quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Senhor dos Anéis, O retorno do rei - J.R.R.Tolkien

Esses dias não estão bons. Parece que se eu for começar a reclamar e a pensar o desespero vai tomar conta, então não será mais uma procrastinação, mas uma incapacidade de me concentrar. Eu estava naquela festa, só não vi por causa de um macacão, e agora eu começo a filosofar sobre o mundo, e ele não me parece melhor, nem capaz de melhorar. E dado essa descrença no mundo acreditei que a primeira coisa que eu deveria fazer era alguma coisa de que eu realmente gostasse, que me daria satisfação, desocuparia minha cabeça e ainda por cima fosse capaz de me levar para um outro mundo. Assim acabei o último livro da triologia, sem deixar de chorar. E já na expectativa de muitas outras leituras por prazer, que infelizmente só serão iniciadas no final do ano.
Desabafo feito... vamos ao parto de resumir minha história favorita no mundo.



Se no segundo livro os personagens começam a se separar, e o narrador precisa contar o que se passa em diferentes partes da Terra Média, em O retorno do rei tudo se complica. Depois de Pippin ter olhando dentro do palantir, e de os nazgûl terem atravessado a fronteira, Gandalf parte imediatamente para Gondor, onde é melhor recebido do que em Edoras, porém o interesse está no hobbit que o regente Denethor, que já sabe da morte seu filho Boromir e de que ele estava presente. Depois de uma conversa cansativa, por algum senso de honra Pippin resolve oferecer os seus serviços a Denethor, que o toma para sua guarda (é ele quem passará a servi-lo). Gandalf tem seus assuntos importantes a tratar e Pippin seus novos deveres, ele conhece um guarda, Beregond, que o envia a seu filho, uma criança com quem Pippin vê a chegada dos exércitos aliados, que não são muitos...
Os outros companheiros permanecem com os cavaleiros de Rohan, até que chegam os dúnedain do norte e os filhos de Erond que Aragorn desejara que estivessem lá (e fica subentendido que foi Galadriel quem os convocara), que trazem uma mensagem, que Aragorn lembre-se das Sendas dos Mortos. O que faz com que Aragorn, Legolas, Gimli e os recém-chegados partam para um caminho sombrio mas mais direto para Gondor, passando sob uma montanha amaldiçoada, em que fantasmas de guerreiros passados esperavam pelo rei para poderem enfim descansar em paz.
Deixando Merry para trás. Sozinho e sendo muito pequeno, por mais que ele também oferecera seus serviços ao rei, ele quase fica em Edoras enquanto seus amigos estão defendendo a Terra Média, mas ele é acolhido por um misterioso cavaleiro que diz não se importar com carregá-lo.
Volta-se para Gondor, a cidade é cercada. Denethor acusa Faramir da morte de Boromir, com isso o filho mais honrado sai enraivecido para a guerra e só volta ferido mortalmente. Não há todas aquelas cenas de guerra que cansam no filme. Há uma descrição do desespero das casa sendo queimadas, dos orcs devolvendo as cabelas decapitadas dos guerreiros. E quando toda esperança acabara, os ventos mudam e a escuridão começa a ceder. E nós voltamos aos rohirrim, que cavalgam o melhor que podem na direção de Gondor, passando por uma floresta em que os selvagens que não querem participar da guerra, também não gostam dos orcs e os ajudam a escolher o melhor caminho para atacar o exercito de Mordor. Chegam na hora exata, atacam com um gosto pelo sangue e pela vitória que cegam o seu rei que morre. Quando o chefe dos nazgûl vai dar o golpe final o misterioso cavaleiro que não é ninguém mais ninguém menos de Éowyn o ataca, e o destrói, porém ferindo-a gravemente, Merry em sua defesa também se machuca. Nessa hora de pesar, chega um navio inimigo na costa, mas cheio de amigos, Aragorn fora bem sucedido em sua empreitada e chegava para ajudar. Nesse meio tempo na cidadela Denethor se desespera, e ao ver sua cidade em chamas e seu único filho consumido por uma febre incessante decide queimar-se junto com seu filho, e a tragédia só não é completa porque Pippin corre em busca de ajuda, Beregond e Gandalf conseguem salvar Faramir.
A batalha está ganha. Os feridos são levados às casas de cura. Aragorn com suas mãos reais que curam presta auxílio e depois sai da cidade e junto com os demais capitães pensam no próximo passo. Por Faramir eles souberam que Frodo estava muito perto de seu objetivo, então o que eles tinham que fazer era tirar a atenção de Sauron das suas próprias terras. Juntam um exército e vão bater nos portões de Mordor. Onde para seus desesperos um servo de Sauron mostra os pertences de Frodo. Gandalf recusa-se a se entregar, e começa uma batalha, que estavam para perder, quando ele avista as águias.
E então começa o último livro do último livro. Com Sam entrando em Mordor, na torre de guarda infestada de orcs mortos, por uma discussão quanto ao que fazer com Frodo. Com um pouco de astúcia e de sorte ele consegue encontrar seu mestre, que já está acordado e consciente. Mas nu, com isso Sam procura roupas de orcs para eles se camuflarem. Então partem para a sua última jornada, sem comida o suficiente para o caminho de volta. Quase são descobertos mais de uma vez. Porém, o plano traçado em Gondor de fato os ajuda, as terras ficam mais vazias.
Quanto mais perto eles chegam da montanha da perdição, mais pesado fica o fardo, e aos poucos Frodo já não tem mais força para continuar, e Sam o salva mais uma vez, carregando-o nas costas, durante parte da subida. Quando chegam a estrada que os levaria diretamente a entrada da montanha Gollum reaparece. Frodo corre para as forjas enquanto Sam luta com ele, é a vez de Sam sentir dó e deixar que a criatura vá embora. Mas ela não vai, o segue, entra com ele, mas diferente de Sam que nada vê já que Frodo colocou o anel, Gollum é atraído e tenta recuperá-lo a força, e dentadas. Leva consigo um dedo, mas tropeça e cai na lava da montanha destruindo o anel. Com a destruição tudo que foi feito por ele começa a ruir, incluindo Mordor. Tudo parece acabado para os dois hobbits, que juntos deitam esperando pela morte, mas são salvos pelas águias guiadas por Gandalf.
Sam acorda, Frodo já está bem. Todos estão bem, e enfim juntos. Depois de um tempo dirigem-se para Gondor, onde Aragorn é coroado rei, por Frodo, que recebe todas as honrarias possíveis. Apenas depois do casamento de Aragorn com Arwen, e ainda mais um tempo que os viajantes decidem voltar para casa. Vão em um grupo gigante que se separa aos poucos. Passam por Edoras, onde o casamento de Faramir e Éowyn é anunciado, por Isengard onde vêm o trabalho dos ents, descobrem a partida de Saruman, e Legolas e Gimli se separam do resto da comitiva para viajar por Fagorn, e Aragorn volta para casa. O restante continua seu caminho, alguns elfos vão para Lorien, enquanto o restante se dirige para Valfenda, para onde os hobbits e Galdalf vão para encontrar Bilbo. Lá eles ficam mais um bom tempo, quando sentem a necessidade de voltar para casa. Gandalf continua os acompanhando. Passam por Bri onde descobrem que as coisas não vão tão bem. De lá Gandalf se separa deles para visitar Tom Bombadil, e avisa os hobbits que encontrarão problemas em casa, mas que sabe que agora eles são capazes de resolver tudo sozinhos.
Chegando ao Condado tudo está mudado, e os hobbits mais parecem escravos. Mas (como todo bom leitor cansado agradece), tudo é resolvido rapidamente, com muita noção de guerra de Merry e Pippin que ficam com toda a fama. Sam também se dá bem, casa-se com Rosinha, usa o presente de Galadriel tornando o Condado ainda mais belo. Só Frodo está triste, e quando chega a hora ele parte para os portos cinzentos na companhia de Sam, para lá encontrar Bilbo, Erond, Galadriel e Gandalf, todos vão embarcar...

