que apresentam  algum aspecto específico da vida cotidiana,  ao mesmo tempo em que se tem a impressão de estar sobrevoando certas cidades, por saber o seu traçado, ou apenas adivinhá-lo, pode-se saber algo do costume local. Os contos são curtos, o que para mim é ótimo, pois assim o narrador deixa muito espaço para a criatividade do leitor, que não deve lê-lo de uma vez só, mas sim, imaginar cada cidade, o que acontece e como seria estar ali. Na verdade esse é um tipo de livro que deveria ser mais produzido, contado para crianças e trabalhado por adultos.
As cidades invisíveis foi o primeiro livro que eu trabalhei na faculdade, e veja bem, na faculdade de arquitetura, em projeto 2, as professoras escolheram algumas das cidades de Calvino e a sortearam entre as duplas da sala, para que nós fizéssemos maquetes, era uma matéria bem plástica. Eu e minha dupla tiramos Armila. Depois o professor de urbanismo 1, usou o livro como base nas suas aulas, cada aula começava com a leitura de uma cidade, que seria um resumo. Lembro de alguma vez ter conversado com alguém e eu acho que essa pessoa fazia Economia, e que um professor dela também havia usado esse livro em uma matéria. Afinal, o livro não é conclusivo e objetivo, deixando margem para todo tipo de interpretação.
Me dei o prazer de lê-lo uma ultima vez sem o olhar inquiridor. Pois decidi fazer minha monografia baseada nesse livro de Calvino e sua ligação com Arquitetura. É claro que não consegui deixar de fazer anotações e pensar no trabalho, mas ainda assim foi a primeira de muitas vezes que lerei esse livro esse ano! Então só elegerei as top 5 cidades invisíveis e deixarei um gostinho de quero mais.
Zaíra a cidade que apesar de ter o seu espaço físico de delimita pelo espaço das ações dos homens que ali viveram; Sofrônia é uma cidade dividida em dois, em que a parte fixa é aquilo que comumente é itinerário (o circo/parque de diversão), e aquilo que o povo espera é a nossa vida cotidiana; Eutrópia que na verdade são muitas cidades iguais, mas apenas uma é habitada por vez, a sua população muda para outra quando cansada da sua vida, assim de tempos em tempos as relações familiares e os empregos, assim como as casa se renovam; Otávia uma cidade suspensa entre dois cumes de montanha, que ao invés de elevar-se pende de algo como uma teia de aranha, e seus habitantes sabem o quanto essa é capaz de resistir; e Tecla uma cidade que está em eterna construção, pois seus habitantes acreditam que quando a obra parar começará a destruição, e o mais bonito o projeto em que se baseiam é o desenho das estrelas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Crepúsculo - Stephenie Meyer


