domingo, 12 de outubro de 2014

A identidade - Milan Kundera

Esses dias teve promoção do Submarino. Promoção de qualquer tipo já me enche os olhos, de livro então, só fica melhor se for um box: presente de dia das crianças adiantado!! Meu pai me deu um box com 5 livros do Milan Kundera. Ficaram alguns dias na prateleira me olhando e implorando pra serem lidos. Não resisti, mas pra não comprometer as outras leituras eu peguei o menor de todos - A identidade.


O livro conta a história de um casal, não tão jovem assim, que passa por uma crise a partir do momento em que a mulher, Chantal, se dá conta de que os homens já não olham mais para ela. Seu parceiro, Jean-Marc - na tentativa de fazê-la se sentir bonita resolve escrever uma carta se passando por um admirador secreto, no entanto ao perceber a reação de Chantal continua lhe escrevendo. Chantal por sua vez, não suspeita de início que seu admirador é Jean-Marc, e mesmo não dando tanto valor ao fato ocorrido, acaba escondendo a carta e seu conteúdo. Mas, ainda assim não consegue deixar de agir de forma a agradar esse desconhecido.
Tudo desanda, quando Chantal descobre que Jean-Marc descobriu a existência das cartas e não falou com ela sobre isso. É então que ela suspeita dele, e deixa a entender que sabe o que ele fez, assim Jean-Marc também começa a criar suas suspeitas, sobre o que seria uma brincadeira inocente se tornar o fim do seu relacionamento perfeito. As suas dúvidas não giram em torno de uma possível traição de Chantal, mas sim um questionamento quanto a sua personalidade. Pois ele a adorava, e achava especial o fato de ela conseguir ter duas caras, uma que ela usa em um emprego que ela apenas suportava por causa do salário, e a outra que era só dele, a verdadeira Chantal. Só que agora ele já não tinha mais tanta certeza qual era a real.
Nesse momento do livro, muitos fatos estranhos já ocorreram, e apesar da sua incongruência, continuamos a ler na espera de um final fantástico. No entanto, com a crise do relacionamento deflagrada esses fatos estranhos ficam ainda mais estranhos e mais recorrentes. Até que eles acordam de um sonho.
Sim!! É isso mesmo era um sonho! Recurso utilizado por adolescentes em aula de redação, criam uma história tão absurda que não sabem como acabar, e então dizem: foi tudo um sonho. Mas é claro que Milan Kundera não faria isso, ou pelo menos não faria de uma maneira tão crua. Ao admitir que foi um sonho ele coloca muitos questionamentos. De quem fora o sonho? A partir de que momento o sonho começou? O único fato que parece ser concreto é que ela realmente um dia constatou que os homens já não olhavam para ela, e comunicou  isso a Jean-Marc.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Se eu ficar - Gayle Forman

Minha mãe voltou de viagem faz um tempo e declarou que queria ir ao cinema. Eu sinceramente sou contra ir ao cinema de final de semana, principalmente domingos. Gosto de ir durante a semana, de preferência à tarde, até mesmo na hora do almoço. A coisa é pegar a sala vazia. Tenho pavor de sala de cinema cheia. Convencendo minha mãe quanto a data e o local, faltava escolher o filme. Cinema é muito caro e passa muita porcaria. Ainda não fomos ao cinema, mas já decidi! Quero assistir Garota Exemplar. De qualquer forma, quando minha mãe sugeriu o cinema, eu queria assistir Se eu ficar. O trailer desse filme passava a cada dois segundos. Eu realmente gosto de um drama, mas desde o dia da estréia nenhum dos cinemas que eu costumo ir o colocaram em cartaz. Foi então que eu descobri que o filme era baseado no livro. Quem não tem cão caça com gato.... e eu sempre amei gatos!

