domingo, 18 de agosto de 2013

Os senhor dos anéis - As duas Torres - J.R.R. Tolkien

É engraçado como toda vez que eu sinto necessidade de reler Os senhor dos anéis o primeiro livro é lido com todo o amor e carinho, e os outros dois ficam relegados à simples tarefa de não parar antes de terminar. Contudo, dessa vez foi diferente, li bem devagar As duas torres, um pouco comparando com o filme, um pouco pensando em o que colocar aqui, já que eu tenho essa incapacidade de resumir esses livros. E não é que dessa vez eu gostei muito, muito mesmo do livro.
Faz uma semana que eu terminei, e não tive tempo ou computador para vir aqui registrar, e tempo é o que mais me incomodou, pois assim que guardei As duas torres, já desci com O retorno do rei, mas ele está aqui do lado, lido apenas as 5 primeiras páginas, Pippin se quer desceu do cavalo em Gondor.... mas isso é adiantar os fatos.

Esse livro começa com a defesa desesperada de Boromir contra o ataque de orcs, e a sua morte, tal como acontece no final do primeiro filme. Aragorn ainda o encontra com vida, e promete a ajudar com a guerra dos homens. Quando Gimli e Legolas o encontram eles precisam decidir entre ir atrás de Frodo e Sam de quem eles conseguem supor o caminho, ou então fazer um funeral correto para Boromir e então seguir e recuperar os outros hobbits. Eles decidem pela segunda opção e começam uma caçada alucinada, que termina após encontrarem um grupo de homens do Rohan, que na noite anterior haviam atacado o acampamento dos orcs e destruído tudo. Eles emprestam cavalos aos últimos membros da comitiva, que prometem voltar para Edoras para se explicarem ao rei. Então a narrativa volta-se para Merry e Pippin que estão passando o maior sufoco nas mão dos orcs que têm a ordem de não machucá-los mas não estão achando isso fácil. Na noite do ataque dos cavaleiros de Rohan, eles conseguem fugir e se refugiam em Fangorn, onde conhecem o ent Barbárvore, para quem contam a sua história, e os fatos do mundo lá fora, e ele diferentemente do que acontece no filme, decide convocar um entebate, onde junto com os outros ents remanescentes decidem o que fazer, depois de uma longa conversa, e não apenas um grito de ordem....
Então a história volta para Aragorn, Gimli e Legolas que seguindo o rastro dos hobbits também entram em Fangorn, e lá reencontram Gandalf, que diz que não era hora de eles continuarem a sua caçada, que os hobbits estavam bem, e que eles deveriam honrar as suas palavras e seguirem para Edoras. Lá chegando, eles de fato devem deixar as armas na porta do palácio, tal qual no filme, no entanto eles não possuem milhares de armas, e ao invés de ser uma cena cômica, é tensa, pois Aragorn se recusa a deixar sua espada lá, revelando-se o herdeiro de Gondor. Eles entram, Gandalf com o seu cajado, e são de fato indesejados lá, mas Saruman não está possuindo Théoden, e seu sobrinho não está foragido, mas sim preso, assim como seu filho fora morto em batalha....
Eles partem juntos para o abismo de Helm, não há uma batalha propriamente no caminho, as mulheres ficam em Edoras.. e Aragorn não se perde... os elfos não vão ajudar... a ajuda que Gandalf traz são dos homens do Folde Ocidental que acreditavam estar mortos depois de uma batalha contra os orcs de Saruman... e onde estão os huorn??? Realmente não sei o que deu no diretor do filme! Era uma guerra dos homens, que venceram pela sua habilidade, e depois não tiveram que queimar os seus inimigos pois uma floresta ali se instalara...
Depois da vitória eles se dirigem para Isengard, que está sob uma forte neblina, obra dos ents que alagaram toda área para limpar a imundice de Saruman. No portão eles são recebidos pelos hobbits, e enquanto todos vão se encontrar com Barbárvore, Aragorn, Gimli e Legolas ficam para comer com os hobbits e conversarem sobre suas aventuras. Depois todos se unem, e vão conversar com Saruman que é subjugado por Gandalf, e no desespero Língua-de-Cobra arremessa um palantir, com a intenção de machucar, mas erra, e Pippin a pega, e fica enfeitiçado por ela, e mais a noite, já no caminho de volta a Rohan ele a rouba, e tem uma "conversa" com Sauron... pouco depois passa sobre eles um Nazgûl, então Gandalf decide partir imediatamente com Pippin para Gondor, e recomenda que Théoden se apresse e vá ajudar na guerra. Assim acaba a primeira parte.
A segunda parte conta as aventuras de Frodo e Sam, e também Gollum na viagem para Modor. E sinceramente nessa parte o filme acertou em pelo menos uma coisa, Gollum! Para mim o Gollum do filme é perfeito para a minha imaginação a forma de falar, andar e tudo mais! Gollum que está seguindo Frodo a muito tempo finalmente é capturado, e após um juramento pelo anel, ele se compromete a levar os dois hobbits para Mordor. E quando eles percebem que não conseguiriam entrar pelo grande portão, Gollum escolhe um outro caminho, maligno, que Frodo acata. Para chegar lá eles passam por Ithilien, onde os homens de Gondor os encontram, e após travarem uma batalha contra servidores de Sauron a caminho de Mordor, voltam e levam os dois para o seu esconderijo (Gollum havia fugido dos homens). Lá o capitão Faramir conversa muito com Frodo, e aos poucos descobre qual a sua missão, ainda mais depois que Sam o revela, mas diferente de seu irmão Boromir, ele não fica tentado, e apesar de o aconselhar a não ir pelo caminho que Gollum escolheu, ele os liberta.. muito diferente do filme, onde Faramir é mais um homem comum que cobiça o poder do anel, e ele não é isso!
Então eles seguem para as escadas, e sobem e sobem, e chegam no túnel. E mais uma vez o filme viaja, e tenta deixar tudo mais dramático... Frodo e Sam estão perdidos na escuridão e percebem que algo realmente muito maligno mora lá há muito tempo, mas não conseguem saber o que é, e percebem que Gollum os abandonara. Quando sentem a aproximação de Laracna, Sam pede para que Frodo use o presente de Galadriel, o que afasta a imensa aranha por um tempo. Então eles procuram a saída do túnel, que está bloqueada por teias de aranha, que Frodo facilmente destrói com sua espada elfica. Então eles saem e a torre está logo ali, e Frodo animado corre para lá sem se preocupar com nada, Sam tenta alcançá-lo, mas então Gollum reaparece e eles lutam, Sam sai vitorioso, mas Frodo já fora picado por Laracna, e mesmo com Sam heroicamente a ferindo, ele acredita ter perdido seu mestre, e decide terminar a demanda, pega o anel, a espada e o presente de Galadriel do seu mestre e se dirige para Mordor. Mas antes de chegar a torre, orcs sobem e descem a trilha. Para se esconder Sam coloca o anel, e escuta toda a conversa dos orcs, e descobre que seu mestre não está morto, e por isso segue os orcs, mas no último momento fica trancado para fora do portão, completamente exausto.
Fim.