Enquanto eu relia o livro, eu oscilava entre postar essa leitura aqui ou não! Quero dizer, eu já o havia lido muitos anos atrás, incluindo todas as suas sequências, e naquela época, mesmo antes de assistir aos filmes (assiste o primeiro e ou o segundo ou o terceiro, não consigo me lembrar) eu já os considerava horríveis!
Então por que reler? O fato é que eu adoro reler livros, e todas as férias eu me sinto no direito de reler livros, eu comecei essa contando com reler algum dos da Jane Austen que eu nunca reli, depois cogitei seriamente O Senhor dos Anéis, para por fim me decidir por As crônicas de Narnia, contudo, eu encontrei um monte de livros da minha tia em casa e os recolhi para devolver, e deixei num lugar visível caso ela venha aqui e eu não esteja, porém Crepúsculo continuava me olhando da estante: você realmente vai me devolver e nunca mais me ler? Deve ter um motivo para você ter lido todos? Você deve ter gostado de mim? Vem, me pega! Dá uma chance de tirar as imagens sem expressão dos filmes da sua cabeça, das menininhas gritando... e ele acabou me convencendo! É um livro fácil de ler, eu gastei um dia, já voltei a narrações melhores!
E de fato acabei me lembrando o que me fez prosseguir na leitura!
Eu adoro romance! Adoro romance proibido! Adoro elementos fantásticos! E sinceramente sempre preciso de uma história bobinha para me fazer continuar acreditando no amor, não que eu acredite muito, acho que as mulheres são capazes de amar, os homens, para mim, fazem mais por necessidade, conheci apenas um cara que sofreu por amor, que realmente correu atrás e queria ficar com a garota... não deu certo! E olha que no total foram 7 meninos que passaram pela minha república, sem contar os outros homens que eu conheço! Então eu preciso de histórias açucaradas em que as pessoas se amem incondicionalmente e façam de tudo para estar juntos.
Mas sério, Crepúsculo, e toda a "saga" - como resolveram chamar, é ruim demais!!!!!
Em primeiro lugar a protagonista e narradora é sonsa! Ela coloca-se sempre como alguém que não fosse especial, mas ali por trás você sente que ela não acha isso e que ela não é isso, enquanto ela mesma narra! Ela acha legal ser deslocada, e por isso ela chama a atenção do cara mais lindo e rico da escola (filmes teen americanos!), mas BUM ele é um vampiro que não tem nenhuma característica de vampiro! Ele brilha ao sol!!! Que merda é essa?
Sério eu fico irritada só de começar a pensar! O livro poderia mudar o rumo quando eles estão em uma outra cidade em um restaurante após ele salvá-la de possíveis estupradores. Mantendo as histórias de terror, mas sem revelar isso. Pois em que mundo alguém estaria de boa em se relacionar com um vampiro? Sem medo? Fala sério...
Mas tudo bem, ela escreveu o que escreveu. Então ela poderia ter parado! O vampiro mau James a mordeu e ela poderia ter virado um vampiro e ter vivido feliz com o grande amor da sua vida! Apesar da relação deles se basear em afagos de mão gelada e perguntas. Pelo menos eles poderiam ter um pouco mais de ação. Mas não ele o maravilhoso Edward Cullen é forte e consegue chupar todo o veneno do corpo dela e parar para não matá-la pois ele não conseguiria viver a eternidade sabendo que a matou, ao invés de poder passar a eternidade com ela! Por causa de escrúpulos com relação a humanidade que ela já abrira mão, e que aparentemente ele não perdera de todo.
Assim Stephenie Meyer pode fazer toda uma "saga" (desculpa mais eu odeio essa palavra!). Eu li o segundo livro e achei ruim, mas como eu sabia que vinham mais quatro pela frente eu dei uma chance para o terceiro, que na verdade eu lembro de dentro dos limites estabelecidos, ter gostado e portanto comprado o ultimo livro. Bem, esse é o pior de todos! Quando eu cheguei no meio minha intenção foi colocar em uma fogueira e dançar em volta vendo isso queimar torcendo para que a minha memória queimasse junto! Mas eu sou materialista! adoro os meus livros! Mesmo os ruins.. não os queimei, e ainda por cima terminei de ler, me torturando a cada segundo! Sabe eu queria a história bobinha de adolescentes que se apaixonam e conseguem viver uma grande história de amor, não uma adolescente pervertida que só pensa em sexo e quebra camas e paredes.
Sério, quem gosta e espera o mesmo que eu ganha muito mais lendo os livros engraçadíssimos Marian Keyes... Prometo nos próximos 10 anos não voltar a querer ler esse livro!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O menino do pijama listrado - John Boyne

