sábado, 1 de novembro de 2014

A lentidão - Milan Kundera

Mais um dos livros fininhos do box que eu comprei. Na verdade, acho que os outros três já não são mais finos exatamente...



Quando eu li a sinopse do livro eu não entendi muito bem. Não sabia exatamente o que esperar. Quando eu comecei a lê-lo achei que era um ensaio, eu gosto de ensaios. Ele começa contando de uma viagem de carro, que ele e a sua mulher estavam fazendo pela França em direção a um castelo onde ficariam hospedado. No caminho ele questiona a velocidade do mundo atual, pensando em um livro do século XVIII, em que dois amantes passeiam pelo jardim, como um teatro pensado pela mulher, um adiamento da consumação, necessária para criar a expectativa. A lentidão ligada ao prazer, e a impossibilidade disso na atualidade, em que uma pessoa já não desfruta do tempo, todos estão sempre apressados.
Ele conclui que a velocidade está ligada à memória, "... lembrei a equação bem conhecida de um dos primeiros capítulos do manual da matemática existencial: o grau de velocidade é diretamente proporcional à intensidade do esquecimento. Dessa afirmação podemos deduzir diversos corolários, este, por exemplo: nossa época se entrega ao demônio da velocidade e é por essa razão que se esquece tão facilmente de si mesma. Ou prefiro inverter essa afirmação e dizer: nossa época está obcecada pelo desejo do esquecimento e é para saciar esse desejo que se entrega ao demônio da velocidade...".
Tudo isso me interessa e muito, e se o livro fosse apenas isso eu o teria lido lentamente, pois é assim que eu leio, mas, não tão lentamente.
No entanto, Milan Kundera, além das duas histórias paralelas, a sua viagem e do livro dos amantes, insere outra história, de um grupo de amigos (que no começo eu achei que existiam, agora eu já tenho minhas dúvidas), acho que boêmios, não sei defini-los. Um deles, Potevin, tem uma filosofia sobre "dançarinos", são as pessoas, da atualidade, que gostam de chamar a atenção para si, que fazem da sua vida uma arte... No final, conclui-se que todos que queiram fazer algo grande no mundo hoje tem que ser um dançarino, pois precisa-se da mídia para ter algum valor.
Isso ainda não é ruim. Mas, um desses amigos, vai à um castelo na França para um encontro de entomologistas, e ai para mim desanda. Não gostei, e demorei para conseguir passar por alguns poucos capítulos curtos.
No final, as três histórias se fundem, trata-se do mesmo castelo, e Milan Kundera quando está indo embora vê tanto o cavalheiro do século XVIII quanto seu amigo Vincent.


A Hospedeira - Stephenie Meyer

Talvez eu não seja lá uma pessoa muito prática. Bem, dessa vez eu definitivamente não fui. Há uma ou duas semanas eu estava com preguiça de estudar à tarde, na verdade essa falta de vontade ainda permanece, então eu resolvi assistir algum filme, e estava passando A hospedeira, eu sabia que era um livro não tinha lá tanta certeza quanto à autoria. Mais ou menos na metade do filme minha mãe chegou em casa com o meu sobrinho e, como de costume, eu fui ficar com ele, desencanando do final do filme sem nenhum segundo pensamento... No entanto, antes do final do dia eu já tinha feito as minhas pesquisas, confirmado que foi a autora de Crepúsculo  quem o escreveu, encontrado um ebook seu e começado a ler, mesmo sabendo toda a melação que eu iria encontrar na minha leitura. Nesse quesito eu não fui decepcionada. Mas, para ser sincera teria poupado o meu tempo procurando o filme na internet e terminado de ver o filme.... se você gostou de Crepúsculo, lei esse livro, se você o achou tolerável, assista o filme, se você o achou uma porcaria, passe longe, se você é viciada em leitura e não consegue saber que um filme é livro sem querer lê-lo, então faça o mais rápido possível! A sensação com esse livro é que não valeu o tempo perdido.