Lembro da minha mãe no cinema quando fomos assistir esse filme. Primeiro ela gritou, bem alto, na hora em que a Laracna aparecia de surpresa para atacar Frodo. E depois ela ficou revoltada, e disse que o melhor personagem, o mais corajoso, e que deveria ser o principal era o Sam. Eu gosto dele, mas não concordo com isso.

domingo, 11 de agosto de 2013

Socialismo para milionários - Bernard Shaw


 Eu queria poder escrever agora sobre O retrato de Dorian Gray, mas não posso... outra matéria que eu tive que pegar esse semestre é sobre aforismas, em especial de La Rochefoucauld, e como trabalho final uma comparação ou uma análise de algum outro autor de aforismas. Na aula de apresentação o professor citou Oscar Wilde como um deles, mas uma menina pegou o tema antes. Ele me sugeriu escolher alguma das peças de Wilde, ou então trabalhar com o Shaw, acho que ele me indicou algo como O pequeno breviário Shawniano... Logo depois de falar com ele fui para a biblioteca pesquisar. E entre os livros de Shaw achei esse com um título um tanto interessante. Na verdade nunca lera nada dele, no máximo ouvira falar, mas nunca me interessara o suficiente, não tenho muita experiência em estudar dramaturgia e fiquei apreensiva de fazer um trabalho final com relação a isso... mas esse livro não é uma peça, é um ensaio!
E ele fica muito mais interessante se você conhece alguma coisa sobre a biografia de Bernard Shaw, não que eu saiba muito, li o que havia na introdução do livro. Mas recomendo que leiam sobre ele, parece ter sido uma figura, no mínimo um tanto ante social, segundo o Anedotáriao Shawniano que há no final desse mesmo livro.

Nunca resumi um ensaio, nem sei se conseguiria resumir um ensaio tão irônico. A ironia obviamente não se restringe ao título. Ele inicia questionando o lugar do milionário no mundo moderno, pois o milionário não pode aproveitar essa sua condição, cada vez há mais lojas que preferem o consumidor mediano, que não produzem nada de especial e muito mais caro que poucos poderia comprar. Depois começa a aconselhar os milionários a não gastar o dinheiro deles com aquilo que usualmente se aconselharia. Em primeiro lugar ele não acha que um milionário deveria deixar o seu dinheiro para seus filhos e herdeiros, ele acha que um jovem na posse de uma herança tão grande se desvirtuaria, e que a melhor coisa para um jovem é trabalhar. Depois desaconselha o milionário à doar o seu dinheiro aos mendigos, aos realmente pobres que não conseguem de alguma forma se sustentar, pois esses continuariam a lhe pedir cada vez mais dinheiro e nem todo o dinheiro do mundo seria suficiente. Também não deveria doar o seu dinheiro para os hospitais (não entendi muito bem o porque) a não ser que fosse para um hospital experimental no qual ele acreditasse. não recomenda tão pouco doar a educação ou sociedades beneficentes... talvez, e mais uma vez eu não entendi direito (é um livro curto e de leitura rápida.. provavelmente compensa uma releitura), o dinheiro deveria ser doado ao proprietário da instituição que se quer ajudar. Para Shaw, ou para a ironia de Shaw, o milionário deve gastar, doando, o seu dinheiro com aquilo que a sociedade não precisa, nem deseja, mas que de alguma forma a leve ao progresso. E por fim ele critica os milionários que fazem da caridade uma forma de esclarecer a própria consciência.