E ai sim você vê alguém que sabe acabar um livro! Me desculpem, mas a J.K. Rowling só quis ganhar dinheiro com aquele final idiota de Harry Potter. Onde já se viu ele sobreviver? É claro que com ele vivo, e dali 15 anos com uma família é possível contar as histórias de seus filhos em Hogwarts por mais que um não podia viver sem o outro.
Frodo ao contrário destrói o anel como lhe mandaram, por mais que com isso muitas coisas fossem destruídas. E que ele próprio já não poderia mais viver da mesma forma.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

As relações perigosas - Choderlos de Laclos

Mais um da matéria sobre a paixão na literatura, mais um libertino e o primeiro romance epistolar de toda a minha vida.
É interessante pensar que é um gênero que de fato acabou, e que na verdade para grande parte das pessoas se você falar em epístola nada vai significar, e ainda mais que provavelmente daqui alguns anos nem mesmo com a "tradução" para carta, as crianças continuarão a não entender. Carta hoje em dia só conta e propaganda, ninguém mais espera uma carta. A última carta que eu recebi foi do vestibular da USP, eu tinha prestado arquitetura, eram 150 vagas e naquela carta dizia que eu estava em 154... a lista não rodou nem isso. Fiquei com a Unicamp mesmo, o que no final não fez diferença porque eu também desisti do curso... mas parando de divagar.. voltemos ao Laclos.