O livro começa com uma cena familiar muito reconfortante. O pai um ex-rebelde, ex-roqueiro agora professor, a mãe uma ex groupie que agora trabalha em uma agência de viagens, um menino fofo de uns oito anos de idade, e a nossa protagonista, uma adolescente, no último ano do colegial, que se candidata para a Julliard, sendo uma excelente violoncelista.  Todos estão na cozinha tomando café da manhã, quando por causa de muita pouca neve é anunciado que as escolas não irão funcionar. Diante desta perspectiva os pais decidem também faltar nos seus empregos e fazerem um passeio em família. No entanto, esse passeio acaba em desastre. Os pais morrem na hora, e os filhos são levados para hospitais diferentes.
Mia, a violoncelista. Depois do acidente acorda, levanta-se e circula em meio a destruição, até encontrar o próprio corpo. Ela não sabe se está morta ou não. Até que a ambulância chega e a leva para um hospital, onde passa por uma série de cirurgias e fica em coma na UTI, enquanto seu eu extra-corpóreo vê tudo, sem saber o que fazer. Até o momento em que seus avós estão com ela e uma enfermeira os informa de que ficar é uma decisão dela.
Em um curto espaço de tempo Mia passeia pelo hospital e pelas suas lembranças do passado, tentando decidir entre ficar e encarar uma vida completamente diferente daquela que ela conhecia até então, ou ir embora, para o desconhecido, com a esperança de se encontrar com a sua família.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

É agora... ou nunca - Marian Keyes

Eu pretendia ler a Ilíada, mas me deu uma vontade louca de comédia romântica na semana passada. Devo ter assistido no mínimo umas quatro, ai na hora de ler o jeito foi parar no segundo canto, e escolher entre a Marian Keyes e o Nicholas Sparks, sou mais ela, os finais tendem a ser feliz, enquanto que ele tem o costume de sempre colocar alguém doente em uma cidade litorânea e fazer todo mundo chorar. E por incrível que pareça não é que É agora... ou nunca tinha um personagem doente também, e eu chorei de qualquer jeito....


O livro gira entorno da vida de três amigos de infância nos seus trinta e poucos anos. Tara, Katherine e Fintan. Os três nasceram em uma cidadezinha no interior da Irlanda, e com vinte anos resolveram se mudar para Londres. Tara fora a menina mais bonita na sua adolescência sempre namorando. O namorado da vez é Thomas um machista chato que fica constantemente ofendendo as pessoas com a sua sinceridade. Katherine é a mocinha toda certinha com um apartamento todo arrumado, roupas sérias e um emprego seguro, e que tem um bloqueio com homens por causa do seu primeiro namorado, história que só é contada no final, mas que dita todo o seu comportamento. Fintan é um homem bonitão, todo estiloso, trabalha com moda, e já encontrou o amor da sua vida um arquiteto italiano chamado Sandro, no entanto descobre que está com câncer e tem que se submeter a quimioterapia, vendo sua vida perfeita desmoronar. Eles ainda tem uma amiga chamada Liv, uma sueca, que por um tempo morou com Tara e Katherine, uma moça um tanto quanto complicada, como ela mesma diz mais para o final do livro ela não nasceu para ser feliz, mesmo naquele momento tendo tudo que poderia querer.
Existem ainda outros personagens que tem o seu papel na história, que no começo parecem meio deslocados, mas que no final se juntam fazendo com que Londres pareça um ovo.
A ação em si do livro começa quando Fintan fica doente e com a perspectiva de morrer jovem começa a perceber que suas melhores amigas estão desperdiçando suas vidas, Tara com um homem grosseiro só porque tinha medo de ficar sozinha, e Katherine sozinha por medo de ser rejeitada. Assim ele faz com que Tara prometa largar o Thomas, ou ao menos pedir para que ele se casar com ela, e que Katherine dê em cima de Joe Roth, um homem de seu trabalho que já a convidara para sair, mas que ela rechaçara para se proteger, mas por quem sentia forte atração. Todos eles estavam no sufoco do Agora ou Nunca. Precisavam dar um rumo para sua vida.
De início as duas se recusam a cumprir o que foi prometido, achando que não havia sentido no que dizia respeito a si mesma, apesar de concordarem quando se tratava da outra. A primeira a fazer algo foi Katherine que logo se viu envolvida em um relacionamento perfeito que no entanto sofre um grande abalo no final, mas tudo fica bem pois é Marian Keyes e não Nicholas Sparks. Tara é mais resistente, e prefere ficar em um relacionamento ruim a ficar sozinha, até que Fintan a liberta de sua promessa, então ao invés de se sentir aliviada ela percebe que terminar é a melhor opção, e apesar de todo o seu sofrimento e o medo terrível de não ter mais tempo de encontrar alguém, ela acaba muito bem sozinha, um tanto inclinada por alguém que você, leitor, torce pra ela ficar desde o começo.