Realmente não sei se entendi o livro, com certeza não tentei esclarecer as ironias que eu consegui encontrar, e provavelmente deixei muitas outras passarem. Não dei atenção suficiente ao livro, pois folheando-o como de costume antes de lê-lo, encontrei o tal do breviário, antes do anedotário, e que provavelmente é o que eu preciso para o meu trabalho. Estou ansiosa para falar com o professor, antes de sair lendo cuidadosamente e inciando um trabalho que eu não poderei fazer igual ao que aconteceu com o Dorian Gray.

Otelo, o mouro de Veneza - Shakespeare

Novo semestre, novas leituras...
Acredito piamente que se eu me esforçar muito, mas muito mesmo eu consigo me formar ainda esse ano. Claro que a DAC adorada não ajuda em nada, ou talvez o meu entendimento das informações fornecidas pela DAC não ajudem em nada... uma coisa ou outra, o fato é que o semestre passado foi coxa, e esse vai ser pauleira. Tive que me matricular em muitas matérias, e ainda descobri no último segundo que faltava 4 créditos para me formar, corri atrás de qualquer matéria.. E talvez entre ai a minha crença no destino. Nos 5 semestres que eu já fiz do curso pelo menos uma matéria com um dado professor eu pegava, gosto das escolhas de livros dele, gosta da exposição, mas nesse último semestre eu tinha me decidido por não fazer a matéria que tinha visto por causa do horário... bem havia outra que magicamente sumira da minha vista no final do outro semestre... pois lá estava um matéria dele, sobre paixão na literatura, com Orgulho e preconceito na bibliografia obrigatória, bem no ano em que não deu tempo de lê-lo nas férias de inverno.. Destino! E aqui estou eu em mais uma matéria cheia de leituras... a primeira Otelo! eu já o lera antes para uma outra matéria, sobre circulação de livros, não lembro de ter ido na aula de discussão... lembro de ter lido ao mesmo tempo que começava As crônicas de gelo e fogo... E lembrava da história é claro, um clássico, que eu primeiro conheci através de Machado de Assis, no ciúme doentio de Bentinho por Capitu em Dom Casmurro.



A tragédia conta a história de Otelo, um mouro que possuía um alto cargo no exército de Veneza, e que através de suas histórias conquistara a coração de Desdemona a filha linda e virtuosa de um rico senhor de Veneza que já recusara o amor de pretendentes melhores. Tudo começa com Iago (o alferes de Otelo que por causa de um cargo dado a Cássio em seu detrimento busca  vingança), e Rodrigo (apaixonado por Desdemona) que vão delatar a Brabancio, pai de Desdemona, a fuga de sua filha com o mouro. O pai de início quer justiça e acredita que sua filha fora enfeitiçada por ele, pois ela jamais poderia ter se apaixonado por um homem tão feio e mais velho, ela o nega e afirma amar o seu marido e dever-lhe obediência, o pai traído não quer mais saber dela, depois que os senadores de Veneza ficam ao lado de Otelo, e esse é mandado imediatamente em uma missão para Chipre, e depois Desdemona o seguiria levada por Iago, que consegue parecer fiel aos olhos do mouro.
Em Chipre Iago arma o seu plano, em primeiro lugar ele precisa fazer com que Cássio perca o seu posto, para isso ele se utiliza de Rodrigo, eles brigam e Otelo afasta Cássio enquanto pensa no que é melhor ser feito. Depois Iago convence através de insinuações de que Desdemona não é fiel a Otelo, que ela e Cássio se encontram. De início Otelo diz não ter ciúmes, mas aos poucos esse vai consumindo-o, ele apenas quer uma prova disso, qualquer prova. Iago então conta com a obediência de sua mulher Emília, criada de Desdemona, que sem saber por que pega o lenço de sua patroa e o entrega ao marido, esse coloca na cama de Cássio, e informa Otelo. Para esse isso é o suficiente! Ele precisa defender a sua honra. Iago como bom criado diz que cuidará de Cássio, e mais uma vez convence Rodrigo de fazer o trabalho sujo, contudo esse é morto e Cássio fica apenas machucado, enquanto isso Otelo sufoca Desdemona em seu quarto, e Emília ao conseguir entrar lá descobre tudo, nesse meio tempo Cássio, Iago e outros entram no quarto para contar o ocorrido, e Emília acusa seu marido de ter causado tudo aquilo, ele a mata. e Otelo desesperado também se mata.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Senhor do Anéis - A Sociedade do Anel - J.R.R. Tolkien

"Rileggere non è ripetersi, ma dare una prova sempre
 nuova di un amore instancabile"
Moravia

"Que a segunda vez que você
vê uma coisa é na verdade a primeira vez.
Você precisa saber como a coisa termina
antes de poder apreciar a sua beleza desde o início"
David Gilmour - O clube do filme

"Ninguém desce duas vezes o mesmo rio,
porque as àguas mudam... Cada vez que
lemos um livro, o livro mudou,
a conotação das palavras é diferente"
Jorge Luis Borges