No ano em que saiu o filme decide ler esse livro, uma de minha melhores amigas sempre me dizia que ia me emprestar e que eu leria rapidamente, mas com aquela cabeça de vento dela uma vez consegui pegar o livro na casa dela e li o começo enquanto ela tomava banho. Acabei pegando emprestado com a minha prima, que tinha acabado de ler também emprestado de uma tia nossa.
Adorei o livro, principalmente pela forma em que foi escrito e logo depois assisti o filme, que também dá pro gasto, possui umas sacadas que me admirou. Mas, não passou disso, talvez eu nunca voltasse a lê-lo, não fosse a minha já mencionada viagem pela Europa! Quando eu passei no vestibular em Estudos Literários ainda me lembro da minha mãe me ligando do Brasil, eu estava em Florença, tomando um gelato, em frente a igreja Santa Maria del Fiore (a mais linda possível), lembro de quando minha mãe me ligou avisando que estava fazendo a minha matrícula: que língua você escolhe? Eu estava no trem para Roma: italiano!
Mas a verdade é que o italiano é uma língua latina, parecida com o português, e porque eu não poderia aprender um pouco de italiano lendo? A única coisa que eu deveria fazer era escolher um livro que eu já havia lido: Il bambino con il pigiama a righe, foi o primeiro que eu encontrei!
Tentei ler durante a viagem, comprei junto um lápis e um apontador e fui anotando as palavras que não era obvias mas que eu conseguia, ou achava que conseguia tirar o significado do contexto. Li quase metade e depois nunca mais voltei para ele, nessas férias depois de dois anos e um curso de italiano quase completo resolvi lê-lo de novo. Ainda bem que o fiz, não só pelo estudo da língua, quanto pelo prazer da leitura.


O livro é sobre o holocausto sem jamais mencionar isso diretamente, pois o mundo da guerra é apresentado sobre a visão de um menino de 9 anos Bruno, que é filho de um comandante do exército alemão, que é mandado para a Polônia e comandar um campo de concentração.
Bruno de início odeia o novo lugar em que ele é obrigado a ir morar, deixando para trás seus 3 melhores amigos do mundo, e seus avós, a cidade de Berlim que ele tanto amava e sua casa de 5 andares cheia de lugares a explorar! A nova casa é pequena, tem apenas 3 andares, e não há cidade por perto, nem crianças com quem brincar, muito pelo contrário ele deve aguentar Gretel sua irmã mais velha, que é um caso perdido, e um monte de soldados que entra e sai da sua casa como se fosse deles. Além disso a casa era feia, fria, tinha um nome estranho Auscit (que dá pra fazer um jogo de palavras em italiano, mas eu num lembro como está na versão brasileira), e da janela do seu quarto lá longe do outro lado da cerca havia muitas barracas e homens viviam lá, e todos usavam pijamas listrados, assim como os soldados usavam uniforme. Ele pergunta a Gretel o que era aquilo, ela também não sabe explicar, e depois o pai diz para ele não se preocupar mais com isso.
O tempo passa e Bruno decide explorar o lugar, dentro de casa não há muito o que fazer, e acaba saindo, indo em direção a cerca, e anda por muito tempo até que encontra um menino, Schmuel, com quem trava amizade. Nesse momento da trama é que se sente a maior ingenuidade possível, pois Bruno acredita ser ele quem fez algo errado para estar do lado errado da cerca, e acredita que as crianças do outro lado estão sempre brincando, e todas as reclamações de seu amigo, como o a desaparecimento de seus familiares, ou a história de como ele foi parar lá, são sobrepostas as histórias mesquinhas de Bruno, de como ele não suporta viver em uma casa de 3 andares ao invés de 5, enquanto Schmuel vivera em um único comodo com outras famílias além da sua. Outro exemplo é quando Bruno levava comida para seu amigo que sempre parecia faminto, mas ele no meio da caminhada sentia fome e comia um tanto.
O tempo passa e a amizade deles aumenta,  mesmo que durante todo esse tempo eles tenham passado em lados diferente da cerca apenas sentados conversando ao invés de brincarem como crianças de 9 anos. Mas a mãe de Bruno decide que não pode mais viver em Auscit, e que ela com as crianças irão voltar para Berlim. Bruno vai avisar seu melhor amigo, e esse está triste porque seu pai sumiu; E Bruno para se despedir  e ajudá-lo decide que no dia seguinte ele irá passar por baixo da cerca e procurar seu pai com ele, para isso ele também precisava de um pijama listrado, que Schmuel trás para ele.
Bruno entra e se arrepende, pois aquele lado não era nada parecido com a sua imaginação, mas ele não podia voltar pois havia prometido a Schmuel que o ajudaria, e manteve sua palavra...