No fim todos têm aquilo que merecem. A felicidade não parece assim tão difícil se você corre atrás dela. Uma leitura fácil, dinâmica e envolvente. Era exatamente do que eu precisava.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

As crônicas de gelo e fogo - A dança dos Dragões - George R. R. Martin

Uma das melhores coisas de ter cursado Estudos Literários é que quando você conhece alguém, e ele te pergunta o que você faz, ou no que é formada, ele logo entende que você realmente gosta de literatura, e deve ler constantemente, assim há uma chance de 90% de ele, ou ela, te indicar um livro, o seu favorito, contar qual foi o último que leu, ou falar sobre que tipo de livros que gosta. Com isso, eu acabo sempre com uma lista ainda maior de livros para ler antes de morrer, e fico sabendo um pouco mais sobre a pessoa... é como quando você tem acesso a playlist de alguém, tanto um gosto musical quanto um gosto literário podem falar muito sobre você.
Assumo que muitas vezes que me falam o livro eu me esqueço, eu preciso anotar, e colocar na lista. Sério a lista dos livros para ler antes de morrer existe!
Em 2012, me indicaram As crônicas de gelo e fogo. Segundo ele se eu gostava de Senhor dos Anéis eu deveria ler esses livros gigantes, pois tinha toda a aventura de um mundo  detalhadamente inventado e além disso um fator mais intelectual, na minha opinião adulto e brutal. Lembro que na época eu tinha que ler Otelo para a faculdade, e as primeiras páginas de A guerra dos tronos me pareceram insuportáveis, mas eu ia dar uma chance, ele tinha sido muito insistente quanto à qualidade dos livros. Otelo fluiu que foi uma beleza! Mas que os elogios sejam dados, os livros te cativas, não os considero ótimos, mas Martin cria uma trama tão complexa com tantas reviravoltas e mortes de personagens que você considerava essenciais, que da metade pro final no primeiro livro você quer levá-lo consigo para todo lugar, algo impraticável, dado seu tamanho. O segundo livro tem a mesma característica. Mas, a partir do terceiro, eu pelo menos, já tinha uma relação íntima com os personagens e ler era como bater um papo.


Se me perguntarem o maior problema desses livros eu respondo sem pestanejar: a porcaria do autor planejou escrever 7 livros e até agora só publicou 5. Sério, e se o brother morrer? Todo mundo que leu, ou lê, os livros faz esse questionamento. Aqueles que só assistem a série respondem que ele cotou o final pros roteiristas ou produtores, não lembro. Mas o fato é que eu não faço ideia de como vai terminar e eu ainda vou ter que esperar muito pra saber, podendo nunca vir a saber. Isso é horrível, e quase me fez não ler esse último livro publicado. E já nem sei se me arrependi. Agora o jeito é esperar!

Propositalmente não vou descrever nem uma linha do livro. Primeiro odeio spoilers, e tanta reviravolta desde o primeiro que falando algo banal desse volume posso estar estragando o início da leitura de alguém. Além disso a história é muito complexa, e eu só me arriscaria a fazer um resumo se eu tivesse feito isso desde o primeiro....

