sábado, 26 de janeiro de 2013

AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO:A FÚRIA DOS REIS - GEORGE R.R. MARTIN

No ano passado, um dos meninos que morava comigo estava viciado na leitura dessa coleção, muitas outras pessoas elogiavam a série da HBO, e eu nada. Tinha muitas outras coisas para ler, e apesar da curiosidade que até hoje eu tenho com relação a série, fui deixando para depois, vai que algum dia eu resolvesse ler os livros. Até que uma noite esse menino que morava comigo me convenceu de ler, ele disse: é como um senhor dos anéis só que mais para o lado psicológico. Fui para o meu quarto pensei um pouco no assunto e voltei para o dele: vai me dá o livro!
Demorei uns 4 meses para ler as primeiras 400 páginas do primeiro volume, a restante eu li em menos de uma semana, e assim que voltei das férias pedi o segundo emprestado, acabei devolvendo antes de terminar de ler, e não porque havia desistido da leitura, mas por ter decidido comprar a coleção que estava em uma superpromoção no submarino. Hoje quase 6 meses de começar consegui terminar... Acabei me acostumando a ter esse livro como base, é um método de leitura meu, eu sempre leio ao menos 4 livros ao mesmo tempo e sempre coloco o que eu mais gosto embaixo da pilha, e o que eu quero/ tenho que terminar logo no topo, e eu só posso ler o ultimo depois de ter passado pelo outros 3, esse costumava a ser o primeiro ou o segundo!


Como eu só comecei o blog depois de já ter lido o primeiro, farei um pequeno resumo dos dois. O livro é dividido em vários capítulos que são narrados em terceira pessoa porém a partir do ponto de vista de alguns personagens. Principalmente os membros da família Stark: Lorde Eddard, sua esposa Catelyn, e seus 5 filhos Robb, Sansa, Arya, Bran, Rickon e o bastardo Jon Snow. E também Tyrion Lannister, um anão, e Daenerys Targaryen, a mãe de dragões.
Todos vivem no reino de Westeros, que muito tempo antes foram unido pela família Targaryen, mas que fora derrotada e quase extinta em uma guerra que passou o reino para Robert Barethon, muito amigo de Lorde Eddard, se casaria com sua irmã, porém essa morre e ele casasse com Cersei Lannester que lhe dá filhos que na verdade são bastardos de uma relação incestuosa com Jaime. Isso é o estopim da guerra. Quando as pessoas vão descobrindo elas são mortas, contudo a informação vaza e outros senhores se sentem no direito de se proclamar rei, com a morte de Robert e a ascensão de seu filho Joffrey. O herdeiro legítimo Stannis Barethon, assim como seu irmã mais novo Renly. Também Robb Stark é proclamado rei do norte e busca vingar seu pai morto injustamente pelo jovem rei, e salvar suas irmãs que ele acredita estarem presas na corte, contudo apenas Sansa está lá como prometida do rei, mas Arya fugiu e cada momento está em uma situação diferente passando por maus bocados.
No início do primeiro livro os jovens Satrk encontram lobos gigantes e os adotam cada um ficando com um, que será seu parceiro e amigo. As meninas perdem logo os seus, o de Sansa é morto para satisfazer a vontade de Joffrey, e o de Arya é acossado para que não tenha o mesmo fim. Já os meninos continuam com o seu, Robb é conhecido como o rei lobo, pois o seu lobo o acompanha nas batalhas garantindo-lhe a vitória, Bran que fica aleijado após ser jogado de uma janela, consegue ter sonhos verdes, nos quais ele assume o corpo do lobo e consegue se movimentar, o lobo de Rickon é mais feroz (o menino em si ainda não tem muito sentido na história, só tem 4 anos), e o de Jon que se juntou a patrulha da noite (um grupo de homens que juram vestir o negro e defender o mundo do selvagens do norte) está sempre com ele, e por ele é protegido, além de um fato isolado em que consegue conversar com Bran.
Quase todo o segundo livro narra guerras e estratégias de guerra. A não ser na parte Daenerys, que desde criança fugia por ser a herdeira real do trono de ferro, já fora casada com um chefe dothraki (senhores de cavalo) perdeu tudo restando-lhe parte de seu povo e os seus três dragões que nasceram após a morte de seu marido. Ela está para lá de Westeros procurando um exercito para invadir o seu reino e recuperá-lo.