Estou num embate se continuo ou não. É o final do livro, eu não acho surpreendente, mas também não quero acabar com a leitura de alguém, mas ao mesmo tempo não acho que teria leitores... saco! Vou escrever mentalmente e tentar sempre me lembrar do ultimo capítulo, para me lembrar de minha própria infância e o meu relacionamento com a minha irmã.

sábado, 26 de janeiro de 2013

AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO:A FÚRIA DOS REIS - GEORGE R.R. MARTIN

No ano passado, um dos meninos que morava comigo estava viciado na leitura dessa coleção, muitas outras pessoas elogiavam a série da HBO, e eu nada. Tinha muitas outras coisas para ler, e apesar da curiosidade que até hoje eu tenho com relação a série, fui deixando para depois, vai que algum dia eu resolvesse ler os livros. Até que uma noite esse menino que morava comigo me convenceu de ler, ele disse: é como um senhor dos anéis só que mais para o lado psicológico. Fui para o meu quarto pensei um pouco no assunto e voltei para o dele: vai me dá o livro!
Demorei uns 4 meses para ler as primeiras 400 páginas do primeiro volume, a restante eu li em menos de uma semana, e assim que voltei das férias pedi o segundo emprestado, acabei devolvendo antes de terminar de ler, e não porque havia desistido da leitura, mas por ter decidido comprar a coleção que estava em uma superpromoção no submarino. Hoje quase 6 meses de começar consegui terminar... Acabei me acostumando a ter esse livro como base, é um método de leitura meu, eu sempre leio ao menos 4 livros ao mesmo tempo e sempre coloco o que eu mais gosto embaixo da pilha, e o que eu quero/ tenho que terminar logo no topo, e eu só posso ler o ultimo depois de ter passado pelo outros 3, esse costumava a ser o primeiro ou o segundo!


Como eu só comecei o blog depois de já ter lido o primeiro, farei um pequeno resumo dos dois. O livro é dividido em vários capítulos que são narrados em terceira pessoa porém a partir do ponto de vista de alguns personagens. Principalmente os membros da família Stark: Lorde Eddard, sua esposa Catelyn, e seus 5 filhos Robb, Sansa, Arya, Bran, Rickon e o bastardo Jon Snow. E também Tyrion Lannister, um anão, e Daenerys Targaryen, a mãe de dragões.
Todos vivem no reino de Westeros, que muito tempo antes foram unido pela família Targaryen, mas que fora derrotada e quase extinta em uma guerra que passou o reino para Robert Barethon, muito amigo de Lorde Eddard, se casaria com sua irmã, porém essa morre e ele casasse com Cersei Lannester que lhe dá filhos que na verdade são bastardos de uma relação incestuosa com Jaime. Isso é o estopim da guerra. Quando as pessoas vão descobrindo elas são mortas, contudo a informação vaza e outros senhores se sentem no direito de se proclamar rei, com a morte de Robert e a ascensão de seu filho Joffrey. O herdeiro legítimo Stannis Barethon, assim como seu irmã mais novo Renly. Também Robb Stark é proclamado rei do norte e busca vingar seu pai morto injustamente pelo jovem rei, e salvar suas irmãs que ele acredita estarem presas na corte, contudo apenas Sansa está lá como prometida do rei, mas Arya fugiu e cada momento está em uma situação diferente passando por maus bocados.
No início do primeiro livro os jovens Satrk encontram lobos gigantes e os adotam cada um ficando com um, que será seu parceiro e amigo. As meninas perdem logo os seus, o de Sansa é morto para satisfazer a vontade de Joffrey, e o de Arya é acossado para que não tenha o mesmo fim. Já os meninos continuam com o seu, Robb é conhecido como o rei lobo, pois o seu lobo o acompanha nas batalhas garantindo-lhe a vitória, Bran que fica aleijado após ser jogado de uma janela, consegue ter sonhos verdes, nos quais ele assume o corpo do lobo e consegue se movimentar, o lobo de Rickon é mais feroz (o menino em si ainda não tem muito sentido na história, só tem 4 anos), e o de Jon que se juntou a patrulha da noite (um grupo de homens que juram vestir o negro e defender o mundo do selvagens do norte) está sempre com ele, e por ele é protegido, além de um fato isolado em que consegue conversar com Bran.
Quase todo o segundo livro narra guerras e estratégias de guerra. A não ser na parte Daenerys, que desde criança fugia por ser a herdeira real do trono de ferro, já fora casada com um chefe dothraki (senhores de cavalo) perdeu tudo restando-lhe parte de seu povo e os seus três dragões que nasceram após a morte de seu marido. Ela está para lá de Westeros procurando um exercito para invadir o seu reino e recuperá-lo.