O livro poderia de uma forma um tanto deturpada ser considerado de ficção científica. Deixa eu me explicar: o contexto onde essas histórias de amor exageradas se passam é uma terra dominada por alienígenas, denominados almas, que se infiltram em um corpo hospedeiro humano e vivem na terra, pois acreditam que a humanidade era bruta demais e não vivia da forma correta. Essas almas viviam em muitos outros planetas sempre dessa forma parasitária, e a protagonista é uma alma que já viveram em grande parte desses mundos nunca se fixando em um, por não se sentir em casa neles.
Ao chegar na Terra ela é implantada no corpo de Melaine, uma humana recentemente capturada, que junto com seu irmão e namorado (muito mais velho, diferente do retratado no filme) vivem clandestinamente, fugindo e roubando.
Diferente do esperado, Peregrina, nossa alma protagonista, ainda sente a presença de Melaine em seu corpo, não só suas memórias. Assim, ao invés de fazer aquilo que deveria, mostrar aos Buscadores (espécie de polícia) onde os outros estavam, Peregrina passa a amar a família de Mel, e elas se tornam amigas, fugindo para o deserto na tentativa de encontrá-los junto com o tio de Mel, meio louco, que previra a invasão.
Depois de muito andarem no deserto elas enfim são capturadas. E levadas para o abrigo nas cavernas. onde Jaime, o irmão; Jared, o namorado; Jeb, o tio e muitos outros humanos estão escondidos. No começo ela é agredida e mal tratada, apenas recebendo a defesa de Jeb e Jaime. Porém, com o tempo ela é aceita, e até mesmo faz amizades, e um dos humanos bonitões se apaixona por ela, alma não corpo... (esse é o Ian)
O dilema era pra ser grande, se não fosse previsível o final. Mel sente-se extremamente atraída por Jared e isso interfere nas ações de Peg, que acaba por se apaixonar por Ian. Como é que uma poderia forçar a outra a viver com um outro homem, além do ciúmes... Meio bizarro.
No entanto, as almas são boas, altruístas e pacíficas. Assim, quando Peg percebe que ela pode deixar o corpo de volta para Mel, ela decide que ela vai morrer...
Eu não vou contar o final. Mas sinceramente... é Stephenie Meyer. O final feliz do amor perfeito bizarro é com ela mesma! Nada de surpresas.
Mas, apesar dessa crítica eu devo dizer que até o ponto que eu assisti do filme ele não era tão ridículo quanto os da saga Crepúsculo...

domingo, 12 de outubro de 2014

A identidade - Milan Kundera

Esses dias teve promoção do Submarino. Promoção de qualquer tipo já me enche os olhos, de livro então, só fica melhor se for um box: presente de dia das crianças adiantado!! Meu pai me deu um box com 5 livros do Milan Kundera. Ficaram alguns dias na prateleira me olhando e implorando pra serem lidos. Não resisti, mas pra não comprometer as outras leituras eu peguei o menor de todos - A identidade.


O livro conta a história de um casal, não tão jovem assim, que passa por uma crise a partir do momento em que a mulher, Chantal, se dá conta de que os homens já não olham mais para ela. Seu parceiro, Jean-Marc - na tentativa de fazê-la se sentir bonita resolve escrever uma carta se passando por um admirador secreto, no entanto ao perceber a reação de Chantal continua lhe escrevendo. Chantal por sua vez, não suspeita de início que seu admirador é Jean-Marc, e mesmo não dando tanto valor ao fato ocorrido, acaba escondendo a carta e seu conteúdo. Mas, ainda assim não consegue deixar de agir de forma a agradar esse desconhecido.
Tudo desanda, quando Chantal descobre que Jean-Marc descobriu a existência das cartas e não falou com ela sobre isso. É então que ela suspeita dele, e deixa a entender que sabe o que ele fez, assim Jean-Marc também começa a criar suas suspeitas, sobre o que seria uma brincadeira inocente se tornar o fim do seu relacionamento perfeito. As suas dúvidas não giram em torno de uma possível traição de Chantal, mas sim um questionamento quanto a sua personalidade. Pois ele a adorava, e achava especial o fato de ela conseguir ter duas caras, uma que ela usa em um emprego que ela apenas suportava por causa do salário, e a outra que era só dele, a verdadeira Chantal. Só que agora ele já não tinha mais tanta certeza qual era a real.
Nesse momento do livro, muitos fatos estranhos já ocorreram, e apesar da sua incongruência, continuamos a ler na espera de um final fantástico. No entanto, com a crise do relacionamento deflagrada esses fatos estranhos ficam ainda mais estranhos e mais recorrentes. Até que eles acordam de um sonho.
Sim!! É isso mesmo era um sonho! Recurso utilizado por adolescentes em aula de redação, criam uma história tão absurda que não sabem como acabar, e então dizem: foi tudo um sonho. Mas é claro que Milan Kundera não faria isso, ou pelo menos não faria de uma maneira tão crua. Ao admitir que foi um sonho ele coloca muitos questionamentos. De quem fora o sonho? A partir de que momento o sonho começou? O único fato que parece ser concreto é que ela realmente um dia constatou que os homens já não olhavam para ela, e comunicou  isso a Jean-Marc.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Se eu ficar - Gayle Forman