Bem foi um resumo, bem resumo mesmo, provavelmente foram mais de 1000 páginas resumidas.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Cai o Pano - Agatha Christie


Não me lembro de jamais ter lido um de seus romances policias, acredito que na minha infância eu possa até ter lido, mas não me lembro. Então se eu num lembro eu não fiz. Na verdade eu só li porque ganhei de presente de amigo secreto, não foi exatamente uma escolha...
Eu tenho um problema com livros policiais, eu não consigo ler pelo prazer da leitura, eu quero encontrar o assassino antes que o autor nos revele, eu quero encontrar aqueles pequenos detalhes que passam despercebidos. Quase da mesma forma que eu li O Inquilino em que eu procurava a origem do mal! Acho que por isso não consegui apreciar tanto o livro. Não gostei! Minha mãe começou a ler e eu estou realmente curiosa para saber a sua opinião!
Tentarei contar o mínimo possível do livro para que ele não perca a graça para quem ler esse post!
O romance começa com o narrador Arthur Hastings falando de sua ida para Styles uma mansão em que ele já estivera com seu amigo o detetive Poirot, quando esse mudara-se para a Inglaterra, e lá houvera um brutal assassinato. Dessa vez eles vão para lá junto com outros muitos personagens que se conhecem de alguma forma. Estão hospedados na mesma mansão, mas que agora é uma hospedaria, Poirot (agora velho e muito doente) e seu novo criado, Hastings que foi convidado por esse, sua filha Judith que esta junto com o seu chefe o médico Franklin e sua esposa Barbara (também doente, e por isso tem uma enfermeira a senhorita Craven), um antigo conhecido de Barbara, Boyd Carrington (ou alguma coisa assim) um homem rico e simpático, Norton um homem pequeno e adorador de pássaros, a senhorita Cole (já com seus 35 anos) que também é muito discreta e gosta da natureza, Allerton não lembro do que vinha antes do seu nome, acredito que era alguma coisa militar. E além deles os donos da hospedaria o coronel e a senhora Lutrell, sendo ele muito atencioso e ela muito mandona.
Assim que Hastings chega em Styles seu velho amigo diz que entre todos que estão na casa existe um assassino (que ele sabe quem é) e que ele irá matar! Apresenta um dossiê com 5 casos, aparentemente desconexos mas que ele afirma terem sido cometidos todos por X, mas se recusa a falar quem é para Hastings pois este deixa tudo transparente na sua fisionomia. Diz também que não sabe quem é a vítima, e que a missão de Hastings é ser os olhos e ouvidos dele, conversando e conhecendo melhor as pessoas de sua convivência para tentar impedir esse crime. Coisa que não acontece, alguém é morto apesar de considerarem um suicídio.
O final poderia ser considerado surpreendente. De fato não foi nenhuma das minha diversas suspeitas. Mas ainda assim acho que é esperado o inesperado! Não fiquei satisfeita! Queria dizer mais, mas tenho medo de estragar o livro!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Os Miseráveis - Victor Hugo



Os Miseráveis é para mim como D. Quixote é para o meu professor, que em toda santa aula afirmava que para um leitor atual é impossível ler esse romance sem nenhum conhecimento sobre ele. Meu primeiro contato com Os miseráveis foi, por incrível que pareça, com a série Dawson's Creek, acho que ainda na primeira temporada a Katie Holmes participa de um concurso de beleza e lá ela canta Os my Own a canção mais famosa do musical da Brodway baseado no romance de Hugo... depois disso o Dawson percebe como ela é bonita e finalmente dá alguma atenção pra ela, blablablá.
Depois eu provavelmente ouvi algumas referências mas sem prestar muita atenção. Até que em 2011, quando estava em um mochilão pela Europa, junto com uma amiga e uma amiga dela decidimos em Madri assistirmos um espetáculo, eu queria balé, mas as meninas insistiram em um teatro, e acabamos ficando com Os Miseráveis em espanhol. Quando chegamos a noite em casa descobrimos que ninguém sabia nada da história que um musical em outra língua não esclareceria muita coisa, entrei no Wikipédia e pesquisei. Recomendo! Apesar de muito confuso, deu para acompanhar.
Nessa viagem eu fiz um diário, que eu proíbo minha amiga de ler, mas vou copilar o parágrafo dedicado à um musical de umas 3 horas ou mais, se assistisse hoje não seria a mesma coisa!
"Assumo que foi mais simples entender por li o resumo da história (supercomplexa) em português antes. Todos estavam devidamente vestidos e cantavam muito bem, (gostei do Gravoche e do casal que cuidou de Cosette - os mais engraçados). porém o melhor era o cenário, muito bem feito, muitas variações e muita tecnologia. Demais, mas demorou muito, e no final queria que acabasse logo.
Bom ressaltar que sentamos na última fileira, uns 10 metros de altura em relação ao palco - leve medo."
Depois disso voltei ao Brasil, e comprei o livro, muito desinformada comprei o segundo volume, e demorei mais uns dois meses para comprar o primeiro. E agora posso dizer com muita vergonha que eu demorei quase dois anos para ler os dois, que dão mais de 1000 páginas, e que nesse meio tempo eu assisti á mini-série com Gerard Depardieu. E que ontem ao terminar o livro entre soluços eu pensava no filme que está nos cinema ou estará dentro e pouco e que eu irei assistir!