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A minha volta e as minhas desculpas: Lolita - Vladimir Nabokov



Não me lembro o ano exato em que meu pai me deu Lolita, definitivamente eu já estava começando a minha coleção de livros, e como ele ganhara da assinatura do jornal um exemplar dos clássicos da literatura, ele me deu. Não li logo de cara, me incomoda até hoje a sua capa, o papel que escorrega e amassa, e a verdadeira capa dura sem nada escrito, de um azul calcinha... Alguns anos depois decidi ler, interessante... mas não me pareceu interessante o suficiente para terminar, ficou anos na prateleira, com a página marcada esperando pela sua segunda chance. Um dia eu o abri, tirei o marcador laranja de borracha lá pela página 100 quando Humbert Humbert lê o nome de Lolita entre os dos seus coleguinhas de sala e me instiguei a começar tudo de novo e dessa vez terminar. Processo muito fácil, se você se dedica a essa leitura, se dá uma chance de entrar na mente do narrador, seguir seus pensamentos e quase considerá-lo inocente! Quase atrasei a minha viagem de ano novo para conseguir terminar, li durante o natal descaradamente... hoje o considero um dos melhores livros já lidos.


Há alguns meses recebi comentários no blog, coisa inédita. As mensagens ainda não foram respondidas e isso ficou me atormentando, todo esse tempo. Mas, verdade seja dita, eu preciso de rotina! Consegui durante mais de um ano escrever um pequeno comentário sobre todos os livros que eu lia. Mas quando chegou um fim de ano mais animado, no entanto repleto de leituras, sem tempo para escrever provavelmente sobre cinco livros, quase um mês depois de lidos, eu desanimei. Desisti. Aceitei que não teria mais um guia de todas as minhas leituras, se minha memória falhasse, o que infelizmente muito ocasionalmente ocorre, eu teria que reler o livro... tudo bem, eu sei que isso não é um sacrifício.
Contudo, eu voltei. Voltei para me organizar. Voltei para colocar também o blog dentro da minha rotina. Voltei para responder aquelas mensagens. Fica voltando na minha cabeça uma recomendação feita que eu não li...
Então, um básico resumo do que foi lido desde o dia 25 de dezembro quando eu terminei o inestimável Lolita. Não em ordem, que ai já fica mais difícil.