Minha mãe voltou de viagem faz um tempo e declarou que queria ir ao cinema. Eu sinceramente sou contra ir ao cinema de final de semana, principalmente domingos. Gosto de ir durante a semana, de preferência à tarde, até mesmo na hora do almoço. A coisa é pegar a sala vazia. Tenho pavor de sala de cinema cheia. Convencendo minha mãe quanto a data e o local, faltava escolher o filme. Cinema é muito caro e passa muita porcaria. Ainda não fomos ao cinema, mas já decidi! Quero assistir Garota Exemplar. De qualquer forma, quando minha mãe sugeriu o cinema, eu queria assistir Se eu ficar. O trailer desse filme passava a cada dois segundos. Eu realmente gosto de um drama, mas desde o dia da estréia nenhum dos cinemas que eu costumo ir o colocaram em cartaz. Foi então que eu descobri que o filme era baseado no livro. Quem não tem cão caça com gato.... e eu sempre amei gatos!

O livro começa com uma cena familiar muito reconfortante. O pai um ex-rebelde, ex-roqueiro agora professor, a mãe uma ex groupie que agora trabalha em uma agência de viagens, um menino fofo de uns oito anos de idade, e a nossa protagonista, uma adolescente, no último ano do colegial, que se candidata para a Julliard, sendo uma excelente violoncelista.  Todos estão na cozinha tomando café da manhã, quando por causa de muita pouca neve é anunciado que as escolas não irão funcionar. Diante desta perspectiva os pais decidem também faltar nos seus empregos e fazerem um passeio em família. No entanto, esse passeio acaba em desastre. Os pais morrem na hora, e os filhos são levados para hospitais diferentes.
Mia, a violoncelista. Depois do acidente acorda, levanta-se e circula em meio a destruição, até encontrar o próprio corpo. Ela não sabe se está morta ou não. Até que a ambulância chega e a leva para um hospital, onde passa por uma série de cirurgias e fica em coma na UTI, enquanto seu eu extra-corpóreo vê tudo, sem saber o que fazer. Até o momento em que seus avós estão com ela e uma enfermeira os informa de que ficar é uma decisão dela.
Em um curto espaço de tempo Mia passeia pelo hospital e pelas suas lembranças do passado, tentando decidir entre ficar e encarar uma vida completamente diferente daquela que ela conhecia até então, ou ir embora, para o desconhecido, com a esperança de se encontrar com a sua família.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

É agora... ou nunca - Marian Keyes

Eu pretendia ler a Ilíada, mas me deu uma vontade louca de comédia romântica na semana passada. Devo ter assistido no mínimo umas quatro, ai na hora de ler o jeito foi parar no segundo canto, e escolher entre a Marian Keyes e o Nicholas Sparks, sou mais ela, os finais tendem a ser feliz, enquanto que ele tem o costume de sempre colocar alguém doente em uma cidade litorânea e fazer todo mundo chorar. E por incrível que pareça não é que É agora... ou nunca tinha um personagem doente também, e eu chorei de qualquer jeito....