Nunca vi uma versão diminuída desse romance mas tenho certeza que existe. Pois são muitos os capítulos que poderiam ser facilmente dispensados sem afetar o enredo, mas perdendo muito da convicção e conhecimento de Hugo. Existe no segundo volume todo um livro descrevendo os esgotos de Paris, e outros tantos em que os personagens são esquecidos e o contexto histórico se sobrepõe a narrativa. Isso torna a leitura mais cansativa além de que os muitos detalhes unidos às muitas tramas tornam o romance ainda mais complexo. Porém, apesar de sentir tudo isso no começo lá no meio de 2011, depois de um ano eu já estava tão envolvida com a história, seus personagens e com a própria Paris que considero cada linha daquele livro essencial. Sem dúvidas está entre os meus top 10 livros de todos os tempos.
Tentarei resumir a história da melhor e menor forma possível...
Jean Valjean era um homem pobre, que precisa roubar um pão e é preso por isso. Foge e vai parar na casa de um bispo muito bom e caridoso, que o recebe em sua casa, e lhe da comida. Contudo, Valjean foge no meio da noite e rouba os castiçais de prata, ele é pego pela polícia local que o leva perante ao bispo, que diz que Valjean não o estava roubando, pois ele havia dado isso a ele, e que ainda havia esquecido a prataria, ele não se lembrava? Tinha prometido fazer só o bem!
Depois disso ele se compromete com a palavra nunca dada, enriquece com um fabrica de vidrilhos e quase todo o dinheiro era usado em proveito da cidade, construindo escolas e hospitais, dando dinheiro aos pobres e órfãos. Porém o inspetor Javert aparece e o reconhece e faz de tudo para provar que o excelente senhor Madeleine é o antigo forçado. Valjean acaba por se entregar, pois outro homem seria preso em seu lugar. Porém foge novamente pois havia prometido para Fantine buscar sua filha e cuidar dela.
Fantine era uma costureira que se relacionou com um moço rico que a abandonou e ela se descobriu grávida, sozinha e muito pobre, então decide sair de Paris para encontrar um trabalho e esconder o seu deslize. Ainda perto de Paris ela pára em frente a hospedaria dos Thérnardier, em que a mãe brincava com suas filhas rechonchudas, e ela acredita que deixar sua filhas com eles e mandar dinheiro seria o melhor para sua bela Cosette. Ela vai parar na fábrica do senhor Madeleine, e de início consegue mandar o dinheiro corretamente por mais que eles abusassem. Contudo descobrem que ela é mãe solteira, e sem consultar o senhor Madeleine a despedem e ela começa a passar pelos piores momentos possíveis, ela torna-se prostituta, vende seus cabelos e também os seus dentes, é presa, adoece e só pensa em sua filha. Quando Valjean descobre tudo isso é muito tarde para salvá-la mas promete que fará de tudo por sua filha.
Ele a salva da mão dos maldosos Thérnardier, mas precisa se esconder em Paris pois Javert continua em seu encalço. O tempo passa, com os dois escondido em um convento onde Cosette tem a sua educação, depois eles saem e levam uma vida calma, até que Marius aparece na história, um jovem idealista que apesar de ter um avô rico vive na pobreza por causa de seus princípios. Valjean, agora senhor Fauchelevent faz de tudo para que esse amor não aconteça, mudando de casa constantemente. Porém eles dão um jeito de se encontrarem.
Até que explode a revolução em Paris, e Marius junto com seus amigos estão em uma barricada que resiste ao exército firmemente. Marius pede para Gravoche, filho de Thérnardier mas que vive nas ruas, um moleque, que leve uma carta a Cosette, mas quem a recebe é Valjean, que parte para a barricada, lá tem a chance de salvar Javert que fora preso por espionagem, e também Marius que se feriu. Todos os outros morrem pela república. E Jean Valjean foge pelo esgoto carregando um Marius desacordado, quase morto. Na saída do esgoto encontra Thérnardier que rouba o dinheiro e o coloca para fora acreditando que irá colocar esse homem que não reconhece em apuros. Do lado de fora encontra de fato Javert que o ajuda a levar Marius à casa do avô, e depois pede um tempo para ir para casa e se despedir de Cosette. Mas, Javert lhe retribui o favor e o deixa em liberdade, contudo não consegue viver com esse dilema, não obedecer a lei do homem para obedecer a lei divina, e acaba por se jogar no Sena.
Marius tem uma cura lenta, mas está bem provido de seu avô que só quer a sua felicidade e busca por Cosette, que junto com Valjean o visita todos os dias, e a felicidade deles culmina em um casamento, feliz rico pois Valjean desenterra mais de meio milhão que possuía desde quando era senhor Madeleine.