Na verdade eu poderia ficar eternamente aqui dando mil motivos diversos para a releitura. Não só de Senhor dos Anéis, que provavelmente é a minha maior paixão, mas de todo e qualquer livro, primeiramente por ser obrigada a concordar com David Gilmour, e porque cada releitura é um novo detalhe que lhe chama a atenção, e ao mesmo tempo é como rever velhos amigos. Então se tem um conselho que eu dou para as pessoas é: desligue a TV e vá reler um livro! Além de tudo isso ainda faz sentido as pessoas comprarem os livros... sendo assim emprestem livros também, mas jamais Senhor dos Anéis, vai que não te devolvem, que demorem muito para ler, que estraguem... não! ele é um bem precioso.
Como prova de que cada vez que nós relemos um livro algo novo nos surge, só dessa vez, provavelmente a sétima, é que eu percebi que ele tem por titulo o nome do vilão. nunca tinha reparado nisso. Tentei encontrar entre os livros que eu tenho aqui algum outro que fizesse isso, me deparei apenas com O Diabo veste Prada, e veja bem que ai teríamos que inferir que a chefe da mocinha é o diabo, que o diabo em si eu acredito que ande peladão por ai.


Como eu disse Senhor do Anéis é o meu livro favorito. Sou fissurada por literatura fantástica, e simplesmente não me canso da magia e do mundo criado por Tolkien, já li muitos de seus livros, sempre querendo saber mais sobre a Terra Média, talvez procurando algum furo, ou uma maneira de entrar. Quando fizeram os filmes eu fui logo assistir, todos no cinema, lembro que pelo menos um ainda foi em comemoração do meu aniversário... devo dizer que eu odeio os filmes. Não sei se são bons ou ruins (diferente do Hobbit que é uma merda, e visivelmente estão apenas atrás de lucro e foda-se a obra de Tolkien), mas o que me incomoda eu sei perfeitamente, claro que além dos cortes das melhores partes - até hoje não superei a omissão de Tom Bombadil, e é o simples fato de que da primeira vez que eu li Frodo não era Elijah Wood, nem Legolas era Orlando Bloom... as paisagens eram diferentes na minha cabeça, e a minha criatividade parece que ficou limitada pela visão de um diretor, ou de produtores... desejaria nunca tê-los visto, e assim ainda teria a possibilidade de ter os meus hobbits, anões, elfos e magos...
Me sinto meio idiota tentando resumir o livro que eu nunca me canso de ler, o livro que eu acho que precisa de cada palavra, por mais que já tenha entrado em intermináveis sobre o livro ser cansativo em suas descrições. Também não vejo sentido em resumir um livro que todo mundo já assistiu aos filmes, mas vamos tentar....
O livro começa no Condado, onde Bilbo Bolseiro, um hobbit muito diferente, está preparando sua festa conjunta de aniversário de 111 anos, com seu sobrinho e herdeiro Frodo Bolseiro que naquele ano estaria fazendo 33, que pe quando os hobbits se tornam adultos. Bilbo planeja uma festa enorme, convida metade do Condado, e também aparece Gandalf.... Sério não consigo!!
Apenas colocarei algumas correções com relação ao filme, quando Bilbo parte para sua última aventura deixando tudo para Frodo este não sai às pressas com Gandalf logo depois de descobrir que aquele é o Anel, eles têm um plano a longo prazo e se não me engano passam-se dez anos antes de Frodo abandonar o Condado. Ele não encontra por acaso Merry e Pippin na plantação do senhor Magote. Eles estão fingindo uma mudança de Frodo, que depois partiria apenas com Sam para Valfenda caso Gandalf não chegasse antes. Mas seus amigos percebem o seu plano e decidem ir com ele, e por causa da perseguição dos Cavaleiros Negros eles acabam adiantando tudo e indo pelo caminho da Floresta Velha para despistá-los. Então começa a minha parte favorita. A travessia dos quatro hobbits pela Floresta Velha onde as arvores têm vida e vontade própria. A mais poderosa delas é o Velho Salgueiro-homem que encata os hobbits para que eles durmam e depois tenta "engoli-los". É ai que aparece o velho Tom Bombadil, um homem, ou não, tão velho quanto a Terra Média que é senhor da sua terra e lá tudo o obedece, o Anel não tem qualquer efeito sobre ele. É um ser animado que canta e pula o tempo todo, e os abriga em sua casa, para depois indicar o melhor caminho pelas colinas tumulares até chegar em Bri. Mas é claro que não é uma viagem tranquila, e os quatro hobbits são pegos pelas criaturas tumulares e só são salvos por uma força que existe em Frodo que o mantem consciente, e ele canta para que Tom apareça. Mais uma vez salvos eles se dirigem para Bri e a hospedaria do Pônei Saltitante - praticamente toda essa parte do filme está alterada, há uma carta de Gandalf que explica muita coisa, e não faz dos pequenos seres ingênuos que seguem qualquer um em uma estrada perigosa!
Não é a Arwen quem vai ao encontro deles perto do vau do Bruinen. Jamais uma alta senhora elfica protegida pelo papai sairia a cavalo atrás deles. É um alto senhor elfico que sabe lutar. Frodo atravessa sozinho o rio, nada de corte na face branca. A estadia em Valfenda é muito maior do que a do filme, mas isso eu perdoo, quero dizer teria sido melhor uma série, veja o sucesso de Games of Thrones.
A partir disso já não vejo tantos problemas no filme. A não ser que o momento em que eles tentam passar pelo Caradhras não é Saruman quem faz a montanha vir a baixo, a montanha tem vontade própria. E também o tempo passado em Moria é um pouco mais longo, e um pouco menos de luta... Do momento em que eles saem da mina até entrar na cidade de Caras Galadhon em que os elfos de Lothlorien moram acontecem pequenas coisas que não são relatadas, como Gimli e Frodo olhando pelo lago espelho e a musica cantada por Legolas às margens do Nimrodel.
Então já estamos quase no final, a comitiva se despede dos senhores de Lothlorien, recebendo cada qual o seu presente, e rumam para o sul em barcos. Ninguém sabe qual caminho seguir, essa decisão cabe a Frodo, que quando eles precisam decidir, pede uma hora para pensar e lá é abordado por Boromir, que diferente do filme é um tanto mais sensato e tenta convencer Frodo antes de partir para a violência. Todos estão conversando nesse momento pensando no próximo passo, com medo mas dispostos a seguir Frodo até Mordor apesar de preferirem seguir Boromir. Quando este volta atordoado, eles saem a procura de Frodo, e apenas Sam é capaz de prever o que o seu amo vai fazer e volta para os barcos e eles vão embora. O ataque orc fica para o outro livro.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O reverso da medalha - Sidney Sheldon