Como eu tentei dizer, mas acabei me perdendo, As relações perigosas é um romance composto por cartas, que foram trocadas na França do século XVIII entre 3 de agosto de 17** e 14 de janeiro de 17**, entre diversos personagens da aristocracia. Entre eles a jovem Cécile Volanges e sua mãe a Senhora de Volanges, uma parente distante a Marquesa de Merteuil, o Visconde de Valmont, e sua tia a Senhora de Rosemonde, a Cavaleiro Danceny e a Presidenta de Tourvel. Praticamente todos se conhecem, ou vem a se conhecer nesse curto período e trocam cartas entre si, e é a partir dessa intromissão na vida particular dos personagens que nós encontramos o enredo, e principalmente as intenções de cada um.
Cécile Volanges é uma colegial que acabou de voltar do convento para a casa da mãe que a pretende casa com um tal de Gercourt, que em tempos passados fora amante da Marquesa de Merteuil e que a trocara pela amante do Visconde de Valmont, os dois grandes libertinos e vilões do romance. Com isso a Marquesa decide se vingar usando a menina que é completamente inexperiente na sociedade. Sua intenção é se utilizar do Visconde para seduzir Cécile, e que depois de casada seria exposta ao público e Gercourt iria ser humilhado. Porém, de início Valmont se recusa a ajudar sua antiga amante (sim! eles tiveram um relacionamento no passado, mas terminaram como bons amigos e trocam cartas sinceras) pois está envolvido em um projeto, que é o de conquistar a presidenta de Tourvel mulher pudica cujo marido está ausente, e por isso se hospeda na casa da tia de Valmont.
A Marquesa não desiste de suas intenções, como ótima atriz, ela aparenta para toda a sociedade as melhores virtudes, enquanto na verdade é completamente corrompida. Assim ela tem a confiança da Senhora de Volanges, que lhe apresenta a filha, que logo vê nela a melhor amiga, contando-lhe tudo. Nesse meio tempo o a menina se apaixona pelo cavaleiro Danceny, e ele por ela, e quando este lhe envia uma carta, que ela segundo o decoro não deveria responder, a Marquesa consegue através de uma argumentação que Cécile queria ouvir, convencê-la de declarar o seu amor e manter correspondência (cheia de amores eternos).
Enquanto isso Valmont não está conseguindo muita coisa, pois por mais que a presidenta de Tourvel esteja sim se apaixonando por ele, mesmo sabendo da sua fama (não é tão bom ator quanto a Marquesa) que lhe é claramente apresentada pela Senhora de Volanges (muito sua amiga), ela consegue afastá-lo. Ele volta a Paris, disposto a ajudar a Marquesa pois agora a vingança também é dele, contra a mãe de Cécile que o atrapalhou (aparentemente ele realmente estava amando a presidenta). Mas com a ajuda da Marquesa (ardilosa!) a Senhora de Volanges descobre a correspondência de sua filha e o cavaleiro Danceny, e o proíbe de voltar a sua casa, e logo depois resolve se hospedar na casa do campo da senhora de Rosemonde.
Segundo os planos da Marquesa, para lá também deveria voltar Valmont, que encontraria uma forma de fazer com que Danceny entrasse no quarto de Cécile às escondidas. Mas tudo muda. Valmont resolve por si mesmo seduzir Cécile, através de Danceny convence a menina de lhe entregar a chave de seu quarto, entra numa noite e quando ela pensa em chamar por ajuda ele diz que só seria ruim para ela aquilo, o que era verdade, e depois meio a força. meio cedido ele a possui. No começo fica muito mal, e não quer mais saber de Valmont e só de seu cavaleiro, mas a Marquesa, já a par de tudo que acontecera, e bem querendo ter Danceny para ela mesma, e já com bastante ciúmes do visconde, consegue convencer a estúpida de que é normal aquilo que aconteceu, que muito provavelmente ela irá se casar com o horrível Gercourt e que ter Danceny por amante depois seria mais fácil sem a vigilância da mãe, então por que não aproveitar Valmont para aprender algumas coisas...
Nesse meio tempo, a presidenta já não conseguindo segurar o seu amor, volta para Paris. Mas Valmont a segue e consegue o que quer, como quer.. e se vangloria para a Marquesa que fica muito irritada. Valmont ainda a quer de volta, talvez mais para não perder a sua fama, ou algum tipo de orgulho, pois tudo estava muito bem com a presidenta de Tourvel para quem a felicidade era fazê-lo feliz, e por isso acaba fazendo por perdê-la (não sem antes ter que ajudar Cécile a abortar!) enviando uma carta escrita pela marquesa.
A presidenta então enlouquece, se refugia em um convento, onde fica sob os cuidados da Senhora de Volanges. Valmont, que então já estava em guerra com a Marquesa, faz com que Danceny vá ao encontro de Cécile em detrimento da Marquesa, que estava com ele. A Marquesa retruca mostrando a Danceny as cartas em que Valmont contava o seu sucesso com a menina, assim ele desafia Valmont em um duelo, o qual vence, mas antes de morrer o visconde lhe entrega todas as suas cartas, que mostram o verdadeiro caráter da Marquesa. Ao saber da morte de Valmont a presidenta também morre, já Cécile foge para um convento para de lá não mais sair.
Danceny correndo o risco de ser preso, pois a Senhora de Rosemonde quer sua vingança, decide, depois de publicar duas cartas, enviar todas as outras para a tia de Valmont, que ao saber de toda a história resolve por deixá-lo em paz, mas não sem antes pedir as cartas de Cácile que ele possuía. Depois de entregá-las também ele se exila, em Malta. Já a Marquesa, primeiramente ela é vaiada na sociedade, depois ela contrai varíola que a deforma ("dizia-me ontem, a respeito dela, que a doença a virara do avesso, e que agora tinha a alma no rosto."), e ainda perde um processo, e para não ficar pobre, junta todo o seu diamante e dinheiro e foge da França.

É uma leitura difícil nos dias atuais, principalmente pelo vocabulário, pois eles fazem questão de tudo dizer na segunda pessoa do plural. Mas ao mesmo tempo é interessante a leitura de vários pontos de vista, um enredo que se dá a partir de vários narradores (tal qual as Cronicas de gelo e fogo, o A canção de Troia). Também achei a trama muito bem feita, e me animei para assistir ao filme!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Manon Lescaut - Abade de Prévost


 Manon Lescaut é um romance de leitura fácil, fluída. Contudo um tanto sem graça. Não tive dificuldades em terminá-lo a não ser a força de vontade que resistia antes de dormir, e muitas vezes me levou a dormir antes das 23h, usando o sono como desculpa para não ler. Mas afinal, eu o terminei, assim o fiz pela matéria, pela impossibilidade de deixar um livro inacabado...