Se o romance acabasse aqui eu seria muito feliz, mas então eu comecei a soluçar! Valjean desde seu encontro com o bispo no meio de 2011 fizera de tudo para ser um homem bom, e após ter cumprido sua promessa a Fantine e cuidado de sua filha, ele acredita que não pode partilhar de sua felicidade, morar em sua casa sem que ao menos Marius saiba da verdade. Então ele vai a Marius e lhe diz que é um antigo forçado e que não era pai de Cosette, porém pede para continuar a vê-la. Marius permite mas depois se arrepende, e cada vez mais o afasta dela. E com isso Valjean vai definhando. Então Thérnardier reaparece e quer tirar dinheiro de Marius para lhe contar o segredo de Valjean, sem saber que esse já havia dito o pior, e acaba por contar o melhor! Desvenda o mistério de seu salvamento na barricada e a origem do dinheiro de Cosette. Muito feliz e arrependido Marius junto com sua mulher corre para pedir perdão e agradecer a Valjean, porém esse já está à beira da morte.
"-Morrer não é nada; horrível é não viver."

domingo, 6 de janeiro de 2013

Contos fantásticos do século XIX escolhidos por Italo Calvino

Para começar Feliz Ano Novo!
E o que isso tem a ver?? Peguei um congestionamento de 7h para subir a serra de volta para casa com esse livro na bolsa. Resultado? Terminei!


Não preciso dizer que recomendo muito esse livro, seu título diz por si mesmo! Contos fantásticos, na minha opinião o melhor tipo de literatura, e organizados por Italo Calvino, um dos meus vícios atuais, para ser mais minha cara só se ele tivesse escolhido Tolkien e Jane Austen, esquecendo é claro o detalhe do século XIX! Eles não estão lá, porém estão muitos outros obrigatórios, e alguns que eu não conhecia.
Calvino decidiu dividir o livro em duas partes, denominadas Fantástico Visionário, no qual ele identifica um sugestão visual do fantástico: "perceber por trás da aparência cotidiana um outro mundo, encantado ou infernal."; e o Fantástico Cotidiano, em que o elemento sobrenatural permanece invisível, é uma "dimensão interior". Isso é explicado na introdução do livro, em que Calvino nos fornece uma enorme bibliografia do fantástico do século XIX.
Para deixar mais compreensível acho mais fácil reproduzir o sumário,
Fantástico Visionário
1- A história do demoníaco Pacheco - Jan Potocki
2- Sortilégio de Outono - Joseph von Eichendorff
3- O homem de Areia - ETA Hoffmann
4- A história de Willie, o Vagabundo - Walter Scott
5- O elixir da longa vida - Honoré de Balzac
6- O olho sem pálpebra - Philarète Chasles
7- A mão encantada - Gérard de Nerval
8- O Jovem Goodman Brown - Nathaniel Hawthrorne
9- O Nariz - Nikolai V. Gogol
10- A morte amorosa - Théophile Gautier
11- A Vênus de Ille - Prosper Mérimée
12- O Fantasma e o Consertador de ossos - Joseph Sheridan Le Fanu
Fantástico Cotidiano
13- O coração denunciador - Edgar Allan Poe
14- A sombra - Hans Christian Andersen
15- O sinaleiro - Charles Dickens
16- O sonho - Ivan S. Turguêniev
17- O espanta diabo - Nikolai S. Leskov
18- É de confundir! - Auguste Villiers de l'Isle-Adam
19- A noite - Guy de Maupassant
20- Amour Dure - Vernon Lee
21- Chickamauga - Ambrose Bierce
22- Os buracos da máscara - Jean Lorraine
23- O demônio da garrafa - Robert Louis Stevenson
24- Os amigos dos amigos - Henry James
25- Os construtores de pontes - Rudyard Kipling
26- Em terra de cego - Herbert G. Wells