Quando eu troquei Arquitetura por Estudos Literários acreditei que todas as vezes que eu dissesse o curso que eu estava fazendo as pessoas ficariam impressionadas, perguntariam onde existe esse curso, e principalmente o que eu queria fazer com isso, e os mais sinceros falariam do salário. Não estava em nada enganada, só tive que acrescentar mais dois comentários, que lindo! e nossa como você é inteligente! Não discordo de nenhum dos dois, mas acho que muitos outros cursos são lindos, e pessoas em diferentes cursos podem ser inteligente, e muito provavelmente são.
Mas o comentário que mais me incomoda, é na verdade um pedido: fala alguma coisa ai! O quê??? Sério, nunca ouvi ninguém chegar para um engenheiro e pedir pra ele contar alguma coisa, é claro que o meu curso é mais interessante, por se tratar de cultura, mas eu preciso de um tema. Há cerca de um ano atrás, em um jantar entre amigos, uma amiga me fez esse pedido. Me recusei a responder, até que ela foi mais específica: o que você acha de Sidney Sheldon? Eu não fazia ideia de quem ele era, nunca ouvira falar dele. Me disseram que era parecido com Paulo Coelho, só que americano. Nunca li Paulo Coelho tão pouco, mas do que eu ouvira falar, é muito ruim, piegas, usa sempre o mesmo enredo que vende e não acrescenta nada. Comecei a falar sobre Nicholas Sparks, que eu achei que seria parecido, todos os seus livros viram filmes supertristes, como Um amor para recordar, Querido John, A ultima música, Noites de tormentas, Diário de uma paixão...
Semanas depois fui contar essa história para uma outra amiga, eu estava na kitnet dela, e ao terminar a história ela me entregou um livro "vira-vira" do Sidney Sheldon, e me disse que realmente num me acrescentaria grande coisa mais, que era daqueles livros fáceis de ler, que de cativam que rapidamente eu terminaria de ler. Assumo que demorei para começar a ler, mas demorei ainda mais para terminar. O começo foi interessante, o meio um saco, e o final cheio de erros, mas eu li bem rápido porque já está na hora de eu devolvê-lo, sem ler o outro lado....