O livro começa com uma narrativa em primeira pessoa de um senho rico que ao chegar em uma cidadezinha vê um alvoroço em uma estalagem, e ele fica sabendo que lá chegara prostitutas que estavam sendo levadas para o porto, pois seriam levadas para a América. Esse senhor repara então que além das moças e dos seus guardas há também um jovem miserável que fica lá perto. Ele dá um jeito de saber quem ele era, a sua história, o porque de estar seguindo aquele grupo. O jovem é o cavalheiro Des Grieux que era completamente apaixonado pela mais belas das mulheres que ali estava, e por ela se perdera na vida e estava desposto a segui-la até a América, essa jovem é Manon Lescaut. O senhor se compadece de Des Grieux e lhe oferece dinheiro além de conversar com os guardas para que ele não fosse maltratado.
Dois anos se passam e esse senhor reconhece na rua Des Grieux ainda mais abatido, e o convida para se sentar, comer e contar a sua história. Assim começa a narrativa do romance entre Des Grieux e Manon (também em primeira pessoa, e sem nenhum capítulo!).
Des Grieux assim que terminou seus estudos e estava para retornar a casa do pai, de onde depois sairia para entrar em uma ordem (era o filho mais novo), viu Manon chegar a uma estalagem e deu um jeito de conhecê-la e logo se enamorou profunda e inalteradamente por ela. Ela por sua vez estava sendo levada para um convento, pois sua família, que não era muito rica, já sabia de sua devassidão. Des Grieux cego de paixão e contra tudo que ele aprendera até então decide ajudar a menina a fugir (sério eles tinham uns 15 ou 16 anos!), enganando o seu melhor amigo. Fogem e passam a viver juntos sem se casarem em Paris com o dinheiro que cada um possuía dos pais.
O dinheiro logo começa a faltar, mas Manon diz que encontrou um jeito e eles continuam vivendo em opulência (por que eles não se casaram? sério mesmo que não valia nenhuma tentativa antes com o pai dele?). Até que um dia voltando para casa mais cedo do que o esperado Des Grieux é impedido pela criada de entrar, pois Manon assim a mandara, pois estava com o vizinho, um senhor importante. Des Grieux apaixonado e estupido se convence de que não era nada tão ruim assim. Mas era! Contudo ele não chega a saber, pois seu irmão descobre seu paradeiro e o vai buscar para levá-lo de volta para casa, onde fica prisioneiro até que sua paixão se acalme. Poderia ter acalmado, de tanto que seu amigo Tiberge o aconselha, ao ponto de os dois irem para o seminário junto em Paris. Mas quando Des Grieux estava quase para se "formar", Manon fica sabendo que ele está em Paris e vai atrás dele, e mesmo estando com o vizinho ela jura-lhe amor eterno, e promete fugir com ele levando tudo o que o velho já lhe dera.
Fogem e vão morar nos arrabaldes de Paris, pois Manon era mulher que gostava da cidade. Lá vivem feliz por um tempo, o irmão de Manon aparece, e mostrar um caráter ótimo, a primeira coisa que diz para Des Grieux é que ele poderia arranjar homens para Manon, e assim eles conseguirem mais dinheiro, contudo o jovem prefere a jogatina mesmo, onde acaba se dando muito bem. Mas, toda desgraça é pouca, e os criados do casalzinho os rouba, e Des Grieux precisa pedir ajuda ao respeitável cunhado, que volta a insistir na prostituição da irmã caçula. E sem o consentimento de Des Grieux Lescuat ajeita tudo com a irmã, que vai passar uns dias na casa de campo do velho, na volta o nosso jovem herói vai até ela brigar, mas o amor acaba triunfando, e eles tramam uma forma de enganar o velho, e roubar-lhe. O que leva a prisão dos dois, Manon no presídio e Des Grieux em um seminário... com o tempo ele consegue a confiança das pessoas a sua volta, e através do bom e fiel Tiberge consegue se comunicar com Lescaut que leva uma arma, que ajudará Des Grieux a evadir, mas não sem antes matar um homem. Depois disso ele precisa de um plano para tirar Manon, que ele consegue muito facilmente ao travar amizade com outro jovem cujo pai era influente e por isso conseguiria introduzir Des Grieux no presídio, e claro conseguir com que o carcereiro de Manon se oferece para tirá-la de lá (tudo muito simples). Nesse ínterim Lescaut morre, e apesar de Des Grieux estar envolvido com tudo ele não é culpado por nada e ninguém o persegue e ele pode andar livremente por Paris.
Então eles vão viver calmamente em um lugar que eles já tinham estado antes, com a amizade profunda (empresta/dá dinheiro sem reservas e prefere eles às amizades antigas) do jovem rico que os ajudara. Manon dá provas de amor ao negar o amor de um príncipe italiano na frente de Des Grieux, mas acaba sucumbindo ao filho do velho que os colocara na prisão quando eles tentavam roubar. E mais uma vez Des Grieux é enganado e trocado por Manon, e mais uma vez ele enlouquece decide ir brigar com ela, e mais uma vez eles bolam um plano de roubar, e mais uma vez eles são presos. Dessa vez Des Grieux é solto por seu pai que intercede por ele, mas Manon, a pedido dele é deportada para as Américas, como o rapaz já tinha contado dois anos antes.
Por fim ele narra a viagem para a Amárica e o tempo passado lá. no navio ele informa o capitão de que os dois são casados, e como ele é um cavalheiro eles são tratados com o maior respeito e cuidado. Chegando lá a mentira continua, e os dois caem nas graças do governador. E eles são muito felizes e Manon diz que realmente se arrependeu de tudo o que causou para o seu amor, e que agora ela é só dele e que a felicidade dela é ele, e vice versa. Então eles resolvem ser cristãos!!!!! E decidem contar ao governador que eles estiveram mentindo o tempo todo, mas que eles estavam decididos a se casarem. Mas segundo alguma lei vigente na época, o governador podia fazer o que bem entendesse, e como a França enviara Manon como prostituta ele poderia dá-la em casamento para quem ele quisesse, e seu sobrinho estava apaixonado por ela... Des Grieux se bate em duelo com o sobrinho e acredita que o matou, mesmo que honradamente, e junto com Manon decide fugir, e encontrar a colônia inglesa para não se separarem. No caminho Manon morre de fadiga, de tristeza... sei lá. E Des Grieux arranja forças para cavar um túmulo, e lá fica até que é encontrado pelo governador, pois na verdade o sobrinho não tinha morrido... É preso, e depois que acreditam na sua história (mocinho persuasivo!) solto, e quando está decidido a voltar para França e pedir desculpas para seu pai, Tiberge chega, pois desde sua última carta queria ter com ele, e fazê-lo voltar para casa. E assim eles retornam para França, o pai de Des Grieux estava morto e ele tinha combinado de se encontrar com o irmão, mas antes disso encontrou o velho e lhe contou toda a sua história em quase 300 páginas...