Como são 26 contos, ou melhor 25 contos e a parte de um livro (o de Jan Potocki), fica difícil falar sobre todos, ou no mínimo sem culpa admito que tenho preguiça! Assim resolvi resumir e muito!
Eu já havia ouvido falar do primeiro na faculdade, e fiquei com vontade de ler, mas ao ler apenas um fragmento me desanimei um tanto, ficou confuso, e nem tentarei explicar aqui. O segundo eu não gostei muito, é mais sobre encantamentos e amor...
O conto de Hoffmann, o maior e melhor de todos os autores fantásticos, eu li no início do ano passado quando uma professora o recomendou, e conta a história de um estudante que se apaixonou por um automato, mas que é entremeada pela presença de uma figura misteriosa que estava presente desde a infância do protagonista.
O quarto conto, A história de Willie, o vagabundo, infelizmente não ficou gravado na minha memória, dei uma relida rápida, lembrei de ter gostado. Correndo o risco de mentir... a história é narrada pelo neto do protagonista, que era pobre e com a morte de seu governante e a falta de um documento provando isso precisa ir ao inferno para provar sua razão.
Eu nunca lera nada de Balzac apesar de sua grande fama, e talvez eu tenha lido o conto do elixir da vida com muitas expectativas, assim não achei grande coisa, é uma história em que um elixir passa de mão em mão em uma família, pois após a morte o filho deveria passar no pai, e nunca é feito da forma correta, o ultimo deixa a cabeça do pai viva, e o rosto morto, mas esse ao ser santificado e levado para a igreja começa a blasfemar...
O sexto conto é a típica história de fantasmas, é muito fincada na cultura irlandesa. Um homem cético participa das festas típicas, em que os duendes e seres de outros mundos aparecem para o povo, e depois disso acorda de uma longa doença casado com uma mulher muito ciumenta, que o persegue onde quer que ele vá. É um conto muito bem escrito, gostei muito!
A mão encantada, é um conto dividido em capítulos com muitos nomes, no geral não me agradou muito. O sobrenatural como o próprio título diz é a mão que a partir de um encantamento feito por um cigano para que um homem pudesse defender a sua honra e vencer um duelo....

Sinceramente se eu continuar assim não termino nunca.. então vou deixar só esse gostinho do que tem no livro, esperando que seja o suficiente para interessar alguém, para além da capa colorida!
Só vou elencar os meus favoritos.. O Nariz de Gogol que eu tentei ler em voz alta para o meu sobrinho que só riu e não deixou eu me concentrar. No geral eu gosto dos autores russos, e já fui ler esse texto muito famoso com expectativas, e apesar de ter que aceitar o impossível e absurdo para conseguir acreditar na verossimilhança dessa narrativa, ela não perde nada.
A morte amorosa e A Vênus de Ille são os típicos contos fantásticos e saboreei cada segundo da sua leitura, o primeiro conta a história de um homem que ao se tornar padre se apaixona por uma linda mulher que passa a lhe aparecer em sonho, e depois de um tempo ele não sabe distinguir a realidade do sonho. E o segundo é a história de uma estátua de aparência bizarra que ao receber o anel de noivado de um jovem acredita ser sua esposa.
Já no Fantástico cotidiano o número de contos que eu gostei foi maior. A sombra eu já havia lido para a faculdade e adorado, faz parte dos primeiros contos fantásticos que li e me viciaram! Nele um homem curioso para saber o que havia na janela sempre fechada de seu vizinho pede para sua sombra ir lá olhar, o que de fato acontece, depois de muitos anos eles se reencontram e a sombra está rica, e quer viajar e quer pagar ao seu dono para acompanhá-la, e com o tempo as funções se invertem.
O sinaleiro, Amour Dure, O demônio da garrafa, Os amigos dos amigos e Em terra de cego entram também para a minha lista de meus contos favoritos. O primeiro é de Dickens e narra a história de um sinaleiro que via fantasmas que avisavam de desastres que aconteciam nos trilhos do trem; o segundo que é bem comprido se passa na Itália em que um pesquisador se apaixona por aquilo pesquisado, uma linda mulher que matara grande parte de seus apaixonados, e ele está decidido a seguir o mesmo caminho.
O demônio da garrafa é a famosa história do gênio preso dentro de uma garrafa que irá realizar os desejos de quem a possuir, narrado por Stevenson a moradores da Polinésia. O seguinte é um conto sobre desencontros, o encontro se dá após a morte de um deles e ainda assim tem efeitos na vida dos vivos. E por último Em terra de cego, que já anima pela introdução de Calvino! Nele um homem cai em uma vila em que todos são cegos há gerações, seus habitantes sequer sabem o que é "visão"; esse homem/explorador só consegue pensar no ditado: em terra de cego quem tem um olho é rei. E por todos os motivos quer ser seu rei e governante, contudo o resultado é outro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