A triologia dos Jogos Vorazes - Suzzane Collins - Eu peguei esses emprestados com o meu primo durante o natal. Ele e meus outros primos falaram muito bem, disseram que não era exatamente como no filme, tinha um sentido por trás. E eu resolvi ler, ler nunca faz mal. Do primeiro eu gostei, o segundo também, nada de mais para nenhum dos dois, mas não fora tempo perdido. Já o terceiro, eu não sei, comprova a minha teoria, que poucos são aqueles que conseguem terminar, bem terminado, uma série de livros. Achei o último uma porcaria.
Terminei também Cidadela - Antoine de Saint-Exupéry - livro que eu comecei a ler por causa de sua referência em um dos textos para a minha monografia, terminada e apresentada muito antes de chegar ao meio. Sobre o livro eu não sei o que dizer. Acredito que talvez eu não tenha maturidade o suficiente para lê-lo e compreendê-lo. A cada dez páginas eu tinha que fazer uma parada para conseguir entender o que eu tinha lido, tentar filosofar e criar meu próprio ponto de vista... hoje, meses depois de ler, fico com a impressão de que eu não concordava muito com o que estava lá.
Outro livro que eu descobri quando estava pesquisando para a monografia foi Nós - Evgueny Zamiatin - uma distopia muito interessante, cujos personagens não possuem nomes mas códigos, como o narrador D-503, que sofre de uma doença, a paixão, e por causa de I-330, acaba se envolvendo com os revolucionários que querem escapar do Benfeitor e ir para o outro lado do muro.
Falando em muro, estou já do meio para o final do último dos livros das Crônicas de Gelo e Fogo - George R. R. Martin, publicado A dança dos dragões. Desesperada como qualquer leitor dele de que ele morra antes de publicar os outros dois. Tentei assistir a série, fui até o final da primeira temporada, não me cativou!
Li, para não perder o costume, e para matar a saudade Orgulho e Preconceito - Jane Austen. Para me manter romântica comecei também Emma, mas ainda não terminei, estou lendo por e-book e isso cansa. Como eu já o li uma vez antes em inglês, já vi o filme com a Gwyneth Paltrow e umas outras versões, assumo que estou deixando ele para depois.
Li também como e-book A culpa é das estrelas - John Green, li em menos de um dia, e logo em seguida fui ao cinema. Morri de chorar no livro, derrubei poucas lágrimas no filme. É aquele romance meloso que toda garota precisa de vez em quando, o suficiente pelos próximos dois anos. Reli, acho que meu livro infantil, lido apenas aos 24 anos de idade, favorito de novo O Castelo Animado - Diana Wynne Jones, e também mais um da coleção dos Mundos de Crestomanci, A semana dos Bruxos, que infelizmente nem é tão bom quanto os outros quatro que eu já li dela, mas fazer o que ninguém é perfeito, nem mesmo Diana Wynne Jones! Resolvi dar uma relaxada com os livros sempre divertidos de Marian Keyes - Casório?! O livro vei tão cheio de erros ortográficos e a narradora era tão estupida, se arrastando por um cara que ela mesma descrevia como o maior babaca do mundo, que eu fiquei mais triste do que feliz, de novo um ruim depois de três muito engraçados. Li também o fantástico e recomendadíssimo Grandes Esperanças - Charles Dickens, a história de Pip que quando criança após ajudar um fugitivo nos pântanos, e passar a visitar a casa de miss Havisham, adquire grandes esperanças ao herdar uma fortuna anônima. Comecei também, mas ainda não tive tempo de terminar Ana Karenina - Tolstói. Comecei a lê-lo no mesmo dia em que assisti o filme com a Keira Knightley, parabéns Joe Wright! A cena no filme do baile em Moscou, enquanto Ana Karenina dança com Vronski, sem ela a cena no livro seria simples demais, sem metade da emoção. Estou amando o livro, uma pena que esteja em e-book.
Finalmente, depois de mais de um ano, talvez até dois, eu terminei A montanha mágica - Thomas Mann, o livro é bom, o final especialmente, no entanto é muito filosófico, e assim como Cidadela, não me permitia avançar muito por vez. É um livro muito longo e por vezes muito cansativo, no entanto aos corajosos eu recomendo, me sinto mais completa, ou inteligente, não sei a palavra ao certo para isso... bom, mas pouco provável que seja relido.
Talvez um dos melhores lidos até agora seja Peter e Wendy - J. M. Barrie, a versão em romance da esterna história de Peter Pan. A primeira coisa a dizer sobre esse livro é que eu gostaria que todos os meus amigos lessem para discutir comigo. Eu sempre tive a impressão que eu sofria gravemente da síndrome de Peter Pan, medo de crescer e ter que me encaixar na sociedade... no entanto esse Peter não é como o da Disney, ele é muito mais complexo, as coisas que acontecem na ilha são muito mais fortes. Eu gostaria de um amigo para conversar.
Em um dia que eu tirei para mim, e só para mim, eu fui almoçar no shopping, ao cinema, comi um brownie delicioso e comprei O rei de amarelo - Robert W. Chamber, um livro de contos, os primeiros fantásticos, os últimos não. Adorei. Não tinha como não gostar. Os meus contos favoritos foram o Emblema Amarelo e A Demoiselle d'Ys, mas pelo que eu lembre todos foram bons, fantásticos, por assim dizer.
Tive também uma vontade repentina de reler Harry Potter, li os três primeiros, chegando no começo do quarto, eu resolvi ler livros inéditos, o guardei na prateleira, e quando a vontade surgir de novo eu começo pelo Cálice de Ouro, mas sem nunca chegar no infeliz As relíquias da morte.
E por último, mas na verdade eu li em janeiro, muito provavelmente O dia de um escrutinador - Italo Calvino. Colocado aqui como o último que eu consegui lembrar, e o último que eu estou disposta a listar. Não deveria ter lido tanto, que eu já teria terminado, e estaria estudando agora... mas fazer o que ler é o modo mais barato de viajar, como andam dizendo por ai!
Um pouco menos de 20 livros em um pouco menos de nove meses. Logo mais eu estou de volta.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Spider - Patrick McGrath