De verdade, o final é assim... eu li por eBook, e fiquei procurando alguma página perdida... e ainda não estou convencida de que aquele é o final. Sabe quando o último parágrafo termina bem no final da página, e você espera encontrar mais... pois é!
Não gostei do livro! Não recomendo a leitura! Muito bobinho, para ser incluído no romance libertino... esperava mais.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Fedra - Racine

Mais um da lista: a paixão na literatura.
Em algum lugar perdido na minha memória eu acredito já ter lido a história de Fedra e Hipólito, talvez algum resumo da mitologia, talvez alguma outra peça.. Essa mania de repetirem os temas clássicos, essa falta de autoria, sempre me confunde muito. Eu sou o tipo de pessoa se se detém nos detalhes, e se são os detalhes que mudam são histórias completamente diferentes...

Fedra é uma tragédia clássica, daquelas que se encaixam na definição aristotélica, com unidade de tempo e espaço, que o fim provoca no leitor compaixão e terror. É a história do amor incestuoso de Fedra por Hipólito seu enteado, que quando revelado acaba em tragédia.
Fedra é casada com Teseu, o grande herói grego depois de Hércules, mas ao chegar na casa de seu marido avista seu novo enteado, filho da rainha das amazonas, Hipólito, um jovem esportivo que desdenha às mulheres, principalmente pelo fato de seu pai ser tão mulherengo. De início Fedra luta contra esse sentimento, tratando mal seu enteado, a quem pede para ser exilado. Mas na época em que a peça se passa Hipólito já está de volta em casa, Teseu está desaparecido por 6 meses, e Fedra está decidida a se matar, já odeia o mundo que a fez ter sentimentos tão horríveis. Sua serva, Enone, daria a vida para salvar Fedra, e tenta de todos os modos dissuadi-la, e acaba por ouvir a confissão de que ela está apaixonada por Hipólito.
Por sua a vez o jovem príncipe está decidido a sair em procura de seu pai, não só por ele, mas também para se afastar de casa onde mora Arícia, uma princesa que seu pai mantém cativa, e que para que seu sangue não se perpetue ele a proíbe de se casar e ter filhos. Mas, apesar de ir contra as vontades de seu pai, e seu próprio caráter, ele se apaixona por ela, e para não trair Teseu, ele quer se afastar.
Os amores são declarados. Hipólito descobre-se correspondido, e Fedra ignorada. Ao final da conversa entre ela e seu enteado, ela decide se matar, ficando com a espada de Hipólito. Mas antes que esse parta, ou que aquela se mate é anunciada a morte de Teseu.
Inicia-se uma nova tensão na trama, a sucessão ao trono, há aqueles que vêm como legitimo rainha Arícia, cuja família reinava antes de Teseu, outro optam pelos filhos de Fedra e por fim o próprio Hipólito. Agora Enone consegue convencer Fedra de continuar viva, em primeiro lugar ela tinha que pensar em seus filhos, que poderiam ser reis, mas que com a sua morte seriam escravos, e além disso com a morte de Teseu sua paixão já não era mais incestuosa.
Porém, Teseu está vivo e retornou para casa. Fedra se desespera com a possibilidade de Hipólito revelar ao pai o seu crime, e Enone para salvá-la trama uma saída. Ela dirá ao rei que Hipólito foi quem violou a rainha, e ainda mostrará a espada como prova. O rei acredita, sem muito esforço para provar o contrário, pois Hipólito, o bom moço, se recusa a rebaixar sua madrasta, apenas diz que quer ir embora, e depois que ama Arícia, que se ele cometeu algum crime foi esse. Teseu em sua fúria de homem traído pede aos deuses, em especial seu pai Netuno, que o vinguem.
Enquanto a vingança não chega, Fedra retoma parte da sua razão e percebe o erro e a baixeza dos atos de Enone, e pretende puni-la por isso, mas antes a própria serva se mata. Hipólito vai ao encontro de Arícia e diz que vai fugir para longe de seu pai, mas que quer que ela vá junto, e para isso eles devem se casar escondido em um templo ali perto, onde marca um encontro. Fedra toma um veneno, mas antes de morrer informa ao rei toda a verdade, e esse desesperado pedindo aos céus para que não o tivessem escutado antes pergunta por seu filho. Mas esse já estava morto, de forma bem cruel por monstros.
A solução para Teseu para homenagear seu filho é perdoando a Arícia e a adotando. Assim com a morte dos dois amantes culpados, Fedra com seu amor incestuoso, e Hipólito com seu amor que traía seu pai, a paz política também se estabelece - já não há mais luta pelo trono.