O livro gira entorno da vida de três amigos de infância nos seus trinta e poucos anos. Tara, Katherine e Fintan. Os três nasceram em uma cidadezinha no interior da Irlanda, e com vinte anos resolveram se mudar para Londres. Tara fora a menina mais bonita na sua adolescência sempre namorando. O namorado da vez é Thomas um machista chato que fica constantemente ofendendo as pessoas com a sua sinceridade. Katherine é a mocinha toda certinha com um apartamento todo arrumado, roupas sérias e um emprego seguro, e que tem um bloqueio com homens por causa do seu primeiro namorado, história que só é contada no final, mas que dita todo o seu comportamento. Fintan é um homem bonitão, todo estiloso, trabalha com moda, e já encontrou o amor da sua vida um arquiteto italiano chamado Sandro, no entanto descobre que está com câncer e tem que se submeter a quimioterapia, vendo sua vida perfeita desmoronar. Eles ainda tem uma amiga chamada Liv, uma sueca, que por um tempo morou com Tara e Katherine, uma moça um tanto quanto complicada, como ela mesma diz mais para o final do livro ela não nasceu para ser feliz, mesmo naquele momento tendo tudo que poderia querer.
Existem ainda outros personagens que tem o seu papel na história, que no começo parecem meio deslocados, mas que no final se juntam fazendo com que Londres pareça um ovo.
A ação em si do livro começa quando Fintan fica doente e com a perspectiva de morrer jovem começa a perceber que suas melhores amigas estão desperdiçando suas vidas, Tara com um homem grosseiro só porque tinha medo de ficar sozinha, e Katherine sozinha por medo de ser rejeitada. Assim ele faz com que Tara prometa largar o Thomas, ou ao menos pedir para que ele se casar com ela, e que Katherine dê em cima de Joe Roth, um homem de seu trabalho que já a convidara para sair, mas que ela rechaçara para se proteger, mas por quem sentia forte atração. Todos eles estavam no sufoco do Agora ou Nunca. Precisavam dar um rumo para sua vida.
De início as duas se recusam a cumprir o que foi prometido, achando que não havia sentido no que dizia respeito a si mesma, apesar de concordarem quando se tratava da outra. A primeira a fazer algo foi Katherine que logo se viu envolvida em um relacionamento perfeito que no entanto sofre um grande abalo no final, mas tudo fica bem pois é Marian Keyes e não Nicholas Sparks. Tara é mais resistente, e prefere ficar em um relacionamento ruim a ficar sozinha, até que Fintan a liberta de sua promessa, então ao invés de se sentir aliviada ela percebe que terminar é a melhor opção, e apesar de todo o seu sofrimento e o medo terrível de não ter mais tempo de encontrar alguém, ela acaba muito bem sozinha, um tanto inclinada por alguém que você, leitor, torce pra ela ficar desde o começo.

No fim todos têm aquilo que merecem. A felicidade não parece assim tão difícil se você corre atrás dela. Uma leitura fácil, dinâmica e envolvente. Era exatamente do que eu precisava.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

As crônicas de gelo e fogo - A dança dos Dragões - George R. R. Martin

Uma das melhores coisas de ter cursado Estudos Literários é que quando você conhece alguém, e ele te pergunta o que você faz, ou no que é formada, ele logo entende que você realmente gosta de literatura, e deve ler constantemente, assim há uma chance de 90% de ele, ou ela, te indicar um livro, o seu favorito, contar qual foi o último que leu, ou falar sobre que tipo de livros que gosta. Com isso, eu acabo sempre com uma lista ainda maior de livros para ler antes de morrer, e fico sabendo um pouco mais sobre a pessoa... é como quando você tem acesso a playlist de alguém, tanto um gosto musical quanto um gosto literário podem falar muito sobre você.
Assumo que muitas vezes que me falam o livro eu me esqueço, eu preciso anotar, e colocar na lista. Sério a lista dos livros para ler antes de morrer existe!
Em 2012, me indicaram As crônicas de gelo e fogo. Segundo ele se eu gostava de Senhor dos Anéis eu deveria ler esses livros gigantes, pois tinha toda a aventura de um mundo  detalhadamente inventado e além disso um fator mais intelectual, na minha opinião adulto e brutal. Lembro que na época eu tinha que ler Otelo para a faculdade, e as primeiras páginas de A guerra dos tronos me pareceram insuportáveis, mas eu ia dar uma chance, ele tinha sido muito insistente quanto à qualidade dos livros. Otelo fluiu que foi uma beleza! Mas que os elogios sejam dados, os livros te cativas, não os considero ótimos, mas Martin cria uma trama tão complexa com tantas reviravoltas e mortes de personagens que você considerava essenciais, que da metade pro final no primeiro livro você quer levá-lo consigo para todo lugar, algo impraticável, dado seu tamanho. O segundo livro tem a mesma característica. Mas, a partir do terceiro, eu pelo menos, já tinha uma relação íntima com os personagens e ler era como bater um papo.


Se me perguntarem o maior problema desses livros eu respondo sem pestanejar: a porcaria do autor planejou escrever 7 livros e até agora só publicou 5. Sério, e se o brother morrer? Todo mundo que leu, ou lê, os livros faz esse questionamento. Aqueles que só assistem a série respondem que ele cotou o final pros roteiristas ou produtores, não lembro. Mas o fato é que eu não faço ideia de como vai terminar e eu ainda vou ter que esperar muito pra saber, podendo nunca vir a saber. Isso é horrível, e quase me fez não ler esse último livro publicado. E já nem sei se me arrependi. Agora o jeito é esperar!