SÃO BERNARDO - Graciliano Ramos


Recentemente tive que ler para a faculdade o livro Angústia de Graciliano Ramos, o que me fez ler mais do que Vidas Secas, assumidamente lido apenas para o vestibular. Angústia entrou para o top três livros nacionais. É bem confuso, principalmente no início quando o leitor ainda não entrou no clima da narrativa. De qualquer forma é um livro narrado em primeira pessoa, em que o narrador ainda está se convalescendo de uma febre, e portanto o leitor não pode ter certeza daquilo que ele está escrevendo. Sinceramente, é demais, recomendo!
De qualquer forma, enquanto eu estava desesperada por um orientador para a minha monografia, conversei com um dos meus professores favoritos, todas as matérias que eu soube que ele ofereceu nos meus anos de faculdade eu fiz. Foi por causa dele que eu li Angústia, e por isso apareci uma terça a tarde na sala dele sem nenhuma ideia, apenas uma paixão. Ele ficou bem apreensivo, mas aparentemente, sem muita animação me aceitou, e me aconselhou a ler São Bernardo, pois junto com Angústia, fazia parte dos romances de 30 de Graciliano. Além desse romance me indicou muitos outros livros, que eu só encontrei um, mas nem cheguei a abrir, pois antes mesmo de terminar São Bernardo encontrei uma professora para me orientar com um tema mais definido! Não por isso deixei de ler o romance indicado.
São Bernardo começa com o narrador em primeira pessoa falando da intenção de escrever um livro em conjunto com outras quatro pessoas, e apesar de voltar diversas vezes na primeira página, não reconheci um dos citados. Essa inciativa não dá certo, ele acaba por escrever sozinho por diversas razões. Então começa a narrar a sua vida. De trabalhador braçal em uma fazenda, a ser preso por matar um homem em briga por mulher; aprender a ler e escrever na prisão, a conseguir enriquecer e comprar a fazenda S, Bernardo.
A narrativa tem um movimento social em que o narrador começa no fundo, sobe socialmente, é um chefe na sua sociedade, com uma fazenda produtiva, contatos com partido político, jornais e outros fazendeiros, para depois descer novamente, com a morte de sua mulher a revolução sua fazenda torna-se obsoleta e os vizinhos avançam com a cerca roubando-lhe terreno. Outro movimento perceptível é da estrutura da narrativa, em que começa falando sobre o livro que ele vai escrever, então há a narrativa, para acabar com ele narrar o momento em que ele está escrevendo e a vela apaga.
Paulo Honório é o narrador, um homem rude, que consegue fazer a sua fazenda lucrar, sem levar em conta a situação social de seus funcionários. Constrói uma capela e uma escola na fazenda apenas por interesse político e financeiro. Segue sua vida assim, entre amigos, funcionários e contatos de interesse até que decide se casar. Não por estar apaixonado ou por necessidades fisiológicas, mas por querer criar um herdeiro para S. Bernardo. Ele cria então uma imagem de mulher que ele procura, e está decidido a pedir em casamento a filha do juiz Magalhães, quando vai a sua casa e lá encontra uma mulher oposta as suas imaginações, uma moça magrinha loira de olhos claros, por quem se sente atraído. Que vem a descobrir ser a professora que seus amigos já haviam mencionado como uma beldade.
Em uma viagem de trem de volta de um incidente com um editor de jornal, ele conversa com a tia da moça, e a partir de então ele começa a frequentar a casa das duas senhoras, de início sob o disfarce do interesse em ajudá-las. Contudo rapidamente Madelena, esse é o seu nome, fica sabendo das verdadeiras intenções de Paulo, e o recusa por não se conhecerem, este insiste e insiste, e dado uma situação incomoda ela deixa ele anunciar o noivado, que por ela só acabaria depois de um ano, mas ele anuncia o casamento para dali uma semana.
O narrador sente muito a mudança da mulher e a da tia para a casa grande e tenta a se adaptar a nova formação, porém ele é um bruto, e apesar de deixar claro que nutria algum sentimento por sua mulher, eles pareciam estranhos dividindo a cama, viviam brigando e ele chega a pagar pelo trabalho que ele assume dentro de seu escritório, escrevendo cartas. O tempo de casado é narrado muito rapidamente e sob dois focos, a bondade de Madalena, que logo é percebida como uma mentalidade avançada que quer o socialismo, e é incentivada pelo professor Padilha; e a sua infidelidade, Paulo começa por desconfiar dela com o professor, mas desaprova a amabilidade do juiz, lembra dos elogios dos amigos e acredita que o advogado era seu namorado antes de tudo, e até do padre ele duvida. O que os levava a diversas brigas e tensões.
Nesse ponto da narrativa não pude deixar de pensar nos ciumes de Bentinho por Capitu, em que nós leitores nunca podemos saber a verdade, pois a narrativa em primeira pessoa só nos permite a visão de um lado da história, e do enciumado que pode muito bem aumentar e distorcer. Mas diferente de D. Casmurro o narrador não abandona sua mulher a sorte, nem essa se porta devidamente e morre depois, afastada. Madalena escreve uma carta para Paulo (que ele não consegue compreender devido ao vocabulário), ele encontra uma página e acredita ser a prova da traição e vai tirar satisfação com a intenção de matá-la. Mas ela o acalma, pede desculpas. E depois se mata.
Com a morte da mulher, a fazenda começa a desandar, então acontece a revolução com a qual Paulo Honório perde seu poder e seus aliados, todos vão embora, a tia, o professor, alguns outros empregados. Sobrando seu fiel amigo Casimiro Lopes, seu filho a quem tinha pouca amizade e alguns dos homens do campo, cansados e maltratados que apenas Madalena ajudava. o narrador começa a se arrepende da vida que teve, e imagina o que aconteceria se ele tivesse levado uma vida simples longe de S. Bernardo. Mas a realidade é que ele acaba sozinho em uma fazenda arruinada.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Castelo dos Destinos Cruzados