domingo, 18 de agosto de 2013

Os senhor dos anéis - As duas Torres - J.R.R. Tolkien

É engraçado como toda vez que eu sinto necessidade de reler Os senhor dos anéis o primeiro livro é lido com todo o amor e carinho, e os outros dois ficam relegados à simples tarefa de não parar antes de terminar. Contudo, dessa vez foi diferente, li bem devagar As duas torres, um pouco comparando com o filme, um pouco pensando em o que colocar aqui, já que eu tenho essa incapacidade de resumir esses livros. E não é que dessa vez eu gostei muito, muito mesmo do livro.
Faz uma semana que eu terminei, e não tive tempo ou computador para vir aqui registrar, e tempo é o que mais me incomodou, pois assim que guardei As duas torres, já desci com O retorno do rei, mas ele está aqui do lado, lido apenas as 5 primeiras páginas, Pippin se quer desceu do cavalo em Gondor.... mas isso é adiantar os fatos.

Esse livro começa com a defesa desesperada de Boromir contra o ataque de orcs, e a sua morte, tal como acontece no final do primeiro filme. Aragorn ainda o encontra com vida, e promete a ajudar com a guerra dos homens. Quando Gimli e Legolas o encontram eles precisam decidir entre ir atrás de Frodo e Sam de quem eles conseguem supor o caminho, ou então fazer um funeral correto para Boromir e então seguir e recuperar os outros hobbits. Eles decidem pela segunda opção e começam uma caçada alucinada, que termina após encontrarem um grupo de homens do Rohan, que na noite anterior haviam atacado o acampamento dos orcs e destruído tudo. Eles emprestam cavalos aos últimos membros da comitiva, que prometem voltar para Edoras para se explicarem ao rei. Então a narrativa volta-se para Merry e Pippin que estão passando o maior sufoco nas mão dos orcs que têm a ordem de não machucá-los mas não estão achando isso fácil. Na noite do ataque dos cavaleiros de Rohan, eles conseguem fugir e se refugiam em Fangorn, onde conhecem o ent Barbárvore, para quem contam a sua história, e os fatos do mundo lá fora, e ele diferentemente do que acontece no filme, decide convocar um entebate, onde junto com os outros ents remanescentes decidem o que fazer, depois de uma longa conversa, e não apenas um grito de ordem....
Então a história volta para Aragorn, Gimli e Legolas que seguindo o rastro dos hobbits também entram em Fangorn, e lá reencontram Gandalf, que diz que não era hora de eles continuarem a sua caçada, que os hobbits estavam bem, e que eles deveriam honrar as suas palavras e seguirem para Edoras. Lá chegando, eles de fato devem deixar as armas na porta do palácio, tal qual no filme, no entanto eles não possuem milhares de armas, e ao invés de ser uma cena cômica, é tensa, pois Aragorn se recusa a deixar sua espada lá, revelando-se o herdeiro de Gondor. Eles entram, Gandalf com o seu cajado, e são de fato indesejados lá, mas Saruman não está possuindo Théoden, e seu sobrinho não está foragido, mas sim preso, assim como seu filho fora morto em batalha....
Eles partem juntos para o abismo de Helm, não há uma batalha propriamente no caminho, as mulheres ficam em Edoras.. e Aragorn não se perde... os elfos não vão ajudar... a ajuda que Gandalf traz são dos homens do Folde Ocidental que acreditavam estar mortos depois de uma batalha contra os orcs de Saruman... e onde estão os huorn??? Realmente não sei o que deu no diretor do filme! Era uma guerra dos homens, que venceram pela sua habilidade, e depois não tiveram que queimar os seus inimigos pois uma floresta ali se instalara...
Depois da vitória eles se dirigem para Isengard, que está sob uma forte neblina, obra dos ents que alagaram toda área para limpar a imundice de Saruman. No portão eles são recebidos pelos hobbits, e enquanto todos vão se encontrar com Barbárvore, Aragorn, Gimli e Legolas ficam para comer com os hobbits e conversarem sobre suas aventuras. Depois todos se unem, e vão conversar com Saruman que é subjugado por Gandalf, e no desespero Língua-de-Cobra arremessa um palantir, com a intenção de machucar, mas erra, e Pippin a pega, e fica enfeitiçado por ela, e mais a noite, já no caminho de volta a Rohan ele a rouba, e tem uma "conversa" com Sauron... pouco depois passa sobre eles um Nazgûl, então Gandalf decide partir imediatamente com Pippin para Gondor, e recomenda que Théoden se apresse e vá ajudar na guerra. Assim acaba a primeira parte.
A segunda parte conta as aventuras de Frodo e Sam, e também Gollum na viagem para Modor. E sinceramente nessa parte o filme acertou em pelo menos uma coisa, Gollum! Para mim o Gollum do filme é perfeito para a minha imaginação a forma de falar, andar e tudo mais! Gollum que está seguindo Frodo a muito tempo finalmente é capturado, e após um juramento pelo anel, ele se compromete a levar os dois hobbits para Mordor. E quando eles percebem que não conseguiriam entrar pelo grande portão, Gollum escolhe um outro caminho, maligno, que Frodo acata. Para chegar lá eles passam por Ithilien, onde os homens de Gondor os encontram, e após travarem uma batalha contra servidores de Sauron a caminho de Mordor, voltam e levam os dois para o seu esconderijo (Gollum havia fugido dos homens). Lá o capitão Faramir conversa muito com Frodo, e aos poucos descobre qual a sua missão, ainda mais depois que Sam o revela, mas diferente de seu irmão Boromir, ele não fica tentado, e apesar de o aconselhar a não ir pelo caminho que Gollum escolheu, ele os liberta.. muito diferente do filme, onde Faramir é mais um homem comum que cobiça o poder do anel, e ele não é isso!
Então eles seguem para as escadas, e sobem e sobem, e chegam no túnel. E mais uma vez o filme viaja, e tenta deixar tudo mais dramático... Frodo e Sam estão perdidos na escuridão e percebem que algo realmente muito maligno mora lá há muito tempo, mas não conseguem saber o que é, e percebem que Gollum os abandonara. Quando sentem a aproximação de Laracna, Sam pede para que Frodo use o presente de Galadriel, o que afasta a imensa aranha por um tempo. Então eles procuram a saída do túnel, que está bloqueada por teias de aranha, que Frodo facilmente destrói com sua espada elfica. Então eles saem e a torre está logo ali, e Frodo animado corre para lá sem se preocupar com nada, Sam tenta alcançá-lo, mas então Gollum reaparece e eles lutam, Sam sai vitorioso, mas Frodo já fora picado por Laracna, e mesmo com Sam heroicamente a ferindo, ele acredita ter perdido seu mestre, e decide terminar a demanda, pega o anel, a espada e o presente de Galadriel do seu mestre e se dirige para Mordor. Mas antes de chegar a torre, orcs sobem e descem a trilha. Para se esconder Sam coloca o anel, e escuta toda a conversa dos orcs, e descobre que seu mestre não está morto, e por isso segue os orcs, mas no último momento fica trancado para fora do portão, completamente exausto.
Fim.