Bem foi um resumo, bem resumo mesmo, provavelmente foram mais de 1000 páginas resumidas.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Cai o Pano - Agatha Christie


Não me lembro de jamais ter lido um de seus romances policias, acredito que na minha infância eu possa até ter lido, mas não me lembro. Então se eu num lembro eu não fiz. Na verdade eu só li porque ganhei de presente de amigo secreto, não foi exatamente uma escolha...
Eu tenho um problema com livros policiais, eu não consigo ler pelo prazer da leitura, eu quero encontrar o assassino antes que o autor nos revele, eu quero encontrar aqueles pequenos detalhes que passam despercebidos. Quase da mesma forma que eu li O Inquilino em que eu procurava a origem do mal! Acho que por isso não consegui apreciar tanto o livro. Não gostei! Minha mãe começou a ler e eu estou realmente curiosa para saber a sua opinião!
Tentarei contar o mínimo possível do livro para que ele não perca a graça para quem ler esse post!
O romance começa com o narrador Arthur Hastings falando de sua ida para Styles uma mansão em que ele já estivera com seu amigo o detetive Poirot, quando esse mudara-se para a Inglaterra, e lá houvera um brutal assassinato. Dessa vez eles vão para lá junto com outros muitos personagens que se conhecem de alguma forma. Estão hospedados na mesma mansão, mas que agora é uma hospedaria, Poirot (agora velho e muito doente) e seu novo criado, Hastings que foi convidado por esse, sua filha Judith que esta junto com o seu chefe o médico Franklin e sua esposa Barbara (também doente, e por isso tem uma enfermeira a senhorita Craven), um antigo conhecido de Barbara, Boyd Carrington (ou alguma coisa assim) um homem rico e simpático, Norton um homem pequeno e adorador de pássaros, a senhorita Cole (já com seus 35 anos) que também é muito discreta e gosta da natureza, Allerton não lembro do que vinha antes do seu nome, acredito que era alguma coisa militar. E além deles os donos da hospedaria o coronel e a senhora Lutrell, sendo ele muito atencioso e ela muito mandona.
Assim que Hastings chega em Styles seu velho amigo diz que entre todos que estão na casa existe um assassino (que ele sabe quem é) e que ele irá matar! Apresenta um dossiê com 5 casos, aparentemente desconexos mas que ele afirma terem sido cometidos todos por X, mas se recusa a falar quem é para Hastings pois este deixa tudo transparente na sua fisionomia. Diz também que não sabe quem é a vítima, e que a missão de Hastings é ser os olhos e ouvidos dele, conversando e conhecendo melhor as pessoas de sua convivência para tentar impedir esse crime. Coisa que não acontece, alguém é morto apesar de considerarem um suicídio.
O final poderia ser considerado surpreendente. De fato não foi nenhuma das minha diversas suspeitas. Mas ainda assim acho que é esperado o inesperado! Não fiquei satisfeita! Queria dizer mais, mas tenho medo de estragar o livro!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Os Miseráveis - Victor Hugo