Propositalmente não vou descrever nem uma linha do livro. Primeiro odeio spoilers, e tanta reviravolta desde o primeiro que falando algo banal desse volume posso estar estragando o início da leitura de alguém. Além disso a história é muito complexa, e eu só me arriscaria a fazer um resumo se eu tivesse feito isso desde o primeiro....

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A minha volta e as minhas desculpas: Lolita - Vladimir Nabokov



Não me lembro o ano exato em que meu pai me deu Lolita, definitivamente eu já estava começando a minha coleção de livros, e como ele ganhara da assinatura do jornal um exemplar dos clássicos da literatura, ele me deu. Não li logo de cara, me incomoda até hoje a sua capa, o papel que escorrega e amassa, e a verdadeira capa dura sem nada escrito, de um azul calcinha... Alguns anos depois decidi ler, interessante... mas não me pareceu interessante o suficiente para terminar, ficou anos na prateleira, com a página marcada esperando pela sua segunda chance. Um dia eu o abri, tirei o marcador laranja de borracha lá pela página 100 quando Humbert Humbert lê o nome de Lolita entre os dos seus coleguinhas de sala e me instiguei a começar tudo de novo e dessa vez terminar. Processo muito fácil, se você se dedica a essa leitura, se dá uma chance de entrar na mente do narrador, seguir seus pensamentos e quase considerá-lo inocente! Quase atrasei a minha viagem de ano novo para conseguir terminar, li durante o natal descaradamente... hoje o considero um dos melhores livros já lidos.


Há alguns meses recebi comentários no blog, coisa inédita. As mensagens ainda não foram respondidas e isso ficou me atormentando, todo esse tempo. Mas, verdade seja dita, eu preciso de rotina! Consegui durante mais de um ano escrever um pequeno comentário sobre todos os livros que eu lia. Mas quando chegou um fim de ano mais animado, no entanto repleto de leituras, sem tempo para escrever provavelmente sobre cinco livros, quase um mês depois de lidos, eu desanimei. Desisti. Aceitei que não teria mais um guia de todas as minhas leituras, se minha memória falhasse, o que infelizmente muito ocasionalmente ocorre, eu teria que reler o livro... tudo bem, eu sei que isso não é um sacrifício.
Contudo, eu voltei. Voltei para me organizar. Voltei para colocar também o blog dentro da minha rotina. Voltei para responder aquelas mensagens. Fica voltando na minha cabeça uma recomendação feita que eu não li...
Então, um básico resumo do que foi lido desde o dia 25 de dezembro quando eu terminei o inestimável Lolita. Não em ordem, que ai já fica mais difícil.