Fiquei muito tempo sem ler, e nem percebi. Eu percebia os livros se acumulando no canto da mesa, percebia que alguns já estavam até empoeirados. Mas eu não sentia falta. Como? Como isso foi possível? Eu tenho uma explicação razoável! Depois de seis anos, enfim, eu sou uma pessoa formada! Li muito nesses dias, li teoria, li e reli minhas próprias palavras até que elas se esvaziaram de sentido, e tudo aquilo que eu achava interessante era só algo que deveria ficar pronto. Está pronto, não está perfeito, mas está acabado. Que venham as férias e as leituras.
Na verdade esse livro deveria ter sido lido antes do final do semestre, e deveria ter sido usado para fazer um trabalho de uma matéria de literatura fantástica contemporânea, no lugar de O terror, cujo final havia tanto me desgostado. No entanto, esse livro era maior, muito mais complexo e outro já tinha sido lido, já estava todo cheio de marcadores... e no final o fim do livro depois de uma análise bem feita, me pareceu muito melhor, cheio de significados. E Spider ficou em cima da mesa esperando a sua vez.


Spider é o diário de um homem perturbado. Que segundo ele tinha acabado de voltar para Londres depois de ter passado 20 anos no Canadá (isso ficou meio confuso, quando ele voltou de ônibus... veja bem. Mas não é muito possível confiar nele depois de um tempo...), e se instalara em uma pensão, em um quarto no último andar, que ficava abaixo do sótão, onde criaturas faziam barulhos incessantes durante à noite. No seu retorno ele decide escrever o diário onde contaria a história de sua vida, em especial os acontecimentos envolvendo sua mãe e seu pai, quando ele tinha 13 anos.
Na parte inicial do livro Dennis Cleg, cuja mãe o apelidara de Spider, conta sobre sua infância, a relação íntima que tinha com sua mãe, e a distância de um pai inferior intelectualmente, que passava as noites no pub local. Em uma de suas idas ao pub o pai de Dennis conhece a prostituta Hilda Wilkinson, e quando eles vão se encontrar em uma noite, Dennis vê sua mãe saindo de casa para procurá-lo, mas segundo Spider é por ele morta e enterrada. E quando o pai volta para casa traz com ele Hilda que assume o lugar de sua mãe. A partir disso Dennis torna-se mau, ele encontra uma forma de se esconder em seu próprio cérebro da realidade e ainda conviver com a mãe, enquanto planeja uma forma de se livrar do pai, a quem ele acusa de ter matado sua mãe.
Então Spider interrompe a narração de sua infância para narrar os 20 anos que ele passou em uma clínica psiquiátrica, onde ele melhorou seu método de escape, e foi considerado um paciente dócil, até que ele foi mandado de volta para a realidade, e para Londres. Nesse ponto o passado e o presente começam cada vez mais se confundirem, Spider já é um ele, enquanto quem narra é Dennis, que começa a ver todas as pessoas, inclusive ele mesmo, como alguém já morto. Ele tem, por exemplo, a certeza que sua anatomia interna já mudou, que perdeu um pulmão, e que no outro mora um verme, que ele é um ninho de aranhas, e aos poucos ele é colocado de frente com a realidade até que não a suporta mais.

Não dá pra dizer mais sem estragar o livro, que por sinal é muito bom! Recomendo a leitura.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O castelo animado - Diana Wynne Jones