Os Miseráveis é para mim como D. Quixote é para o meu professor, que em toda santa aula afirmava que para um leitor atual é impossível ler esse romance sem nenhum conhecimento sobre ele. Meu primeiro contato com Os miseráveis foi, por incrível que pareça, com a série Dawson's Creek, acho que ainda na primeira temporada a Katie Holmes participa de um concurso de beleza e lá ela canta Os my Own a canção mais famosa do musical da Brodway baseado no romance de Hugo... depois disso o Dawson percebe como ela é bonita e finalmente dá alguma atenção pra ela, blablablá.
Depois eu provavelmente ouvi algumas referências mas sem prestar muita atenção. Até que em 2011, quando estava em um mochilão pela Europa, junto com uma amiga e uma amiga dela decidimos em Madri assistirmos um espetáculo, eu queria balé, mas as meninas insistiram em um teatro, e acabamos ficando com Os Miseráveis em espanhol. Quando chegamos a noite em casa descobrimos que ninguém sabia nada da história que um musical em outra língua não esclareceria muita coisa, entrei no Wikipédia e pesquisei. Recomendo! Apesar de muito confuso, deu para acompanhar.
Nessa viagem eu fiz um diário, que eu proíbo minha amiga de ler, mas vou copilar o parágrafo dedicado à um musical de umas 3 horas ou mais, se assistisse hoje não seria a mesma coisa!
"Assumo que foi mais simples entender por li o resumo da história (supercomplexa) em português antes. Todos estavam devidamente vestidos e cantavam muito bem, (gostei do Gravoche e do casal que cuidou de Cosette - os mais engraçados). porém o melhor era o cenário, muito bem feito, muitas variações e muita tecnologia. Demais, mas demorou muito, e no final queria que acabasse logo.
Bom ressaltar que sentamos na última fileira, uns 10 metros de altura em relação ao palco - leve medo."
Depois disso voltei ao Brasil, e comprei o livro, muito desinformada comprei o segundo volume, e demorei mais uns dois meses para comprar o primeiro. E agora posso dizer com muita vergonha que eu demorei quase dois anos para ler os dois, que dão mais de 1000 páginas, e que nesse meio tempo eu assisti á mini-série com Gerard Depardieu. E que ontem ao terminar o livro entre soluços eu pensava no filme que está nos cinema ou estará dentro e pouco e que eu irei assistir!