O livro conta quatro, senão cinco gerações de uma família. O prólogo narra a última cena do livro, o que acontece meio que simultaneamente ao epílogo, ao terminar o livro tive que reler o início só para dar aquela refrescada e ver tudo o que o prólogo prometia. De fato ele promete muito, é um baile de aniversário de 90 anos da matriarca de uma família muito rica e importante dos Estados Unidos, que é assombrada por seus fantasmas, e mesmo lá no baile há figuras misteriosas.
Então o romance volta muito no tempo para contar a história do pai de Kate Blackwell, Jamie McGregor um jovem irlandês, eu acho, que saiu de casa para tentar a sorte nas minas de diamante da Africa do Sul. Chegando lá ele tem muitas dificuldades, principalmente porque é enganado pelo comerciante local, que manda assassiná-lo. Contudo ele é salvo por Banda, um negro que torna-se o grande chefe da luta contra o racismo. E juntos eles decidem se vingar roubando, uma de suas minas mais valiosas e bem protegidas. É uma aventura muito arriscada, mas os dois não têm nada a perder. E milagrosamente eles conseguem sair de lá com muitas pedras. Jaime quer repartir tudo igual, porém Banda pega quase nada e vai embora, mas eles continuam amigos. Jaime volta para a cidade em que ele fora ludibriado e começa a sua vingança, ele mudara tanto por causa do efeito do deserto que ninguém o reconhece, ele seduz a filha do comerciante, Margaret. Ela engravida e ele a dispensa, o pai entra em desespero e a joga na rua. Ela tem um filho e através dele tenta reconquistar Jaime, que no começo reluta em aceitar, mas acaba por se apaixonar pelo filho. Mas esse é morto, e resta-lhe uma nova filha que ele cria, mas ela não é uma mocinha normal,  muito determinada, e quando ele morre ela assume o controle da enorme empresa que ele criara, a Kruger-Brent (uma das boas sacadas do livro, pois é o nome dos dois guardas que estavam no campo de diamantes que Jaime e Banda invadiram, e no meio de um nevoeiro, em que eles poderia ter morrido ou sido descobertos, tudo o que eles ouviam era os guardas chamando um pelo outro).
O romance inteiro é contado com essa mesma pressa que eu tentei descrever, nenhum momento é descrito e aprofundado, afinal são cerca de cinco gerações de uma família cheia de acontecimentos em apenas 400 e poucas páginas. O meio do livro, que é a parte mais enfadonha, conta a vida de Kate McGregor, que é uma verdadeira controladora, e faz de tudo para conseguir o que quer, como casa com David Blackwell, um homem muito mais velho que trabalhava desde criança para o pai dela, sério, acho que uns 20 anos a mais sem problemas, apesar de ela ser linda maravilhosa e rica, como todos os outros personagens. Depois conta a vida do filho deles, que foi criado só pela mãe, pois David morreu logo depois, Tony é uma criança excepcional, linda inteligente e talentosa, mas que tem medo da mãe, quer ser artista e não se importa com a empresa da família. Mas a mãe controla tudo então ela programa para ele ir para a França estudar arte, conhecer uma modelo, namorá-la, ter uma exposição e ser extremamente criticado para que ele voltasse para Nova York e trabalhasse na empresa, e depois ela também maquina o seu casamento, fazendo ele crer que ela queria que ele se casasse com uma mulher e não com a outra, de quem Kate queria a empresa. Mas Tony descobre tudo, quando sua mulher está em trabalho de parto e falece. Tony surta, vai até a casa da mãe e dá dois tiros nela e começa a rasgar os seus vestidos! Depois disso ele é internado num manicômio e sofre uma lobotomia pois do contrário ele teria que passar o resto de sua vida em uma camisa de força...
Kate então fica com a guarda das netas, nasceram gêmeas idênticas, sem nenhuma pinta para diferenciá-las. As duas são lindas, maravilhosas e de gênios opostos, enquanto a mais velha Eve é esperta e ambiciosa, a mais nova Alexandra é a meiga e dócil. Desde criança Eve sente um ódio inexplicável pela irmã e tenta sucessivamente matá-la. Quando elas entram na adolescência Eve torna-se promíscua e quando a avó descobre a deserda, e muda seus planos e afetos para a neta mais nova.
Eve torna-se ainda mais vingativa, e ao conhecer um psicopata trama um plano para conseguir ficar com a fortuna vó, fazendo com que sua irmã se apaixone pelo sádico e cativante George Mellis. Mas tudo sai diferente do planejado, pois uma noite em que George quase mata Eve, ela vai para um médico que é Deus, insignificante, nem notas boas ele tinha, mas é o melhor cirurgião plástico do mundo, e a reconstrói exatamente como era antes, e ele se apaixona por ela. Enquanto que George é mandado para um psiquiatra, Peter Templeton, que descobre esse lado louco do jovem maravilhoso e cativante, e assim o plano maligno começa a ser desvendado. Mas antes de tudo acontecer Eve e a avó se reconciliam, e para ela não é mais interessante que George mate a irmã e fique ele com metade da fortuna...

Já cansei de todo esse povo muito bonito elegante rico e maldoso. Não vou contar o fim, para o caso de alguém que leu isso ainda tenha vontade de ler.. vai saber, tem gosto para tudo. Mas já digo, o final não é surpreendente! 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Germinal - Émile Zola

Zola assim como Balzac quis fazer um grande romance composto por outros romances, mas ele foi mais sensato, ao invés de querer escrever uma história da humanidade, ele se fixou em alguns aspectos, Germinal faz parte do grande romance composto por dez volumes dos Rougon-Macquart que é a trajetória de uma família durante o segundo império francês, o de Napoleão III. Do pouco que eu li, do pouco que eu lembro ter aprendido no colegial sobre o naturalista, cheguei a conclusão de que Zola era fissurado por anotações! Esse livro teve primeiro um projeto, depois um esboço, várias anotações da pesquisa de campo, e mais de uma versão até ficar pronto - o que para mim explica a perfeição desse livro. Acho que no projeto o autor definiu a temática de seu romance: "O romance é a revolta dos assalariados, o estímulo ofertado à sociedade que subitamente cede por um instante: para resumir,  a luta do capital e do trabalho. É nisso que reside a importância do livro, eu o quero predizendo o futuro, formulando a questão mais importante do século XX" (o livro é de 1885).
Com isso parece que não havia livro mais propício para ser lido agora, em meio a tanta manifestação no Brasil. Talvez essa questão não seja apenas a mais importante da França do século XX que nem havia iniciado, talvez ele estivesse predizendo um futuro eterno, uma luta que sempre existirá. Bem, a minha intenção não é falar de política, mas sim resumir um livro lido.