A triologia dos Jogos Vorazes - Suzzane Collins - Eu peguei esses emprestados com o meu primo durante o natal. Ele e meus outros primos falaram muito bem, disseram que não era exatamente como no filme, tinha um sentido por trás. E eu resolvi ler, ler nunca faz mal. Do primeiro eu gostei, o segundo também, nada de mais para nenhum dos dois, mas não fora tempo perdido. Já o terceiro, eu não sei, comprova a minha teoria, que poucos são aqueles que conseguem terminar, bem terminado, uma série de livros. Achei o último uma porcaria.
Terminei também Cidadela - Antoine de Saint-Exupéry - livro que eu comecei a ler por causa de sua referência em um dos textos para a minha monografia, terminada e apresentada muito antes de chegar ao meio. Sobre o livro eu não sei o que dizer. Acredito que talvez eu não tenha maturidade o suficiente para lê-lo e compreendê-lo. A cada dez páginas eu tinha que fazer uma parada para conseguir entender o que eu tinha lido, tentar filosofar e criar meu próprio ponto de vista... hoje, meses depois de ler, fico com a impressão de que eu não concordava muito com o que estava lá.
Outro livro que eu descobri quando estava pesquisando para a monografia foi Nós - Evgueny Zamiatin - uma distopia muito interessante, cujos personagens não possuem nomes mas códigos, como o narrador D-503, que sofre de uma doença, a paixão, e por causa de I-330, acaba se envolvendo com os revolucionários que querem escapar do Benfeitor e ir para o outro lado do muro.
Falando em muro, estou já do meio para o final do último dos livros das Crônicas de Gelo e Fogo - George R. R. Martin, publicado A dança dos dragões. Desesperada como qualquer leitor dele de que ele morra antes de publicar os outros dois. Tentei assistir a série, fui até o final da primeira temporada, não me cativou!
Li, para não perder o costume, e para matar a saudade Orgulho e Preconceito - Jane Austen. Para me manter romântica comecei também Emma, mas ainda não terminei, estou lendo por e-book e isso cansa. Como eu já o li uma vez antes em inglês, já vi o filme com a Gwyneth Paltrow e umas outras versões, assumo que estou deixando ele para depois.
Li também como e-book A culpa é das estrelas - John Green, li em menos de um dia, e logo em seguida fui ao cinema. Morri de chorar no livro, derrubei poucas lágrimas no filme. É aquele romance meloso que toda garota precisa de vez em quando, o suficiente pelos próximos dois anos. Reli, acho que meu livro infantil, lido apenas aos 24 anos de idade, favorito de novo O Castelo Animado - Diana Wynne Jones, e também mais um da coleção dos Mundos de Crestomanci, A semana dos Bruxos, que infelizmente nem é tão bom quanto os outros quatro que eu já li dela, mas fazer o que ninguém é perfeito, nem mesmo Diana Wynne Jones! Resolvi dar uma relaxada com os livros sempre divertidos de Marian Keyes - Casório?! O livro vei tão cheio de erros ortográficos e a narradora era tão estupida, se arrastando por um cara que ela mesma descrevia como o maior babaca do mundo, que eu fiquei mais triste do que feliz, de novo um ruim depois de três muito engraçados. Li também o fantástico e recomendadíssimo Grandes Esperanças - Charles Dickens, a história de Pip que quando criança após ajudar um fugitivo nos pântanos, e passar a visitar a casa de miss Havisham, adquire grandes esperanças ao herdar uma fortuna anônima. Comecei também, mas ainda não tive tempo de terminar Ana Karenina - Tolstói. Comecei a lê-lo no mesmo dia em que assisti o filme com a Keira Knightley, parabéns Joe Wright! A cena no filme do baile em Moscou, enquanto Ana Karenina dança com Vronski, sem ela a cena no livro seria simples demais, sem metade da emoção. Estou amando o livro, uma pena que esteja em e-book.
Finalmente, depois de mais de um ano, talvez até dois, eu terminei A montanha mágica - Thomas Mann, o livro é bom, o final especialmente, no entanto é muito filosófico, e assim como Cidadela, não me permitia avançar muito por vez. É um livro muito longo e por vezes muito cansativo, no entanto aos corajosos eu recomendo, me sinto mais completa, ou inteligente, não sei a palavra ao certo para isso... bom, mas pouco provável que seja relido.
Talvez um dos melhores lidos até agora seja Peter e Wendy - J. M. Barrie, a versão em romance da esterna história de Peter Pan. A primeira coisa a dizer sobre esse livro é que eu gostaria que todos os meus amigos lessem para discutir comigo. Eu sempre tive a impressão que eu sofria gravemente da síndrome de Peter Pan, medo de crescer e ter que me encaixar na sociedade... no entanto esse Peter não é como o da Disney, ele é muito mais complexo, as coisas que acontecem na ilha são muito mais fortes. Eu gostaria de um amigo para conversar.
Em um dia que eu tirei para mim, e só para mim, eu fui almoçar no shopping, ao cinema, comi um brownie delicioso e comprei O rei de amarelo - Robert W. Chamber, um livro de contos, os primeiros fantásticos, os últimos não. Adorei. Não tinha como não gostar. Os meus contos favoritos foram o Emblema Amarelo e A Demoiselle d'Ys, mas pelo que eu lembre todos foram bons, fantásticos, por assim dizer.
Tive também uma vontade repentina de reler Harry Potter, li os três primeiros, chegando no começo do quarto, eu resolvi ler livros inéditos, o guardei na prateleira, e quando a vontade surgir de novo eu começo pelo Cálice de Ouro, mas sem nunca chegar no infeliz As relíquias da morte.
E por último, mas na verdade eu li em janeiro, muito provavelmente O dia de um escrutinador - Italo Calvino. Colocado aqui como o último que eu consegui lembrar, e o último que eu estou disposta a listar. Não deveria ter lido tanto, que eu já teria terminado, e estaria estudando agora... mas fazer o que ler é o modo mais barato de viajar, como andam dizendo por ai!
Um pouco menos de 20 livros em um pouco menos de nove meses. Logo mais eu estou de volta.