Nunca vi uma versão diminuída desse romance mas tenho certeza que existe. Pois são muitos os capítulos que poderiam ser facilmente dispensados sem afetar o enredo, mas perdendo muito da convicção e conhecimento de Hugo. Existe no segundo volume todo um livro descrevendo os esgotos de Paris, e outros tantos em que os personagens são esquecidos e o contexto histórico se sobrepõe a narrativa. Isso torna a leitura mais cansativa além de que os muitos detalhes unidos às muitas tramas tornam o romance ainda mais complexo. Porém, apesar de sentir tudo isso no começo lá no meio de 2011, depois de um ano eu já estava tão envolvida com a história, seus personagens e com a própria Paris que considero cada linha daquele livro essencial. Sem dúvidas está entre os meus top 10 livros de todos os tempos.
Tentarei resumir a história da melhor e menor forma possível...
Jean Valjean era um homem pobre, que precisa roubar um pão e é preso por isso. Foge e vai parar na casa de um bispo muito bom e caridoso, que o recebe em sua casa, e lhe da comida. Contudo, Valjean foge no meio da noite e rouba os castiçais de prata, ele é pego pela polícia local que o leva perante ao bispo, que diz que Valjean não o estava roubando, pois ele havia dado isso a ele, e que ainda havia esquecido a prataria, ele não se lembrava? Tinha prometido fazer só o bem!
Depois disso ele se compromete com a palavra nunca dada, enriquece com um fabrica de vidrilhos e quase todo o dinheiro era usado em proveito da cidade, construindo escolas e hospitais, dando dinheiro aos pobres e órfãos. Porém o inspetor Javert aparece e o reconhece e faz de tudo para provar que o excelente senhor Madeleine é o antigo forçado. Valjean acaba por se entregar, pois outro homem seria preso em seu lugar. Porém foge novamente pois havia prometido para Fantine buscar sua filha e cuidar dela.
Fantine era uma costureira que se relacionou com um moço rico que a abandonou e ela se descobriu grávida, sozinha e muito pobre, então decide sair de Paris para encontrar um trabalho e esconder o seu deslize. Ainda perto de Paris ela pára em frente a hospedaria dos Thérnardier, em que a mãe brincava com suas filhas rechonchudas, e ela acredita que deixar sua filhas com eles e mandar dinheiro seria o melhor para sua bela Cosette. Ela vai parar na fábrica do senhor Madeleine, e de início consegue mandar o dinheiro corretamente por mais que eles abusassem. Contudo descobrem que ela é mãe solteira, e sem consultar o senhor Madeleine a despedem e ela começa a passar pelos piores momentos possíveis, ela torna-se prostituta, vende seus cabelos e também os seus dentes, é presa, adoece e só pensa em sua filha. Quando Valjean descobre tudo isso é muito tarde para salvá-la mas promete que fará de tudo por sua filha.
Ele a salva da mão dos maldosos Thérnardier, mas precisa se esconder em Paris pois Javert continua em seu encalço. O tempo passa, com os dois escondido em um convento onde Cosette tem a sua educação, depois eles saem e levam uma vida calma, até que Marius aparece na história, um jovem idealista que apesar de ter um avô rico vive na pobreza por causa de seus princípios. Valjean, agora senhor Fauchelevent faz de tudo para que esse amor não aconteça, mudando de casa constantemente. Porém eles dão um jeito de se encontrarem.
Até que explode a revolução em Paris, e Marius junto com seus amigos estão em uma barricada que resiste ao exército firmemente. Marius pede para Gravoche, filho de Thérnardier mas que vive nas ruas, um moleque, que leve uma carta a Cosette, mas quem a recebe é Valjean, que parte para a barricada, lá tem a chance de salvar Javert que fora preso por espionagem, e também Marius que se feriu. Todos os outros morrem pela república. E Jean Valjean foge pelo esgoto carregando um Marius desacordado, quase morto. Na saída do esgoto encontra Thérnardier que rouba o dinheiro e o coloca para fora acreditando que irá colocar esse homem que não reconhece em apuros. Do lado de fora encontra de fato Javert que o ajuda a levar Marius à casa do avô, e depois pede um tempo para ir para casa e se despedir de Cosette. Mas, Javert lhe retribui o favor e o deixa em liberdade, contudo não consegue viver com esse dilema, não obedecer a lei do homem para obedecer a lei divina, e acaba por se jogar no Sena.
Marius tem uma cura lenta, mas está bem provido de seu avô que só quer a sua felicidade e busca por Cosette, que junto com Valjean o visita todos os dias, e a felicidade deles culmina em um casamento, feliz rico pois Valjean desenterra mais de meio milhão que possuía desde quando era senhor Madeleine.

Se o romance acabasse aqui eu seria muito feliz, mas então eu comecei a soluçar! Valjean desde seu encontro com o bispo no meio de 2011 fizera de tudo para ser um homem bom, e após ter cumprido sua promessa a Fantine e cuidado de sua filha, ele acredita que não pode partilhar de sua felicidade, morar em sua casa sem que ao menos Marius saiba da verdade. Então ele vai a Marius e lhe diz que é um antigo forçado e que não era pai de Cosette, porém pede para continuar a vê-la. Marius permite mas depois se arrepende, e cada vez mais o afasta dela. E com isso Valjean vai definhando. Então Thérnardier reaparece e quer tirar dinheiro de Marius para lhe contar o segredo de Valjean, sem saber que esse já havia dito o pior, e acaba por contar o melhor! Desvenda o mistério de seu salvamento na barricada e a origem do dinheiro de Cosette. Muito feliz e arrependido Marius junto com sua mulher corre para pedir perdão e agradecer a Valjean, porém esse já está à beira da morte.
"-Morrer não é nada; horrível é não viver."