Lembro da minha mãe no cinema quando fomos assistir esse filme. Primeiro ela gritou, bem alto, na hora em que a Laracna aparecia de surpresa para atacar Frodo. E depois ela ficou revoltada, e disse que o melhor personagem, o mais corajoso, e que deveria ser o principal era o Sam. Eu gosto dele, mas não concordo com isso.

domingo, 11 de agosto de 2013

Socialismo para milionários - Bernard Shaw


 Eu queria poder escrever agora sobre O retrato de Dorian Gray, mas não posso... outra matéria que eu tive que pegar esse semestre é sobre aforismas, em especial de La Rochefoucauld, e como trabalho final uma comparação ou uma análise de algum outro autor de aforismas. Na aula de apresentação o professor citou Oscar Wilde como um deles, mas uma menina pegou o tema antes. Ele me sugeriu escolher alguma das peças de Wilde, ou então trabalhar com o Shaw, acho que ele me indicou algo como O pequeno breviário Shawniano... Logo depois de falar com ele fui para a biblioteca pesquisar. E entre os livros de Shaw achei esse com um título um tanto interessante. Na verdade nunca lera nada dele, no máximo ouvira falar, mas nunca me interessara o suficiente, não tenho muita experiência em estudar dramaturgia e fiquei apreensiva de fazer um trabalho final com relação a isso... mas esse livro não é uma peça, é um ensaio!
E ele fica muito mais interessante se você conhece alguma coisa sobre a biografia de Bernard Shaw, não que eu saiba muito, li o que havia na introdução do livro. Mas recomendo que leiam sobre ele, parece ter sido uma figura, no mínimo um tanto ante social, segundo o Anedotáriao Shawniano que há no final desse mesmo livro.