O dia em que eu descobri que esse livro existia fui tomada por uma alegria inexplicável. Meu pai assinara um mês de scribd, o que foi perfeito para mim que tenho uma lista de livros enorme de livros para ler antes de morrer. Fiz download só na primeira semana de mais de 10000 páginas só de romances clássicos em português, ou em versões bilíngues. Cheguei a ficar preocupada com a possibilidade de meu pai ser processado. Finalmente me livrei do inútil vício em Candy Crush, para me viciar em Scribd, eu começava a estudar e então um livro me vinha na memória, e lá ia eu perder mais de uma hora enchendo meu computador de livros que só serão lidos daqui um bom tempo, procurava livros para amigos... o importante era estar logado! No entanto, só no último dia de assinatura eu me lembrei de procurar livros que não fossem clássicos, fui procurar um pouco de Nicolas Sparks para minha irmã, foi quando eu decidi olhar a minha estante de livros e ver que outros autores eu tinha me esquecido. Foi quando eu cheguei na Diana.
Para explicar o que eu sinto por ela, eu teria que retomar toda a minha história com a literatura. Dos tempos em que meu pai lia para mim e para minha irmã contos orientais, quando eu comecei a me apaixonar por mitologia e fábulas... Diana Wynne Jones para mim é uma precursora da J.K. Rowling, que apesar de uma escrita mais voltada para crianças do que adolescentes, ela criou um mundo muito mais interessante do que Harry Potter onde o mundo dos bruxos faz parte do nosso, mas faz questão de permanecer escondido. Diana criou mundos paralelos, no conjunto de livros denominado Os mundos de Crestomanci, minha primeira paixão literária. Eu ganhei três livros dessa coleção quando era pequena, e por algum motivo meus pais não terminaram de me dar todos, e eu nem soube que haviam outros tantos. Descobri isso só recentemente, cheguei a procurar em livrarias virtuais, achei apenas um, mas não comprei.
Imagina então quando eu fui pesquisar no scribd, e não só achei alguns dessa coleção, como também encontrei O castelo animado, que para mim era apenas uma animação japonesa que só fica atrás de A viagem de Chihiro. Eu não sabia se eu logo aceitava que realmente existia o livro, ou se era só uma questão de nomes iguais. Era o mesmo! E então eu consegui por um mês não lê-lo. Mas não deu, sexta feira passada eu estava morrendo de sono, sem chances de fazer a minha monografia, e então ao invés de dormir na biblioteca eu resolvi começar a ler, terminei no mesmo dia. Ontem assisti a animação. E hoje sou uma pessoa atrasada mas extremamente feliz!