Um livro muito bem lido, e mais do que apreciado. Acho que desde que eu li O código Da Vinci do Dan Brown (e olha que eu li em 2005), eu não me sentia tão presa a uma leitura, tão fissurada e tensa para chegar logo no final. Me prometia para no próximo capítulo para ir comer, tomar banho, necessidades básicas, mas eu achava que mais um pouquinho não ia atrasar a minha vida. Ainda nas primeiras páginas eu já fui descobrindo o que ia acontecer, mas sem saber ao certo, querendo ver como Zola colocaria isso, engoli todas essas páginas, em meio a algumas lágrimas.
O livro começa muito poeticamente com a descrição do ambiente, e de um homem, Étienne Lantier, que caminha nessa paisagem, sem direção, arrasado, cansado, sem dinheiro e sem comida. E acaba se deparando com uma mina de carvão, a Voraz - que por todo o romance será descrita assustadoramente como um monstro que engole os seus operários. Ainda no escuro da madrugada Étienne conversa com o velho Boa-Morte cuja família trabalhava na mina desde a sua fundação, e que ele mesmo já trabalhara no seu interior, contudo devido sua saúde agora trabalhava no seu exterior, mas seu filho e seus netos ainda desciam todo dia. Étienne entra na mina a procura de emprego, e já tinha desistido quando Catherine a neta do velho, e filha do Maheu, vai atrás dele para lhe oferecer emprego, pois um dos vagoneteiros que trabalhava com seu pai tinha sumido.
Assim começa a relação de Étienne com essa família, enorme e miserável. São o pai e a mãe (que Zola se contenta em chamar apenas de o Maheu e a Maheu), o velho Boa-Morte, Zacharie o filho mais velho, Chaterine, Jeanlin (os três já trabalham na mina), Alzire que é corcuda, Lénore, Henri e a bebe Estelle (nenhum desses trabalhava, incluindo a mãe). Ou seja uma família de 10 pessoas para sobreviver com um salário escasso. Étienne ao mesmo tempo que trabalha com afinco na mina, e sente-se atraído por Catherine (que fora abusada por um dos mineiros que trabalhavam com seu pai, e acabara por aceitá-lo apesar de toda a violência desse), começa a sentir-se revoltado com a submissão dos mineiros, que aceitam as multas e o roubo das suas horas de trabalho, e o desprezo dos patrões, que ele sequer sabem quem são. E quando ele começa a se corresponder com um ativista político da Internacional (organização de trabalhadores da Europa), e trava amizade com Survain um russo niilista refugiado, e Rasseneur o taberneiro, antigo mineiro que fora demitido na última greve, por ser um dos chefes.
Logo Étienne começa a ter ideias vagas, sem um grande conhecimento ele oscila entre os pensamentos da época, em utopias de um mundo justo, em que os operários massacrariam os burgueses tomariam o poder, a mina dos mineiros. Primeiro ele convence os operários a criarem um fundo para que em caso de greve eles tivessem com o que se sustentar, depois ao poucos ele conversa com os seus camaradas, incita o desejo de justiça, e torna-se aos poucos o seu líder (coisa que rápido lhe sobe a cabeça!). Então chega a greve, e os burgueses fazem pouco caso dela, porém ela se estende o povo vai definhando de fome, as casa dos operários na aldeia já não possuem nada, tudo foi vendido para se alimentarem, também as minas sofrem com a paralisação, pois além de não produzir mais, a estrutura está definhando. Mas ninguém quer ceder. Os operários sabem que estão com a razão. Porém os burgueses possuem o capital. A greve se agrava, e quando alguns mineiros decidem voltar o trabalho, a multidão esfaimada se une para detê-los, pois apenas uma greve geral poderia atingir o resultado. A multidão cresce e começa a destruir as minas, até que a polícia tem que ser chamada. O que acaba depois de um tempo em desastre. E esse leva ao retorno do trabalho, contudo as desgraças não terminam... principalmente para a família Maheu que no final do livro está apenas com 6 membros e apenas dois em condições de trabalhar. Étienne depois de muito sofrer vai embora para Paris ainda em busca do seu sonho de um mundo melhor e justo.

Não sei o quanto deixei de falar para não contar o final, ou o quanto eu sou incapaz de resumir. Existem milhares de personagens secundários, diversas famílias mineiras que são bem descritas como os Levaques, vizinhos dos Maheu, em que o pai mineiro é o mais violento dos grevistas, sua mulher que não cuida de casa e tem um caso conhecido por todos com o seu inquilino, o filho do casal que é "amigo" de Jeanlin e com ele apronta todas, muitas vezes sendo obrigado a crueldades, apenas tendo um momento de felicidade com a filha da outra vizinha pouco antes de morrer, e aida uma filha mais velha que se casa com Zacharie de quem já tinha dois filhos. E mesmos os burgueses são retratados em três diferentes famílias, a do diretor da Voraz, com sua mulher que não o quer e tem um caso com seu sobrinho, o engenheiro Négrel, que está noivo de Cecile Grégoire, filha de uma família de burgueses que viviam de rendas das ações da mina. E eram aparentados com o dono de uma pequena mina que será engolida pela Voraz. Tudo está interligado, os capítulos se sucedem como cenas em que você está presente.
Não sou capaz de escrever a grandeza desse livro, em que as metáforas são perfeitas, os mineiros sob a terra martelando com suas picaretas prontos para emergirem do chão (germinarem) para exigir os seus direitos. Leiam e releiam!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Madame Bovary - G. Flaubert

O penúltimo dos livros que eu tenha que ler para a matéria de literatura francesa. Essa era o único que eu já havia lido, e apesar de não ser a tanto tempo, eu na verdade não me lembrava direito, sabia que ela era uma adultera como qualquer pessoa que já ouviu falar sobre esse romance. Sabia também que quando o libro foi publicado (1857) Flaubert sofreu um processo por seu romance ser inapropriado e levar leitoras ingenuas a seguir sua protagonista, porém ele foi absorvido.
Sinceramente, apesar de ser um cânone, eu não consigo encontrar o que ele possui de tão bom para continuar durante todos esses anos sendo estudado e lido. Não é como em Dom Casmurro que ainda hoje não chegou-se a uma conclusão quanto a fidelidade de Capitu. Não! Ema Bovary traiu seu marido, traiu mais de uma vez, se tivesse sobrevivido trairia de novo, mas não sobreviveu, foi fraca se suicidou, e depois seu marido morreu de infelicidade ao descobrir sua traição, deixando a pobre da filha completamente desamparada. Mas desculpa, estou acelerando, e começando pelo fim.