Nunca resumi um ensaio, nem sei se conseguiria resumir um ensaio tão irônico. A ironia obviamente não se restringe ao título. Ele inicia questionando o lugar do milionário no mundo moderno, pois o milionário não pode aproveitar essa sua condição, cada vez há mais lojas que preferem o consumidor mediano, que não produzem nada de especial e muito mais caro que poucos poderia comprar. Depois começa a aconselhar os milionários a não gastar o dinheiro deles com aquilo que usualmente se aconselharia. Em primeiro lugar ele não acha que um milionário deveria deixar o seu dinheiro para seus filhos e herdeiros, ele acha que um jovem na posse de uma herança tão grande se desvirtuaria, e que a melhor coisa para um jovem é trabalhar. Depois desaconselha o milionário à doar o seu dinheiro aos mendigos, aos realmente pobres que não conseguem de alguma forma se sustentar, pois esses continuariam a lhe pedir cada vez mais dinheiro e nem todo o dinheiro do mundo seria suficiente. Também não deveria doar o seu dinheiro para os hospitais (não entendi muito bem o porque) a não ser que fosse para um hospital experimental no qual ele acreditasse. não recomenda tão pouco doar a educação ou sociedades beneficentes... talvez, e mais uma vez eu não entendi direito (é um livro curto e de leitura rápida.. provavelmente compensa uma releitura), o dinheiro deveria ser doado ao proprietário da instituição que se quer ajudar. Para Shaw, ou para a ironia de Shaw, o milionário deve gastar, doando, o seu dinheiro com aquilo que a sociedade não precisa, nem deseja, mas que de alguma forma a leve ao progresso. E por fim ele critica os milionários que fazem da caridade uma forma de esclarecer a própria consciência.

Realmente não sei se entendi o livro, com certeza não tentei esclarecer as ironias que eu consegui encontrar, e provavelmente deixei muitas outras passarem. Não dei atenção suficiente ao livro, pois folheando-o como de costume antes de lê-lo, encontrei o tal do breviário, antes do anedotário, e que provavelmente é o que eu preciso para o meu trabalho. Estou ansiosa para falar com o professor, antes de sair lendo cuidadosamente e inciando um trabalho que eu não poderei fazer igual ao que aconteceu com o Dorian Gray.

Otelo, o mouro de Veneza - Shakespeare

Novo semestre, novas leituras...
Acredito piamente que se eu me esforçar muito, mas muito mesmo eu consigo me formar ainda esse ano. Claro que a DAC adorada não ajuda em nada, ou talvez o meu entendimento das informações fornecidas pela DAC não ajudem em nada... uma coisa ou outra, o fato é que o semestre passado foi coxa, e esse vai ser pauleira. Tive que me matricular em muitas matérias, e ainda descobri no último segundo que faltava 4 créditos para me formar, corri atrás de qualquer matéria.. E talvez entre ai a minha crença no destino. Nos 5 semestres que eu já fiz do curso pelo menos uma matéria com um dado professor eu pegava, gosto das escolhas de livros dele, gosta da exposição, mas nesse último semestre eu tinha me decidido por não fazer a matéria que tinha visto por causa do horário... bem havia outra que magicamente sumira da minha vista no final do outro semestre... pois lá estava um matéria dele, sobre paixão na literatura, com Orgulho e preconceito na bibliografia obrigatória, bem no ano em que não deu tempo de lê-lo nas férias de inverno.. Destino! E aqui estou eu em mais uma matéria cheia de leituras... a primeira Otelo! eu já o lera antes para uma outra matéria, sobre circulação de livros, não lembro de ter ido na aula de discussão... lembro de ter lido ao mesmo tempo que começava As crônicas de gelo e fogo... E lembrava da história é claro, um clássico, que eu primeiro conheci através de Machado de Assis, no ciúme doentio de Bentinho por Capitu em Dom Casmurro.



A tragédia conta a história de Otelo, um mouro que possuía um alto cargo no exército de Veneza, e que através de suas histórias conquistara a coração de Desdemona a filha linda e virtuosa de um rico senhor de Veneza que já recusara o amor de pretendentes melhores. Tudo começa com Iago (o alferes de Otelo que por causa de um cargo dado a Cássio em seu detrimento busca  vingança), e Rodrigo (apaixonado por Desdemona) que vão delatar a Brabancio, pai de Desdemona, a fuga de sua filha com o mouro. O pai de início quer justiça e acredita que sua filha fora enfeitiçada por ele, pois ela jamais poderia ter se apaixonado por um homem tão feio e mais velho, ela o nega e afirma amar o seu marido e dever-lhe obediência, o pai traído não quer mais saber dela, depois que os senadores de Veneza ficam ao lado de Otelo, e esse é mandado imediatamente em uma missão para Chipre, e depois Desdemona o seguiria levada por Iago, que consegue parecer fiel aos olhos do mouro.
Em Chipre Iago arma o seu plano, em primeiro lugar ele precisa fazer com que Cássio perca o seu posto, para isso ele se utiliza de Rodrigo, eles brigam e Otelo afasta Cássio enquanto pensa no que é melhor ser feito. Depois Iago convence através de insinuações de que Desdemona não é fiel a Otelo, que ela e Cássio se encontram. De início Otelo diz não ter ciúmes, mas aos poucos esse vai consumindo-o, ele apenas quer uma prova disso, qualquer prova. Iago então conta com a obediência de sua mulher Emília, criada de Desdemona, que sem saber por que pega o lenço de sua patroa e o entrega ao marido, esse coloca na cama de Cássio, e informa Otelo. Para esse isso é o suficiente! Ele precisa defender a sua honra. Iago como bom criado diz que cuidará de Cássio, e mais uma vez convence Rodrigo de fazer o trabalho sujo, contudo esse é morto e Cássio fica apenas machucado, enquanto isso Otelo sufoca Desdemona em seu quarto, e Emília ao conseguir entrar lá descobre tudo, nesse meio tempo Cássio, Iago e outros entram no quarto para contar o ocorrido, e Emília acusa seu marido de ter causado tudo aquilo, ele a mata. e Otelo desesperado também se mata.