O livro conta a história de Sophie Hatter a mais velha de três irmãs, que vivia num mundo em que a magia era comum, e que quando as pessoas saiam para encontrar o seu destino, elas encontravam. E por ser a mais velha Sophie estava destinada a ser a pior de todas, e por isso conformou-se a essa situação. E quando seu pai morreu, ela aceitou ficar na chapelaria que ela herdaria com a morte da madrasta como aprendiz, já que ela tinha jeito para a costura, enquanto Lettie a irmã do meio e muito bonita foi mandada para um café, onde ela encontraria um marido e seria feliz, e Martha a mais nova foi estudar magia com uma amiga de sua mãe, pois sendo a mais nova era a que deveria brilhar.
Sophie trabalha arduamente, não sai de casa, e passa a conversar com os seus chapéus, enquanto a vida lá fora corria, e ela ficava cada vez mais amedrontada. Quando chegou o primeiro de maio, e a cidade estava em festa ela decidiu visitar Lettie, de cinza, toda encolhida, ela atravessa a multidão apavorada, quando é abordada por um belo jovem que é muito agradável. Mas ela logo chega ao café, e descobre que Martha e Lettie trocaram de lugares, através de magia Martha mantinha a aparência de Lettie e tinha vários admiradores, mas estava apaixonada por um rapaz, e queria ter dez filhos. Nesse dia Martha instiga Sophie a sair de casa, pois acreditava que sua mãe a estava explorando, e que ela não era tão boa assim.
Sophie volta para casa, e tenta descobrir se isso era verdade. Desconfia, mas ainda assim nada faz. No entanto, um dia chega na loja uma bela dama, muito mais rica do que suas clientes, e quando Sophie se irrita com ela, descobre que essa era a Bruxa das terras desoladas, e está joga um feitiço em Sophie, a transformando em uma senhora de 90 anos que não poderia contar a ninguém sobre o feitiço. Quando Sophie pergunta por que ela fez isso ela diz que é por causa de Howl, um bruxo que tem fama de comer o coração das jovens bonitas, e que vivia no castelo animado que rondava os arredores da cidade em que Sophie morava. A jovem que agora era uma senhora não consegue entender a ligação entre ela e Howl. E com medo da reação de sua família decide fugir, sem saber exatamente para onde ela estava indo.
Anda e anda, até que percebe que está velha e precisa de uma bengala, ela então encontra um galho em meio a arbustos e tenta puxá-lo, e descobre que ele era o pé de um espantalho, com o qual ela conversa. Depois procura de novo, e encontra um outro que estava junto a um cachorro quase enforcado, ajuda o cachorro e ganha uma bengala. Continua a andar até que está muito cansada, e vê o castelo animado de Howl, e o cansaço ganha do medo e ela consegue entrar no castelo.
Lá ela conhece Michael o ajudante de Howl, que muito a contragosto deixa ela ficar durante a noite, e também Calcifer o demônio do fogo, que fez um pacto com Howl, e por isso era obrigado a ficar no castelo e movimentá-lo. Calcifer logo vê que Sophie está sob um feitiço e faz um acordo com ela, ele irá quebrar o feitiço dela, se ela quebrar o acordo entre ele e Howl, e para isso ela teria que ficar no castelo, o qual Sophie aceita.
No dia seguinte de manhã Sophie conhece Howl, e vê que ele era o jovem com que conversara no primeiro de maio, e lhe informa que é a nova faxineira. Ela não diz que sim nem que não, uma de suas principais características é que ele sempre se esquiva das perguntas, o que faz com que Sophie só descubra as coisas a partir das informações de Michael e Calcifer. Os dois de início parecem não gostar muito de Sophie, mas com o tempo eles vão se aproximando e ganhando uma rotina, da qual Sophie faz parte.
Sophie descobre que Howl não come o coração de jovens bonitas, mas que na verdade ele se apaixona muito fácil, e faz com que as jovens se apaixonem por ele, e quando a conquista está completa ele perde todo o interesse e desaparece, quebrando muitos corações. Bem nessa época Howl está apaixonado por uma jovem que não lhe corresponde, o que o deixa muito inconformado. Um dia ele revela que a jovem é Lettie Hatter. O que não desespera só Sophie mas também Michael que está apaixonado por Lettie, só que a Lettie de Michael na verdade é Martha, enquanto que Howl realmente visita a verdadeira Lettie, que um dia parece corresponder. E que Howl deixa de visitar com tanta frequência pois devido a um incidente causado por Sophie, o mago descobre qual é a maldição que a bruxa das terras desoladas jogara nele, depois que ele a abandonara, para isso ele tem que ir para Gales, sua terra natal, do nosso mundo, que não conhece magia.
Em meio a tudo isso no mundo de Sophie existe uma grande confusão, o mago real desaparecera, assim como o irmão do rei que fora buscar pelo seu amigo, e o rei queria que Howl mais poderoso bruxo saísse a procura do príncipe. Howl é covarde e não quer ir, pois teria que entrar nas terras desoladas. Para não ir decide enviar Sophie ao castelo do rei como sua mãe para denegrir sua imagem e conseguir se safar. Mas antes leva Sophie para conhecer sua antiga professora, uma senhora muito velha que informa Sophie de que também ela é uma bruxa. Depois ele vão ao castelo onde tudo sai diferente do planejado quando Sophie não consegue encontrar defeitos em Howl pois gostava dele, e além de tudo Sophie se perde, encontrando a Bruxa das terras desoladas no caminho de volta, logo depois de ela assassinar a antiga professora de Howl, e dizer que ela vai encontrá-lo. E de fato encontra quando Howl decide ir ao enterro da professora disfarçado, mas é descoberto.
Então eles travam uma batalha, e quando Howl volta muito cansado diz que eles precisam se mudar, levando muito em consideração a opinião de Sophie mostrando que ele também gostava dela. A vida segue, até que a profecia da Bruxa das terras desoladas está para se completar, e Sophie achando que tudo era culpa dela tenta ir resolver tudo, mas acaba por isso por terminar a profecia. Mas Howl vai salvá-la, destrói a bruxa, resgata o mago real, o irmão do rei, e quase morre. Sophie é que o salva, pois enfim consegue quebrar o contrato entre Calcifer e Howl, devolvendo a liberdade de um, e o coração do outro. Então ela retorna a sua idade real, e eles se declaram, e todos vivem felizes para sempre.