Mais um da minha fase Italo Calvino! Mais um grande livro, apesar de suas dimensões diminutas!
Esse é mais um dos livros de contos de Calvino, que eu sinceramente gosto mais do que os romances, não que estes sejam ruins, mas eu acho que prefiro contos no geral. É uma história completa em poucas páginas, em que nós podemos imaginar o que veio depois, ou o que poderia acontecer. Os contos fazem de nós um pouco autores também. Apesar dessa independência dos contos, deve se ressaltar que nesse livro eles estão interligados (cruzados, como o próprio título indica), mesmo podendo ser lidos separadamente a magia surge da ligação entre eles.
O castelo dos destinos cruzados é dividido em duas partes (e segundo a nota no final do livro Calvino pensou em escrever uma terceira, mas, isso é uma interpretação minha, daria muito trabalho e ele queria se livrar logo disso, essa parte é um pouco dele). A primeira é a do Castelo, e que foi escrita depois do início da segunda, para um livro de artes a pedido de um editor, em que ele deveria usar como base as cartas de tarô milanês, do século XV, desenhadas por Bonifácio Bembo, e que ficou pronta muito rápido. Já a segunda é a da Taverna, que está baseada em cartas marselhesas populares, em que Calvino teve muita dificuldade em terminar para que, as histórias se encaixassem.
Cada conto do livro tem em suas margens reproduções das cartas nas quais Calvino se baseou e o leitor pode ir acompanhando. E quase no final de cada parte possui esses esquemas em que mostra que todas as histórias estão ligadas e que aquilo que foi contado da esquerda para a direita, pode ser contado por outro da direita para esquerda. Que assim como Borges acreditava que as situações se repetiam, as cartas se repetem, mas assumem diferentes valores.

 
O livro inicia-se com a descrição do castelo em que o narrador vai parar após atravessar um bosque e que ele não sabe definir se é um castelo ou uma estalagem. Mas o mais interessante é que lá existem muitos hóspedes sentados à mesa comendo, mas que nenhum deles é capaz de falar, não estão surdos pois escutam os ruídos, mas não se escutam uns aos outros. Em um dado momento é colocado sobre a mesa um baralho de tarô, e os convivas se empurram para pegar as cartas e poderem contar a sua história apenas com as cartas. O narrador mostra a multiplicidade de sentidos das imagens não simplesmente com todas as histórias, mas também com as diferentes interpretações durante a narrativa, a incerteza, que atinge o leitor.
Na primeira parte ele narra sete histórias completas, todas de reis e rainhas, amores e mortes. Para depois contar todas as outras histórias, momento em que o livro começa a ficar confuso.
O fato mais interessante desse início é que ele cita o Fausto de Goethe, como uma possível história sendo contada, pois há a venda da alma ao diabo (isso se repete na segunda parte) e principalmente uma recontagem da história de Orlando Furioso, poema épico de Ariosto; que se divide em dois capítulos, um narrado pelo próprio Orlando, que perde a razão quando descobre que a sua amada o preteriu a Medoro, um guerreiro mouro na história original, mas que para Calvino é um "rapazeto do séquito", essa narrativa termina com Orlando preferindo permanecer louco. Mas o próximo conviva a contar a história é Astolfo, o primo de Orlando que no original, montado em um hipogrifo voa até a lua (depósito de tudo que é perdido na terra; mas para Calvino o lugar do "e se", daquilo que não se realizou), e lá recupera a razão do paladino. Esse é um poema do Renascimento, em que seus personagens estão em uma estalagem junto com outros personagens de histórias famosas, como o leitor percebe continuando a leitura.
Na segunda parte descreve-se a taverna, e entrega-se um novo baralho de tarô (eu achei o desenho desse muito mais decifrável) e as pessoas presentes mais uma vez se precipitam sobre as cartas para  contar a sua histórias. Mas tudo fica muito mais confuso, pois duas ou mais histórias são contadas simultaneamente, pois as carta batem, mas nem sempre, criando lacunas na minha cabeça. E então eu comecei a reconhecer histórias, como a busca pelo santo Graal, ou a mais especificada de Sófocles, Édipo Rei.
Então o narrador conta a sua própria história, em que ele é mesmo um escritor. Segue por um tempo no tarô, tenta contar sua história, mas na verdade conta muitas outras, pois esse é o seu trabalho, e ele reconhece sempre novas em situações parecidas ou mesmo iguais. Até que passa para os quadros e os museus (momento em que Calvino subiu ainda mais no meu conceito!). É depois de uma longa discussão sobre o ato de narrar, que vem o sistema das histórias contadas na taverna.
Nesse ponto eu parei e fiquei com fortes tendencias a voltar e reler o livro. Três das grandes tragédias de Shakespeare estão ali: Rei Lear, Macbeth e Hamlet. Como assim eu não reconheci nenhuma??? Essas três histórias são contadas simultaneamente no último capítulo do livro. Brilhantemente! Talvez Calvino tenha deixado de lado o "to be or not to be that's the question", mas lembra-se da também memorável cena do "rato". Não pude deixar de rir da pretensão do autor em resumir em 5 páginas 3 das maiores tragédias de todos os tempos. Ou mesmo de unir esses personagens em uma taverna/castelo junto com Orlando, Parsifal, Édipo e outros muitos que poderiam pertencer a diferentes épocas e lugares.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Visconde Partido ao Meio - Italo Calvino