Quando eu comecei o livro me veio um sorriso, ah finalmente um livro narrado em primeira pessoa (eu sempre gostei mais desses!). O narrador começa contando da primeira vez que Charles Bovary foi a escola, de seu acanhamento e do seu atraso. Porém, meu sorriso logo se esvaiu, não sei se propositalmente ou por um lapso o senhor Flaubert passou para um narrador em terceira pessoa completamente distante, quase invisível, o autor buscou manter um distanciamento que para um leitor desatento passaria por uma simples descrição, sem julgar o caso. O que não é o caso.
Apesar de o romance começar com a história de Charles, a protagonista é Ema. Porém, para chegar nela o narrador conta a vida de Charles, que estudou medicina sem se aplicar muito. Conseguiu um posto e uma mulher, viúva ciumenta que morre logo no início, implorando por um pouco de amor. Mas, Charles já está inclinado para Ema, que é a filha de um fazendeiro de que ele tratou, e continuou visitar, muito provavelmente por causa dos grandes olhos de sua filha. Ema, que recebera uma educação cristã, mas tinha uma visão muito distorcida da religião, voltara para morar com o pai, e tinha a cabeça, assim como Dom Quixote, cheia de romances, dos quais ela tirou um ideal de amor.
Depois do tempo de luto necessário para Charles, eles se casam, e logo Ema descobre que seu marido é simplesmente medíocre. Quando eles são convidados para um baile no castelo de um visconde, ela sai toda encantada imaginando como seria ter aquela vida, enquanto ele apenas se resigna de que aquela não é a vida deles, e que é bom voltar para casa.
Ema se desaponta e se desilude e adoece. Charles decide que é melhor eles mudarem de região, e vão morar em uma vila, que no mínimo daria um bom quadro, todo mundo é tão típico. A taverneira viúva e atarefada, o empregado manco, os vizinhos fofoqueiros, o padre, o faz tudo, o quieto e  o extrovertido (são as conversas entre o padre e o farmacêutico Homais que fazem o livro valer a pena!). Assim que o casal lá chegam já entram em contato com grande parte deles, e Ema já faz amizade com o jovem Leon, e por quem acaba se apaixonando, contudo nada acontece, pois ele parte para a cidade afim de estudar. Ela sozinha e desiludida conhece Rodolfo jovem rico que vive de rendas e já tivera várias amantes e se decide por ter aquela bela mulher.
É claro que consegue. No dia em que o ato se consuma, Ema volta para casa exultante se sentindo, e Charles no seu conformismo, também a acha mais bela, se gaba da sua mulher, para quem ele é todo amores. (Um pouco antes disso eles tiveram uma filha, que é completamente esquecida, um personagem completamente desnecessário! - me desculpa, ela é tão inútil que eu não consegui encontrar um lugar coerente para colocar o seu nascimento). Os amores entre Ema e Rodolfo continuam, todos na cidade suspeitam, Ema é completamente inescrupulosa. Eles então decidem fugir, mas Rodolfo desiste no último segundo, deixando Ema acabada, com uma carta um tanto insensível. Ela cai doente mais uma vez.
Aos poucos, e com muito cuidado do seu marido, ela se recupera. Na primeira chance de lhe agradar Charles a leva para o teatro na cidade, onde eles reencontram Leon. Ema então embarca em mais um caso, sendo a primeira cena disso um tanto pesada, eles ficam em uma espécie de carro por horas, de cortinas fechadas, fazendo sabe-se lá o que.
O romance continua.. ela traindo, ele achando que tudo em casa vai bem. Porém, há um outro problema, Ema tinha assinado muitas letras (seria como comprar a crédito) e o mercador resolvera cobrá-la de tudo, uma soma muito alta que ela não sabia como conseguir. Pediu a Leon que a deixou na mão, pediu para um homem rico que queria algo em troca, pediu para Rodolfo, humilhando-se, e ele também não tinha. No seu desespero Ema vai a farmácia, e convence o ajudante, Justino, que era apaixonado por ela, a abrir uma sala em que Homais guardava seus produtos, e lá se envenena com arsênico. E depois de algumas horas morre agonizando. Uma parte um tanto longa, para um fim no qual Charles descobre-se traído e morre sem nenhuma explicação.
Nem deveria ter me estendido tanto por um livro um tanto chato. Mais um último comentário, prometo, da minha primeira leitura eu lembro de ter achado um absurdo as pessoas considerarem ela tão devassa, afinal foram só dois amantes. Acho que eu não entendia tanto de monogamia a menos de 5 anos atrás. Sério, hoje parece horrível! Não basta trair com uma pessoa, tem que ser com duas que você ama até a morte mas não pode nem se esforçar um pouquinho pelo tonto do seu marido que te ama tanto?!