Estou com problemas para começar a minha monografia, não tenho tema nem orientador! Conversei por email com uma professora que é especialista em literatura italiana, e consegui uma reunião. Para não chegar sem nada, fui na biblioteca sexta e li parte de um livro dela, e uma tese de mestrado em que ela era orientadora. Decidi que eu gosto mesmo é do Calvino, a ideia principal é com Cidades Invisíveis, mas achei melhor aumentar as possibilidades e peguei na biblioteca O visconde partido ao meio e também O castelo dos destinos cruzados (vou começar a lê-lo em 3, 2, 1...).
O que eu mais gostei em ler o Visconde? Fácil! Eu já o havia lido quando estava no colégio, ou talvez fundamental, mas não me lembrava ao certo dele. Enquanto eu o lia eu finalmente achei uma imagem que sempre ficara na minha memória e eu não consegui saber de onde, que é a vila em que moram os leprosos, Pratofungo. A leitura valeu por isso.
Não quero dizer com isso que não haja nada de melhor. Muito pelo contrário. Esse livro faz parte da trilogia Os nossos antepassados, que tem também O barão empoleirado e O cavaleiro inexistente. E para mim é como uma alegoria do mundo real.
A história começa com o visconde Medardo de Terralba indo para a guerra entre cristãos e turcos, e no primeiro combate (após a viagem para o campo de batalha em que ele e seu escudeiro passam por atrocidades, cuja imagem mais forte são as cegonhas, e não abutres, comendo a carne dos mortos) é acertado por uma bala de canhão que o divide ao meio. Sendo que os médicos do exército cristão encontram apenas a parte direita que volta para Terralba e prova ser o mais mau de todos os seres. Governando com terror e afastando todos de si. Força seu artesão construir máquinas engenhosas de tortura e para matar; divide tudo ao meio: flores, frutas, animais... Tenta matar seu sobrinho (o narrador) mais de uma vez, e ainda despacha sua babá para a vila dos leprosos apesar de esta não estar doente.
Quando depois de algum tempo de todo esse terror aparece a outra metade de Medardo, só bondade, que ajuda a tudo e a todos, acreditando que é possível criar um mundo utópico que se resume na máquina que ele quer criar que seria ao mesmo tempo um órgão, um moinho, um forno e uma rede para capturar borboletas. A pesar de fazer de tudo para que todos fiquem bem, também ele acaba cansando os moradores de Terralba, por falta de equilíbrio.
As  duas metades se apaixonam pela mesma pastora, Pamela, que eu não consegui entender se ela realmente gostava deles, ou se ela estava fazendo aquilo que era esperado pela sociedade. Apesar de ter algumas atitudes de revolta. Essa parte eu realmente não gostei! Ela estava disposta se entregar para o Infeliz, mas nos seus termos, e se entediava com o Bom mesmo confiando nele. Ela aceita a se casar com os dois deixando para a sorte o desenlace dessa sua ação.
Acaba se casando com o Bom, pois o Infeliz na pressa acabou caindo do cavalo. Mas chega à Igreja e diz que Pamela é sua esposa pois ele é Medardo de Terralba. Ambas as partes decidem duelar, ferindo-se depois de muito tempo na extremidade em que foram partidos. O médico os une, trazendo alegria e prosperidade para a região. Apenas o sobrinho/narrador é quem continua incompleto, sem nunca ter encontrado nenhum amigo de fato.